Audaciosa - Divergente
2 Capítulo 2
Notas iniciais

A cidade toda, se é que podemos chamá-la assim ainda, estava indo em direção ao Eixo, o prédio central onde se concentrava o “evento de escolha”, éramos divididos de acordo com nossas facções e ao centro do palco existiam cinco potes cada um representando uma facção, pedras cinza para a abnegação, brasas para a audácia, livros para a erudição, flores para amizade e a água para franqueza.
Cada pessoa com 19 anos assim como eu eram chamadas, por ordem alfabética, cortavam a mão e pingavam seu sangue em sua nova facção, na qual jamais poderia sair ou mudar, desertar não era permitido e os que o faziam eram chamados de sem facção, pessoas que não se encaixam em nada, pessoas que minha facção ajudava.
—Ashley Prior, suba ao palco- Imediatamente meu tio agarra meu braço como forma para me lembrar o que deveria escolher e minha tia me lança um olhar gélido, meu coração esta palpitando, o teste não falou qual eu deveria seguir, me deu quatro opções e eu tinha medo de não me encaixar.
Caminho em direção ao palco, meu coração estava pilando para fora da boca, minhas mãos transpirando, meu teste era inconclusivo só conseguia pensar isso, será que eu me conhecia o suficiente para saber qual facção era meu lar? Olhava a todos os potes e sabia a única que não me pertencia era Abnegação, fiz um leve corte na palma da mão e fechei em punho, me peguei pensando que enfrentava todos, e que queria a liberdade como os da audácia, mas também sentia uma paz em ter amigos por perto como a amizade, gostava de ler escondido e me manter informada como uma erudita, mas tinha minha própria opinião e ponto de vista, gostava de expor eles como a franqueza.
Perdida em meus pensamentos e duvidas sinto aplausos, e gritos de felicidade o que me fez despertar imediatamente, olho em direção dos meus tios e os vejo furiosos, ao olhar para baixo vejo que involuntariamente minha mãe estava sob o terceiro pote onde depositei minha gota de sangue.
—Não pode ser eu escolhi certo? Meu coração me guiou? O que ira acontecer agora? — e dentre todos os medos que me tomaram ouço marcos gritar.
—Ashley Prior seja acolhida pela AUDACIA!- e me vi caminhando em direção ao grupo de roupas escuras e comportamentos bárbaros, me vi caminhando involuntariamente, mas feliz. Sim, esse seria meu lar, jamais teria medo outra vez!
Quando a ultima gosta de sangue, da ultima pessoa faz sua escolha, é a hora de sair do Eixo e de ir para nossa facção, um medo passava pelo meu corpo, uma palpitação, uma adrenalina, e eu só pensava se seria capaz de acompanhar minha nova família.
A Audácia é a primeira a deixar o local e eu dou uma ultima 0olhada ao local procurando pelo olhar deles, precisava saber que fiz a escolha certa e que meu passado escuro ficaria para traz, ao encontrar os olhos de Molly e Thomas ambos furiosos, com raiva, um olho que prometia um arrependimento futuro meu.
Deixei meus pensamentos de lado e meu passado para traz, e me vi neste instante correndo para acompanhar os integrantes da Audácia, reparo nos integrantes que me cercam eles correm, gritam e ate dão risadas. Vejo todos muito altos, atléticos, rápidos e com um brilho nos olhos, o mesmo brilho de liberdade que eu pretendia ter.
Saímos do prédio pelas escadas, e ao passar pela porta sento a brisa gelada e o laranja do céu por conta do por do sol, a muito tempo eu não corro, na minha antiga facção era aconselhado aos seus membros evitar qualquer coisa feita por puro divertimento, e só de pensar que me sinto completa e livre correndo desta forma selvagem exigindo mais e mais de meus músculos, mostra que eu nunca pertencia a abnegação.
Ao longe um apito de trem, e como todos já sabiam ele nunca parava e por este pequeno detalhe ele era utilizado só pela Audácia pois mais ninguém pularia para dentro ou para fora de u m trem em movimento se não fosse corajoso.
—Ah, não- resmunga um garoto da erudição ao meu lado- Vamos ter que pular para dentro desta coisa em movimento?!
— Ao que parece, sim- digo sem fôlego como ele.
