Atração Perigosa
3 Capítulo II - ALISON
Notas iniciais
Assim que acordei, pulei da cama e fui tomar um banho. Penteei meu cabelo, deixando-o cair em meus ombros e depois abri o guarda-roupa a procura do uniforme do curso de moda que Ray me obrigou a fazer.
Desci as escadas correndo para tomar o café da manhã e logo Sam, meu irmão, soltou o seu veneno.
— É ridículo este uniforme. – zombou enquanto eu me sentava na cadeira a sua frente e pegava uma torrada.
— Olha quem fala, senhor Cabelo pro Lado de 2009. A moda do Bieber já passou, O.K.? – respondi sorrindo falsamente enquanto minha irmã do meio, Silver, chegou e logo me deu um tapa no ombro.
— Não fala assim do Justin! – reclamou me dando língua. Após todos nós sentarmos mamãe e papai vieram nos acompanhar.
O nosso café da manha era sempre assim agitado, implicâncias no começo, reclamações de algo da comida e depois um adeus enquanto a gente corria para as atividades nas férias.
— O Bieber é uma bichinha! – meu irmão mais novo xingou e nossa irmã começou a bater nele, só parou quando papai lhe deu um olhar severo.
Continuamos o café contando o que faríamos no resto do dia e mamãe e papai mal trocaram palavras como era o comum. Tentei ficar calada já que aparentemente só eu percebi que ele não dormiu em casa e só voltou pela manhã.
— Tem reunião de pais na terça. – disse Silver terminando seu suco.
— Seu pai irá, eu estarei no trabalho. – mamãe disse de cabeça baixa. Parecia brava e também estava cansada, as olheiras em seus olhos estavam mais aprofundadas e marcadas.
— Eu tenho que fazer a manutenção na casa de praia. – papai falou enrolando um pouco as palavras e mamãe deixou os talheres cair na mesa e olhou para ele irritada e com o tom um pouco alterado respondeu:
— Por que não esquece um pouco a casa de praia e mais sei lá quem que há nela e não pensa na sua família?!
Assim que terminei o café, fiquei em pé e peguei uma maça para comer no caminho. Antes de sair Sam aproveitou a oportunidade de me zoar mais uma vez.
— Parece uma Taylor Swift com peitos.
— Ei, não fale da Taylor, ela é uma ótima profissional. – repreendeu mamãe levantando e batendo na cabeça de meu irmão me fazendo rir.
— É isso que dá quando você zombar da minha musa. E ela é a rainha do country com ou sem peitos. – Corri para fora da cozinha e entrei no carro de Brady, meu namorado.
Brady e eu nos conhecemos na escola, era meu primeiro dia e eu estava perdida, ele me ajudou a achar minha sala e depois viramos duplas em Artes.
Ele é um namorado maravilhoso, mas agora com a pressão de que daqui a pouco iremos para a faculdade e ainda não transamos ele fica forçando a situação, mas sempre consigo contornar.
— Me busca hoje a noite? A gente pode ir pra sua casa. – Aproveitei a situação beijando seu pescoço e depois o puxando para mais perto.
Quando ele foi me dar um beijo meu celular tocou e eu me afastei olhando o visor. Afastei Brady que continuou tentando se aproximar então pedi para ele ir dirigindo.
— Fala, Rachel. Eu já estou indo pro curso, O.K.? – adiantei antes que ela me desse uma bronca boba pelo possível atraso.
— O.K., eu ainda nem sai de casa.— Ouvi ela resmungar algo com a cachorra assassina dela. — Arranjei um emprego pra você.
— Ai, sério?! – Dei alguns risos de felicidade e beijei Brady que estava olhando para mim como se eu fosse uma doida. – Aonde? No curso? Me diz que eu não vou mais precisar ir para aquele inferno!
— Não fala isso, moda é muito importante...
— Eu entendo de moda, Ray. Você não. – eu a interrompi e ela riu baixinho. – Mas é aonde, fala!
— Aqui em casa. Com meu pai, ele precisa de ajuda já que quebrou a perna. O que acha?— Ela respondeu e Brady arregalou os olhos em seguida dizendo milhões de vezes que não.
— Olha, eu vou pensar, O.K.? E quanto a grana? – perguntei tapando a boca de meu namorado ciumento.
