A luz forte do sol atravessava a janela e batia em meus olhos. Levantei-me, fui ao banheiro, e fiz minhas necessidades. Voltei ao meu quarto e fiquei parado logo a porta.

Meu quarto não é nada grande, é apenas um cômodo, com paredes totalmente brancas, exceto por uma parede que é de papel de parede azul com desenhos abstratos tonalizados com um tom mais escuro de azul. Para mim, isso sempre foi um enigma, ninguém sabe ao certo que cor que é, mas tudo bem. Uma cortina branca pende sobre a janela, deixando apenas uma fresta por onde a luz do sol passa, iluminando todo o quarto. Minha cama fica logo abaixo da janela e o armário, no sentido oposto a cama. Uma das portas do armário, que é de correr, tem um espelho de mais ou menos 2 metros e meio de altura.

Parei em frente ao espelho e fiquei me vendo. Sempre tive o mesmo pensamento sobre mim.

- não sou bonito, mas não sou nada feio. / disse a mim mesmo

Resumo de tudo. Meu nome é André, pros parentes e mais chegados, Deh, e para os amigos e pessoas novas que conheço, Dre. Tenho 18 anos. 1,75 de altura. Cabelo cacheado. Olhos pequenos e castanhos bem escuros. Minha pele, isso já é outro enigma na minha vida. Minha pele é branca, mas sou bronzeado, não porque quero, e sim porque minha pele pega tonalidade muito facilmente.

Olhei para o relógio e ainda era 11h32min da manhã. Não era de feito meu acordar a essa hora. Meu costume é acordar às 2 da tarde. Você deve estar se perguntando, "André, você não estuda não?". Veja, eu acabei o colegial há um mês, tive tempo o suficiente pra pensar em uma profissão, mas nunca me decidi ao certo. Então eu acabei optando por esperar um tempo até eu pensar em algo bom para ser feito. Por isso fico o dia todo na frente da tela de um computador jogando, assistindo series, animes, filmes e tudo que tenho direito.

Deitei em minha cama e comecei a pensar um pouco na vida. Minha linda de raciocínio foi interrompida por gritos vindos da rua. Sai à janela e vi pessoas correndo para um lado e para outro. Gritos de dor e agonia podiam ser escutados. Vi também umas duas pessoas, que não gritavam e andavam de uma forma muito estranha, lentos e com os braços levantados. Tinha... Espere... Aquilo é sangue?

Um dos meus vizinhos saiu para a rua e começou a gritar.

- Que bagunça é essa? Quem são vocês dois?

Uma daquelas duas pessoas olhou para ele e foi em direção a ele. Foi cada vez chegando mais perto e mais perto, até que...

Meu coração se apertou. Aquele cara avançou para cima do meu vizinho, o mordendo bem no pescoço. Sangue e o grito dele agrediram meus ouvidos. Então os gritos foram abafados e o corpo daquele homem estava no chão, todo ensanguentado. Pensamentos múltiplos invadiram minha mente sem pedir permissão alguma para entrar. Pensei o pior. Eu então me concentrei em uma coisa. Meus amigos.

"Preciso me salvar e salvar eles também. Precisamos sair daqui".

Corri escada abaixo, abria a porta e corri para a casa do lado da minha. Cheguei abrindo o portão da garagem e comecei a bater na porta desesperadamente.

- Laura, Laura. Por favor, abra essa porta agora. O mais rápido possível. Vamos, Laura.

Ela apareceu na janela, olhou pra mim e gritou.

- você sempre abre a porta e entre sem pedir. Porque agora você ta gritando? Entra logo peste

Abri a porta e dei uma olhada para trás. Aquelas pessoas vinham em minha direção e espere... Aquele homem, meu vizinho, estava se levantando lentamente. E então olhou para mim.

Entrei e tranquei a porta. Puxei a cadeira mais próxima e apoiei na fechadura para não abrir de jeito nenhum.

Uma garota estava sentada no sofá, mexendo com seu Ipod.

- o que você ta fazendo? / perguntou-me ela

- você não viu aquilo? Ou ouviu?

- não, estava ouvindo musica.

"essa é a Laura, desligada de sempre. Aposto que se o mundo acaba-se, ela não teria notado".

