Até que ponto é fantasia

5 Cadê o tapete voador?


“Na manhã seguinte, Aladiny, disfarçada de garoto, vai para as ruas se divertir um pouco. Ela estranha o movimento das pessoas. Todas elas estavam saindo da rua principal, inclusive os comerciantes”.

— O que está acontecendo? — “Engrossa a voz”.

— Evacuaram toda a rua. — “Explica uma senhora”.

— Por quê? — “Ela pergunta confusa”.

— O sultão. Você sabe das excentricidades dele… Ele nunca quer que o povo fique bisbilhotando seu filho. — “Diz um dos garotos”.

— Cuidado com o que fala… — “A senhora olha para os guardas que dobravam a esquina”.

— Obrigado. — “Aladiny se afasta e entra sorrateiramente numa casinha vazia”.

— Perfeito!

“Ela suspira olhando para o pequeno furo da cortina, através dele daria para ver o tal príncipe passar pela rua principal sem ser vista”.

— Que susto! — “Ela quase grita quando um gato entra fazendo a porta ranger”.

“Não muito tempo depois ela vê alguns servos caminhando no começo da rua sem notar que bem ao centro, tanto o sultão quanto o príncipe conversavam”.

— Queria ter meus óculos aqui… — “Ela morde o lábio estreitando os olhos para tentar enxergar direito”.

“Quando eles se aproximam o bastante ela consegue reconhecer o príncipe, ela sorri e pensa em como chamar a atenção dele. Aladiny olha para o gato que miava para ela. Poderia jogá-lo no meio da rua”.

— Se eu fizesse isso você me delataria. — “Fala para o nada e olha para o bichano com dó”. — E-eu vou dar outro jeito…

“Aladiny volta cuidadosamente para casa, mas antes de entrar vai na casa abandonada ao lado e troca de roupas. Quando entra na própria, encontra a mãe fiando”.

— Mãe… Eu vi o príncipe e preciso conversar com ele! — “Ela passa a mão pelos cabelos agora descobertos”. — Você poderia me ajudar…

— Está maluca, minha filha!? — “Ela ri nervosa”. — Não é qualquer um que poderia falar com alguém da realeza! O sultão teria que permitir e ele não veria uma criança atoa. As mais ricas daqui ainda conseguem uns minutos por quererem se casar com algum herdeiro. As princesas, por exemplo, mesmo que novinhas, já estão recebendo propostas…

— Q-Que seja… — “Aladiny cora instantaneamente”. — Diga que eu quero me casar com o príncipe!

— Mas filha… — “Ela quase engasga”. — Além de ser estranho, você sabe que precisaríamos oferecer presentes caros para conseguir a atenção dele. — “Olha para a cara rosada da filha”. — Está louca, é isso!

— Eu estou falando mais sério do que nunca! — “Diz com firmeza”.

— Mesmo assim… — “Ela suspira, fazia tempo que não via a filha tão certa sobre algo que queria”. — O que temos para oferecer?

— Já sei! — “Seus olhos brilham ao se lembrar das árvores com pedras no lugar dos frutos”. — Lembra das pedras coloridas que eu trouxe da caverna? Elas são pedras preciosas, não pedaços de vidro. — “Ela corre até o armário e as despeja num prato de porcelana”. — O que acha?

— Elas são maravilhosas! — “Diz encantada”. — Aposto que são o bastante. — “Ela as envolve num pano de linho”.

— Você pode dizer que somos de outro reino para ele não estranhar muito o pedido. — “Começa a planejar”.

— De onde digo que somos?

— Do Vale da lua. — “Ela ri. Se o sultão comentasse algo com o filho aquilo poderia servir de pista”.

— Eu vou fazer isso por você, mas tem certeza de que é isso o que quer?

— Absoluta! Ah… Também diga que eu quero vê-lo pessoalmente antes de casarmos. — “Pede envergonhada. Sabia muito bem que ali era comum casarem as pessoas antes de se conhecerem pessoalmente”.

— Aladiny… — “A mãe aperta os ombros da filha, preocupada”.

— Por favor, faça isso quando ele aceitar a proposta. — “Ela pega a lâmpada e a esfrega chamando o gênio”. — Desejo que as roupas de minha mãe pareçam com ricas peças de um país distante.

