Audaciosa - Divergente
10 Capítulo 10
Notas iniciais

—O jogo é bem simples- Quatro grita para todos ouvirem- O jogo se chama Rouba Bandeira, vocês vão estar divididos em dois times o meu e o do Eric, o objetivo é roubar a bandeira da outra equipe.
—A arma da vez – Eric diz erguendo uma arma fina e comprida com um suporte atrás- Suas balas são pequenos dardos neurotransmissores- Ele atira na perna de Peter que cai no chão gritando de dor, não pude deixar de me sentir feliz com essa cena- Eles simular a dor de uma bala de verdade.
—O campo será uma parte da cidade desativada- Quatro diz- Hora de separar as equipes.
Não demorou muito a separação das equipes, Quatro havia me escolhido e escolhido meus amigos Christina, Will e AL bem como outros jogadores, Eric tinha ficado com os ogros do Peter da Molli e os demais brutamontes. Fomos os primeiros a saltar do trem estávamos em uma espécie de parque de diversão abandonado, era incrivelmente escuro e assustador.
—Então qual o plano de vocês?- Quatro olha para todos com uma bandeira Laranja na mão.
—Podemos esconder muito bem a bandeira para eles não encontrarem- Will constata
—Ou podemos nos dividir em duas equipes uma de ataque e uma de defesa- Christina falava como se essa idéia fosse a mais obvia e correta de todas.
Quando dei por conta todos estavam discutindo e sugerindo idéias, cada um queria que seu plano fosse posto em pratica o que virou um caos total, vejo que no parque existe uma roda gigante, caminho em sua direção em passos largos e silenciosos, seguro firme a arma em minhas costas para evitar que faça barulho e subo pela escada.
Cada degrau que eu subo vejo que é bem mais alta do que pensei a única vantagem minha é que apesar de antiga e sem manutenção pela sua estrutura agüentaria meu peso pena.
—Ash? – Sabia de quem era aquela voz baixa, e já não me assustava facilmente os dias na audácia me fizeram ficar de prontidão a qualquer risco ou talvez pelo fato da voz de Quatro ser baixa, calma e reconfortante qualquer que seja a razão eu olho para baixo e o vejo ao pé da escada.
—Vim para descobrir o que se passa nessa sua cabecinha- Seu tom é divertido e até vejo o canto de seus lábios formarem um sorriso, ou pelo menos acho que vi- Acabou de levar uma surra e já esta pensando em se suicidar?
—Sua confiança na minha pessoa é surpreendente- sorrio para era fácil conversar com ele ser eu mesma- Creio que se subir no ponto mais alto podemos avistar onde o outro grupo esta e localizar a bandeira.
Subo mais degraus e percebo que estou em uma altura considerável o vento aqui em cima esta mais forte e gelado, cada degrau que eu tiro meu pé é o lugar que Quatro coloca a mão, ele se move com mais habilidade e rapidez, espero que meus dias na Audácia me torne uma pessoa mais ágil.
— Diga-me qual o objetivo desta atividade?- Ele provavelmente esta testando meu conhecimento ou meu raciocínio lógico.- Do jogo noturno quero dizer, não da escalada rumo a morte.
— Estratégia, trabalho em equipe, colocar em pratica o que já aprendemos...
-Trabalho em equipe talvez não seja mais uma das prioridades- sinto sua voz soar estranha- e o que você acha que isso tem de ligação com bravura?
— Creio que nos prepara para a ação- eu falo meio sem fôlego- você esta bem Quatro?
Noto que ele não estava mais subindo com o mesmo ritmo e eu podia ouvir sua respiração acelerada e seu tom de voz soar diferente.
— Acho que esta altura já está boa Ash- ele respira fundo e fecha os olhos.
—Não acho- olho sobre o ombro, ainda existem prédios a nossa frente, não tinha uma visão limpa e sem barreiras de todo o perímetro- Devemos subir mais, existem alguns edifícios tampando a visão.
—Você é humana? Estar a essa altura... – Ele puxa o fôlego o Maximo que consegue- você não tem medo?
Sinto o vento bater contra minha pele, eu ainda estava dolorida, mas a adrenalina por conta da altura deixou meu corpo mais vivo, minhas mãos latejavam por segurar tantas barras de metal frias e enferrujadas, outra corrente de vento mais forte me empurra para o lado tirando todo meu equilíbrio, seguro com o Maximo de força na barra de metal em quanto meus pés escorregam, sinto uma mão quente e firme em minha cintura me dando suporte e estabilidade, sinto meu corpo se arrepiar com a sensação e mesmo eu me apoiando novamente na escada ele insiste em me segurar, não que eu queira que ele pare, mas algo em seu comportamento era diferente.
