Muitas coisas tumultuavam os sentimentos e a mente de John, depois da última caçada a Moriarty que havia resultado em uma morte sangrenta quando a noite chegava parecia mais longa, fria e sempre mal dormida.

John tinha um sentimento de fúria em seu peito, e tudo que fazia era descontar em seu parceiro detetive, que parecia cada vez mais apático e indiferente a cada dia.

O soldado estudou possibilidades, havia pensado nisso por horas, mas não tinha escolha, o cheiro de Londres havia se tornado pútrido, as pessoas insossas, mornas e cruéis, tudo mais cinzento do que estava acostumado.

Pegou sua mala que já estava feita há tempos embaixo de sua cama, e se dirigiu a porta principal do apartamento 221b

Sherlock estava estirado no sofá, as mãos apoiando sua nuca, os olhos fechados, mas algo em John dizia que ele não estava dormindo. Intuição ou conhecimento? Ele não saberia responder.

— Decidiu partir logo agora, senhor Watson? Por que essa mudança? – Ele continuava na mesma posição.

Watson não poderia responder. Não queria responder. Sabia que Sherlock estenderia o assunto para ele não ir embora, como já havia feito. Mas já estava decidido. Era o basta. A gota d‘água que demorara de chegar.

Te vejo errando e isso não é pecado. Exceto quando faz outra pessoa sangrar— Ele disse enquanto um flashback de cenas e gritos da noite anterior corroía sua memória. O detetive sentou-se e o permitiu continuar. — Te vejo sonhando e isso dá medo. Perdido num mundo que não dá pra entrar. E eu tentei, Sherlock, várias e várias vezes em vão.

— Acha que fracassou? Depois de todos esses anos, ainda tenta me entender profundamente? – O detetive inspirou se perguntando que diabos estava fazendo. Por que estava deixando se levar pelo momento? — Pelo jeito, você está saindo da minha vida — Ele encarou a mala sob os pés do soldado - E parece que vai demorar... Bom, não me importa.

Aquilo havia sido um banho de água fria na cabeça quente de John, era óbvio que não importava, foi tolo em se pegar nessa fração que Sherlock estaria preocupado com ele.

— Para onde vai, afinal? – Sherlock se espreguiçou e desamassou o paletó.

— O mais longe possível de Londres – Respondeu ríspido.

Sherlock sorriu: — Se não souber voltar, ao menos mande notícias.

Ambos reviraram os olhos na mesma hora. Watson abriu a boca, mas quem havia falado era o senhor Holmes:

Você acha que eu sou louco, mas tudo vai se encaixar— Watson sabia que ele estava falando consigo mesmo. Seus devaneios estavam cada vez mais constantes depois dos encontros com Moriarty.

— O que você está fazendo, Sherlock? Depois da morte daquela menina eu achei que pelo menos uma vez, você iria... – Watson dizia preocupado.

— O que eu estou fazendo? – Ele fungou pelo nariz — Estou aproveitando cada segundo, antes que isso aqui vire uma tragédia. Grega, romana, maia, não importa! Escolha a pior tragédia. Acha que não me afetou tudo que aconteceu nessas últimas horas? – Ele não desviava o olha da pilha de papéis e livros em cima da mesa de centro. Dirigiu-se até lá apoiando seu corpo pelos braços magros e brancos. O cabelo escuro e encaracolado cobrindo sua face. Se o soldado não o conhecesse, diria que ele parecia mesmo triste. Ele deu os ombros e sua mão tocou a maçaneta fria.

— Você é uma péssima pessoa John, pior parceiro não poderia ser... – Sherlock sussurrou.

Watson o encarou, estaria ficando louco também? Por que aquilo parecia pior que o soco na boca do estômago que havia tomada mais cedo do policial? Ele deveria continuar, era só girar a droga da maçaneta e colocar um pé na frente do outro e estaria livre daquele hospício em meio a Europa.

John mordeu o lábio, retirou o celular do bolso da jaqueta e jogou em frente a Sherlock brutamente.

E não adianta nem me procurar. Em outros timbres, outros risos. Eu estava aqui o tempo todo, só você não vi. Mas sim, Sherlock, você tem razão, eu sou uma péssima pessoa, talvez porque eu tenho o mínimo de humanidade e pretendo preservar a que me resta. Sim, porque eu acredito, eu tenho fé, eu tento ser o mínimo empático e sentir amor. Eu sou uma péssima pessoa e um péssimo parceiro, pois diferente de você... Eu sinto... – Ele baixou o tom de voz e continuou — Você tá sempre indo e vindo, tudo bem. Dessa vez eu já vesti minha armadura.

