Notas iniciais
Oi, pessoal!
Enton, desculpe se o cap ficou ruim, é que fiz ele com dor de cabeça e bla bla. Tenho avisinhos aqui em baixo, não ignorem rçrç.
1 - E vou avisar logo que aqueles que estão aparecendo pouco, para não se preocuparem que eu vou retribuir!
2 - Quero abraçar a Lely e a Milk Twiggy pelas recomendações! Sério, eu to tão feliz com elas!
3 - A anta aqui só veio notar uma coisinha agora: Na ficha eu não pedi os medos dos seus personagens, e é meio dã que vai precisar na segunda e terceira parte da iniciação. Mandem por MP e não por review, pois eu quero que seja segredo ;)
É só! Inté o/

– Primo?

– É, sou primo dele. Meu nome na verdade é Marco. — O rapaz respondeu. — Por quê? Achou que fosse Fellipo?

Delillah assentiu, chocada. Passara a noite em claro, massageando a clavícula onde a fênix estava estampada, pensando no tatuador que a fizera. O símbolo da ressurreição de si mesmo. O animal que se ergueu da próprias cinzas. Ela se compatia tanto com ele que a necessidade de carregá-lo consigo se tornou uma ideia reconfortante.

Fugira dos amigos depois do treino turbulento daquele dia, sem rastros, para visitar o Estúdio que gravara o caminho na mente. Veio pensando no outro careta no caminho. As pessoas comentavam na saída, que ele era um maníaco e coisas do gênero, porém ela tinha certa compaixão por ele. Reconheceu seu surto e de letra, sabia que ele não tinha feito aquilo de propósito, mas sim por um problema que a própria já teve de enfrentar. Porém, assim que alcançou a entrada do Estúdio, sua mente voltou ao garoto dos olhos dourados.

Pensou que Marco, que realizou sua ideia, era o cara que tanto almejava. Para depois descubrir que não era Fellipo quem a recepcionou.

– Não a culpo. Tenho essa mania de me aproveitar da fama de meu primo quando ele não está. — Ele riu, como se fosse uma piada particular, pedindo espaço á garota para passar a vassoura no lugar onde a mesma estava em pé. — As gatinhas caem em cima.

– Fellipo... — Ela estava préstes a perguntar algo quando Marco se irijeceu sobre a vassoura, apontando para ela subitamente.

– Sabe, acabei de me dar conta que estou conversando faz... — Olhou para o próprio relógio em seu pulso — ... quinze minutos, com alguém que nem ao menos sei o nome. Seria muito indelicado perguntar agora?

– É Delly — Ela disse, já impaciente. Queria chegar logo ao ponto — Enquanto ao seu pri...

– Delly de Delillah? — Marco gaguejou, com os olhos dourados fitando a garota á sua frente.

– Sim, de Delillah — Estava préstes a retornar a antiga pergunta quando sentiu o rapaz estremecer. — Algum problema com o meu nome? — Ela já sabia qual era, porém poderia chegar mais fundo se viesse da boca do mesmo.

– Oh, não — Marco passou a vassoura sobre o tapete rapidamente, de um jeito nervoso. — De jeito nenhum.

– Olha, se tiver...

– Já disse que não tem! — Ele elevou a voz, porém depois se encolheu, constrangido — Desculpe. É que Fellipo chega amanhã e tenho que limpar todo o Estúdio se não é capaz de ele ter um troço e nunca mais me deixar como responsável. — Varreu aos pés de Delillah, a forçando caminhar até a porta — Foi muito bom conversar com você, mas tenho muita coisa para fazer ainda e...

– Eu reconheço uma mentira, Marco. — Ela o interrompeu, freiando os calcanhares no parapeito da porta, fazendo a palha da vassoura pausar a varredura sobre seus pés.

– Não estou mentindo! Fellipo chega mesmo amanhã e...

– Não quis dizer sobre a do seu primo, mas sobre o meu nome. — Estreitou os olhos, o pressionando — Tem definitivanente algum problema com ele e só saio daqui quando me disser qual é.