—Obrigada- Digo lançando um olhar rápido um pouco corada com meus pensamentos, a feição de Quatro não é das melhores- Você tem medo de altura. Como vive na Audácia?
—Todos têm medo de algo, e respondendo a sua pergunta eu os ignoro, finjo que não existe isso torna tudo mais fácil.
Subimos em silencio mais alguns degraus talvez ele realmente tivesse razão, ignorar os medos e fingir que não existem poderiam sim ajudar, mas uma hora ou outra eles apareceriam para me perturbar, nos vimos no topo da roda gigante, nenhum prédio estava mais em nosso campo de visão, era tudo tão escuro e lindo, nunca percebi que o céu longe de todas as luzes da cidade pudesse ter tantas estrelas, abro espaço para Quatro passar e se sentar ao meu lado, estava nítido seu pavor e desconforto, mas mesmo assim me acompanhou até aqui, um gesto muito bonito.
Estar na presença dele era reconfortante seus olhos me analisava a todo instante e seu sorriso era lindo, a escuridão deixava-o misterioso e extremamente sexy, era impossível desviar os olhos dos dele, sua mão quente acariciava a minha, o que fazia milhões de choques percorrer meu corpo, era como se tudo a nossa volta não existisse e toda a eletricidade do mundo preenchesse minhas veias, sua mão percorre toda extensão do meu braço deixando leves rastros quentes e formigamentos por onde passava, seu polegar acariciou cada corvo tatuado em minha pele como se pudesse sentir o animal, carinhosamente ele segura meu rosto com as mãos e o traz para mais perto, seu hálito era doce e inebriante.
Seus olhos me fitavam com intensidade como quem esperava um consentimento, um único sinal para prosseguir e quando dei por mim já o beijava, o beijo era feroz e urgente como se eu esperasse minha vida toda por este momento, não sei dizer ao certo quanto tempo ficamos assim sentia uma certa urgência em sentir que eu estava ali em seus braços, já não respondia mais por minha sanidade e pelo visto nem ele pela sua.
Gentilmente Quatro afasta nossas bocas e encosta sua testa na minha, meus olhos permanecem fechados como quem pudesse prolongar mais a sensação do beijo e de seu toque ele era quente, era doce e era meu, era tudo o que se passava pela minha cabeça nesse instante.
Ouvimos um estrondo de coisas caindo e rapidamente olhamos o local, não havia ninguém lá em baixo então constatamos que poderia ser o vento forte derrubando algo ou até mesmo as construções que já eram velhas e decadentes, voltamos à atenção um para o outro, não queria que esse momento acabasse sentia que tinha meu porto seguro e que ele estaria lá para o que quer que fosse acontecer comigo.
— Não sabe o medo que tive- Ele sussurra quebrando minha linha de pensamentos – De você não me corresponder, eu de todas as formas tentava demonstrar que estava ali ao seu lado sempre, que queria protegê-la e tinha receito de você se afastar.
—Confesso que demorei em perceber- Se não fosse pelo escuro da noite seria visível minhas bochechas coradas, nunca tive experiência com garotos- Mas estou aqui agora ao seu lado e não pretendo mais sair.
—ESTA TUDO BEM AI EM CIMA?- Droga o jogo noturno havia me esquecido- ASH VOCE NÃO TENTOU SE MATAR NÉ?
Quatro gargalha ao meu lado, Christina só podia ser ela, reviro os olhos por estragar meu momento o que faz ele rir mais ainda.
—NÃO CHRIS- Grito para ela- ESTAMOS DESCENDO, ACHAMOS O GRUPO DO ÉRIC.
Dou mais uma conferida no local, era possível avistar eles ao longe, pequenos pontos verdes, provavelmente as lanternas e no alto de uma torre era possível ver uma luz realmente verde florescente, a bandeira é claro, só podia ser ela.
A descida foi mais simples que a subida e Quatro à medida que se aproximava do chão respirava mais aliviado, era engraçado ver alguém que sempre demonstrou força, confiança e autoridade nesse estado, era diferente e hilário.
Corremos em direção ao grupo novamente, Quatro havia falado que no momento em que todos discutiam a única que se prestou a realmente agir e pensar ao invés de brigar e impor as idéias tinha sido eu, me sinto feliz por dentro, primeiro por estar mais do que provado que pertenço a essa facção e segundo dado o ocorrido era bom saber que temos uma ligação mais forte.
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