“Imediatamente as rupas dela mudam e o gênio desaparece. Admirada com suas vestes sedosas ela pega o véu mais bonito que tinha e o veste. Aladiny amarra a menor das joias num fio dourado envolvendo o pano de linho imaginando que chamaria alguma atenção”.

— Por favor, fique o tempo que precisar. — “Pede antes de vê-la partir”.

“Com as mãos trêmulas ela se põe diante do sultão que olha para suas vestes interessantes. Como estava ocupado com os negócios do reino ele demora para dar-lhe atenção. Quando menos esperava ele se aproxima notando a pérola amarrada sobre o pano de linho”.

— Vejo que está aí, no mesmo lugar, desde muito cedo… O que deseja? — “Pergunta levemente curioso”.

— Minha filha, sei que isso é incomum nesse país… mas ela deseja pedir a mão de seu filho em casamento. — “Diz um pouco nervosa”. — Precisamos de uma resposta o mais breve possível. — “Completa não querendo imaginar a ansiedade de sua garota durando mais do que alguns dias”.

— Interessante. — “Estrala os dedos rindo disfarçadamente”. — Antes de continuarmos… O que é isso? — “Aponta para o que ela segurava”.

— Um presente de nós, do Vale da lua. — “Sorri”.

“O sultão fica calado por estar maravilhando-se com a beleza das pedras cintilantes. Ele já tinha decidido que seu filho se casaria com a filha de um de seus oficiais, mas agora só podia pensar nas riquezas que poderia conseguir para o seu reino”.

— Que encanto!

— E então… — “A viúva pergunta”.

— Espere três dias para voltar aqui. Você poderá vir como minha convidada e nós conversaremos mais seriamente sobre isso.

— Obrigada. — “Ela se curva até o chão”.

“Os dias seguintes não poderiam ter sido mais demorados. Aladiny andava nervosa de um lado para o outro torcendo para o tempo passar mais depressa e quando o tão esperado dia chega ela acorda radiante”.

— Esteja aqui quando eu voltar. — “Pede para a filha que concorda sem reclamar como normalmente faria”.

“Chegando no castelo o grão-vizir a faz esperar por um bom tempo. O sultão mal se lembrava dela, apenas recordava daquele pedido feito às avessas. Seu filho que deveria pedir a garota em casamento, não o contrário”.

— Qual é a sua resposta? — “Pede a mulher quando finalmente consegue a atenção do sultão”.

— Eu aceito sua proposta, mas para isso preciso saber se será uma boa união para o nosso reino. Peço a sua família quarenta bandejas de ouro carregadas com joias como as que me trouxera naquele dia, cada uma carregada por um escravo negro acompanhado por um branco, todos muito bem vestidos. — “Pede o que imaginou ser impossível, afinal, encantado com aquelas joias não tinha conseguido pensar no absurdo de casar seu filho assim”.

— Obrigada pela atenção. — “Ela se curva preocupada”. — Mas se assim for… Eu também tenho um pedido. Minha filha deseja ver seu filho antes do casamento.

— Faz parte dos seus costumes, não? — “Ele ri pensando que esse dia nunca chegaria”. — Tudo bem. Garanto que falarei com ele, aliás, farei isso agora mesmo. — “Ele se retira pensando em fazer seu filho rir com aquela piada”.

“Aladiny estava dormindo num dos bancos da cozinha quando sua mãe chegou. Ela fica contente apesar do desanimo da mãe que achava que tudo estava perdido. Elas ainda tinham chances, o sultão tinha escutado seu pedido e feito um desafio sem saber da lâmpada”.

— Está tudo bem, mãe. — “Ela sorri e esfrega a lâmpada pedindo tudo o que o sultão exigira”.

“Após a chegada da mãe de Aladiny, de par em par, os oitenta escravos partiram para o palácio. Todos nas ruas os observavam maravilhados. Quando o último deles chegou, todos, em meia-lua, ajoelham-se em volta do trono depositando as bandejas no tapete”.

— Como prometido. — “A viúva sorri”.

— Nós receberemos sua filha de braços abertos. Espero vê-la hoje mesmo em nosso palácio para que ela conheça o noivo. — “Diz depois de extremamente espantado, admirar tamanha riqueza”.

“Depois de se curvar e sair do castelo, a viúva sai correndo para dar as boas notícias à filha. Aladiny, muito contente chama o gênio outra vez, desejando roupas dignas de uma princesa, um cavalo tão belo quanto o do sultão e vinte escravos, cada um com uma bolsa com mil moedas que distribuiriam para o povo no caminho antes que ela os libertasse”.

