Atração
4 Misunderstood
Notas iniciais
Amor...
Todos dizem que é uma ótima sensação. Quem falou estas palavras –ridiculamente erradas- devem ser amados de volta também. Já que para mim o amor não é correspondido, não é legal, é torturante, frustrante, e mesmo depois de você tentar fazer com que você mesmo fique com raiva da pessoa que você ama ‘você não consegue. É simplesmente impossível.
Eu fico todos os dias olhando para a Rach, esperando que ela vire seu rosto e me olhe. Eu realmente contei o número de vezes. E sempre que ela olhava para mim, eu ficava instantaneamente me sentia feliz, completo.
E você começa a sentir ódio – outro tipo de ódio, obviamente-. Ódio, não dela. Mas de seus sentimentos. Ódio por ela não me querer de volta. Ódio por ela não me amar. Ódio porque não acordo todos os dias ao seu lado, e seu rosto não é a primeira imagem da manhã. Ódio por não ouvi-la dizer “Eu te AMO”. E o pior, por não poder falar com ela as palavras que eu quero tanto dizer “Eu te amo”. A mais pura e verdadeira frase que eu já quis falar, que eu já pensei.
No dia seguinte no mesmo horário passei pela casa dela de novo. Quem atendeu foi o outro pai. Pedi para ver Rachel e ele disse que ela havia saído de casa há uns vinte minutos. Fiquei me perguntando se o que ele estava falando era verdade ou se era mais uma mentira. O que Rach faria a essa hora da noite nesta cidade pequena do interior?
Fui andando devagar pelo jardim em direção a calçada. Toda aquela história estava me deixando exausto, não conseguia dormir, estudar – não que eu estude regularmente- não conseguia fazer nada. Precisava concertar o que eu fiz de errado. E neste momento eu precisava beber algo, para ver se eu conseguia relaxar. Fui em um barzinho em um beco escondido na cidade, pouca gente conhece, o que é maravilhoso nesta cidade pequena, e onde sei que eles servem bebida para mim, onde sei que eles acreditam na minha falsa identidade –acho que eles sabem que é falsa, ele tem a capacidade de pensar.
Abri a porta e falei com o barman e pedi uma dose de vodca. E foi no outro lado que eu vi. Uma pessoa que eu nunca –repare no uso da palavra NUNCA- achei que iria encontrar em um bar. Principalmente neste.
Rachel estava do outro lado da bar, beijando intensamente um cara. Que não era o Finn e sei que é desnecessário dizer que também não era eu. Uns minutos se passaram, e a raiva brotava no meu peito cada vez mais forte. Aquele cara estava se aproveitando dela. Ela está frágil e emotiva e estava ficando com um cara que aparentava ter uns vinte e poucos anos. Estava errado. Tudo.
Desisti de esperar. Fui até lá. O cara se afastou da Rachel com a minha chegada. Provavelmente pensando “quem é esse pirralho?”. Rachel se virou para mim e falou:
-Noah Puckerman, bom te ver por aqui! – Se aproximou e passou seus braços por volta do meu pescoço- Não sabia que frequentava este tipo de lugar.
Eu frequentava. Era uma coisa muito normal vir quase todos os dias. Era. Com o meu antigo eu. O Puck pegador.
-O que você está fazendo aqui? – perguntei.
- Me divertindo muito! – Como agora estava mas perto de mim, consegui sentir o seu bafo. Estava com um cheiro de álcool fortíssimo.
- Venha, eu te levo para casa. Você não pode dirigir neste estado, e não é bom que as pessoas te vejam.
-Mas eu não quero ir. –Ela resmungou.
Não me importava se ela queria ou não ir. Ia tirar ela daqui.
A levei no colo até a minha casa. Minha mãe estava viajando e meu pai ausente estava... bem...ausente. Lavei seu rosto com água gelada, para ver se o efeito do álcool ia passar mais rápido, e ela ficou um pouco mais lúcida.
-Me desculpa. Não queria que isso acontecesse.
-Está tudo bem. –Quando falei percebi o cansaço na minha voz.
-Sério, me desculpe, me descontrolei. – Ela realmente queria dizer, eu será que ela ainda estava um pouco bêbada? – Posso te pedir um favor?
-Claro, fala.
-Poderia dormir aqui, só essa noite. Ainda não estou me sentindo totalmente bem, e não quero que meus pais me vejam assim.
-Claro, pode dormir aqui ou no quarto da minha mãe, eu durmo no sofá se você quiser.
- Obrigada- Ela agradeceu, com uma voz que fez com que o resto da minha raiva se esvaia-se.
-OK. Mas me explica. O que aconteceu? Nunca soube que você era de beber.
Antes de responder ela hesitou, mas percebeu que eu não iria desistir, eu precisava saber a resposta.
-Eu estava triste. Não tinha para onde ir. Nenhum lugar, além da minha casa, mas já estou cansada de lá.
- Mas porque para um bar? Porque você não foi falar com o Kurt, com a Mercedes ou até comigo? Você sabe que podemos te ajudar.
- Eu sei... e agradeço, mas eu queria me desligar por um tempo.
- Se desligar do que?
- Da vida. Das pessoas. De mim mesma. De tudo. Não aguento. – Lágrimas caiam de seus olhos.
- Isso tudo por que você terminou com o Finn?
-Não é só isso. – Ela começou a soluçar baixinho.
-O que foi? O que mais?
