Até Os 30
3 Capítulo 3
Notas iniciais
O Sol já havia se escondido fazia um bom tempo, eu já tinha perdido a noção das horas. Estava uma noite perfeita pra se sentar no sofá perto da lareira, se cobrindo com uma manta e tomando chocolate quente pensando na vida. Em vez disso eu estava sentada no banco em frente ao balcão da cozinha, com um notebook em cima dele, uma caneta na mão, vestindo calças de algodão, meias e um casaco bem grosso e, bem, tecnicamente eu estava sim pensando na vida.
– Ai meu Deus! – exclamei pra mim mesma me deparando com uma lista enorme de nomes. – Achei que fosse mais fácil achar o Willian procurado, mas existem milhões deles quando se trata de uma lista mundial. – sussurrei rapidamente indignada com o que eu estava vendo. Bom, uma parte do meu “trabalho” já estava pronta. Eu já tinha feito uma lista de todos os meus antigos namorados que eu me lembre, só excluí o David e o Noah porque me traíram e eu não quero olhar para a cara deles nunca mais, não perdoou pessoas traidoras. Também tirei da lista o Nick, porque atualmente ele é o meu chefe, na verdade ele só publicou o meu primeiro livro porque na época éramos namorados, e agora soaria meio estranho eu tentar dar encima do meu próprio chefe, até que não seria uma má ideia, talvez assim eu não corra o risco de ser demitida. Mas não, eu nunca faria isso, até porque ele tem namorada, ou melhor, noiva. “Por que será que todo mundo ao meu redor parece que vai se casar ou já é casado, ou tem namorado ou namorada e só eu que não? O que será que tem de errado comigo?” pensei.
Minhas vistas já estavam cansadas de tanto olhar para aquela luz do notebook. Resolvi descansar um pouco, me levantei pra buscar um copo de água, aquela “caminhada” parecia não acabar nunca, minhas pernas já estavam bambas de tanto ficar sentadas. Me alonguei um pouco e, com o copo com água no balcão, continuei o que eu estava fazendo. Aquilo seria mais difícil do que eu pensava. Tentei especificar mais as coisas como colocar o possível lugar que ele estaria morando agora ou algo do tipo. É, acho que deu certo. Encontrei um dos meus antigos namorados, William, e por incrível que pareça, o facebook fez isso pra mim, é realmente nessas horas que eu tenho que admitir que o face presta pra alguma coisa séria, não que isso seja tão sério. Pra falar a verdade, era para eu estar perdendo a noite tentando escrever um livro que preste, não tentando achar meu passado, mas nada vai me fazer mudar de ideia, eu preciso de um homem que preste na minha vida. É engraçado até pensar assim, porque nos meus anos no colegial eu era do tipo “A desejada” por todos, “A popular”, os garotos me procuravam, e agora estou eu aqui, tentando achar o homem certo, talvez não precise ser tão certo assim, até porque só o certo não tem graça, mas tudo isso junto com o meu passado pesa um pouco estranho. Desisti de beber a água que eu tinha pego, achei melhor jogar na minha cara pra me despertar, mas não funcionou muito.
Eu não sei como, mas eu dormi essa noite sentada num banco, apoiando a cabeça em cima do notebook, o copo de vidro aos pedaços no chão e com minha roupa meio úmida da água que era pra ser só pro rosto, a situação era crítica. Meu celular tocou estrondosamente bem no meu ouvido, acordei assustada, era a bateria fraca, sinceramente não precisava desse toque tão alto só pra avisar que a bateria estava fraca. Passei as mãos no rosto pra tentar enxergar alguma coisa com o sono que eu estava e a primeira coisa que vi foi um 8:45 bem na minha frente. Eu estava atrasada, muito atrasada, eu tinha uma reunião pra ir sobre os negócios da editora que o Nick me convidou e agora estava eu quinze minutos atrasada.