— 50 dólares a hora. Agora vou dirigir, beijo.
— Beijo! – Me despedi desligando o celular. Segui o caminho em silêncio ignorando Brady falando que não deixaria eu trabalhar com um homem mais velho e ainda mais na casa dele.
Alguns minutos depois dele desistir de falar comigo chegamos no curso e ele me puxou para um beijo, mas apenas lhe dei um abraço.
— Te vejo às oito. – Foi tudo o que eu disse antes de sair e ouvir sua buzina atrás de mim confirmando o encontro.
Carlos, um dos meus melhores – e únicos – amigos do curso, veio logo em minha direção enquanto eu guardava algumas coisas no armário e pegava o avental.
Ele era um garoto bem bonito, cabelos pretos e olhos azuis bem acesos, boca desenhada e nariz perfeito. O corpo era maravilhoso, sarado na medida certa e também não era muito alto e nem muito baixo, uns 12 centímetros maior que eu.
— Você chegando primeiro que Rachel? – Ele fingiu surpresa. – Meu Deus, isto é real?
— Pare de ser bobo, seu rosinha. – brinquei fingindo estar brava e depois lhe dando um abraço.
— Nem todo gay gosta de rosa. – reclamou ele mostrando a camisa lilás e me fazendo rir logo depois. – Vem, vamos pegar meu avental e esperar Ray lá fora.
Assim que chegamos na porta, Ray desceu de sua moto sorrindo e acenando para nós, Carlos ficou no nosso meio e deu a mão para a gente e nós fomos andando em trio para a sala.
A aula foi um saco — a única coisa divertida foi ver Carlos discutindo com o professor e Rachel xingando por não conseguir ganhar de mim e de Carlos no desafio.
***
Depois que Carlos foi embora com seu namorado, Rachel me chamou para irmos à lanchonete onde Troy estava trabalhando para darmos uma força para ele no seu primeiro dia.
Escolhemos uma mesa do lado de fora e assim que nos viu, Troy veio correndo nos atender.
— Oi, meninas! Ainda bem que vieram! – Ele olhou para mim meio envergonhado e virou-se para Ray dando um enorme sorriso. – Pensei que tivesse esquecido.
— Jamais, Troy. – Rachel sorriu toda apaixonada e eu segurei o riso.
— Mas o que vão querer?
— Eu apenas um sundae. – respondi colocando o cardápio na mesa novamente.
— Eu vou querer um sundae triplo, um Milk-shake de morango com chocolate e água depois. – Rachel fez seu pedido me deixando de boca aberta já que ela nunca pedia tanta coisa assim. Quando Troy saiu, ela explicou:
— Ele ganha por comissão.
— Sério? E quanto é 15% de um sundae? – zombei fingido preocupação e ela riu fazendo uma careta logo em seguida. Troy chegou com nosso pedido e saiu tão rápido quanto apareceu.
Tentei fingir que estava tudo bem, mas obviamente que Ray percebeu, pois logo tocou a minha mão e me perguntou o que houve.
— Acho que papai e mamãe vão se separar. – respondi olhando para o cardápio fechado.
— Foi por isso que foi embora mais cedo ontem? – perguntou tomando seu Milk-shake. Ela parecia tão leve e tão despreocupada – não comigo, sabia que ela se importava comigo – e a invejei naquele momento por ter uma vida tão normal, dinheiro quando quisesse, um namoro e família saudáveis.
— Sim, Silver me mandou uma mensagem dizendo que eles estavam brigando e ela estava com medo de que Sam escutasse, e ela só tem 14 anos. Fiquei preocupada com tudo isso e fui embora o mais rápido possível. Quando cheguei lá minha mãe estava quebrando o celular de papai. – respondi rapidamente sem olhá-la nos olhos e com vergonha daquilo tudo, senti as emoções daquele momento voltando e respirei fundo para não chorar.
— E ele está mesmo morando fora, tipo, como você disse na mensagem?
— Por enquanto não, mas acho que vai. Eles estão tentando achar um jeito de contar, pelo que entendi. Eles meio que tiveram uma briga hoje no café da manhã.
— Vai ficar tudo bem, deve ser a dificuldade financeira e... Com a chegada do feriado eu vou viajar e você vai cuidar do meu pai, certo? – Ela abriu um sorriso e apertou minha mão mais forte. Pensei um pouco enquanto dava um sorriso amarelo, então resolvi que sim, trabalharia, alugaria um lugar só meu e depois mandaria dinheiro mensalmente para eles.