Marco cogitou as palavras dela e seus ombros caíram, vencido. Empurrou as costas de Delly para dentro da recepção do Estúdio e fechou a porta. Jogou o cabo da vassoura no canto da parede vinho.

– Tudo bem, eu conto — Ele passou a palma suada das mãos no rosto, sentendo no sofá — Mas terá que prometer que esse assunto morrerá aqui.

– Prometo.

– Ah, cara, nem acredito que vou contar isso para alguém que conheço á um dia — Murmurou para si, tirando a mão que tapava seus olhos e a coloacando no colo- Mas vamos lá.

Delillah era o nome da irmã adotiva do Fellipo. A mãe dele a encontrou ainda bebê, largada no Fosso e a acolheu como se fosse sua filha. A garota não era das mais equilibradas, porém Fellipo a amava mesmo assim. Ele tinha um outro irmão também, de sangue, só que ele não gostava muito de Delillah e as pessoas diziam que ela sussurrava para si mesma de vez em quando que iria matá-lo. Ninguém nunca levou ela muito á sério, com excessão de Fellipo. Ele conversou com ela, com aquele jeito amistoso dele e a garota interpretou que Fellipo estava defendendo seu irmão porque ele o amava mais do que amava ela. No meio da noite, então, Delillah matou o irmão de Fellipo por ciúmes e a sua mãe ficou tão irada que tentou atacá-la, porém Delillah foi mais rápida e a matou também. Ela estava possuída, eu escutei dizer, e iria matar qualquer um que chegassem perto até que Fellipo o fez. Ele lhe disse algo que ninguém até hoje sabe o que foi e que a fez fugir para longe do complexo da Audácia.

Alguns dizem que ela se juntou aos sem-facção. Que o quê Fellipo tinha lhe dito trouxe de volta sua lucidez. Que se suicidou depois. Enfim, ninguém sabe o que houve com ela depois disso. E continuam sem saber.

– ...Fim — Com um ultimo suspiro de aflição, Marco encarou a garota a sua frente, esperando algum comentário.

– Fellipo te disse isso? — Foi tudo que conseguiu perguntar, depois de ser atingida tão fortemente com a verdade de seu passado.

– Fellipo? Não, não — Respondeu — Ele nunca abriu a boca pra falar sobre ela, traz ressentimento, eu acho. Fiquei sabendo por fofocas.

– O quê aconteceu com ele depois disso? Quer dizer, ele ficou sem família e...

– Não acha que está indo fundo demais? Já foi confidencial o suficiente o que te contei.

– Se já me contou tudo isso, aposto que não vai ser tão terrível assim me contar o resto. — Retrucou.

Marco praguejou, pegando a vassoura que largou antes e a jogando na direção de Delillah, que agarrou o cabo assustada.

– Só se você me ajudar a limpar isso aqui. Perdi tempo o suficiente para varrer o depósito e enxaguar o toalete com você — Agarrou um balde cheio de água no outro canto — Retribua e te conto o que quiser.

Deu de ombros e começou a varrer, ficando cada vez mais excitada em obter as respostas que tanto queria.

– Pode responder agora?

– Ah, sim. — A voz ecoada de Marco veio do toalete, onde jogava a água do balde nos ladrilhos — Qual era a pergunta mesmo?

– O quê houve depois.

– Hã, Fellipo foi pra Toca e...

– Toca? O quê é a Toca?

– É o lugar onde o pessoal da Audácia que não tem família ou que não tem dinheiro o suficiente para pagar compartimentos inteiros ficam. — Respondeu, cruzando a recepção novamente para voltar com um alvejante que estava na bancada ao toalete — Muita gente mora lá, mas os líderes não gostam muito.

– Por quê? É contra a lei?

