Notas iniciais
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Ele sentiu suas têmporas faiscarem e um calor sobrenatural tomou seu corpo.
Não estava acreditando, sim, ele estava abraçando seu maior pesadelo, e talvez, seu maior sonho.
Julie olhou pela janela e os avistou. Ela se dirigiu pelas escadas alarmando os vizinhos dos apartamento adjacentes com o barulho de suas botas de cano longo.
O abraço se tornava mais quente e duradouro, e a vontade de ter aqueles lábios doces de Daniel incendiavam-no. Julie desceu o primeiro andar, do qual, mais três o aguardavam.
Ele sentiu as mãos de Daniel sobre o pescoço, aquele toque o fez sussurrar baixinho:
— Dan, eu te amo. — Daniel o fitou por um certo tempo.
Depois, observou os lábios preenchidos e rosados de seu grande amor. Sentiu também o peso daqueles olhos verdes acinzentados sobre ele, e se aproximou. Á medida que Daniel ia se aproximando era possível ouvir os passos de Julie que andava furiosamente em passos alternados de médios á longos metros.
Daniel se aproximou o suficiente para que todos na rua vissem que os dois estavam com seus narizes colados. Daniel abriu a boca suavemente, ele, seu amado, fez o mesmo. E...
Quando estavam próximos o bastante e prontos para finalmente realizarem aquele sonho de se beijarem, ouviu-se um grito estridente e agudo que entrou nos ouvidos de Daniel — e de todos que transitavam na Avenida Stamford — que lhe causou uma surdez momentânea, por uns cinco segundos.
Daniel soltou seu amado.

—Daniel! Que pouca vergonha é essa!? Você virou algum baitolinha e eu não estou sabendo? — Daniel cerrou os dentes com uma aparência de um psicótico que acabara de tirar sua camisa de força. Ele encarou Julie e gritou:

—Cale a Boca! Sua orca miserável!- Julie piscou os olhos muitas vezes, predizendo que teria um ataque de raiva logo. Seus olhos faiscavam como se ela tivesse um tic-nervoso. Ela desceu os degraus baixos da porta do apartamento que dá direção a rua e fechou as mãos com uma tal agressividade, que fez alguns dos vizinhos fecharem a janela e saírem correndo. Daniel assentiu.

—Seu viadinho, como acha que pode tratar a sua irmã desse jeito!? — exclamou Julie.
Daniel revirou os olhos entediado:
— Eu faço da minha vida o que eu quiser! — O amado de Daniel assentiu por mais alguns minutos a discussão entre os irmãos.
À medida que trocavam ofensas, mais e mais se aproximavam com aquela expressão psicopata.
—Dan... Por favor, é melhor eu ir... — Ele andou alguns passos e sentiu a mão de Daniel.
—Não vá agora... — Aqueles olhos brilhavam de tanto amor e afeto, realmente era um sentimento verdadeiro.
—Dan, mais tarde conversamos. — Ele virou as costas e deixou Julie e Daniel sozinhos. Talvez tivesse sido a melhor coisa irmãos precisam conversar mais tarde.
Daniel andou até a porta e fingiu que nada aconteceu. Julie trocou alguns insultos, mas ele simplesmente a ignorou.

••••••••••∆••••••••••••

Daniel abriu o boxe do chuveiro. Cantarolando, tomou um longo banho quente que suou até o teto do grande e moderno banheiro dos Walter.
Volta e meia ouviu-se passos inquietos de Julie, como se ansiosa aguardava a saída de Daniel do Banheiro.
Daniel enrolou Julie por meia hora. Ele já cantara todos os álbuns de deathcore e metal que conhecia e mesmo assim Julie estava lá, como se fosse a plateia de sua tour pelo box do banheiro.
Ele saiu e vestiu suas roupas. O velho suéter cinza com listras pretas haviam realçado mais ainda seu cabelo e seus olhos.
Julie olhou o irmão de cima a baixo e disse ironicamente:
—Nossa! A DIVA do Rock Gótico já acabou sua tour? Na melhor parte?. — Daniel a olhou com um olhar ameaçador, mas, no fundo ele estava tentando rir da piada da irmã.
— Eu amo essa sua cara de bunda quando fica sério Daniel.
— Julieta, por favor! Quer que eu não te incomode? Se sim, cale a sua língua de víbora. Pois, quem está hoje cheio de veneno, raiva, dor e psicopatia sou eu. — Julie fez uma careta, pois Daniel só a chama de seu nome completo quando estava furioso. Daniel acreditou ter amedrontado a irmã, mas se enganou.
— É só esse otário que eu chamo de irmão, não ficar se comendo com aquele viadinho. — Daniel cerrou os dentes. Sua mão coçava para não carimbar a irmã com um tapa.
— JULIETA, VÁ ARRUMAR ALGO DESCENTE PARA FAZER! TIPO... TRABALHAR! E TRABALHAR NA SUA VIDA, NÃO NA MINHA! — Urrou Daniel. Julie saiu a tempo de não perceber que o celular de Daniel vibrou.
Ele correu para pegar o aparelho disfarçadamente.
Era uma mensagem de texto, uma mensagem grande, de seu amado:

Dan,
Eu sei como está mal, lhe entendo.
Julie, nem ninguém da sua família aceitará que você seja meu...
Mesmo te amando muito,
Se quiser podemos... ser só amigos...

Daniel leu aquilo e não deixou de sentir uma certa indignação. Quem Julie achava que era para estragar seu relacionamento? Bom, de qualquer forma Daniel teria que fazer algo. Começou a digitar ferozmente um SMS no celular:

Quem Julieta acha que é para estragar o nosso amor?
Não, não, não... Nem ouse questionar-me
Nada nos separará...
Bom, pelo menos não será a minha velha e rabugenta família!

Daniel releu algumas vezes antes de apertar o "enviar". Chegou a relutar se enviava ou não... Afinal...

O QUE MAIS LHE PODERIA OCORRER?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.