Notas iniciais
Mais um conto em dois capítulos, espero que gostem ^^

“Era uma vez um mercador que tinha três filhas lindas, mas somente a mais nova era assim por dentro e por fora. Como há um ano ele perdera toda a sua fortuna de uma só vez, ficando apenas com uma casinha afastada do centro, toda a família teve que se adaptar a essa nova condição; porém, as mais velhas só se lamentavam enquanto a mais nova era a única que fazia o que podia para ajudar o pai. Ao receber notícia de que um de seus navios voltara intacto para o porto da cidade, ele decide viajar para tentar recuperar ao menos uma parte de seu dinheiro.

— Papai, papai, não esqueça de trazer presentes lá da cidade. — “A filha do meio exclama dando um susto em Bela que cochilava em cima de um livro fechado”. — Eu quero sapatos de… Não, quero dois dos pares mais bonitos que encontrar e também quero joias grandes e maravilhosas!

— E eu quero um vestido cheio de renda e bordados e uma fita trançada com ouro para os meus cabelos. — “A mais velha entra no embalo. Assim como a irmã, imaginava que logo seu pai enriqueceria novamente”.

— E você Bela? — “Ele pergunta para a caçula que estava bem menos agitada que as irmãs”.

— Eu? — “Ela aponta para ela mesma, parecia não saber quem ela era”. — Pode ser uma flor que encontrar no caminho. — “As irmãs viram os olhos ao ouvir isso. Ao contrário dela, nenhuma das duas pensou que talvez o pai não conseguisse tanto dinheiro assim”. — Uma rosa.

— Simplória. — Cof, cof! — “Uma tosse para disfarçar a frase da outra”.

— Muito bem meninas. — “Ele sorri”. — Se tudo der certo, volto logo.

“Depois de se despedirem do pai, cada uma vai para um canto da sala. Bela sentou na janela carregando o livro que antes dormia em cima e observou as folhas caindo das árvores. Era outono, uma das estações que ela mais gostava. Ela mal abre o livro para matar o tédio que alguém bate na porta. Como as duas irmãs fingiam não ouvir as batidas, Bela levanta e atende vendo três jovens rapazes entrando pela porta, todos eles com um tanto de lama na barra das calças, afinal, cuidando da terra de um lugar como aqueles era inevitável”.

— Quem são vocês? — “Bela estranha”.

— Seus irmãos, é óbvio. Trabalhou tanto que quando sonhou foi com coisas malucas de novo, Bela? — “Um deles responde”.

“Bela sorri disfarçando e repara que eles deveriam ter idades muito próximas. Ela olhou para o próprio reflexo no pequeno espelho polido de uma de suas irmãs notando que ela parecia ter uns quinze anos, quatro a menos do que ela achava realmente tinha. Alguma coisa a fazia sentir que algo estava muito, mas muito, errado naquilo tudo. Bela suspira e olha para o livro que segurava quase tendo um treco”.

“Já era muito tarde e os negócios não foram bons. Tanto que o pobre mercador não iria conseguir comprar o que suas filhas queriam e ele se sentia péssimo por isso. Quando voltava para casa, uma chuva pesada, cheia de raios, trovões e vento forte começou a cair encharcando-o até os ossos. O pobre cavalo partiu em disparada assustado com os fortes barulhos fazendo com que o homem se perdesse na montanha, por sorte ou azar, os raios iluminaram um castelo e ele pôde guiar seu cavalo até ele. O homem o prende no estábulo o mais rápido que podia e bate com força nas portas da propriedade buscando abrigo”.

— Tem alguém aí? — “Ele pergunta quando entra no castelo cujas portas estavam destrancadas”.

“Ele olha ao redor notando que tudo era muito rico e bem cuidado lá dentro apesar de escuro, pois a única luz que iluminava o ambiente era a de uma grande lareira de chamas avermelhadas e ternas. Tentando se aquecer, ele se aproxima dela e acaba caindo no sono por causa do cansaço que toda aquela viagem trouxera. O sol mal tinha subido quando ele acordou”.

— Obrigado. — “Ele olha ao redor procurando por quem teria colocado uma muda de roupas secas e um pequeno banquete sob a mesinha, mas não encontra ninguém”.