Ela tem os seus 1 metro e 65 de altura, cabelos loiros, olhos mel. Vestindo uma blusa de AC-DC e uma calça jeans preta. Ela é muito bonita, sempre achei isso. Mas... Ela tem um pequeno defeito. Ela gosta da mesma fruta que eu. Eu e ela sempre fomos amigos, bons amigos na verdade. Sempre contamos de tudo um pro outro, e nossa amizade, ta mais para irmãos.

- quer dizer que não ouviu nada e nem viu nada do que acabou de acontecer?

- não, tenho mais o que fazer meu filho./ falou ela deitando no sofá e voltando a mexer em seu ipod novamente.

- Às vezes você me irrita sabia? Acabei de ver um cara comendo o outro e ele estava vivo, depois morreu, ai viveu de novo. Ai olhou pra mim...

- Acalme-se homem, se não eu vou ate ai e te mato. Pera, você disse que um cara tava comendo o outro. Você quer dizer no bom ou no mal sentido?

- Comendo ele com a boca, arrancando a pele dele/ falei com cara de indignação.

Contei a ela tudo que tinha acabado de ver bem devagar.

- Isso nunca ira acontecer, deve ser coisa da sua imaginação...

Ela foi interrompida por um barulho vindo do portão. Ela subiu no sofá e abriu à persiana e olhou lá fora. O rosto dela mudou. O pavor e o desespero ficaram estampados com clareza no rosto dela.

- Deh... Aquiles são...

- Zumbis? Sim, temo que sim.

- não sei muito sobre isso... Mas sei o básico. / disse ela voltando rapidamente para o sofá. Fechando a janela logo em seguida

- são pessoas mortas que voltaram à vida. Conhecidos também como mortos-vivos. São guiados pelo som e comem carne humana. Ainda bem que são lentos. Mas eles são coisa de ficção cientifica, não deveriam nem existir.

- pera... Você disse carne humana? Tipo, humanos pessoas? Então eles podem nos comer?

- Não, não. Humano peixe sabe. Claro que é de pessoas o animal de tetas ambulante.

De repente a porta da frente começou a ser arrebentada com muita força.

- você não me disse que eles também eram fortes.

- Precisamos pegar tudo que der para nossa sobrevivência e para matar esses desgraçados. / falei puxando-a pelo braço para o andar de cima da casa.

- mas eles não estão mortos?

Parei olhei para ela, e votei a puxa-la só que mais rápido e mais forte.

***

Subimos as escadas e entramos no quarto da Laura. O quarto dela era tão escuro, tão estilo dark, que todos entravam e sentiam medo. A Cor dele era a de um vermelho escuro. Nas paredes, havia muitos pôsteres de bandas como ACDC, System Of a Down, Nirvana, Guns N' Roses, entre outros. A cama dela estava cheia de roupas jogadas e sapatos que davam um aroma tão agradável ao quarto que eu me sentia até minha alma morrendo.

Ela abriu o armário e começou a mexer em tudo lá dentro. Retirou uma bolsa preta e a jogou com tudo em cima de mim. A força foi tanta e foi tudo tão inesperado que acabei perdendo o equilibro e cai no chão.

- Au. Você é a senhorita gentileza em pessoa sabia?

- Eu sei disso querido. Você me conhece, depois de 16 anos de amizade, era o mínimo que você poderia saber.

Ela chegou mais perto de mim e abriu a bolsa, comigo ainda no chão, e retirou da bolsa uma machadinha prateada com um cabo de cor de camuflagem. Ela girou o machado de um lado para outro como se tivesse feito aquilo durante anos.

- Porque você tem uma coisa dessas guardadas no seu armário?/ perguntei inocentemente.

- Meu pai morreu no exercito lembra? Foi uma "herança" dele para mim.

- E como sabe fazer isso?

- O que? Isso? / ela jogou a machadinha para cima, que deu cinco cambalhotas e caiu em suas mãos. Ela começou a girar por entre os dedos com muita facilidade./ aprendi com o tempo. Quando não tem nada pra ser feito eu simplesmente brinco um pouco com esse brinquedinho.

- isso não é um brinquedo. Isso é uma arma.

