Até As Nerds Sabem Lutar!
5 Capítulo 5 - Eu não sou uma meio-sangue!
Notas iniciais
Eu acho que em toda a minha vida, eu nunca me senti tão poderosa do que naquele momento. Eu havia acabado de matar um ciclope adulto de 3 metros de altura! Supera essa!
Quando o ciclope virou uma pilha de pó dourado, Mike saiu de trás da arquibancada boquiaberto. Eu desci as escadas e quando cheguei lá em baixo, contemplei meu trabalho perfeito.
— Como você... Isso foi... Você fez... UAU! — Mike disse
— E tudo isso só com uma flecha. É isso aí pode dizer que eu sou demais.
Foi aí que eu me lembrei da Clarisse. Ela ainda estava apagada perto da outra arquibancada do campo de football. Agarrei o braço do Mike e corri para onde ela estava. Ela tinha um galo enorme na cabeça e vários arranhões por todo o corpo. Mike puxou um cantil de dentro da sua bolsa e ia jogar o líquido que tinha dentro dele no braço da Clarisse, mas eu segurei o seu braço.
— O quê você está fazendo? Eu só quero ajudá-la! — Mike disse
— Não! Deixa que eu cuido disso!
Canalizei o meu poder para as minhas mãos, respirei fundo e curei o galo e os arranhões que ela tinha. Mike ficou boquiaberto.
— C-como você fez isso? Isso foi... Muito legal! — ele disse
— Valeu! Ué? Por que ela não acordou? — eu perguntei
— Vou te dar uma forcinha.
Mike pigarreou e imitou a voz de um garoto mais velho.
— Claire acorda! Precisamos ir para o acampamento! Vamos, levanta! — ele disse
— Chris? É você? — Clarisse disse abrindo os olhos lentamente
Eu não consegui conter o riso e comecei a rir. Clarisse estava confusa, e acho que estava procurando pelo tal de Chris.
— Ué? Onde está o Chris? Eu ouvi a voz dele! — Clarisse disse
— Estou aqui, Claire! — Mike disse entre risos
— Grrrrrrrrrr! Eu vou te matar, Mike! — ela rosnou
— Nananinanão! Você não vai matar ninguém hoje! — eu disse segurando-a para que ela não voasse no pobre Mike que ria feito louco – Afinal, quem é Chris?
— É o meu namorado. — Clarisse disse entre dentes.
Achei melhor não provocá-la mais. Mas eu não conseguia parar de pensar em que tipo de pessoa gostaria daquela louca. Ela era muito agressiva! Era impossível ficar perto dela sem levar um soco, um tapa ou um chute! Eles recolheram as suas coisas, e pediram um momento para conversar. 5 minutos depois, eles voltaram.
— Há um lugar para onde queremos que você vá conosco! Você vem? — Mike perguntou
— Para onde? Acampamento meio sangue? Não sou uma meio-sangue! — eu disse
— Como você... Ah! Deixa para lá! Você precisa ir com a gente! Lá é o único lugar seguro para pessoas como nós! — Clarisse disse
— EU. NÃO. SOU. UMA. MEIO. SANGUE! — eu disse
— Desculpa te dizer isso, mas você é sim! — Mike disse
— Está bem! Eu vou provar para vocês que eu não sou uma meio-sangue. Quando chegarmos ao acampamento, vocês verão que eu não passarei pela barreira mágica. Eu vou, mas primeiro me deixemeu pegar algumas coisas em casa e avisar ao meu pai.
— Tudo bem! — ambos disseram
Passei em casa, peguei algumas mudas de roupa, produtos de higiene pessoal e algumas coisas da minha mãe. Escrevi um bilhete para o meu pai e colei-o na porta da frente. Ele vai me matar! Nunca saí de casa assim! Só saio com o consentimento dele! Eu me sentia como se estivesse fugindo de casa. Era estranho! Chamamos um táxi. Eu iria pagar para variar. Clarisse e Mike não tinham nada além de alguns dracmas de ouro e suas armas. Eles me perguntaram como eu sabia de tudo aquilo e como eu tinha conseguido o arco e flecha, mas eu disse que só responderia quando eles desistissem dessa história de eu ser uma meio-sangue. É claro que eles não desistiram.