Passei tanto tempo assistindo a facção fazer isso que me peguei feliz e me vi com uma leve vantagem, o trem esta cada vez mais próximo, com as portas dos vagões abertas para que os membros da Audácia embarquem e é exatamente isso que eles fazem, restando pelo lado de fora os iniciandos e transferidos, para os iniciandos nascidos na facção era algo comum o que fez restar apenas o grupo dos transferidos.
Eu e mais algumas pessoas nos colocamos a correr acompanhando o vagação por alguns metros ate que uma súbita coragem me toma e eu me lanço para o lado, não sou alta, não sou forte e que fez eu ficar pendurada por uma alça de acesso na porta, vão conseguia me lançar para dentro e finalmente uma garota da franqueza me agarra e puxa meu corpo para dentro, agradeço a ela esbaforida.
Ouvimos um grito do lado de fora e nos esticamos ate a abertura da porta para observar,um menino ruivo com roupas da erudição se esforça para correr e acompanhar o trem mas não é veloz o suficiente, caindo de joelhos no trilho e ficando para trás, o destino dele já estava traçado, havia se tornado um sem facção, sinto-me inquieta, ele acabou de ser reprovado na iniciação da Audácia e eu temia o mesmo destino do garoto.
— Você esta legal? – olho para meu lado e vejo que a garota da franqueza que me ajudou falava diretamente comigo, sua pele era um marrom escuro, seus cabelos curtos e olhos escuros a tornavam bonita.
Balanço a cabeça como resposta positiva e ela se põe a falar novamente:
—Prazer, meu nome é Christina- Diz ela estendendo a mão
Na abnegação as pessoas se cumprimentam com acenos de cabeça como sinal de respeito, não tínhamos nenhum contato físico, seguro sua mão com convicção sacudindo duas vezes:
— Ashley Prior- respondo.
—Voce faz idéia de onde estamos indo?- Ela gritava para ser ouvida em meio ao barulho do vento que entrava pelo vagão, o trem estava acelerando, eu me sento e chego a conclusão de que é a forma mais fácil de se manter o equilíbrio, ela olha confusa para meu gesto.
— Um trem em movimento com portas abertas é sinônimo de ventania — digo a ela- E o vento pode nos empurrar para fora, sente-se comigo.
Christina senta-se ao meu lado escorando as costas na parede de metal fria.
—Acho que nosso destino é a sede da Audácia- digo como resposta a sua pergunta anterior- Mas não sei onde fica.
— Como se fosse possível alguém que não seja da Audácia saber- ela da uma risada- Eles parem simplesmente brotar do chão.
Neste instante um vento varre o interior do vagão e os novatos caem um sobre os outros, vejo Christina rir no mesmo momento em q sorrio para ela como forma de dizer, eu tinha razão.
Fecho os olhos e imagino minha tia Molly e meu tio Thomas tendo que fazer o jantar e todas outras tarefas sozinhos, o que me dava uma pontada de felicidade em saber que eu teria paz, paz na medida do possível.
—Ashley, eles estão pulando do trem- Ouço Christina gritar e me chacoalhar.
Endireito o corpo, nos colocamos de é e vemos a velocidade no trem diminuir, vejo os integrantes se prepararem para o salto:
—Então essa é a nossa deixa para pularmos também- Diz uma garota da Franqueza perto de nós, seu nariz é grande e seus dentes desalinhados
—ótimo- responde o garoto da franqueza- Isso faz muito sentido Molli, pular em um telhado.
De imediato tive uma aversão e uma cara de pânico ao ouvir este nome, me fazia lembrar do meu passado, dos meus medos.
—fomos nós que escolhemos isso Peter- afirma a garota.
—Bem eu é que não vou arriscar a minha vida- viro para meu outro lado e vejo um garoto loiro de pele morena com roupas da amizade dizer.
—Você tem que pular- Diz Christina- Não tem escolha, seremos reprovados se não formos, vai dar tudo certo não se preocupe.
—Não eu não vou! Prefiro me tornar um sem facção do que morrer como estes loucos- o menino da amizade balança a cabeça em reprovação o tempo todo, sua cara é de pânico.
Não concordo com ele, prefiro morrer a me tornar vazia e excluída como os sem facção
—Christina, você não pode força-lo a pular- Seu olhar é de pena, mas ela entende o que digo- Devemos pular antes que seja tarde de mais.
—Não conseguirei pular a menos que você me ajude, então vamos ao três ok?- Ela me lança um olhar temeroso, seguro sua mão e afirmo com a cabeça.
—Um... Dois... Três!-
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