Audaciosos - Interativa
15 A Boneca de Porcelana
Notas iniciais
Quem tá animado levanta a mão o/
A pancadaria não acabou, vão ter mais dois ou três cap seguidos com os duelos SÓ DO TREINAMENTO DO PRIMEIRO DIA. Ainda tem mais três se não me engano.
E ah, uma dica pra quem busca inspiração quando vai escrever luta: - Pra quem curte a banda, né - Escrevam escutando Wretches and Kings do Linkin Park, sério na boa, cada batida parece que estamos socando o nariz de alguém...
Enfim, chega de blá blá meu! Boa leitura!
– Ele está falando sério?
Corinne não respondeu, apenas processava boquiaberta as palavras de Eric.
"Vocês vão lutar juntos, nascidos e transferidos" Vociferou em seguida, quando os iniciados começaram a protestar. "Está decidido!"
A garotinha da Amizade sustentava aquele porte encolhido, medroso, porém escondia entusiasmo no fundo de seu peito. Ela teria a chance de finalmente descarregar toda aquela pressão de segunda personalidade na cara de alguém.
– Tudo bem, pessoal — Quatro se apresentou, encaixando um quadro negro no prego fixado a parede. Seu corpo bloqueava os nomes — Já que serão nascidos e transferidos, vamos alternar as duplas que vão lutar. Vejam quais são as suas e vão para o ringue.
E se afastou, revelando os nomes de todos os iniciados em duas fileiras, com uma caligrafia de forma. O coração de Corinne pareceu parar e retornar a palpitar mais tarde em sua velocidade máxima.
Seu oponente seria Griffin.
E eles eram a primeira dupla.
Ao lado dela, ouviu alguém rosnar. Um nascido encarava Corinne com raiva, como se ela tivesse lhe roubado algo.
– Há outras lutas, Theo — A erudita o consolava — Você ainda vai quebrar a cara dele.
A boneca da Amizade sentiu uma comichão no colo do útero. Risos que ela não poderia pôr para fora, se não sua atuação seria destroçada. Caminhou até o círculo do ringue, com a cabeça baixa. Alguém atrás de si pigarreou.
– Isso não é justo! Olha o tamanho daquele cara pro tamanho da Corinne — Nathan resmungava, mas não se rebelou. Cassy e Delillah apenas concordavam com a cabeça.
Idiotas — Foi tudo que conseguiu pensar.
– Ora, se não é a boneca de porcelana — Griffin debochou, brincando com uma mecha de cabelo da menina — O que será que acontece se eu quebrar?
– Não quebra.
No segundo seguinte o garoto estava no chão, com o braço que segurava a mecha sendo torcido.
Todos arquejaram, incrédulos.
– Como ela fez isso?
Griffin se debatia, mas Corinne persistia em torcer seu braço. Por um desleixo, ela deixou suas costas desprotegidas e Griffin aproveitou para atingi-las com o bico do tênis. Os dois bolaram pelo chão, atrás de imobilizar o outro e Griffin conseguiu essa proeza. Ele se sentou no torso de Corinne, prendendo suas pernas com os joelhos para impedir que ela fizesse o mesmo golpe que o dele momentos atrás.
Socos aleatórios atingiam o rosto da garota. O primeiro chegou ao nariz. O som de cartilagem quebrando foi doentia e lambaredas finas começaram a escorrer pela suas narinas. O segundo e o terceiro vieram ao queixo. A garota gemeu com o impacto.
Griffin sorriu, perverso.
– Tem certeza que não quebra? — O soco seguinte veio ao olho.
A garota já estava ficando tonta, mas conseguiu revidar com uma cabeçada cega e o outro tombou para trás. Griffin foi rápido, se levantando no mesmo instante. Aproveitou para chutar suas costelas. Corinne desviou do outro e conseguiu se levantar antes de receber mais chutes. Os dois estavam agora na posição ensinada no dia anterior, de frente um para o outro, com os punhos erguidos na frente do rosto.
O ataque final poderia ter sido mais lento e justo se Corinne não tivesse acertado a virilha de Griffin. O garoto se contorceu, com as pernas encolhidas. Para finalizar o golpe, a mesma chutou seu rosto com uma força descomunal e ele desabou, inconsciente.
Houve silêncio. Dois segundos. Depois dois minutos. Pensou que duraria duas horas quando a gargalhada de Eric cortou a tensão no ar.
– É assim que se luta! — E aplaudiu, enquanto a guangue de Lince arrastava o corpo de Griffin para fora do ringue.
Só agora que a adrenalina cessou que Corinne veio sentir o impacto dos golpes de seu oponente. Suas costelas gritavam e se esperneavam de dor. Seu rosto pinicava com o sangue que começara a secar, ainda escorrido pelo nariz e pelo canto da boca. Sentiu o inchaço fechando seu olho esquerdo. Mas não importava, ela havia ganhado.
Ela não era mais a boneca de porcelana.
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