“Depois de um banho ela se veste e acompanhada pelos escravos, marcha para o castelo distribuindo ouro para todos os que via nas ruas. Em questão de minutos já falavam sobre sua generosidade e gentileza em todo o reino”.

— Não podia esperar mais para conhecê-la, noiva do meu filho. — “O sultão desce de seu trono e vai até ela”.

— Sou Aladiny do Vale da lua. — “Ela se curva”. — Venho aqui para conhecer meu noivo e ter uma conversa particular com ele. — “Diz com toda a firmeza e confiança que não tinha”. — Garanta que ninguém vá nos atrapalhar.

— Oh, sim. — “Sorri para a belíssima garota. Depois de ter uma breve conversa com o grão-vizir ele a chama”. — Ele está nos jardins te esperando.

“Aladiny vai acompanhada pelo próprio sultão até os jardins. Sozinha ela procura pelo príncipe e sorri ao vê-lo deitado de olhos fechados na grama, se não estivesse sorrindo ironicamente ela pensaria que ele estava dormindo”.

— Boa dia, estranha. — “Ele levanta encostando-se na macieira”. — Conseguiu a lâmpada? — “Aquela era a única coisa de que se lembrava sobre o conto em que estavam”.

— Deixei em casa. Não acho boa ideia andar com ela, vai que alguém a esfrega… Ah, como foi ficar preso aqui quase o conto todo? — “Ela pergunta risonha”.

— Revigorante, só faltou você ter que me resgatar… — “Ironiza”. — Eu não entendi a do Vale da lua, mas imaginei que fosse você por ser esquisito.

— O meu nome é Luna! — “Vira os olhos”. — Luna/lua… sacou?

— É mesmo? — “Ele arqueia as sobrancelhas”. — Jurava que era só Lun mesmo. — “Ele fica irritado por ela continuar rindo da cara dele”. — Ainda tenho que me dar ao trabalho de adivinhar as coisas…

— Nesse nem foi tão difícil. Queria ver se fosse na Cinderela. — “Ela ri mais ainda ao imaginá-lo recebendo ordens de uma madrasta má, mas… estranhamente ela não se lembrava do que acontecia com Cinderela no fim do conto”.

— Ha ha, ha! — “Ele cruza os braços e ela coloca a mão no ombro dele se pendurando”. — O que você está fazendo? — “Ele tenta afastá-la”.

— Hm? — “Ela desce das pontas dos pés o encarando confusa”. — Ah! Pegando uma maçã. Elas parecem estar boas… — “Ela morde um pedaço”.

— Bom saber… — “Ele ri de lado”.

— Por… — “Antes dela terminar de perguntar ele envolve as mãos dela e rouba uma mordida”. — Ei! — “Ela afasta a maçã tarde demais”.

— Isso é pelo bolo. — “Lambe os lábios”. — E caramba, suas mãos são minúsculas!

— A sua que é grande. — “Ela cora esticando umas das mãos sobre a dele. Ele sorri quando percebe que conseguia dobrar os dedos quase na metade sobre os dela”.

— Dizem que se você a fechar assim, é quase do tamanho do seu coração. — “Ele fecha bem a mão dela”. — Ih… Quase nada…

— Pelo menos o meu não é de pedra! Hmpf… — “Ela sai de perto dele”.

— Você sabe que isso não me ofende. Nem isso você consegue. — “Ele se espreguiça”.

— Até agora a história não deu nenhuma pista. — “Ela ignora a provocação”.

— Só espero não ter que me casar com você… — “Volta a provocá-la”.

— Não poderia concordar tanto com você em alguma coisa! — “Ela força um sorriso e ele dá de ombros fingindo indiferença”. — Quer dizer que não é indiferente! — “Aladiny aponta”.

— Que seja… — “Ele bufa”. — Vamos. Nossos “pais” devem estar esperando.

“Eles entram no salão principal, o sultão conversava com o grão-vizir descontraído. Quando os vê chegando analisa Aladiny preocupado com o encontro”.

— Então, como foi? — “Pergunta olhando para o filho”.

— Ótimo! — “Dizem juntos”.

— Que bom, vocês podem se casar hoje mesmo. A festa toda é por minha conta! — “Diz temendo que Aladiny mudasse repentinamente de ideia”.

