Até depois da Morte!

7 Justine vaga pelas ruas.


"Vá e tente não criar baderna!"
Disseram-lhe os soldados antes de soltá-la a esmo em uma das ruelas parisienses. Ela sabia que pedir ajuda a eles seria um grande equívoco, portanto decidiu permanecer quieta e resolveu que deveria manter a calma que sempre teve e seguir normalmente em meio ao trânsito de pessoas.
Notou os padeiros que passavam com suas cestas de pães frescos exalando um aroma agradável. De imediato Justine lembrou-se da fome que sentia. É de se imaginar que o ser humano segue seus instintos quando necessita de algo vital, a necessidade de sanar a vontade foi mais alta que a prudência de permanecer íntegra em seu caráter.
Passando vagarosamente em frente a uma janela com vários pães — provavelmente uma das simples padarias da rua — aproveitou o pandemônio de gente e a distração do padeiro para empalmar um pão já frio que fora deixado de lado pelos clientes. Receosa, pois se pega voltaria ao calabouço — e ninguém poderia intervir novamente a seu favor para que fosse liberta — saiu andando propositalmente sem pressa em meio ao monte de gente, disfarçando o pão ao lado, colado ao corpo numa posição que tornava difícil de se perceber. A sujeira, o cabelo despenteado, envolvido pelo lenço vermelho que trouxera de casa e os pés envoltos por uma sapatilha encardida inevitavelmente chamaram a atenção da maioria do povo, principalmente das mulheres, que não precisavam nem mesmo comentar, pois seus olhares já denunciavam o quanto consideravam repudiantes e anormais aquelas vestes.
Justine, receando chamar demasiadamente a atenção e acabar sendo reconhecida, andou celeramente até um dos becos onde poderia ser facilmente confundida com algum morador de rua. Passará então a tarde inteira a procurar, pois sua espada e cavalo tinham de estar no local onde os deixará.
Torceu para que nenhum de seus objetos houvessem sido perdidos ou roubados, já que nada tinha de valor para arrecadar dinheiro e um duelo estava marcado. Sentou-se durante um tempo para descansar na calçada de um dos estabelecimentos e rasgou um pequeno pedaço de pão. A noite já havia chego e Justine sabia que estava perdida. Sua caminhada o dia inteiro fora em vão.
Cansada e irritada, fechou os olhos enquanto mastigava, o pão se tornará uma iguaria naquele momento, porém a vontade de água superava qualquer outra.
"Moça?"
Justine abriu os olhos imediatamente preparando-se para dar de frente a um soldado quando observou a criatura de baixa estatura a olhá-la com dificuldade em meio a escuridão.
"Tu és a moça do cavalo?"
Perguntou o garotinho que Justine conhecerá no momento em que fora levada. A boina e o olhar assustado ainda estavam lá, intactos.
"Sim! Onde está ele?"
"Venha aqui, venha!"
Os dois andaram em silêncio por entre as ruas, o garoto — que ia na frente andando a passos rápidos — cortava caminho por entre os becos, era evidente que conhecia todos os macetes que só os mais habilidosos andarilhos conhecem.
"Ali está! Sua espada está com ele."
O garotinho apontou para o cavalo de Justine a poucos metros de distância.
"Obrigada, tu já podes ir."
"Moça, dissestes que traria para mim seis pães e um ragoût.."
"Sim! Tome!" Disse Justine entregando a ele o pão que roubara "Não te preocupas, eu cumpro com minha palavra, trarei para ti os pães e muito mais, só espere eu voltar!"
"Mas como vais dormir se nem mesmo tens uma casa? Onde está tua família?"
Justine riu enquanto retirava o laço que mantinha o cavalo preso.
"Minha família não está aqui."
"Então onde está?"
"Posso te dizer que nunca vi uma criança tão curiosa em toda minha vida. Te contentas com minha resposta."
O garoto permaneceu calado enquanto observava Justine com extrema atenção.
"Eu tenho uma casa, há o que comer lá."
"Não, come com tua família. Arrumarei uma forma de me alimentar."
"Eu encontrei isso no chão."
Disse ele, entregando a Justine a bolsa com os écus que trouxera de casa. "eu guardei."