“Depois de trocar de roupas ele agradece novamente pela hospitalidade e avisa à ninguém em especial que iria sair, mas como não vê o dono do castelo, ele sai e monta em seu cavalo que ainda se alimentava com os grãos que colocaram ali”.

— Que bonito. — “Ele olha em volta, admirado com o extenso jardim que decorava toda a frente da propriedade e bem no meio dele vê num canteiro uma rosa vermelha toda frondosa”. — Acho que Bela vai gostar. — “Ele sorri, pelo menos um dos pedidos de suas filhas seria atendido”.

“Quando ele desce do cavalo e colhe a bela flor, um jovem bem trajado parece surgir sob o crepúsculo e com a expressão dura, cruza os braços deixando que seu olhar frio atravessasse o homem, isso fez os pelos de seus braços arrepiarem. Sua postura não deixava dúvidas de que ele era a criatura pavorosa que por ali chamavam de Fera”.

— Não acha que entrar no meu castelo, usar o meu estábulo, comer de minha comida e vestir minhas roupas secas já não foi suficiente? Não, ainda tinha que levar algo que não lhe foi dado. Seu ladrão. — “A Fera sentia um ódio inexplicável e ele se espalhava como veneno de cobra em sua voz”.

“Como todo animal sensível, o cavalo do mercador se remexe querendo sair logo dali”.

— Eu não pensei que…

— O que tem a dizer em sua defesa? Você não merece ser um homem livre tendo atitudes como essa.

— Mas senhor, eu colhi a flor com a melhor das intenções, estou falido e o único dos presentes que milhas filhas pediram que eu poderia levar é essa rosa. — “O homem se joga de joelhos temendo por sua vida, mas ao falar das filhas a expressão da Fera muda”.

— Eu te dou o direito de se despedir de suas filhas, mas se quiser viver, uma delas deve se oferecer para ficar presa em seu lugar. — “O homem suspira, por mais que seu destino se mostrasse terrível, ao menos poderia dizer adeus”.

— Tudo bem, eu prometo que o farei, vossa alteza. — “Ele se arrepende imediatamente por ter dito aquilo ao ver o rosto da Fera se fechando ainda mais”.

— Não sou alteza e detesto bajulações. Você tem até amanhã, antes de anoitecer eu quero um dos dois aqui e não queira saber do que sou capaz se você faltar com sua palavra.

“O homem engole em seco e cavalga o mais rápido que podia para casa. Bela abre a porta e se assusta ao ver os olhos do pai marejados e uma dura expressão de pura derrota no rosto. Ela pensou que os negócios não deram nada certo e eles continuariam a viver como viviam”.

— Bela, minha menina. — “O homem lhe entrega a flor e abraça a filha desolado. Comovida, ela retribui o gesto”.

— O senhor está bem? — “O irmão mais velho pergunta”.

— Quem… Ah filho, estou nada bem.

— Os negócios deram errado? — “A mais velha arregala os olhos”.

— Pior, pior, imensamente pior.

— Nós vamos perder essa casa!? — “A filha do meio se apavora. Não queria viver nas ruas”.

“Bela o faz sentar num banquinho e pede, com a maior calma que conseguiu reunir, para que ele contasse o que tinha acontecido e quando ele o faz, todos ficam preocupados”.

— Viu, se tivesse pedido vestidos e joias como nós, nada disso teria acontecido. — “A irmã do meio aponta”.

— Sua idiota. — “A outra completa”. — Quem mandou querer ser diferente? Olha no que isso vai dar!

— Parem com isso! — “O mais novo dos meninos reclama”. — Não veem que o papai está arrasado?

— Você deveria ir no lugar dele. — “A mais velha resmunga”.

— Mas é isso o que eu vou fazer e ninguém vai me impedir. — “Bela olha para o pai com firmeza”.

— Mas, Bela, minha menina… — “O mercador tenta insistir, mas sabia que não tinha jeito. Quando a filha enfiava uma ideia na cabeça não tinha quem conseguisse tirá-la de lá”.