— Sim, eu aceito o emprego.
Ficamos conversando sobre algumas coisas, falando do curso, do namoro dela com Troy, depois passamos o intervalo de Troy na praça enquanto eles namoravam, eu conversava com Carlos pelo celular, Silver disse que meu pai tinha ido embora com uma mala e ela conseguiu fazer com que Sam não visse nada.
Quando Troy voltou para o trabalho, Ray virou-se para mim e disse:
— Ah, você deve estar lá em casa às 18:00 para o seu teste. – Ela pulou na moto e piscou para mim antes de colocar o capacete.
***
Cheguei em casa e contei para minha mãe sobre meus planos, ela disse que poderia me ajudar a encontrar um lugar para morar, mas por enquanto era para eu ir ajudando em casa.
Tomei banho e ela me ajudou com a roupa. Então, eu fui com uma calça preta legging, uma blusa preta que tinha as mangas e a gola brancas e dobradas, escolhi um tênis azul- marinho e minha mãe me emprestou uma bolsa creme dela (veja aqui).
Mamãe avisou que precisava sair para resolver negócios na academia em que trabalhava – ela era professora particular – e chamou Silver para me ajudar com a maquiagem.
— Você está bonita mesmo. – minha irmã comentou com ironia. – Agora avisa pra mamãe que não é só porque eu fiz curso de maquiagem que eu tenho que ser a maquiadora da família não!
— O.K., O.K.! – resmunguei sem prestar muita atenção. Ela saiu do quarto bufando e voltou com seu estojo todo arrumado e cheio de coisas. Jogou-me na cama e começou a me maquiar. – Mas faça algo leve, nada muito amostrado!
Depois que terminou ela saiu rapidamente deixando apenas o espelho na cama e avisando que caso eu não gostasse havia água e detergente na cozinha.
Mas estava tudo maravilhoso, ela mal usou sombra, o batom estava rosado naturalmente, depois de checar a maquiagem eu fui colocar os acessórios (veja aqui).
Depois de pronta – como eu não tenho carro – fui andando para a casa de Ray, que não ficava muito longe, apenas algumas quadras após a minha.
Cheguei meia-hora antes o que quase matou minha melhor amiga de felicidade e logo depois a enfermeira chegou. Ela deu banho no senhor Parrish, ajudou ele a subir e ele se vestiu sozinho no quarto.
Logo depois era a minha vez de ajudá-lo, guiei ele até a cama onde ele tomaria os remédios e depois a injeção, após os atos da enfermeira, ela me entregou o cronograma dos remédios e me desejou boa sorte.
Eu ajudei o Sr. Parrish a descer, coloquei sua comida e fiquei de olho nele todo o jantar, ele fingiu que iria cair e eu quase pulei no chão para que ele não se machucasse, depois que ele explicou tudo, sua mulher ficou bem brava enquanto Rachel me mandou uma mensagem de “Você está sendo ótima!!!” no WhattsApp me fazendo rir um pouco, depois ele tomou banho e eu tive que ficar na porta do banheiro o tempo todo para me certificar que estivesse tudo bem e que ele pudesse me chamar com facilidade e rapidez.
Depois ele se vestiu e eu abotoei a camisa de seu pijama, ele foi dormir – eu acho – e sua esposa desceu comigo e Rachel para conversar.
— E aí, tudo certo, Sra. Parrish? – perguntei pegando minha bolsa no sofá e sorrindo animada.
— Você foi ótima para o teste. Está contratada. Rachel já te falou do seu salário? – perguntou me guiando até a mesa de jantar e eu assenti rapidamente com a cabeça que sim. – Bem, poderíamos mudar isso? Pensei em 250 por semana e 7 a hora nos sábados e feriados e domingo é sua folga. Você pega às 8:00 da manhã e sai às 20:00 da noite.
— Tudo certo, então. Sem problemas quanto ao novo salário. Obrigada pela oportunidade e boa viagem. – Apertei sua mão.
— Ah, amanhã você pega às 14:00 porque Tom irá levar eu e Ray ao aeroporto, esteja aqui antes dele. – Ela segurou minha mão e piscou sorrindo. Nós fomos até a porta e Isabel me deu um abraço se despedindo em seguida.
