Audaciosa - Divergente
14 Capítulo 14
Notas iniciais

Meu coração parou no mesmo segundo que viu Quatro naquele corredor, sua feição não era nada feliz ele realmente estava bravo e eu precisava inventar uma desculpa logo, não poderia simplesmente dizer que eu e Éric nos beijamos.
-Oi Quatro- Digo de maneira baixa e sem graça caminhando em sua direção- Estava te procurando o dia todo- Lanço o melhor sorriso que consigo tentando formular uma desculpa plausível em minha mente.
-Estava resolvendo assuntos pessoas Ash- Ele esta impaciente e muito desconfotavel- Mas isso não explica o fato de você estar no apartamento do Éric.
Não iria conseguir enganá-lo seus olhos estavam me fitando esperando uma resposta irei dizer a verdade, ou melhor, parte dela já que nunca fui muito boa em esconder as coisas.
— Eu procurei Éric- Digo calmamente- Pois queria mais respostas sobre vocês, sobre seus alertas e como não te encontrei no complexo resolvi tentar ouvir a versão dele.
-Como é que é?!- Sua voz era alta e estava muito bravo- Você procurou o idiota do Éri para perguntar algo que eu já havia falado com você!
-Não Quatro!- Já que era para gritar, vamos gritar- Você fugiu do assunto, nunca me conta nada sempre deixa enigmas indecifráveis, quer que eu confie em você, mas não me dá respostas
—Claro, e você resolve se enfiar na toca do lobo!- Era frustrante conversar com ele e nunca obter respostas, Quatro se esquivava dos assuntos por algum motivo, mas não hoje!- O que foi que esse idiota falou?
—Quem é o idiota aqui?!- Não sei ao certo quanto da nossa conversa Éric ouviu e se Quatro sabia de sua presença, mas quando me virei El estava ali, a centímetros de onde estava acontecendo a discussão, era possível sentir seu calor e perceber a fúria em seus olhos.
— Isso não te diz respeito Éric- Quatro dirigia sua palavra a ele neste momento- Eu estou com a Ash e eu vou resolver com ela!
Éric caminha lentamente em minha direção com aquele sorriso de lado estonteante e uma cara de menino travesso, sabia que o que quer que ele estava pensando não acabaria nada bem.
—Que eu saiba- Diz ele passando seu braço pelos meus ombros e ficando lado a lado comigo- Ela não é a sua namorada, e você deveria aprender como tratar uma mulher.
—O que você falou a ela Éric?- Os dois parecem ter esquecido que eu estava presente, sendo assim me tornei uma mera expectadora do showzinho ridículo de testosterona e ego
— A verdade Quatro- Ele sorria de lado com uma cara bem satisfatória e provocante, certamente não tinha medo de brigas- Falei da noite em que um homem entrou encapuzado na abnegação tentando matar os pais e uma criança, a criança que salvei, soa familiar?
—Do que ele esta falando Quadro?- Sinto o peso do braço de Éric em meus ombros ainda, mas por algum motivo não me esquivo, lembro que na historia dele eram os pais, a criança, Éric e o homem de capuz, onde Quatro se encaixava nisso?- O que você sabe disso?
—Diga a ela!- Grita Éric ao meu lado tremendo por conta do nervoso – Ash merece saber a verdade e o tipo de pessoa que você é! Diga a ela, ou melhor, mostre sua roupa e seu capuz da noite do assassinato!
—Você não tem como provar Éric- Ele grita em contra partida, suas mãos estão fechadas e suas veias ressaltadas- Ninguém acreditaria em você!
—Quatro, é verdade?- Após isso sinto minhas pernas fraquejarem e tudo ao redor rodar, não ouvia mais nada apenas o pulsar do meu coração que era alto, rápido e doía no peito, minha boca fica seca e as palavras somem, sinto algo molhado em minhas bochechas e a visão embaçar, estava chorando, não sabia ao certo qual o motivo, mas sabia que era muito para assimilar, Quatro a pessoa calma, generosa, atenciosa a pessoa que eu amava jamais faria algo assim, não podia ser...
Volto à realidade, parecia que eu tinha levado uma surra, tudo doía e eu estava no chão ajoelhada não sei por quanto tempo até que um baque chama minha atenção e eu vejo ambos, Quatro e Éric brigando igual dois animais selvagens.
Eles eram bons, muitas vezes se esquivavam e defendiam os golpes um do outro, mas alguns acabavam passando e deixava uma marca claramente visível onde acertavam.
Quatro tinha hematomas no braço, nariz sangrando e a boca cortada, já Éric estava com um corte na altura da sobrancelha escorrendo sangue pelo seu rosto com manchas escuras em seus braços e ombros, os olhos dos dois eram afiados e sempre alertas a qualquer tipo de movimento, eles estavam famintos por sangue como dois leões selvagens lutando pelo seu bando.
—Parem com isso- Tentei gritar, mas minha garganta seca não me ajudava muito.
Uni todas minhas forças restantes e me levantei com certa dificuldade e dor, nenhum deles parecia ter notado ou sequer lembravam que eu ainda estava lá, nenhum tinha um ar de que cederia ao outro, era morte ou morte.
Caminhei lentamente em direção a ambos e quando as mãos em forma de punho foram levantadas eu entrei no meio e tentei separar, só sei que foi a pior idéia de todas.
Senti uma dor aguda e forte nas minhas costas e contra partida da mesma dor que acertou meu peito, cai arfando e urrando de dor, foi muito pior que a surra do Peter, o sono começa a invadir meu ser e eu tenho todo o prazer de me entregar a ele, sinto mãos pelo meu corpo que esta formigando e vozes longe, bem longe de onde estava me entrego de bom grado à escuridão que me engole.
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