“E na tarde seguinte os dois foram para o castelo, eles estavam cansados, pois ficaram a noite inteira acordados para passarem o máximo de tempo possível em família. Bela levava a rosa no cabelo e uma bolsa com um livro e um vestido remendado. O seu pai a olhava profundamente entristecido”.

— É aqui. — “Ele aponta e Bela não pôde deixar de admirar o lugar.

“Mesmo sendo outono o jardim era maravilhoso e estava bastante florido, várias árvores davam seus frutos maduros espalhando um cheiro adocicado. Já o castelo parecia ser de ouro e marfim apesar do aspecto envelhecido causado pelas manchas e trepadeiras que cobriam partes de suas paredes”.

“O homem bate na porta e uma voz tímida e feminina pede para os dois entrarem, como da primeira vez ela estava destrancada e não viam ninguém lá”.

— Qual dos dois vai ficar? — “Bela sequer fica assustada com aquela voz sem emoção ecoando pelo corredor, já as mãos de seu pai tremiam e suavam frio”.

— Eu. — “Bela soa firme”.

— Você ainda pode mudar de ideia, filha… — “O pai da moça insiste pela última vez”

— Não. — “Ela suspira cansada, tanto por ter que negar mais uma vez, quanto por estar sem energias por ter dormido muito menos do que precisava”. — Cuide bem dos meus irmãos, eles precisam mais de você do que de mim.

— Ótimo. — “De repente a Fera estava do lado de fora da casa com dois baús atrás de si”.

“Bela não fazia ideia de como ele fora parar ali tão rápido, mas ela sorri ao vê-lo contra a luz do sol minguante, ela fazia os cabeços dele ficarem um tanto dourados nas pontas, mas era difícil de ver o seu rosto”.

— Agora, dê um último adeus à sua filha e nunca mais volte aqui. — “Ele usa um tom monótono ao falar com o mercador”. — Esses baús são seus. Faça o que quiser com eles. — “Ele aponta para os baús carregados com joias e moedas de ouro”.

“O mercador se despede da filha com lágrimas nos olhos e um abraço bem apertado e então vai para o lado de fora ficando muito surpreso com o que recebera. Era como um dote invertido que melhoraria muito a vida dele e dos outros filhos. Antes que pudesse agradecer, a Fera entra e fecha a porta na cara dele”.

— Oi Len! — “Bela sorri, mas ele a ignora passando por ela com os olhos fechados. Ela pensou que ele estivesse irritado com algo ou alguém, mas não tinha como saber”.

— Se precisar de alguma coisa apenas peça. O quarto é o terceiro do lado esquerdo do corredor. Vá dormir, sei que está cansada por causa da viagem.

— Mas Len, eu tenho que te falar uma coisa importante… — “Ela tenta ir atrás dele, mas ele já tinha sumido no meio dos corredores escuros, afinal, faltava muito pouco para ser noite”.

“Bela suspira e entra no quarto que ele indicara, era um lugar muito bonito, ela pôde notar mesmo com apenas a luminária mais próxima da porta acesa. Ela a apaga com um sopro e vai até a cama aproveitando o restinho da luz solar que entrava pela janela e por mais que achasse que não aconteceria, ela cai no sono. No meio da madrugada, podia jurar que alguém deitara ao seu lado na cama, mas o sono era grande demais para deixá-la verificar”.

“Ela não fazia ideia de que horas eram quando acordou, mas como o tinha dormido cedo, deduziu que deveria ser por volta das sete e meia da manhã. Ela sai andando pelos corredores indo atrás da Fera e com isso acaba percebendo que não havia nenhum funcionário em todo o castelo, mesmo assim um banho quente estava preparado para ela quando acordou e quando saiu dele, um vestido do seu tamanho estava sobre a cama. Quando entra no enorme pátio Bela finalmente encontra a Fera. Ele tomava seu café da manhã na ponta da mesa, parecia distraído”.

— Bom dia. — “Ele deseja por educação”.

— Eu fiz alguma coisa que te irritou? — “Bela senta perto dele na mesa e pega um prato olhando para ele”.

— Ainda não. — “A Fera volta a comer sem dar muita atenção para ela”.

— Sua voz está meio engraçada. — “Ela ri enquanto se servia com suco”. — Você também está mais novo aqui.