— N-não. — “Ela quase engasga”. — Primeiro precisamos erguer um palácio à altura do casal que formaremos. — “Improvisa. Ela suspira aliviada ao ver o sultão sorrindo”.

— Exato. Estávamos falando disso lá fora. — “O príncipe mente”.

— Eu vou ceder um terreno para vocês e se precisarem de algo é só avisar. — “Diz bastante feliz entregando um papel com o nome do lugar”.

“Chegando em casa, Aladiny pede para o gênio levantar um palácio de mármore, madeiras finas e pedras preciosas, já lindamente decorado e servido o mais rápido que conseguisse. Ela quase tem um treco quando descobre que na manhã seguinte o lindíssimo palácio, visível das janelas da frente do palácio do sultão, estava impecavelmente terminado”.

“Muito surpreso e admirado o sultão elogia Aladiny que pede para que ela e o príncipe vivessem lá por uns dias, em quartos separados, antes de casarem. O sultão concorda, mesmo estranhando um pouco”.

— Eles vão nos obrigar a casar logo. O sultão estava pensando em dar uma grande festa no fim da semana e você já pode imaginar o motivo… — “O príncipe batucava velozmente os dedos na cama em que eles futuramente dormiriam juntos”.

— Eu não quero isso! — “Aladiny resmunga”. — Precisamos pensar em algo!

— Diga que tem que cuidar de umas coisas na sua terra antes de se casar. Trazer mais algumas riquezas de lá, para deixar todo mundo feliz… — “Sugere”.

— Por enquanto deve bastar. — “Ela torce o nariz”. — Pelo menos até eu pensar em outra coisa…

“Dito e feito. Aladiny finge voltar para o Vale da lua para buscar as joias muito raras que usaria no casamento prometendo que no máximo em uma semana voltaria”.

“Os rumores corriam por todos os lados, tanto que chegaram aos ouvidos do feiticeiro que revoltado resolve ir atrás de Aladiny e conseguir a lâmpada de qualquer jeito. Ele vê na ausência da garota a oportunidade de reavê-la. Consegue uma dúzia das mais novas e belas lâmpadas, bastante parecidas com a lâmpada maravilhosa, com um comerciante e então caminha até os portões do palácio de Aladiny”.

— Troco velhas por novas! Venha já trocar as suas lâmpadas! — “Ele faz papel de comerciante e convence um dos guardas a deixá-lo entrar. Com seus olhos atentos ele procura o príncipe que entrava em seus aposentos”.

— Quem está aí? — “Ele pergunta ao ouvir os passos do vendedor invadindo seu quarto”. — Quem o deixou entrar? — “Tenta olhar para ele”.

— Os guardas. Sou só um vendedor de lâmpadas. Troco velhas por novas! Quer fazer um negócio? — “Coloca suas mercadorias na cama”.

— Eu não tenho lâmpadas aqui. — “Ele diz meia verdade, afinal ele apenas achava que não. Aladiny não falara onde tinha colocado aquilo”.

— Todos têm! — “Ele facilmente a encontra dentro de um armário entreaberto. Antes que o príncipe pudesse dizer algo, ele a pega”. — Veja, mesmo que não pareça, ela está tão velha. Alguém da realeza deveria ter algo melhor.

— Não, eu gosto dessa mesmo. — “Ele a pega de volta sem dificuldades e a coloca ao seu lado”.

— É uma pena. — “Finge estar triste recolhendo suas coisas”. — Se mudar de ideia peça para me chamarem. — “Sorri”.

— Tudo bem. — “O príncipe segue o som das lâmpadas sendo recolhidas com os olhos”.

— Adeus majestade. — “Quando ele faz uma pequena reverência as lâmpadas caem na cama misturando-se com a lâmpada de Aladiny”. — Sinto muitíssimo! — “Ele começa a recolhê-las”.

— Tudo bem. — “O príncipe tateia disfarçadamente o seu lado procurando a lâmpada, mas ela não estava exatamente onde deixara”.

— Mil desculpas. — “Ele se curva”. — Fique com essa de brinde, mas por favor não chame os guardas… — “Quase implora antes de sair apressado do quarto”.

— Estranho… — “O príncipe comenta consigo jogando-se na cama enquanto colocava as lâmpadas na cômoda”. — É só esfregar, não? — “Ele esfrega a primeira lâmpada, depois a segunda e nada”. — Droga! — “Ele vai até a porta e chamando os guardas pedindo para procurarem o vendedor e mandarem alguém para chamar a sua noiva”.