"Tu és um bom menino, que Deus possa te recompensar."
"Venha me visitar!"
Justine já sob o cavalo, meneou a cabeça concordando e se fora.
O vento que soprava do sul era intensamente frio, ela percebeu que deveria encontrar um local onde se alojar. Lembrou-se que em algum lugar dali durante sua caminhada com o garoto, avistara uma pequena estalagem no final de uma das ruas, cavalgou com esperanças de uma boa e confortável noite de sono.
Parou, levando o cavalo consigo até a janela de vidro para observar melhor. Lá dentro tudo parecia ser bastante confortável, duas senhoras conversavam animadamente sobre assuntos, aparentemente interessantes, uma moça lia um livro e duas crianças brincavam. A lareira acesa esquentava-os, Justine resolveu bater a porta. Uma velha mulher carrancuda atendeu quase aos berros.
"Não temos quarto, não sabes ler?"
Disse apontando para uma placa miserável no canto da estalagem.
"Quero saber quanto custa!"
"Além de cega és surda? Já disse que não há quartos!"
Justine enfiou o pé no vão da porta empedindo que a mulher a fechasse.
"Eu lhe fiz uma pergunta e desejo uma resposta! Estou caminhando a muito por este lugar que desconheço totalmente. Cansada, com fome e com sono, apenas necessito de comida e cama, onde ficarei não importa, desde que seja um lugar quente. Eu pagarei por isso."
A mulher pensou durante um momento olhando Justine dos pés a cabeça com uma expressão de desaprovação.
"Quem és tu?"
"Sou uma camponesa, vim para trabalhar na guarda real."
A mulher riu com descaso. Justine refletiu que ferir alguém naquele momento não seria uma atitude inteligente, por conta disso acomodou a mão que partia direto para a espada. Talvez a fome estivesse fazendo com que sua irritação aumentasse.
"És maluca?"
"Provavelmente! Mas, não estou aqui para falar sobre meus planos ou saúde mental e sim se posso hospedar-me em sua estalagem."
"Fique, mas não terá luxo!"
Justine riu sarcasticamente.
"Não me importo com isso, fique tranquila."
Depois de negociar durante alguns minutos um espaço na estribaria do local para seu cavalo, finalmente pôde adentrar a sala aquecida.
"Deixe esta espada bem distante de meus hóspedes."
Obedecendo, Justine retirou a espada da cintura e a depositou em uma pequena mesa ao lado da porta, caminhou uns passos e sentando-se em uma das poltronas percebeu o quanto estava chamando a atenção. As senhoras, a moça e até mesmo as crianças a fitavam curiosamente.
Talvez fossem suas vestes, ou sua espada.
"Tu tens uma marca de sangue na barra do vestido."
Disse a senhora. Justine avistou e pisou sob a mancha, enquanto pensava em uma desculpa plausível.
"Eu caí."
"Estais ferida?"
"Na verdade, não é algo que mereça tanta atenção."
"Esses cortes no braço, parecem graves."
Pronunciou a outra senhora forçando a vista para enxergar melhor.
"Já disse que não é nada! Só um ferimento superficial."
Com isso, o diálogo terminará e Justine resguardou-se finalmente.
****
Os dias foram passando-se na estalagem com Justine treinando diariamente e arduamente os truques e manhas dos combates. Sua fama logo se espalhou da estalagem para as ruas francesas.
As mulheres à censuravam por não aprimorar sua feminilidade, os homens estavam divididos entre as críticas e a admiração que não eram loucos em consentir e as crianças à idolatravam com tamanha paixão por seus modos e truques com a espada que o espantamento inicial em vê-la a lutar havia reduzido-se, ou melhor, se transformará em uma sincera veneração.
Não havia nada melhor para as brincadeiras da tarde que conhecer seus golpes, notoriamente, Justine escondia alguns lances e macetes que somente poderiam ser usados por ela no momento oportuno e necessário.