– Não. É só que afeta nos lucros deles, sabe? Os compartimentos inteiros são bem mais caros que os da Toca e eles meio que saem em desvantagem. Também não é todo mundo que pode saber que lá existe.Teria muita gente mentirosa inventando que está falido apenas para pagar metade do aluguel do compartimento. Portanto a Toca fica escondida, nos confins do complexo, enterrada em um corredor que mais parece um labirinto. É um lugar completo, com enfermaria e tudo mais. Não me admira todo mundo querer se mudar para lá se soubesse de sua existência.

– Hum... E aí?

– E aí que meu pai pagava o compartimento da Toca para ele, mas quando Fellipo passou na iniciação, meu pai morreu e me deixou sozinho também. Ele teve a ideia de começarmos a tatuar para nos sustentarmos lá. Só que as proporções sairam de controle. O que era base de sustento se tornou em um dos maiores orçamentos da história da Audácia — Delillah passou a vassoura pelo depósito e uma nuvem de poeira agrediu seus olhos — Aquele sortudo de uma figa agora mora é em um dos mais caros compartimentos inteiros. Eu mesmo, tenho um só para mim.

– E ele nunca mencionou a irmã dele pra você?

– Não — Marco empurrou o alvejante para dentro do depósito, por cima do ombro de Delillah e retornou ao banheiro — Ele sempre foi muito fechado desde quando isso aconteceu. Detesta ter que dar satisfação para alguém e por isso eu nem pressiono. Para você ter ideia, eu nem sei o quê diabos ele foi fazer nessa viajem. Nem pra que facção ele foi. Só disse que ia passar uns dias fora e o dia que chegava. Ponto, só isso.

O estômago de Delillah se comprimiu. Fellipo era tão aberto e espontâneo. Tão alegre. Agora ele se tornou alguém frio e fechado, por sua causa. Juntou o pó em uma pirâmide torta e carregou o cabo da pá, empurrando-a para cima da cobertura de plástico e jogando o excesso no cesto de lixo, contendo os bolos de lágrimas suspensos em suas pálpebras.

Tão alegre...

– Delly? — Marco se projetou ao seu lado, com um rodo e detergente nas mãos. Sua voz tinha um tom de preocupação — Você está chorando?

– O quê? — Suas mãos foram automaticamente ao rosto, limpando os rastros de lágrimas — Não, é que tenho alergia a poeira.

– Alergia que faz chorar? Nunca ouvi falar.

– Está ouvindo agora. — Viu que ele não estava satisfeito — Olha, eu..

– Minha vez de fazer perguntas — O rapaz largou seus materiais, sem se dar por vencido e desviando o que quer que Delillah fosse falar — Sei que é uma careta, mas você parece ter algo grande em relação ao meu primo. Vocês já se conheciam?

– Claro que não — Rebateu, tentando domar as lágrimas — Como isso seria possível?

– Não faço a menor ideia, mas parece tão... real.

– Real? — Riu, com escárnio — O quê parece real pra você?

– Seu interesse pela história dele. Suas lágrimas. Até mesmo seu nome.

– Meu nome é só uma mera coincidência.

– E os outros dois? E não me venha dizer que aquele choro foi alergia.

– Desculpe, mas tenho que ir. O toque de recolher vai ser daqui á pouco e... — Tentou desviar o assunto, largando a vassoura e se dirigindo a porta.

– ... E você não tem uma desculpa para me dar e por isso vai embora. — Cruzou os braços. — Não é?

Suspirou longamente, se virando em seguida. A tatuagem da fênix pinicava sobre sua pele.

– Terá que prometer que esse assunto morrerá aqui — Repetiu as palavras do próprio, que assentiu.

– Sou um túmulo.

O símbolo da ressurreição de si mesmo.

–"Você não é uma assassina"

– O quê? — Marco separou os lábios com o choque e perplexidade da revelação da mesma.

A garota concentrou toda sua coragem para falar o resto, sem alterar a voz.

O animal que se ergueu das próprias cinzas.

– Foi o quê Fellipo disse á Delillah — Respondeu — Foi o quê ele disse á mim.