Lá estava ele... Sobre a janela, observando o sol se pôr. Faz 15 dias que veio para a minha casa, e já quero que saia . Meus pais, como de costume, estão agraciando ele ao máximo. E, posso afirmar que, talvez, tenham esquecido de mim. Fiquei intimidada, desconfortável em meu próprio lar. Aquele garoto poderia ser uma ameaça ? Desde que chegou, não trocamos sequer uma palavra. Não o admiro, e espero que ele pense o mesmo de mim. Uma vez ou outra, nós nos cruzamos pela casa . Parecia que, quando passavamos um ao lado do outro, o tempo parava, e ambos ficavamos com a respiração pesada. Meus pais disseram que eu vou me acostumar rápido.Tudo que eu sinto agora irá passar, em breve. Falei que não me sentia bem perto dele, mas eles não deram muita atenção. E agora, a criatura estava bem na minha frente, observando o pôr-do-sol. O céu azul , indo para um rosa claro, e enfim, se misturando à um laranja âmbar. E no centro, estava o sol. Os olhos azuis do garoto á minha frente brilhavam, perplexos. Seu rosto calmo, neste momento, transmitia serenidade. Seu corpo mal se mexia, sua respiração estava lenta e breve. Os fios castanhos de seu cabelo perfeitamente arrumado agora, estavam uma repleta bagunça. Andei até ele, e o abracei por cima dos ombros. Ele olhou pra cima, confuso.E em seguida, deu um sorriso. Contribuí o gesto, e ficamos vendo o fim do pôr-do-sol. Eu não sei como será daqui pra frente, mas eu quero continuar vendo o sol com ele, mesmo que por uns poucos minutos.

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