Era muito revigorante o convívio com os garotos — sim, pois, as mães não permitiam que suas filhas fizessem parte de brincadeiras tão "pesadas", segundo seus julgamentos — inclusive, estavam entre eles Jean Jacques, o garoto que Justine conhecera ao chegar em Paris. Durante estes dias — o que pode ter durado relativamente uma semana — ela encontrara maneiras de sobreviver com os ècus que ainda sobravam, mas sabia que isto não perduraria por mais muito tempo, deveria encontrar uma forma de ganhar algo naquele lugar.
"Tu não te sentes fatigada por este esforço?"
Perguntou-lhe uma das filhas da dona da estalagem que sempre a observava atentamente, mantendo uma distância considerável.
"Fatigada?" perguntou-lhe sorrindo Justine "Nada!
"Eu nunca seria capaz de fazer coisas assim, quanto mas em publico."
"Já tentastes?"
"Oh! Que pergunta! Claramente que não, e nunca tentaria!"
"Como te chamas?"
"Geraldine, e tu deves se chamar Justine! Todos sabem teu nome aqui!"
"Me sinto feliz em saber disto! Para que servem estes panos?"
Perguntou, apontando com a espada para a trouxa de panos que a moça segurava.
"Ah! São tecidos para a loja da sra. Capucine, ela confecciona roupas para a alta nobreza."
"Alta nobreza, é?" Questionou Justine, enterrando a ponta da espada na terra. "Podes me dar um exemplo dos clientes desta sra. Capucine?"
"Claro! A sra. Capucine atende desde os marqueses até os condes, eles geralmente preferem ela! Inclusive, toda a família Lefebvre, Chevalier, Byron..."
"Byron?"
"sim, tu os conhece? Ah! Que pergunta boba, claro que sim! Eles confiam muito nos seus trabalhos."
"onde fica esta loja?"
"Algumas ruas próximas aos jardins do palácio em Versailles, um pouco distante, mas acredito que é possível chegar de charrete, talvez. Por que todo este interesse?"
Justine fora rápida.
"sou nova aqui, tenho que encontrar uma forma de ganhar algo, um trabalho!"
"Deste jeito toda bagunçada tu nunca irás conseguir."
"Do que preciso?"
"Inicialmente de uma carta de recomendação redigida pela pessoa responsável por ti. Depois, tu vais precisar ser arrumada para causar impressão. Este teu cabelo curto não te favorecerá, para falar a verdade vai parecer estranho, eu nunca havia visto uma moça sair em publico com cabelos curtos, digo, sem peruca. Tem que ser bem afeiçoada, mas..."Geraldine examinou os traços de Justine
"tu já és, só precisa se cuidar. Creio que há vagas, a moça que trabalhava com Capucine se casou recentemente, portanto, acredito que não trabalhe mas."
"Geraldine, deixe de tête-à-tête e leve já estes trapos para a sra. Capucine!"
Gritou a mãe, da varanda. Geraldine revirou os olhos, bufando.
"Não são trapos! Já estou indo, pense sobre isto. Quando eu voltar, conversaremos mais, sim?
Justine concordou com um balançar de cabeça e fitou a garota sumindo cantarolando no corredor."
*****
Naquele dias, conde Aaron passara o tempo todo no palácio junto ao rei tratando de assuntos referentes à segurança de Paris.
"Estes vândalos não me deixam! Veja! Mais badernas, acreditam que irão escapar do poder da realeza!"
Exclamou o rei, olhando pela janela as moças à tratarem dos jardins.
"Não fiques apreensivo, majestade!" Disse o duque de Lefebvre, um homem de baixa estatura, cabelos negros olhos ambiciosos e desconfiados que vivia sempre no encalço do rei. Possuía certo rancor de Byron, já que este era um dos preferidos da realeza. "Tu governas incrivelmente bem!"
"Sim, isto é verdade! Todavia, irrita-me muito estas afrontas! Byron?"
Chamou o rei, fitando Aaron que sentado em uma das poltronas, refletia profundamente sobre algo ininteligível.
"sim?"
"Diga-me se não é uma afronta estes atos contra mim!"
"Bem, senhor, considerando que todos nós somos suscetíveis a erros, não creio que a população faça isto propositalmente. Pode não ser uma afronta, mas sim um reflexo da essência humana."
"Santo Deus!" Riu Lefebvre "Como este homem complica as coisas! Que erro, que erro! Tu estais a dizer então que estas atitudes são normais?"