Quando entramos em Long Island, uma fúria resolveu nos atacar. Que droga! E eu achando que o dia não podia piorar! O motorista, é claro, nada viu e continuou dirigindo como se nada estivesse acontecendo. Clarisse e Mike olhavam aterrorizados pelo vidro traseiro. A fúria conseguiu furar com as suas garras o pneu do táxi quando estávamos a pouquíssimos metros da entrada do acampamento. Paguei a viagem ao taxista e corremos desesperados colina acima. Mike e Clarisse, é claro, atravessaram a barreira sem problemas e eu fiquei de fora.
- Viram? Eu falei para vocês! Eu não sou uma meio-sangue! — a fúria se aproximava cada vez mais rápido – E aí? Querem que eu seja morta por uma fúria ou vão me deixar entrar? Sério! EU NÃO QUERO MORRER! DEIXA EU ENTRAR!
- Eu, Clarisse LaRue, autorizo a sua entrada no acampamento meio-sangue!
Entrei no exato momento em que a fúria ia me pegar. Ela rasgou um pedaço da manga da minha blusa preferida com suas garras! Aaaaaaaaaahhhhhhhhhh! Quando eu pôr as mãos nela...!
- Eu jurava que você era uma meio-sangue! Por causa dos poderes e tal. — Mike disse
- Que eu me lembre, sátiros podem sentir o cheiro de meios-sangues eles não deduzem, eles sabem! — eu disse
- Meu nariz está congestionado por causa da última batalha! Me desculpa, está bem?
Clarisse puxou o meu braço e me arrastou. Não foi nada legal! Quando consegui me soltar, pude ver melhor o acampamento. Havia adolescentes correndo por todo o canto pregando peças um nos outros, treinando esgrima ou tiro ao alvo e carregando armamentos. O que me chamou a atenção foi uma garota loira de olhos acinzentados sentada embaixo de uma árvore com um lápis na mão e um monte de projetos ao seu redor. Ela parecia bem concentrada até que um garoto de cabelos negros e olhos verdes a assustou. Com o susto, ela derrubou alguns projetos e o lápis. O garoto riu e a ajudou a recolher os projetos que voavam com o vento. Ela olhou de cara feia para ele. Eu achei que ela ia socá-lo, mas ao invés disso ela brigou com ele, o chamou de alguma coisa que eu não entendi e depois o beijou. Observei a garota por um momento. Eu tinha certeza que a conhecia de algum lugar.
- Precisamos levá-la a Quíron! Ele vai decidir o que fazer com você! — Mike disse
- O centauro? — eu perguntei
- Ele mesmo! Clarisse, você vai com a gente!
- Está bem! Eu não tenho nada melhor para fazer!
Nesse exato momento, um garoto grande, espano americano com cabelos pretos oleosos e olhos castanhos veio correndo e deu um abraço de urso na Clarisse, que corou.
- Está tudo bem, Claire? Aconteceu alguma coisa? Você devia estar naquela cidade de nome estranho! — o garoto disse
- Bellwood? — eu perguntei e fui deixada no vácuo
- Eu estou bem, Chris! Não precisa se preocupar! Eu sei me cuidar! — Clarisse disse
- Então esse é o maluco que se apaixonou por você? — eu perguntei
Clarisse grunhiu e tentou me socar. Eu segurei a sua mão.
- Nem pense nisso! — eu disse
- Solta. A. Minha. Mão! — ela disse entre dentes
- Peça, por favor! — eu disse com uma voz doce
- Por favor! — ela disse depois de tentar se soltar (o que foi em vão)
Eu larguei a mão dela e lhe lancei um sorriso travesso. Ela me olhou desafiadora.
- Vai por mim, não irrita ela. — Chris disse
- Vamos embora Chris! Mais tarde eu pego essa loirinha! — Clarisse disse
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