Notas iniciais
Pessoal que eu amo, e anda me mandando maravilhosos reviews (já disse que amo os mesmos? ^^)eu queria dizer muito, muito obrigada de verdade, são vcs que fazem dessa fic uma das coisas mais maravilhosas de minha *-* Desculpem erros...

P.O.V Suzana

Faziam exatamente três longos dias que havia acontecido o beijo entre mim e Pedro.

Desde aquele dia, em que deixei claro que não o amava, ele não olhava em minha cara, e eu, tão teimosa quanto meu irmão, pus-me a ignorar a presença do mesmo, apenas tendo que ficar nela por alguns segundos quando nos esbarrávamos e fazíamos questão de não nos encarar.

A situação estava ficando cada dia mais intolerável, principalmente pelo fato de que Lúcia e Edmundo, que sempre viram o quanto eu e Pedro éramos grudados, perceberam que havia ocorrido algo, e que isto nos tinha afastado por um tempo incalculável.

_O que está havendo, Sú?_perguntou-me certa noite Lúcia, ela estava ciente de que Pedro e eu não havíamos trocado, sequer, uma palavra durante esses dias.

Eu apenas dei de ombros, fingindo desentendimento.

_Do que você está falando?_perguntei, fazendo minha voz soar tão falsa quanto a frase.

Lúcia revirou os olhos e fez uma cara feia, ela não era burra, e com toda certeza estava tentando encaixar os fatos que haviam nos separado.

_Você anda pelos cantos da casa como se fosse uma ladra, está sempre atenta à tudo e a todos, evitando encontrar Pedro à todo custo. E o Pedro..., santo Aslam!, eu nunca o vi tão triste, nem mesmo quando Aslam disse que ele não retornaria para Nárnia.

Senti um aperto profundo no coração.

Eu não queria fazer meu irmão sofrer, porém não queria o encher de falsas esperanças.

Pedro apenas tinha que entender que nunca aconteceria nada entre nós dois, pelo simples fatos do mesmo DNA que corre em minha veias correr nas veias dele também.

_Acredite Lúcia, nada está acontecendo, apenas é sua imaginação.

Lúcia riu irônica e voltou a me encarar.

_Acho que não sou só eu que estou imaginando coisas.

Dizendo isso minha irmã rumou escada acima, deixando-me sozinha na sala.

Eu fiquei ali, parada, tentando controlar a dor em meu peito, era tão bruto de minha parte fazê-lo sofrer, mas ainda seria pior ter que dar-lhe uma esperança que não existia, com toda certeza meu irmão não era movido a pena, e não seria eu quem teria a mesma por ele.

O barulho da porta se abrindo fez-me acordar de meus devaneios e me encolher na poltrona que ficava de costas para a entrada, certamente com meu tamanho e minha diminuta massa corporal eu mal seria vista sentada na poltrona.

E eu queria isso mais do que tudo, esqueci-me que Pedro tinha o quinto dia da semana para passear enquanto eu ficava cuidando da casa e dos nossos dois irmãos. Fechei os olhos e mal respirava, enquanto espremia meu corpo na poltrona, tentando fazer com que ele não me notasse, pois se o visse acharia que o estava esperando para conversarmos, e conversar com Pedro era a última coisa que eu queria ter de fazer, principalmente naquele dia.

_Acha que já estão todos dormindo?_ouvi uma voz que com toda certeza não era de Pedro.

Minha boca se escancarou, e senti agulhadas serem dadas em meu coração, a voz era feminina, uma daquelas vozes aveludadas e repletas de mel, uma garota!

Ele estava na companhia de uma mulher!

Senti minhas mãos se fecharem em punhos, o sangue pareceu subir para meu rosto, e eu não precisava de um espelho para saber que estava vermelha de tanta raiva.

_Provavelmente, é só não fazermos barulho que ninguém saberá que você está aqui._a voz de Pedro havia adquirido um tom que jamais virá na mesma, era melodioso demais, como se ele cantasse as palavras, como se as estivesse proferindo para seduzir a mulher que ali estava.

Eu tentei não ofegar para não chamar a atenção dos dois, eu não queria e não podia acreditar que Pedro havia trazido uma mulher para dentro de nossa casa!

Ele havia certamente perdido o juízo que lhe restava! Será que ele se esqueceu que haviam crianças aqui?

Fui obrigada a tapar minha boca com uma das mãos, caso contrário os soluços que começaram a ser formar em minha garganta me denunciariam.

Era ruim demais pensar no que Pedro estava fazendo. Era como receber uma facada bem no meio das costas pelo meu próprio irmão!

Sons abafados começaram a se fazerem ouvidos na sala.