"Não, sr. marquês! Apenas estou lembrando-os e até mesmo esclarecendo que os súditos, na maioria, não tomam estas atitudes com o intuito de enfrentar a realeza! Devemos encarar estes fatos como mais uma das consequências da sociedade."
"Quer dizer que a sociedade faz com que o indivíduo crie modos como esses? Que perturbador!"
"Sim, sr. Lefebvre! Mas, cada um sede as degradações sociais de um modo. Alguns com mente fraca podem ser facilmente manipulados. Já outros conseguem escolher um caminho diferente, entenda que me refiro, principalmente a classe miserável e também a uma parte mínima da população nobre."
"Ora, e qual sua teoria sobre isto? Diga-me!"
"A população miserável é mais suscetível a esses erros, pois, não há expectativas no ambiente em que vivem, por conta disto a degradação acontece mais facilmente e rapidamente nesta classe, eles não têm verdadeira consciência do que fazem."
"Bem eloquente amigo, bem eloquente! Porém, vejo que não sabes nada sobre o governo, pois, estão todas equivocadas estas ideias. O que deveríamos fazer? Jogar ouro à eles?"
"Não, apenas fornecer educação! Somente isto!"
"Quer que demos a mesma educação da nobreza para os pobres? Veja isto, majestade!
Disse sr. Lefebvre rindo e engasgando-se."
"Ora, Aaron, tuas ideias estão muito além do que podemos fazer, porém gosto desta tua maneira de pensar, apesar de que me incomoda muito que penses tão mais claramente sobre assuntos que nem mesmo eu elucido. Voltando ao que falavamos, pelo o que pude constatar os duelos de espadas continuam a aumentar! Quando se cansarão?"
"Pelo o que vejo, nunca! Sabes, majestade, que além dos que já temos aqui, outros vêm chegando? Camponeses vêm de longe para causar desordem."
"Desde quando?"
"A muito que isso acontece, correm boatos de que até mesmo há mulheres junto dos vândalos!"
"o que são? Meretrizes?"
"Antes fosse, majestade! Há uma camponesa que chegou à uma semana, acredito, e já entrou no falatório de todos. Dizem que ela é muito boa com as espadas, que derrota qualquer um!"
"Derrota? Uma mulher? Deus, muito incoerente!"
"Ela, até mesmo já fora colocada no calabouço! Porém, fora solta."
Os dois olharam imediatamente para o conde, que estudava o diálogo calado.
"Eu a soltei pois não considerei um crime."
Este pronunciamento despreocupado do conde fez o rei mudar a expressão de surpresa para estranhamento imediatamente.
"como não é um crime? Explique-me!"
Lefebvre acompanhou o gesto do rei e inqueriu o conde com os olhos.
"Eu acredito que a moça não cometeu um delito, pelo menos, não tão grave. Ela apenas lutou, como qualquer um de nós faríamos, não a deixaria presa por puro capricho."
"Por capricho não, Byron! Mas por convenção, deverias seguir as regras!"
"Mas os duelos de espadas não são considerados crimes na França, esta é uma convenção, e eu a segui! A prenderíamos somente por ser mulher? Isto sim, majestade, sinto dizer, me parece incoerente."
"Pare de se contrapor ao rei e entenda que errou, rapaz!"
Exclamou Lefebvre.
"Eu concordo que isto foi petulante, Byron, e mesmo eu que te conheço a tempos posso dizer que foi muito desagradável esta atitude. Da próxima vez, procure-me antes de decidir algo."
"sim, majestade!"
E a conversa terminou por ali, com Byron fazendo uma breve reverência ao rei e saindo em seguida, esforçando-se para não se sentir incomodado com a expressão satisfeita de Lefebvre.
Andava a passos rápidos por entre os grandes corredores, as mãos entrelaçadas nas costas, o olhar pensativo e distante. Ele estava entrando num estado de espírito que odiava. Por vezes, passava horas a refletir sobre milhares de coisas, sua mente tornava-se uma confusão. Mas naquele momento, nem ele mesmo sabia o que o incomodava tanto. Não gostava da ideia de ter de aceitar que existiam outros melhores que ele. Talvez pareça fútil e decadente demais este pensamento e por isto mesmo ele envergonhava-se. a ideia de que poderia rebaixa-se a tamanhos sentimentos. Sentimentos sujos, os quais ele considerava sem sentido e coisa parecida.

