Notas iniciais
Arco 1 - Capítulo 3 www.gutofanfics.blogspot.com

Ao redor de Kyara havia uma escuridão imensa. Quando Nora lhe contou sobre a morte de Ruy ela ficou desesperada por dentro, mas por fora, paralisada. Nesse instante passou todos os momentos do casal em sua cabeça: o primeiro beijo, o primeiro abraço, o primeiro presente. Tudo. Absolutamente tudo. Tudo isso em forma de uma lágrima que escorreu e se misturou com a areia. Ela deixou seu corpo cair, de joelhos, sobre aqueles grãos esbranquiçados e ofuscantes via o Sol:

– Ele morreu?

– Sim. Foi assassinado.

– E... POR QUEM?

– Desculpa! Não podemos te falar desde que esteja pronta.

– Me fale quem matou Ruy! – Kyara se levantou, furiosa e determinada.

– Desculpa! Pode tentar me machucar, me bater, mas por enquanto, não falo mais que isso!

– Isso é uma injustiça! Você é uma estranha que me resgata do mar e do nada fala que meu namorado foi assassinado e pior: você não quer me falar quem o matou.

– Não é para o seu mal! Pelo contrário! Se eu te falar, você irá se vingar... ou tentar, pelo menos. E os responsáveis por isso... até eu tenho medo deles.

– Responsáveis? Então são mais de um?

– Como eu disse, responsáveis.

– Foi uma facção?

– Sim. Na verdade, várias facções.

– Não entendi! Porque várias facções iriam matar Ruy? Ele nunca fez mal nem para uma mosca. Não fez um mal para mim. Para ninguém! Qual o motivo de ele ser odiado por, no mínimo, duas facções?

– Não sei se foi ódio, mas nada posso falar sobre isso. Ele foi assassinado e isso foi parar na boca do Conselho das Facções.

– Conselho das Facções? Aquela facção que só tem líderes de facções triviais?

– Esse mesmo, Kyara. Como eu não sou líder da Facção, eu não posso te informar mais nada.

– Então me leve ao seu líder.

– Nesse exato momento o líder da minha facção deve estar ocupado. Assim que possível, você terá uma conversa à sós.

– Assim espero!

Nora sorriu, deu uma tapinha no ombro de Kyara e se desmanchou em vento. Como uma forte ventania, saiu distante:

– Ela é mesmo fascinante, não? – Perguntou Avolon.

– Quem é você?

– Ah! Esqueci que você não conhece ninguém da facção. Meu nome é Avolon. Avolon Fullphonts. Tenho 19 anos, uso a luz como magia e estou nesta facção há um tempo considerável. Você é nova ainda, então talvez possa ficar mais do que um mês aqui. Te dou dois!

Kyara fechou a expressão e retrucou:

– Impulsivo você.

Avolon Fullphontes, calça jeans, camisa social branca com colete cinza, capa azul escura. Olhos dourados como o ouro que havia escondido em grutas nas redondezas da cidade. Uma pessoa perfeccionista, arrogante e impulsiva. Pele clara.

Avolon está na facção desde a sua fundação, porém não foi ele quem teve a ideia da criação.

Abandonado logo cedo pelos pais e morador de rua, vivia apanhando dos marmanjos bastardos e burgueses e roubando para comer. Quando foi preso, aos 14 anos, ficava em uma cela separada – já que quando perto dos outros, respondia a qualquer alfinetada e apanhava. Desde sempre impulsivo. Em sua cela, apenas um feixe de luz lhe fazia companhia e que por sinal, esse feixe de luz, um dia, tornou-se parte de si. Sem nada para fazer, Avolon começou a tentar controlar esse feixe. O mesmo foi usado para cegar todos os outros prisioneiros, furtivamente.

Sendo único prisioneiro, foi liberto, mas sob a desconfiança do governo.

Logo após, encontrou o fundador da Facção Esmeralda e está nela até hoje, como segundo suplente.

– Esse é o meu jeito. – Disse Avolon quando foi acusado de ser impulsivo. – Desde sempre fui assim. A vida me fez assim. Precisei apanhar muito para chegar onde cheguei. Por isso digo que você não vai durar menos de um mês. Não como uma praga. Sequer um pingo de ironia ou coisa ruim. Se você for como eu, irá fazer de tudo para que dure mais que um mês. E seguindo essa minha lógica, mudo a minha estimativa. Você não vai durar sequer uma eternidade aqui dentro.

Os olhos de Kyara brilhavam:

– Nossa. Que... impressionante.

– Não acostuma não! Você me chamou de impulsivo. No campo de batalha isso não conta.

Avolon virou as costas e saiu andando. Kyara se encontrou ali no meio de tanta areia, sozinha:

– Ruy... – pensou ela. – Não importa aonde esteja e como esteja: vivo ou morto. Eu irei fazer da minha lembrança, uma eternidade. Se estiver vivo, irei te encontrar. Se morto... irei te vingar.

Kyara começou a chorar.

Ela estava sendo vigiada:

– Então é ela? – perguntou um deles, atrás do arbusto.

– Acho que sim, delícia. – respondeu ela.

– Essa é a Nora? – perguntou ele.

– Deve ser, sim.

– E se não for a Nora?

– Será um a menos na Esmeralda. O que implica um a mais para a Lamentação no campo de batalha.

Notas finais
GOSTOU? FAVORITE E ACOMPANHE A HISTÓRIA! Deixe seu review e se não está na história, mande ficha. Quantas fichas quiser. Será sempre bem-vindo. Um abraço do autor. Ah! Desculpa a demora! Prometo não demorar tanto assim. FUUUI!