Meus olhos começaram a transbordas de lágrimas quando percebi que tratava-se de beijos.

Beijos que Pedro lhe dava, beijos que passavam muito mais do que meros sentimentos...

Pensar nos lábios doces e angelicas dele e fazer uma imagem em minha cabeça de lábios tão convidativos, que deveriam ser o da menina, selando os lábios de meu irmão era como fazer com que toda a angústia que fora perder Caspian voltasse a se formar.

Por que?

Não era para ser assim!

Minha história com Caspian deveria ter sido longa e duradoura, era para ter sido um conto de fadas, algo fora do comum, um amor abençoado por Aslam...

Eu não sabia o que mais me fazia sofrer: a perda de Caspian e as lembranças que este me trazia, ou Pedro e sua recente traição.

Porque, por pior que fosse, e com toda certeza era, eu não podia mais tentar enganar meu coração, Pedro me conquistou sorrateiramente com seus sorrisos, seus olhos brilhantes e cheios de vida, sua voz encantadora que sempre me dizia que tudo daria certo..., e eu, frágil e vulnerável, cai nesse amor impossível, apenas mais um que eu teria que abandonar, apenas mais um que me faria sofrer e, apesar de tudo, sorrir...

Não podia mais ficar ali, ouvindo-o se entregar a outra pessoa, ouvindo-o suspirar pelos beijos de outra...

Era como se toda a dor me pegasse de surpresa e me engolfa-se nela.

Era um amor, um amor que jamais poderia vir acontecer...

_Eu te amo._disse a voz de Pedro aos sussurros, enquanto estava envolvido nos lábios da mulher.

Não há como explicar o que senti.

A vontade de ser sugada pela escuridão e desaparecer na mesma era tanta que não pude mais aguentar.

Ouvi-lo dizer tais palavras era difícil, impossível e doloroso...

Bruscamente me levantei da poltrona com as lágrimas molhando todo o meu rosto.

Não suportei mais aquilo, não podia sofrer de novo, não mais! Pedro e a garota, até então ninguém que eu conhecesse, se desgrudaram rapidamente.

Os lábios de ambos estavam avermelhados, eles definitivamente não estavam cientes da minha presença há alguns segundos atrás.

Não consegui olhar a mulher, apenas de soslaio pude ver que seu cabelo era de um tom ruivo luminoso e sem igual, a inveja e o ciúme me consumiam, mas nada igualado a dor que me penetrava.

_Suzana._disse pedro surpreso, seu olhar perdeu-se em minhas lágrimas e mais uma vez comecei a chorar, dessa vez não impedindo os soluços de prosseguirem por minha garganta já dolorida.

Pedro estava paralisado, ele não conseguia desgrudar seus olhos de minhas lágrimas, era como se aquilo o tivesse atingindo cruelmente.

_Você prometeu!_eu disse inaudivelmente.

Mesmo assim, ele percebera minhas palavras e engolira em seco, se sentindo culpado, pelo que parecia. Aos pratos corri escada acima, eu não me permiti olhar para trás, se o fizesse a dor apenas me golpearia mais uma vez!

Acabei por encontrar rapidamente a porta de meu quarto, fechando-a estrondosamente.

Me encolhi encostada na mesma, e ali, no chão frio e sem vida reiniciei o caminho de minhas lágrimas.

Uma lembrança fez-se sólida em minha mente:

"_Eu estou sofrendo tanto Pedro._encostei-me em meu irmão, enquanto soluçava da dor que era pensar que nunca mais veria Caspian.

Pedro me envolveu em seus braços e me abraçou, repousando seu queixo sobre minha cabeça.

_Calma minha menina, saiba que eu sempre estarei ao seu lado, sempre segurando sua mão e dizendo que tudo estará bem...

Levantei a cabeça, os olhos ensopados.

_Promete nunca me fazer sofrer?_perguntei em súplica.

Pedro olhou-me, como se não visse apenas meus olhos, mais como se enxergasse minha alma e a dor que se havia instalado na mesma.

_Serei a última pessoa que fará seus olhos arderem e derramar tais lágrimas, eu prometo!_disse ele beijando-me no topo da cabeça."

Joguei-me no chão, os soluços já haviam sido rompidos, agora a única coisa que sobrara foram lágrimas.

Lágrimas silenciosas e incontestáveis, que seriam usadas como prova de que tudo aquilo era real, de que a promessa havia sido quebrada, e que a dor já havia me encontrado novamente.

Notas finais
Espero que tenham gostado, de verdade ^-^ E espero que, aqueles que acham que mereço comentários, me deixem um ^^ Mil beijos *-*