- Eu amo ele. Mas o fato dele não ter acreditado em mim quando disse que estava arrependida pelo que nós... quero dizer o que eu fiz, me fez acreditar que ele não se importava tanto assim comigo. E agora estou mais confusa do que antes.
- Confusa? Não estou entendendo. Você estava confusa antes?
- Há algum tempo eu venho gostando de outra pessoa.
O que? Ela estava em dúvida? Se era só por ele que seus sentimentos pertenciam? Eu estava envolvido? Mais do que nunca.
- Olha, se você acha que deixou de amar o Finn, deixe-o para lá. Ele te magoou e eu vi os estragos que causou com os meus próprios olhos. Não é bom continuar com uma pessoa que faz estragos em tudo o que ela toca, e não liga pelo que acontece com as consequências.
Ela permaneceu calada, e percebi que ela estava exausta, e que precisava descansar.
-É melhor você se deitar, te vejo amanhã. Boa noite. – Me dirigi a ela, e dei-lha um beijo na testa.
-Boa noite Noah, muito obrigada.
Acordei de manhã as sete, mais cedo do que o habitual para poder preparar café da manha para nós dois. Fiz panquecas e suco de laranja – seu café da manha preferido – e quando me virei para ir chama-la, Rachel estava de pé na cozinha.
-Posso ajudar com alguma coisa? –Perguntou, com a voz ainda de sono.
-Pode. Você pode se sentar cadeira para tomarmos o café, ou iremos nos atrasar para a escola.
Tomamos o café da manhã grande parte, em silencio.
-Obrigada por ter me deixado passar a noite aqui. Suas panquecas estão ótimas, não tinha ideia de que você sabia cozinhar. – Ela riu, e ri junto.
- Está brincando? Eu sou um ótimo chef de cozinha.
-Ah sim, ótimo....- Brincou, com um tom de sarcasmo.
-Sou sim! Tenho que cozinhar o jantar todos os dias para minha mãe e eu. Quinta eu fiz um pato assado, que estava uma delícia!
- Pelo visto algum dia eu terei que provar um de seus pratos.
-Pode deixar, você vai! Agora é melhor, nos apressarmos ou chegaremos mais atrasados ainda!
Eu já estava pronto e ela passou em casa rapidinho para pegar um vestido pra escola, não queria que todos pensassem que ela não trocava de roupa. Garotas...
Chegamos quinze minutos depois do sinal ter tocado, ela estava super nervosa, já que nunca havia chegado atrasada antes. Eu? Estava na boa. Iria chegar atrasado mesmo se Rach não tivesse comigo.
No horário do Glee ela se sentou ao lado da Mercedes e da Tina. Eu fiquei na cadeira logo atrás. Finn chegou e a encarou por alguns segundos depois foi para o outro lado da sala.
O Sr. Schuester chegou e antes mesmo de poder respirar, Rachel se levantou e foi falar com ele, provavelmente ela lhe falou uma ideia de música para cantarmos nas regionais, e ele negou. Ela voltou e se sentou de volta no seu lugar. Bom saber que ela estava de volta. Aquela garota independente, ambiciosa que não ligava para a opinião dos outros, estava de volta.
Alguns dias se passaram, e Rachel não falou tanto assim comigo, mesmo enquanto namorava o Finn ela passava tempo ao meu lado. Mas não nessa semana. Por mim? Estava tudo ótimo... Não a esqueci, só dei um espaço a ela. E está tudo bem por mim, se eu der mais tempo para ela esquecer o Finn – o que já estava acontecendo – talvez ela possa ficar comigo e nosso “feliz para sempre” começar.
Mais uns dias se foram e após um tempo fiquei pensando que eu não estava precisando dela nesse momento. Não que o sentimento tenha ido embora de repente, só não sentia necessidade dela, ou pensava nela toda hora. Era como se toda a paixão antes que fervia no meu coração, estivesse de pouco em pouco desaparecendo.
Finn chegou na semana seguinte, entrando na sala e indo falar com a Rach, ela pediu com licença ao Mr. Schue e saiu da sala para falar com ele.
Eu não estava lá, mais a conversa foi mais ou menos assim...
-Olha, me desculpa, eu não devia ter feito a tempestade em um copo d`água. Só por que você dormiu com o Puck. – Finn falou, com aquele olhar de cachorrinho perdido nos seus olhos castanhos escuros.
-Primeiro, eu não dormi com o Noah, eu o beijei, e foi por raiva e eu me arrependi.
-Tanto faz, eu te perdoo, agora por favor, me de mais uma chance. Deixa eu te provar... – Ele a interrompeu, depois começou a cantar acusticamente a música “Misunderstood” da banda Bon Jovi.
Should I? Could I?
Have said the wrong things right a thousand times
If I could just rewind, I see it in my mind
If I could turn back time, you'd still be mine
You cried, I died
I should've shut my mouth, things headed south
As the words slipped off my tongue, they sounded dumb
If this old heart could talk, it'd say you're the one
I'm wasting time when I think about it
I should've drove all night,
I would've run all the lights
I was misunderstood
I stumbled like my words,
Did the best I could
Damn! Misunderstood.
Esqueçam o que eu tinha dito sobre estar esquecendo. Novamente, o sentimento voltou mais forte do que nunca.
Ele realmente tinha a “coragem” de pedir que eles voltem a namorar? Depois de tudo o que ele fez?
-Eu te amo. – Finn disse, logo após ele ter terminado de cantar o último verso.
Notas finais
Por favor, recomendem, favoritem, leiam, comentem (positiva ou negativamente)!
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