- jura? Não sabia. Vamos logo cabeça de bagre. Desça e pegue o que precisamos na cozinha. Eu pegarei as roupas e tentarei achar mais armas.

Pensei em questionar, pois ela estava ditando as regras, mas é melhor obedecer a uma garota brava com um machado na mão certo?

Desci as escadas o mais rápido que pude. Olhei para a porta e ela estava quase cedendo. Entrei na cozinha rapidamente e peguei todo o conjunto de facas e facões que havia por ali. Peguei alguns suprimentos

- ANDRÉ, VENHA AQUI RAPIDO.

"caramba, ela sabe gritar".

Subi as escadas correndo já com uma peixeira em mãos. Entrei no quarto preparado para atacar, mas tudo estava normal. Laura estava parada no meio do quarto olhando para mim.

- o que foi? / falei ofegante

- se eu fosse uma arma, onde eu ficaria?/ perguntou-me ela

- você não é uma arma

- mas e se eu fosse?

- fisicamente falando isso é totalmente impossível. A ciência...

- juro que se você não for procurar logo, eu te jogo janela a fora para os zumbis comerem./ "tentador" / Eles não gostam de cérebro? Então vão gostar do nerdizinho que é você.

- quero só ver. Não vou procurar coisa...

- VAI/ gritou ela

Olhei ao redor, mas não achei nada. Nenhuma caixa que fosse um bom compartimento para guardar armas.

- não é possível não ter uma arma dentro dessa casa. Meu pai era do exercito, tinha que ter uma arma por aqui. / disse ela virando a cabeça de um lado para o outro com um olhar de "estou desesperada".

"armas nunca podem ficar em lugares óbvios. Pois crianças podem acabar manuseando e causar um acidente. Então um lugar alto seria o mais apropriado. Então...".

- Laura, deve estar em cima do armário.

- como pode ter certeza?

- por que...

Fui interrompido por um barulho muito forte soou lá em baixo. Como se a porta estivesse caído.

- Deixa... Agora faça pezinho para eu subir e ver se tem algo lá em cima. Rápido.

Ela juntou as mãos entrelaçando as e apoiou a mão em cima do joelho. Eu fui e subi em cima da mão dela. Olhei em cima do guarda roupa e, como o esperado, ali estava uma M975 9 mm.

- Que linda. Bom, agora esta na hora de usar minha experiência de 6982 horas e meia jogando jogos de FPS./falei segurando a arma e mirando em qualquer direção.

- isso aqui é a vida, não um jogo de videogame. Aqui não existe o botão "renascer" sabia?

Olhei para trás da Laura e avistei um zumbi vindo por detrás dela.

- Cuidado! / gritei

Dei um tiro que passou bem perto da cabeça da Laura e acertou a cabeça do zumbi que estava atrás dela. Ele caiu de joelhos e logo depois caiu por completo.

- head shot / falei com um ar de herói

- você ta ficando louco ou o que? Poderia ter me acertado. Me da isso daqui. É perigoso pra você/ disse-me ela puxando a arma das minhas mãos.

Ela deu dois passos para trás e ergueu os braços, apontando a arma para outro zumbi que vinha subindo as escadas a menos de 3 metros de distancia. Ela esperou um pouco, respirou fundo e então...

- Como eu errei? Ele estava na minha frente praticamente./ disse ela indignada.

Eu riria se uma pessoa morta-vida não estivesse subindo as escadas para me matar. Peguei a machadinha, que estava encostada num canto da parede.

- vamos trocar ok?

- Por mim esta ótimo.

Trocamos as armas. Ela deu um impulso para frente e então subiu a machadinha num golpe certeiro no queixo do zumbi. Ele caiu, mas ainda se mexia. Ela finalizou-o com um golpe fatal na cabeça, espalhando sangue para todos os lados.

Ela olhou para mim satisfeita com o trabalho. Demos um sorriso um para o outro e então aquele momento acabou. Subindo as escadas, estavam no mínimo, uma meia dúzia de zumbis, que se apertavam e traçavam uma briga silenciosa para quem subiria primeiro e comeria sua refeição. André a passarinho e Laura a milanesa.

Nossos olhares se encontraram. E eu acho que ela pensou o mesmo que eu.

- ferrou geral/ falamos juntos.