Porém, por mais que isto o atormentasse grandemente, decidiu com todas as forças esquecer, talvez a moça a qual estimavam não fosse tão boa como falavam, quiçá fosse só mais uma. Imediatamente depois, cairia no esquecimento de todos.
Ele acreditava.

*******
"Então, o que achou?"
Perguntou Geraldine, girando Justine, que teve dúvidas sobre sua aparência ao ver a imagem refletida no espelho. O rosto estava mais pálido, os lábios mais rosados e o vestido que fora obrigada a trajar deixava-lhe incomodada.
"o que fez com meu rosto?"
"Ah! Só um pouco de pó-de-arroz e pomada colorida para os lábios, não ficou esplêndido? Ganhei isto de uma conhecida de mamãe em meu aniversário de quinze anos, ela é dona de uma conceituada loja de maquiagem aqui em Paris." tagarelava, enquanto analisava seus vestidos na trouxa que trouxera do quarto. "Mamãe não quis deixar-me usar inicialmente pois ela é muito conservadora, mas agora ela permite. Moderadamente, claro! Vista este aqui!"
"Não, Geraldine! Acredito que este já é suficiente."
"Ora, mas este está muito 'apagado', nem vai aparecer direito. Saiba que há muitas candidatas para o cargo, moças cheias de encanto. A aparência é a primeira coisa que notam, principalmente a sra. Capucine. A ultima moça que passou por lá era muito bela, muitos a cortejavam. Ela até mesmo me convidou para trabalhar lá, veja só, porém eu decidi que seria melhor ajudar minha mãe na pousada, na verdade, eu não decidi nada e sim mamãe, como sempre! Falando nisto, já tens alguém para redigir tua carta de recomendação?"

"Não tenho nenhuma ideia."

"Ah! Que pena, se não tiveres uma carta de recomendação, nunca conseguirás nada por aqui. — A garota sentou-se na cama, pensativa "onde está tua família?"

Justine hesitou em falar.

"Esta não é a questão, qualquer um pode redigir esta tal carta, não?"

"Bem, acredito que sim, mas tem que ser alguém conhecido e responsável. Talvez, mamãe , posso persuadi-la a assinar, creio que ela não vá se importar em lhe recomendar."
" Tu és tão séria!" Disse, observando a imagem de Justine.

"Tens que mudar isto. As moças devem esbanjar carisma. Sorria!" Falou Geraldine, demonstrando um tipo de sorriso onde a lingua deveria encostar no céu da boca como se estivesse colada. Justine estranhou mas concordou por educação.
"Isso! Faça isto quando estiver frente a frente com a Sra. Capucine. Bom, deixe-me ir pois tenho que fazer minhas leituras. Se tiver alguma dúvida, não exite em me comunicar, certo?"
Assim que Geraldine passou pela porta, Justine certificou-se de sua distância e começou a retirar os objetos de enfeite. Tudo a incomodava, até mesmo aquele pó no rosto. Teve que conter a fúria, pois começava a acreditar que tudo estava demorando demais.

Já deveria tê-lo matado, e ter de fazer tudo com extrema cautela não estava incluído em seus planos iniciais. Naquela noite não conseguiu dormir.