“Esperto, o feiticeiro larga as outras lâmpadas num canto e guarda a lâmpada maravilhosa em seu cinturão correndo para fugir dos guardas que começavam a se movimentar”.

— Até que enfim, querida. — “O feiticeiro sorri quando sai em segurança do palácio e esfrega a lâmpada”. — Ordeno que transporte este castelo para a África. — “O gênio rapidamente o faz”.

“Por sorte Aladiny resolvera voltar naquele mesmo dia para o palácio, afinal, tinha percebido que o sultão mandara alguns servos para lhe espiar. Quando ela chega no território de seu castelo toma um grande susto. Ela esfrega os olhos verificando que o que via era real”.

— Como assim!? — “Ela pergunta para os céus. No lugar em que o palácio deveria estar havia apenas uma grande cratera”.

— O sultão exige a sua presença! — “Dois guardas agarram o braço dela” — Imediatamente!

“Ainda chocada com o acontecido, Aladiny deixa que a acompanhem até o palácio do sultão que a recebe com cara de poucos amigos”

— Não sei e não quero saber o que aconteceu, mas… Você tem exatamente quatro dias e quatro noites para trazer o meu filho de volta e se casar com ele. Caso contrário… — “Passa um dedo horizontalmente no pescoço da garota que engole em seco”. — Esse prazo é uma cortesia por causa do povo. Vá imediatamente!

— Obrigada, senhor! — “Ela faz uma breve reverência antes de sair correndo aflita atrás de alguma informação”.

“Ela pergunta para todos que encontrava, mas não estava conseguindo nada de útil. Quando já estava cansada, pensando em ir descansar antes de continuar com sua busca, ela vê um de seus guardas andando rapidamente pelas ruas”.

— Aladiny! — “Ele toma um susto quando ela toca em seu ombro”. — O castelo simplesmente sumiu, eu juro que não sei como. O príncipe pediu para te chamar e… — “Diz de uma vez só correndo os olhos ao redor desesperado”.

— Calma. — “Ela tenta chamar a atenção dele para ela”. — O que ele queria? Alguém veio falar com ele?

— Não. — “Ele suspira temendo que fosse punido”.

— Está tudo bem. Eu vou recuperar o palácio. — “Ela pega umas moedas em seu bolso”. — Se vir algum outro guarda daqui diga que farei isso e de resto… Imagine que está de férias por esses dias. — “Entrega as moedas. Ela ameaça se afastar, mas acaba se lembrando de mais um trecho do conto”.

— A senhora está bem? — “Ele pergunta ao vê-la um pouco mais pálida”.

— Estou. Você viu algum vendedor de lâmpadas ou algo assim?

— Na verdade sim. — “Ele coça a nuca”. — Ele estava dentro do castelo.

— Muito obrigada! — “Ela sai correndo para procurar um vendedor de lâmpadas no comércio”.

“Como imaginava, ele vendera uma grande quantidade delas para um homem com vestes estranhas. Era o feiticeiro que não tinha desistido da ideia de conseguir o que tanto desejava”.

— O que eu faço agora? — “Sabia que o feiticeiro tinha levado o seu palácio para a África, mas não sabia como chegar lá, já que não tinha visto nenhum tapete voador até agora. Mexe nos bolsos sem encontrar nada de útil”. — O anel! — “Ela ri consigo. Estava com ele no dedo o tempo todo. Ela o esfrega”.

— Sou o servo do anel, o que deseja? — “Pergunta com sua voz metálica”.

— O meu palácio de volta!

— Isto está fora do meu alcance, mas se quiser posso te levar para as terras frias do norte, mas isso demoraria, é melhor ir para…

— Você só sabe transportar pessoas? — “Aladiny pergunta confusa”. — Quer saber… Só me leve para o meu palácio, na África.

“Imediatamente o pedido dela é atendido. Aladiny coloca sua capa de viagem e sonda o castelo que era iluminado apenas por algumas lâmpadas e a luz da lua. Logo localiza a varanda de seu quarto. Ela pede para o gênio do anel a transportar para lá”.

— Len! — “Ela exclama quando o vê. Ele estava entediado por ter ficado trancado por horas e horas”.

— Até que enfim! — “Vai direto até ela”. — Pensei que ia ter que pular daqui sozinho e ver se você não tinha se perdido.