— Então você deve ter encolhido ainda mais. — “Ele ri de lado, mas o riso foi menos brincalhão do que normalmente seria”.

— Você está todo estranho nessa história, credo. — “Bela não se sentia confortável ao lado dele. Havia algo de hostil que podia ser captado até mesmo no ar”.

— Pelo menos não sou assim a vida toda e nem por isso, tenho que sair correndo atrás do irmãozinho querido que não sabe voltar pra casa sozinho e tudo isso sem explicar direito o que estava acontecendo. — “Ele queria atingi-la e não se esforçava para esconder isso”.

— Ele só tem seis anos de idade e estava machucado. — “Bela aperta os lábios encarando-o com raiva”.

— Uma coisa não anula a outra. — “A Fera dá de ombros ainda sem virar o rosto na direção da garota”.

— Para de ser idiota. — “Bela se esforça para respirar fundo e se acalmar. Ele não estava querendo brigar logo cedo, estava?”.

— Uma pirralha defendendo outro. Quantos anos você tem nessa história treze? — “Ele repara que a voz dela estava mais aguda”.

— Quinze e aposto que não estou nem de longe tão pirralha quanto você era. O que você fazia aos quinze? Jogava videogames o dia inteiro e reclamava da sua vidinha maravilhosa?

— Nada demais. Foi mesmo um ano maravilhoso! — “Ele ironiza”. — Enquanto todos os meus “amigos” decidiram que era hora de curtir a vida e sair por aí, eu só fiquei cego e tive que aprender a fazer praticamente tudo de novo, porque você sabe que todo mundo conhece a sensação maravilhosa de tudo estar perfeitamente normal e de uma hora para outra, não conseguir nem ficar parado de pé direito porque, por incrível que pareça, até para isso nós usamos mais os olhos do que qualquer outro sentido. Foi maravilhoso não ter tempo para me preparar psicologicamente (se é que dá para fazer isso) e simplesmente acordar sem saber onde estava com uma notícia tão agradável de uma enfermeira… e sim, fora do horário de visitas. — “Ele finge suspirar”. — Ah, daí pra frente foi tão bom sentir a culpa e dó dos outros quando tudo o que eu queria era que parassem de agir como se eu fosse outra pessoa. Não estava acostumado… Mas com certeza, ver a minha mãe ficar depressiva por minha causa sem poder fazer nada foi o auge do meu ano! Ainda mais porque até hoje ela me olha de outro jeito.

— Eu não… — “Bela começa a dizer”.

— E quer saber… — “Ele finalmente vira para ela”. — Eu perdi a fome. — “Afasta a cadeira saindo sem esperar a garota reagir”.

“Bela estava tão abalada por causa da reação da Fera. Justo ele que nunca se abria, resolveu jogar tudo de uma vez e sair andando. ‘Por que eu não fechei a minha maldita boca?’ Aquela era uma das horas em que a garota se odiava por sempre fazer as piores escolhas. Ela finalmente desvia o olhar do lugar que ele estava sentado e afrouxa o aperto de seus dedos contra as mangas do vestido que usava. Bela não sabia o que estava sentindo, por isso foi direto para o quarto e se jogou na cama tentando pensar em outra coisa. Pelo menos não era só com ela que ele estava agindo daquele jeito”.

— Você está tentando me consolar? — “Ela olha para o teto que obviamente não a responde”.

“Bela solta um longo suspiro e olha para a bolsa que trouxera de casa, dava para ver um livro volumoso dentro dela, ‘um dos livros da arca’ ela pensa alto. Tinha que falar com a Fera sobre aquilo, mas não agora”.

— Que fome! — “Ela resmunga poucas horas depois. Ter ficado sem comer não fora uma ideia muito boa”. — Bem que eu queria ter o prato que eu tinha me servido aqui…

“Quando Bela levanta para ir buscar alguma coisa na cozinha, ela vê que a mesinha do lado da cama estava o prato com exatamente as mesmas coisas que ela colocara dentro. Ela come um pedaço de pão e antes que pedisse um suco, misteriosamente um copo cheio aparece lá”.

— Então é assim que as coisas acontecem por aqui...

