Atração Perigosa

14 Capítulo XIII - TOM


Notas iniciais
Caraca, 3 capítulos no mesmo dia, vocês estão rápidas, hein?

“Carinho é quando a gente não encontra nenhuma palavra para expressar o que sente, e fala com as mãos, colocando o afago em cada dedo.”

— O Teatro Mágico.

Eram quase 22:00 da noite e pela primeira vez na semana, eu não consegui dormir. Tentei fingir que era porque eu não havia feito uma boa refeição hoje e meu estômago estava um pouco vazio, mais a verdade é que Alison havia me deixado um pouco surpreso, pois mal falara comigo hoje.

Não perguntou se eu senti alguma dor, não quis saber se eu comi e nem passou na cozinha e percebi realmente que tudo que ela fazia era porque precisa do dinheiro e não porque gostava de mim.

Acendi meu abajur e procurei por minhas muletas, assim que as achei, me apoiei nelas e fui para o andar de baixo. Fui na cozinha e abri o armário que reservamos para remédios, procurei um calmante para que eu conseguisse dormir e enchi um copo d’água.

Assim que fui engolir o comprimido, Alison entrou em casa e eu fui para a sala rapidamente surpreso com seu estado. Ela estava encharcada, seu vestido estava colado e transparente em seu corpo, um salto seu estava quebrado e o outro ela segurava nas mãos, os pés estavam sujos de terra e... Aquilo no cabelo dela era grama? Sua maquiagem estava toda borrada e ela chorava parada no meio da sala olhando pra mim.

– Hm... – Foi tudo o que eu consegui dizer. – Tem toalhas limpas no banheiro lá de cima. Pode usar quantas quiser, no chuveiro tem água quente e gelada. Você está com sede? Eu vou preparar um chá...

– Ah, O.K. – Ela deixou a bolsa no sofá e subiu chorando mais um pouco. Voltei para cozinha e joguei o remédio no lixo, bebi o copo d’água.

Depois de alguns minutos ela apareceu na sala secando o cabelo com uma camisa branca enorme que reconheci ser minha e eu fui preparar os chás. Enchi as duas xícaras e servi para a gente na sala de jantar que ficava em outro cômodo da casa.

– Quer me contar sobre o que aconteceu? – indaguei depois de muitos minutos constrangedores em que eu fiquei em silêncio e ela ficou chorando baixinho à minha frente.

– Foi pra isso que você fez o chá não foi? – Ela brincou com a xícara e me olhou.

– Na verdade, eu gostei do seu cabelo molhado e com grama. Mas você foi tomar banho... – brinquei e ela deu uma risada fraca.

– Eu briguei com Brad. Ele foi um pouco egoísta e rude comigo. – ela respondeu e bebeu um gole do chá. Seu cabelo louro parecia maior agora molhado e pingava em seus ombros, seu rosto estava pálido e notei olheiras embaixo de seus olhos, parecia que ela não dormia havia dias e no auge da minha ilusão e do meu egoísmo me perguntou se o motivo era eu. Mas pela dor que seus olhos carregavam já dava para perceber que era Brad. Seu namorado. – Não sei se continuaremos juntos...

– Eu soube que seus pais se separaram. Como está sendo pra você?

– Por mim tudo bem, eu já esperava isso. – Ela jogou os cabelos para trás e soprou o líquido dentro da xícara e a fumaça saiu borrando um pouco seu rosto. – Não queria que eles vivessem uma relação forçada. Entende?

– Sim. – murmurei mesmo sem fazê-lo já que meus pais sempre tiveram um ótimo casamento e até agora meu relacionamento com Isabel não deu errado. – Mas... Gostou do quarto?

– Ah, claro. As camas são altas, mas confortáveis. – Ela bebeu o resto do chá e eu aproveitei para olhar minha xícara que ainda estava cheia, bebi o líquido todo. – Já terminou? – Ela perguntou se levantando.

– Sim, eu lavo... – sugeri. Ela me repreendeu com a mão.

– Eu lavo.

– Hoje é seu dia de folga. Vá descansar, parece que você não faz isso há um tempinho. – Peguei a xícara de sua mão e sorri para ela que apenas fez que sim com a cabeça e subiu.

Lavei a louça e fiquei zanzando por alguns minutos lá embaixo. Depois subi e percebi que ela deixara a porta do quarto aberta. Segurei a maçaneta e fiquei olhando-a por alguns instantes, quando ela se moveu como se fosse acordar, me afastei e fechei a porta indo para meu quarto.

Acordei sorrindo, pois Alison batia na porta. Ela segurava uma bandeja pequena e prateada e nela havia um copo d’água e dois comprimidos – nós havíamos parado com a injeção.

– Agora só depois do almoço. – Ela sorriu e colocou a bandeja em cima de mim. Quando se abaixo à minha frente, sua blusa se soltou um pouco e eu quase pude ver todo o seu seio. Ela percebeu e se retraiu. – Você tem algum roupão?

– Ali no banheiro. – respondi engolindo o comprimido. Ela estava maravilhosa naquele pijama, principalmente porque ele era branco e de seda e colava um pouco em suas pernas quando ela andava, pois era short. A blusa era sem manga grande e rendada no decote. Suspirei maravilhado.

Ela saiu amarrando o roupão e desceu em seguida agradecendo pelo favor.

De tarde, Alison ficou arrumando seu quarto, depois pediu licença, pois iria trabalhar em seu blog em seu provisório quarto. Tirei um cochilo, falei com Isabel no telefone e a atualizei sobre a primeira semana da Alison – mas não falei que ela morava aqui "permanentemente".

Depois paguei algumas contas pela internet e quando vi já era de noite. Alison e eu jantamos na sala de jantar e depois fomos tomar banho e nem preciso dizer que em banheiros separados.

Eu estava em meu quarto penteando meu cabelo quando percebi que não fazia barba tinha dias, não tirei, apenas a limpei e depois coloquei minha calça – sem camisa pelo calor.

Fiquei andando pelo quarto aflito, a ideia de tê-la ali dormindo tão perto e agora praticamente solteira, a ideia de agora tudo era mais fácil me deixou ainda mais louco e quando vi eu estava em seu quarto.

Ela falava no telefone olhando a rua pela janela, quando se virou e me viu diminuiu o tom.

– O que deseja, Sr. Tom? – perguntou. Fui até ela e a puxei pela cintura.

– Você. – Dito isso a beijei e não me importei quando ela me empurrou um pouco, pois depois relaxou e deixou o celular cair na cama.

Suas mãos ficaram em torno de meu pescoço e eu a apartei mais contra meu corpo. Ela usava o mesmo pijama então estava mais fácil o tato com seu corpo.

Fora tão rápido que mal percebi que estava realmente a beijando. Estávamos nos beijando. Meu corpo só se acalmou quando ela se soltou de meu abraço e nós fomos para perto da janela.

Ela me agarrou de novo e nos enroscamos com a cortina. Meu coração palpitava, meu corpo me forçava a ir mais forte e mais rápido. Alisei todo seu corpo e tentei acalmar minha respiração quando ela separou nossos lábios novamente e me deu a mão entrelaçando nossos dedos.

– Desculpe. – eu disse em meio a respiração ofegante.

Ela balançou a cabeça sorrindo. – Está tudo bem.

E estava mesmo.

Notas finais
Posto o próximo com um capítulo. ROLOU OS BEIJOS, GALERA. E AGORA? ATÉ BREVE, BEIJITOS!