— Falando assim nem parece que eu estive te procurando feito louca! — “Cruza os braços sobre o peito”.

— E esteve? — “Fecha a porta que ela deixara aberta”. — Podia ter feito isso mais rápido!

— Não é como se você tivesse me encontrado em minutos “na Rapunzel”; você não tem do que reclamar. Além disso, você que não deveria ter trocado a lâmpada por uma dessas aqui, olha! — “Ela chacoalha as duas lâmpadas comuns de metal”.

— Aquele vendedor esquisito que embaralhou tudo. Não é como se eu tivesse dado para ele. — “Tenta controlar o tom da própria voz”.

— Mas mesmo assim ele ficou com a lâmpada!

— E como você acha que eu iria saber qual é a certa? Eu nunca toquei nela!!! — “O príncipe a encosta na parede encarando-a por trás de suas pálpebras fechadas. Ela não fazia ideia de como aquilo era frustrante para ele”.

— Desculpa…

“Ela se encolhe. Depois de respirar fundo várias vezes, ele se afasta. Deveria estar assustando a garota”.

— Dá próxima vez vê se não estraga tudo. — “Joga a culpa nela”.

— Eu deveria ter pedido pro gênio fazer você enxergar! — “Ela bufa irritada por ele nunca ceder em nada”.

— E a primeira coisa que eu iria ver seria essa sua cara sardenta? Não, obrigado! — “Ele cruza os braços teimoso”.

— Eu não tenho sardas! — “A voz dela soa mais aguda”. — Você que tem! — “Toca nas sardas quase invisíveis da bochecha dele”.

— Grande coisa… — “Senta na cama”.

— Quer saber, eu vou dar um jeito de pegar a lâmpada de volta. Te vejo mais tarde! — “Ela pula da janela e antes de chagar no chão deseja que o gênio do anel a transportasse para a cidade”

“Lembrando-se do resto do conto, Aladiny vai até uma loja e compra um sonífero, assim como uma garrafa de vinho caro. Ela volta para a varanda onde encontra o príncipe a esperando”.

— Já sei, já sei. — “Ele pega os objetos”. — É só colocar no vinho dele quando ele vier conversar que você pega a lâmpada” — “Soa entediado”.

— E vou estar no telhado. — “Ela o informa”.

“Assim que o feiticeiro bate na porta, o príncipe o convida para entrar e tratar de negócios tentando convencê-lo de que seu pai faria qualquer coisa para tê-lo de volta. Como era bom de lábia, facilmente consegue a atenção dele”.

— Nossa, minha garganta até secou! — “O príncipe abaixa pegando umas taças que já tinha separado”. — Quer um pouco de vinho? — “Mostra a garrafa já aberta e carregada com o pó que Aladiny trouxera”. — Disseram que é um dos melhores.

— Francamente… Você parece ser muito gente boa! — “Ele serve as taças que o príncipe segurava”. — Talvez eu te devolva para o seu pai ao invés de matá-lo…

— De uma vez só, para dar sorte! — “O príncipe apenas sorri fingindo beber o próprio vinho enquanto o feiticeiro engolia todo o conteúdo de sua taça”.

— Gosto meio forte, não… — “Comenta começando a empalidecer, a ficar meio confuso e então cair no sono”.

— Você foi rápido! — “Aladiny pula para dentro puxando a lâmpada do cinturão do homem caído”. — Pode pedir. — “Ela dá a lâmpada para o noivo que dá de ombros”.

— Desejo que o palácio volte para onde estava! — “Deseja assim que o gênio aparece”.

“Quando amanheceu, o sultão olhou pela janela de seu quarto e viu o palácio de seu filho brilhando com a luz do sol. Muito contente, vai verificar se ele estava bem”.

— E foi isso o que aconteceu. — “O príncipe suspira depois de contar a história toda”.

— Ótimo, vocês podem se preparar para casar amanhã que eu vou mandar pessoalmente esse feiticeiro para uma prisão bem longe daqui como Aladiny sugeriu.

“Na manhã seguinte eles recebem a notícia de que o feiticeiro acordara desesperado por estar sem a sua lâmpada. Sabiam que dali para frente ele nunca mais faria mal para ninguém. Naquela mesma noite Aladiny e o príncipe se casariam e dariam uma festa que duraria pelo menos uma semana. O reinado do casal faria tanto o sultão, que pretendia se aposentar, quanto a viúva e o povo muito feliz”.

Notas finais
O que acharam?