– Taxi! Ei, taxi! – exclamei numa tentativa de que o terceiro taxi que eu chamo parasse, realmente parou, mas pra outra pessoa. – mas que ódio! – resmunguei já desesperada pelo tempo que eu levei só pra tentar chamar um taxi. Me estressei e fui direto para a estação do metrô, foi melhor assim. Me enfiei num dos poucos lugares dentro do metrô que dava para uma pessoa ficar. Já estava entediada, saí de casa sem nem mesmo tomar banho, e agora eu ia chegar, além de com um mal cheiro, toda suada por causa do calor de quase 40 graus dentro do metrô. Meu ponto chegou. Soltei do metrô e meio que corri para o prédio da editora, agora quase uma hora ou mais atrasada.
– Com licença, para onde a senhora esta indo? – a secretária perguntou enquanto eu ia andando rapidamente em direção à sala da reunião. Simplesmente ignorei a mulher, entrei na sala ofegante e totalmente descabelada.
– Desculpe o atraso. – disse me sentando numa das cadeiras ao redor da mesa de madeira onde todos estavam, até que tentai arrumar um pouco os meus cabelos. Instantaneamente olharam pra mim indignados. Peguei a taça de água em cima da mesa e bebi toda a água de vez, eu precisava, estava totalmente ofegante e suada. – eu tive uns probleminhas por agora. — continuaram olhado pra mim de um jeito que eu não sei descrever. – Ah, podem continuar. – falei meio sem graça. Nick continuou falando o que tinha começado.
– Bom, como eu estava dizendo, nosso número de vendas caiu mais 25% e a nossa editora corre grandes riscos de ir à falência. – olhei para ele assustada. Isso não poderia estar acontecendo. -E uma das grandes coisas que eu aprendi na vida foi que tudo nessa vida um dia tem que acabar, eu sei que todos aqui gostariam muito de mudar tudo isso mas é assim que tem que ser. Nossa empresa está falindo e que quero propor para que a fechássemos antes de chegar à falência.
– Não! – gritei interrompendo e me levantando. – Tudo acaba um dia sim, mas não precisa ser tão rápido. E uma das coisas que eu aprendi foi para sermos persistentes naquilo gostamos, e com certeza amamos tudo isso aqui, porque nós construímos isso, nós fizemos parte disso. Nós fomos capazes de por tudo aqui pra funcionar uma vez, e tenho certeza que seremos capazes de fazer levantar outra vez.
– Acho lindo da sua parte tentar dar apoio moral Jessie, mas não há nada que possamos fazer.– Nick me interrompeu.
– Claro que há! Pra tudo existe uma solução! – eu já estava irritada com tudo isso. – Nick, nós podemos, nós conseguimos.
– E o que se sugere? – ele interrompeu de novo.
– Precisamos de um best-seller. Eu sei que eu nunca escrevi um mas não tem só eu de escritora aqui. Eu sei que todos nós conseguimos escrever algo que faça sucesso, só nos dê mais uma chance, Nick. – ele parecia pensar um pouco. Meu celular começou a tocar de novo aquele som estrondoso de bateria fraca, chamando a atenção de todos, tentei parecer que não era o meu mas estava meio óbvio. Fechei os olhos tentando parecer natural e desejando que o celular parasse de tocar, mas isso não aconteceu. – Ai que droga! – resmunguei mais irritada ainda. Tirei o celular da bolsa rapidamente, tirei a bateria, chip e tudo o que tinha direito. – eu deveria ter colocado ele pra carregar e eu esqueci de botar no silencioso. – e lá estava eu chamando a atenção de novo. – Ah, onde estávamos? – perguntei não esperando resposta.
– Na parte da ideia do best-seller. – um homem que parecia ser descendente de chinês se levantou e respondeu à minha pergunta com um entusiasmo incrível.
– Tá. – franzi a testa estranhando toda aquela situação. – obrigada. – ele se sentou novamente.
– Dois meses, Jessie Powell. Eu sei que é pouco tempo, mas eu venho te dando chances à um bom tempo. Precisa escrever algo bom, interessante, que faça sucesso, tanto pra salvar a editora tanto pra salvar a sua carreira. – sorri, mesmo odiando quando ele fala o meu sobrenome.
Notas finais
Beijos .
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