“Sem nenhuma surpresa, os dois passam o resto da tarde separados. Quando anoitece e a Bela cai no sono, a Fera entra no quarto e senta bem na pontinha da cama passando a mão ao redor para não esmagá-la acidentalmente”.

— Acho que eu exagerei, mais cedo… — “Ele suspira sincero. Detestava quando as palavras saiam de sua boca sem freio”. — Desculpa. — “Ele murmura deitando do lado dela”.

“Antes que ele pegasse no sono, Bela começa a se revirar na cama. Ela acorda e se espreguiça batendo a mão na no ombro dele. O coração dela dispara e ela grita alto assustada com o intruso em sua cama. Antes que ele pudesse se mexer ela pula para cima do travesseiro”.

— Q-quem é você!? — “Ela vai se afastando até o limite da borda da cama e quase cai no chão”.

— Calma Lun, sou eu. — “Ele ri achado graça da reação exagerada dela”. — Está tarde, né? Você não deve estar me vendo com as luzes apagadas. — “Ele conclui”.

— Ah tá… — “Ela suspira, mas não fica tão aliviada quanto gostaria. Estava tensa”.

— Tem uma luminária perto da porta, eu vou acender para você. — “A Fera faz o que disse sem demorar muito e volta para a cama segurando a luminária no ar”. — É melhor você pegar, vai que eu acerto o seu cabelo sem querer…

— É verdade. — “Ela desvia o olhar colocando a luminária na mesinha do lado dela da cama”.

— Ontem você disse que tinha que me dizer algo importante, o que era? — “Ele senta encostado na cabeceira da cama tentando olhar para ela”.

— Bom… — “Ela olha ao redor procurando pela bolsa. Ao vê-la, ela pega o livro e o leva para a cama sentando-se de frente para a Fera”.

— Só eu que acho que tem alguma coisa bem errada com esse conto? — “Como ela fica parada olhando para ele, a Fera puxa assunto”.

— Não. Tá tudo muito estranho, no começo eu tinha duas irmãs e de repente a casa ficou superlotada. Eram meus irmãos que do nada passaram a existir na história. — “Bela gira o livro nas mãos”.

— Muito estranho… Não vai me dizer que entramos trocados de novo. — “Ele estava ficando preocupado”.

— Acho que não é isso. — “Ela franze a testa sentando do lado dele”. — Eu só consigo me lembrar das duas letras “B” e “e” do título, elas estavam pra cima… e Len, um dos livros que eu estava segurando veio junto. Com certeza é isso!

— O quê!? — “Ele arregala os olhos virando o rosto para a garota”.

— Exatamente o que você ouviu e o pior é que o livro não está normal. — “Ela entrega o livro para ele”.

— Como assim? — “Ele passa uma das mãos rapidamente por todo o livro notando que a capa estava um pouco quente”.

— A capa dele brilha de vez em quando e ele está todo em branco por dentro. Quando eu o abro acontece nada de especial, ele nem brilha igual acontece no mundo real.

— Hm… — “Ele encosta na cabeceira da cama”. — Eu não sabia disso.

— Disso o quê? — “Ela questiona e ele vira os olhos”.

— Que o livro brilhava. — “Não era óbvio?”.

— Bom eu… — “Ela desvia o olhar reparando que umas letras estranhas gravadas nas primeiras páginas”.

— Muito estranho isso. — “Ele junta as sobrancelhas”. — Qual o título do livro? Você consegue ler?

— Sim, é: A leste do sol, a oeste da lua. Tenho certeza de que nunca ouvi falar. — “Ela olha para ele e então percebe que as letras estavam chegando na próxima página do livro, como se ele constantemente estivesse sendo escrito”.

— Nem eu. — “Ele boceja”. — É melhor dormirmos, pensamos nisso amanhã. — “Ele deita e puxa o cobertor para se aquecer”.

— Boa noite.

“Bela olha para ele e sorri antes da assoprar a vela da luminária e entrar debaixo das cobertas. Estava feliz por ele estar menos arisco. Eles dormem um de frente para o outro num sono pesado que só fica mais leve quando os pássaros começam a piar alto lá para as sete da manhã. Era engraçado notar que apesar de serem bem diferentes, sempre haveria algo em comum. Eles só tinham que descobrir o quê”.