— Está saindo de Londres com um colete à prova de balas? – Sherlock finalmente levantou a cabeça e o encarou incrédulo.

— Cala essa boca! – Estava com tanta raiva, como se tudo que havia falando tinha ido pelo ralo. Ele queria matar e morrer no momento.

— Eu desejo muito que sua obsessão por Moriarty resulte na prisão do mesmo. Eu desejo do fundo que tudo de certo. Vocês se merecem... Mas saiba que eu não me deixo levar, mesmo que nada funcione, eu estarei de pé, de queixo erguido. É o que me resta, foi tudo que aprendi.

Sherlock endireitou-se e se aproximou de John, seu rosto estava rubro, as mãos tremendo, parecia uma criança tentando esconder um choro. Os olhos azuis sutilmente marejados. John sorriu e passou a mão nos olhos.

— O que estamos fazendo? – Suspirou.

— Que tanto sadismo é esse? Depois você me vê vermelho e acha graça. Precisei bancar o ridículo para te fazer sorrir? – Ele fundou discretamente encarando o chão – Watson... Não vá...

— Eu não ficaria bem na sua estante.

Ele encarou Sherlock no fundo dos olhos gélidos, em silencio.

Sherlock sentiu a boca seca.

— Lhe parafraseando: “O que estamos fazendo?”

— Você eu não sei, Sherlock. Mas eu... Parafraseando-lhe – Ele sorriu “Estou aproveitando cada segundo, antes que isso aqui vire uma tragédia.”

Ambos sustentaram o olha. Watson deu alguns passos para frente, agora estava à centímetros de Holmes, poderia ouvir sua respiração, ambos dividindo o mesmo ar. Ele posou os lábios finos nos de Sherlock. Se tudo viraria uma tragédia, então que de dane. Watson havia chorado baixo tantas vezes, era uma dor física em seu coração que só conseguiria ser preenchida quando Sherlock sorria. Mas essa relação boa, também prejudicava sua sanidade.

— John... – O detetive sussurrou enquanto tomava ar.

Watson o puxou ainda mais pela gola de seu paletó, a língua pedia passagem dentro da boca do outro. Sua calça e corpo haviam ficado estreitos pelo momento. O mais alto foi guiando para o sofá, e eles continuavam a se beijar. Watson com as mãos ágeis e Sherlock com os dedos finos tiravam as partes de cima de suas vestes.

— Você é um idiota, soldado. – Sherlock conteve um gemido alto enquanto John passava a língua quente em torno de seu pescoço e orelha.

E quando desabotoou o seu jeans. Caiu por si. Eram perguntas, xingamentos, cenas da guerra. Tudo estava uma loucura. Ele empurrou Sherlock com delicadeza para o encosto do sofá. Lágrimas cruéis ardiam seus olhos. A garganta estava seca, o peito doía. Então, isso de fato era amor? Ele não teria resposta à essa pergunta. Talvez não agora, nem nunca.

— Eu não posso, Sherlock. Não agora. – Ele se levantou, vestiu a camisa e o suéter. Quando finalizou entregou o paletó de Sherlock.

— O que está fazendo? – O detetive perguntou desesperado. Seu rosto vermelho, o pênis ereto por cima da calça. Sentia-se tão vulnerável. – Escute, Watson...

— Não, agora você me escuta. — Watson tremia

— Não, por favor... Watson, não me faça ser um idiota. Não... Não vá. – Sherlock levantou-se rapidamente.

— Só por agora... Sherlock, só por hoje não quero mais te ver. Só por hoje não vou tomar minha dose de você. Cansei de chorar feridas que não se fecham.— E isso estava acontecendo de novo — Não se curam. E essa abstinência uma hora vai passar... Ele correu para a porta e saiu, pensando em como havia pirado.

O detetive sentiu os joelhos cederem, passou a mão na nuca limpando o suor frio, e avistou a mala de John na sala. Ele sorriu involuntariamente. Sabia que estava enlouquecendo.

Notas finais
Irei revisar, irei me atualizar na série. Muitas coisas estão acontecendo ):
Mas foi feita de gayração
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!