Até à verdade e mais além
2 Um segredo
Notas iniciais
A noite já lá ia longe. Nenhuma mosca zumbia, nem um grilo cantava. Silêncio absoluto... Bem, quase... Só o ressonar de Lee e Gary perturbava esse magnifico silêncio.
Mariah ainda não dormia. Virava-se, torcia-se, esticava-se, espreguiçava-se e tornava-se a virar. Definitivamente... Não conseguia dormir. Aliás, passou uma ou duas vezes pelas brasas, mas quando fechava os olhos, a primeira coisa que lhe vinha à cabeça era logo a imagem de Ray a ganhar-lhe no campeonato
Mas também com tanto barulho, que consegue dormir? Acho que ninguém.
– Acho que vou beber um copo de leite! — concluiu finalmente.
Chegou à cozinha, meteu o copo na banca, foi buscar o leite ao frigorífico...
Bem, todos aqueles passos chatos que se tem de fazer só para ir buscar um copo de leite, que por acaso já tinha passado do prazo de validade à cerca de uma semana.
–Bolas. Agora nem leite tenho para beber! — resmungou.
–Que estás a fazer? – perguntou Kevin, aparecendo sorrateiramente.
–A tentar beber leite. Mas, maldito... O leite já passou do prazo de validade há uma semana.
–Também não consegues dormir? — perguntou o baixinho.
Mariah, concluiu, confusa:
–“Também”... O que é que queres dizer com “também”?
–Sabes que não és a única com dificuldades em dormir à noite. Também, com aquelas duas máquinas de ressonar, quem consegue? — perguntou Kevin, sentando-se.
–Sim, lá nisso tens razão! — riu-se Mariah, sentando-se também.
–Conta-me lá. Como é que tu e o Ray se conheceram? — perguntou Kevin.
–Oh... Isso é uma longa história. Eu e o Ray sempre fomos amigos. – começou Mariah.
–Amigos? Ou mais? – perguntou Kevin.
–Oh... A sério Kevin. Queres ouvir ou não o resto da história? — enervou-se Mariah.
–Está bem!
–Promete-me uma coisa. A partir de agora, és o meu confidente. Aliás, esta conversa fica só entre nós os dois.
–Está bem! Mas, vais contar ou não? – perguntou ansioso Kevin.
–Pronto, está bem.
POV’S Mariah
Eu e o Ray conhecemo-nos numa feira popular. Eu, o Tao e o Lee estávamos presentes.
De repente, vi uns miúdos a jogar Beyblade e, por acaso, fiquei um pouquinho interessada. Aproximei-me demais deles. Os rapazes que lá estavam eram mais velhos que eu. Deviam de ter uns 12/13 anos. Eles iam-se meter comigo, mas o Ray apareceu com o beyblade dele. Ele fez frente aos rapazes, lutou contra eles e ganhou-lhes. Depois dos rapazes terem ido embora, fiquei um pouco aflita. Eu devia ter 4 anos.
O Ray perguntou quem é que eu era e se estava bem. Eu abanei a cabeça que sim, que estava tudo bem.
Ele perguntou-me onde é que eu morava e eu mostrei-lhe o caminho. Quando cheguei a casa, a primeira coisa que ouvi foi um raspanete do Lee. O Tao perguntou quem era aquele rapaz. Eu contei o que se tinha passado. O mestre ficou tão interessado que, também ele, simpatizou com o Ray. Até lhe disse que ele já fazia parte da família. O Lee foi-se habituando à ideia de o Ray estar lá. Mas, nos meses que se seguiram, o sensei estava a reparar que eu não conseguia estar ao nível dos outros. O mestre pediu ao Ray para ele me dar aulas em particular. Quando eu ouvi aquilo, fiquei completamente tola.
O Ray depois começou-me a dar a tais aulas e fiquei completamente mais interessada nele.
Passado algum tempo, fui melhorando as minhas capacidades até que consegui estar ao vosso nível.
O Lee, depois simpatizou com o Ray, tornaram-se bons amigos até aos dias de hoje.
FIM POV’S Mariah
–Que “linda história”-disse Kevin ironicamente.
–Não sejas parvinho... – reclamou Mariah. – Bem, vamos dormir. É meia-noite e amanhã temos de ouvir o sermão do Lee se preguiçarmos de manhã.
Dirigiram-se ao quarto, colocaram-se na cama. Desejaram boa noite um ao outro e acabaram por adormecer em 5 minutos.
A noite já lá ia longe. Nenhuma mosca zumbia, nem um grilo cantava. Silêncio absoluto... Bem, quase... Só o ressonar de Lee e Gary perturbava esse magnifico silêncio.
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