— Ai, amiga, deu tudo certo! – Rachel me abraçou sorrindo. – Quer que eu te leve?
— Não, Brady e eu vamos pra casa dele.
— Ui, sério? – Ela colocou a língua para fora simulando um beijo e eu a belisquei rindo. Logo depois das nossas brincadeiras, Brady apareceu todo lindo em seu carro vermelho e Ray fingiu perder o ar.
Entrei no carro toda feliz e logo dei um abraço apertado em meu namorado que entrou na brincadeira de Ray e fingiu estar sem ar.
Chegamos na casa de Brady e depois jantamos juntos – seus pais saíram – lagosta e fomos para o quarto dele e enquanto ele conversava com os amigos no telefone fiquei em sua varanda observando o enorme, florido e maravilhoso jardim que sua mãe cuidava atentamente.
Eu estava me imaginando uma princesa em apuros quando Brady chegou por trás de mim e começou a beijar meu pescoço lentamente enquanto tentava enfiar a mão por debaixo da minha blusa.
Levei na boa a ação e me virei pra ele, começando a beijar ele com mais intensidade enquanto ele ia me conduzindo para a cama e só abri os olhos quando caímos no colchão macio.
Ele me puxou para cima da cama e ligou a TV. Depois de alguns minutos em silêncio e assistindo a O Amor Não Tira Férias, ele virou-se para mim e mexeu em meu cabelo.
— Está quente aqui, não?
— Um pouco. – respondi meio tímida e virando de novo para o filme.
— É essa sua camisa, o pano dela é grosso, não? – Ele colocou a mão na manga e puxou de leve, amarrotando o tecido e me deixando um pouco na alerta.
— Brady, você quer me dizer alguma coisa? – perguntei levantando as sobrancelhas e ele me puxou para cima dele.
— Se eu quisesse te dizer algo eu já tinha dito, amorzinho. – Ele começou a me beijar e alisar meu corpo enquanto eu bagunçava seu cabelo. Fiquei realmente brava quando ele abaixou a minha calça.
— Brady, para. – pedi baixinho alisando seus ombros.
— Por que você sempre me nega? – Ele perguntou ficando um pouco vermelho, tirei meu rosto de seu pescoço e olhei ele em seus olhos castanhos.
Brady era lindo, corpo atlético, rosto bonito e ao mesmo tempo masculino. Era legal, amoroso e gostava de mim, mas eu não estava pronta para isso.
Eu tinha medo que ele terminasse comigo depois que acontecesse, essa era a verdade.
— Eu não estou pronta. – Eu desci de seu colo e fiquei alisando seu peito sobre a camisa. – Quer dizer, você me passa segurança, mas eu não estou pronta, estou medo e ansiosa com o que pode acontecer, se irá doer, se vamos gostar e...
— E...? – ele sugeriu que eu continuasse.
— E eu tenho medo que você termine comigo após. – eu sussurrei ficando sentada na cama e sem olhar pra ele.
— Eu não acredito que você pensa que eu sou um canalha! – ele explodiu atrás de mim saindo da cama e colocando os sapatos. Eu corri para ele abraçando sua cintura, mas ele me afastou e foi descendo para a sala.
— Brady, me desculpa! – eu gritei correndo atrás dele me atrapalhando na escada e depois ele virou-se para mim.
— Quer saber? Eu te levo pra casa ou você prefere ir andando ou pegar um ônibus? Porque ao seu ver eu sou um monstro. – ele disse ironicamente abrindo a garagem.
Entramos no carro silenciosamente e todo o caminho se seguiu assim. Tentei beijar ele quando chegamos na minha casa, mas ele se debruçou sobre mim abrindo a porta e eu tirei o cinto saindo envergonhada.
Mais tarde, deitei na cama e fiquei pensando sobre esta noite com Brady, namorávamos há 3 anos – começamos quando eu tinha 13 e ele 14, agora eu tenho 16 e ele 17 — , ele é legal, sua família me trata bem, meus pais gostam dele e eu o amo demais.
Quando a imagem de Sr. Parrish veio à minha mente fiz uma pergunta a mim mesma antes de dormir:
Eu estava pronta para ficar sozinha com um homem mais velho, mas não pronta para transar com meu namorado?

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