Até O Pôr-do-sol
4 Capítulo 4 - Mãos para cima! Policial à vista!
Notas iniciais
Nicholas é um cara legal, mas abusado. Essa semana toda, hora em hora, ele me mandava cantadas. Talvez seja coisa da minha cabeça, ou talvez não. Ele deixava suas roupas todas espalhadas pela casa e sobrava para quem? Pra mim é claro! Eu já estava cansada dele! É lógico que eu queria que minha tia fosse feliz, mas não com ele. A maturidade dele é do tamanho da semente da banana. Nem parece que ele tem 25 anos.
Quarta comprei a minha fantasia com Bella. Ficamos a tarde toda procurando. Achei umas bonitinhas, mas ela afirmou que não eram legais e que era melhor seguir o instinto dela, não o meu. Ela comprou uma fantasia de camponesa para mim. Eu a achei estranha, porque me deixava gorda e mais baixa do que eu já sou, já que a fantasia chegava aos meus joelhos. Mas ela disse que eu estava linda, e eu confiei.
Essa semana passou rápido demais, já era sexta de noite e eu estava deitada na minha cama com meu fone no último volume. De repente minha tia aparece na porta falando algo.
_ QUE?! — falei tirando o fone do ouvido.
_ Nada, eu só perquntei se eu podia entrar — disse Judith com doçura.
_ Claro que pode!
_ O que você está achando do Nicholas?
_ E-eu gosto dele — menti — Só acho que ele deveria parar de deixar roupas por todo lugar que ele passa.
_ Você acha que eu deveria terminar com ele?
_ Não! Só se for isso que você quer...
_ Não, não sei... Eu estou confusa... Vamos mudar de assunto? — assenti feliz — Cadê a fantasia que você comprou?
_ Um minuto.
Fui no meu armário e peguei a fantasia (essa). Estendi-a para que Judith pudesse vê-la.
_ Essa coisa horrível?
O que eu mais gosto na minha tia é isso: a siceridade. Eu acho que ela é a pessoa mais sincera que eu conheço.
_ É tão feia assim?
_ É horrível!
_ Então eu acho que eu não tenho fantasia para ir...
_ Peraí! Eu acho que eu tenho uma, venha comigo!
Judith me puxou e me levou para o seu quarto. Abriu a última porta do armário e pegou uma roupa azul. Atrás dessa roupa estava o vestido preto que fui a festa, e quase imediatamente lembrei-me de Ethan, da piscina, do beijo, de sua voz, de seu perfume...
“Pare de pensar nele!” Pensei.
_ Então o que você achou?
Na verdade, pensando em Ethan, nem tinha prestado atenção nela. Havia um pequeno espartilho azul e uma pequenha saia da mesma cor em cima da cama. Separados, havia um cinto que carregava uma arma e uma algema, e uma boina.
_ O que é isso?
_ É uma fantasia de policial...
_ Ahh... Não tinha percebido.
_ Aonde está sua cabeça?
_ Em lugar algum — menti.
_ Se o problema é garoto, esqueça! Não vale apena gastar seu tempo pensando em aguém que não te merece...
_ Não é nada, nem nínguém! Eu juro — Não gosto de menti, muito menos para Judith, que mais do que uma tia, é uma amiga, mas não queria que ela começasse o “manual de como os meninos pensam”.
_ Se você diz...
_ Você não acha que tudo aí é muito pequeno?
_ Não é hora de dar uma de santinha...
_ Se meu pai tivesse aqui ele nunca permitiria que eu pensasse em vestir isso.
_ Pres, deve ser tão difícil para você... Mesmo depois de dois anos! — disse minha tia me abraçando.
_ É, continua sendo difícil, mas eu vou conseguir superar isso — disse sentindo meus olhos arderem.
_ Espero... Você quer jantar agora? Podemos pedir uma pizza, que tal?
_ Adorei a ideia!
Fomos para sala para esperar a pizza chegar, que demorou um pouquinho. Quando a pizza chegou, em questões de minutos, já tinha acabado.
De barriga cheia e com certo cansaço fui dormir. Já tem quase uma semana que não sonho. Hoje foi diferente.
Estava correndo muito rápido, como se minha vida dependesse disso e de repente paro. Estava na beira de um precipício. Acima: o céu cheio de nuvens, abaixo: o mar agitado. O vento soprava em meu rosto, espalhando meu cabelo. Então sinto uma pressão nas costas e caio. Meu corpo bate na aguá, que mais parecia um concreto. Uma dor se espalha pelo meu corpo. Então o vejo, meu coração dispara. Ele tentava se livrar de algo, mas não conseguia. Minha respiração vai desacelerando e meu coração também. O vejo pela última vez. E tudo escurece.
E é aí que eu sempre acordo. Talvez por que eu tenha morrido. Talvez seja um segredo o que vem por vim. Sei lá!
Olho para o relógio. Oito e meia da manhã. Levanto, escovo os dentes e tomo um banho. Desço para tomar café da manhã. Judith e Nick já estavam tomando café.
_ Hey, Pres! Bom dia!
_ Bom dia, Tia, Nick — disse sem muita animação.
_ É hoje a festa... Como você se sente?
_ Animada, muito animada!
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