Atribuição - Interativa
1 Corra, Kyara! Corra!
Notas iniciais
Gusttavo Perez
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O dia amanheceu em Gaetown.
Os moradores começaram a sair de suas casas para ir ao trabalho.
Tudo estava bem.
Perfeito.
E ela como sempre estava correndo atrasada para a escola:
- Espera! Espera! – gritou Kyara.
- Corra, Kyara! Corra! – gritou, também, Ruy, seu namorado.
Kyara tinha um cabelo enorme e laranja. Sempre usava vestido de renda, e na maioria das vezes, de cor branca.
Quando alcançou o ônibus, sentou-se do lado do seu amado:
- Consegui.
Ele respondeu, com brilho nos olhos e um tom de comédia na boca:
- Você sempre consegue, assim como você sempre se atrasa.
Sorrindo, ela respondeu:
- Sabe como é, né. Eu tenho um certo problemas com horários.
- Você já tem 18 anos. Não pode ter esses problemas que derivam da responsabilidade.
- Responsabilidade? Eu tenho muita, ok?
- Tanta responsabilidade que está há dois anos no mesmo nível de escolaridade.
- Se você é inteligente eu não tenho culpa. Todos nós temos nossas dificuldades.
Ruy deu risada e Kyara estava furiosa, mas depois de alguns segundos a felicidade por estar ali era tanta que esqueceu de tudo:
- Ruy.
- Diga.
- Eu te amo.
- Eu também te amo.
O ônibus freou de repente.
O motorista tentou desviar de alguém que estava parado no meio da rua.
Capotou e caiu em um penhasco lotado de árvores e próximo à um rio.
- Ruy! Ruy! – gritou Kyara, não conseguindo se mexer e olhando para todos os lados. Estava coberta de sangue e havia um ferro atravessado em sua perna esquerda, bem no joelho. Kyara tinha um distúrbio no sistema nervoso que a fazia sentir o mínimo de dor, o que significa que a dor que ela estava sentindo era a mesma de uma dor de cabeça em alguém normal. – Ruy! Socorro! Não consigo me mexer.
Não tinha muita gente no ônibus, porém estavam todos mortos – inclusive o motorista – porém Kyara sobreviveu e Ruy, desapareceu.
Ela tentou resistir, mas foi fechando os olhos de um modo lento.
Desmaiou.
Acordou.
- Onde estou? – perguntou a si mesma. – Que lugar é esse?
Kyara estava sobre uma maca, em uma cela de prisão. Estava amarrada e com uma luz forte em seu rosto. Era um misto de hospital e prisão.
Ela chegou. A enfermeira:
- Você está bem?
- Quem é você? – contorcia-se, Kyara.
- Relaxe. Tudo vai ficar bem. Apenas irei retirar alguns órgãos do seu corpo, mas outros irão ficar no lugar.
- Não toque em mim! – furiosa.
A enfermeira riu diabolicamente:
- Não adianta ficar brava. Não tem como sair daí. Você está amarrada.
Kyara ignorou o que ela disse e com sua força conseguiu rasgar os cintos que estavam a segurando. Não hesitou e grudou a enfermeira pelo pescoço, com as pernas:
- Nunca mexa com quem não conhece.
Com as pernas, Kyara – sendo suportada por um giro surpreendente – decepou a enfermeira.
Pegou sua antiga roupa, vestiu-a e começou a correr pelos corredores.
Ruy não tinha saído ainda de sua mente:
- Será que ele está aqui? Eu preciso resgatá-lo. Vou procurar de sala em sala.
Assim ela fez, porém, o alarme soou:
- Merda!! Quem será que fez isso? Eu fujo ou fico? O que Ruy gostaria que eu fizesse? “Corra, Kyara! Corra! ” – memorizou ela. Uma das últimas coisas que ele fez. – Ruy. Eu volto para te buscar!
Kyara correu em direção à uma janela e pulou. A janela dava de cara para o mar. Mergulhou.
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