Notas iniciais
Novo capítulo na área! Espero que também gostem desse. Beijos!

Capítulo 5- Ligação

Os meus olhos se abriram e encontraram nada além de escuridão no quarto, devido às cortinas que bloqueavam qualquer intervenção de luz.

Olhei para o relógio que estava na cabeceira. Eram oito horas da manhã.

Suspirei pesadamente. Se eu pudesse, eu não sairia nunca mais daquele quarto. Não queria ter que encarar o Sr e a Sra. Cullen, e muito menos o Edward.

Mas não havia uma maneira de escapar disso.

Eu era forte e podia lidar com a situação. Me encorajei mentalmente.

Assim que troquei de roupa, fui em direção a cozinha. Enquanto eu descia as escadas, eu pude perceber o quanto a casa estava silenciosa. Pelo visto, todos ainda estavam dormindo.

Ao chegar a cozinha, pude ver Esme sentada, tomando seu café.

“Bom dia, querida. “ Ela me cumprimentou com um sorriso maternal.

“Bom dia” Respondi com um sorriso sem graça.

“Quer que eu prepare alguma coisa para o seu café?” Ela perguntou gentilmente. Como ela podia me tratar assim depois de eu ter discutido com o filho dela?

Eu apenas neguei com a cabeça. E o silêncio se instalou no ar. Aquilo era desconfortável. Eu precisava quebrá-lo.

“Sra. Cullen, me desculpe por ontem à noite.” Disse o mais sincera possível.

“Você não foi a única culpada.” Ela amenizou.

“Mas eu o provoquei. Se eu tivesse ficado com a minha boca fechada ...” Esme fez um gesto com a mão, me interrompendo.

“Você não precisa se desculpar. Eu não vou mentir dizendo que aprovei o comportamento de vocês ontem à noite, por que não me agradou nem um pouco. Mas vamos apenas cuidar para que isso não se repita da próxima vez.” Ela disse firme. Ela falou em uma próxima vez?

“Próxima vez?” Perguntei incrédula. Ela ainda cogitava me abrigar ali uma próxima vez?

“Sim, o que você esperava? Que eu te expulsasse daqui?” Ela perguntou levemente humorada.

“Sinceramente? Sim.” Respondi completamente sem graça.

“Bella, o Edward é uma pessoa difícil de lidar. Eu que sou mãe dele, às vezes acabo agindo incorretamente. Seria hipocrisia da minha parte não permitir a sua entrada nessa casa, por que você teve uma briga com ele.”

“Eu só queria saber qual o problema dele comigo.” Murmurei mais para mim mesma do que exatamente para Esme.

“O problema não é você. O Edward sempre foi mais denso que o irmão. Mas ele piorou depois da doença.” Eu a encarei surpresa. Doença? Será que era algo relacionado à deficiência dele?

“Depois da doença?” Antes que a Sra. Cullen pudesse responder qualquer coisa, Emmett e Alice entraram na cozinha.

“Bom dia!” Eles cumprimentaram animados.

“Bom dia.” Eu e Esme respondemos em uníssono. Ela mais animada que eu.

“Então, o que vamos fazer hoje?” Alice perguntou animada, enquanto se servia da grande variedade de coisas que havia na mesa.

“Nada?” A minha resposta soou mais como uma pergunta.

“Claro que não.” Ela disse como se a minha resposta tivesse sido um ultraje contra ela. “Hoje é sábado. Você não pode ficar em casa. Que tal irmos ao shopping?” Eu contorci o meu rosto numa careta ao ouvir aquela maldita palavra.

“Eu não gosto muito de compras.” Respondi, na esperança de me livrar daquele tormento.

“Isso é algo que eu posso mudar.” Ela disse convicta. Eu podia conhecê-la há menos de uma semana, mas eu já podia dizer que Alice Brandom sempre consegue o que quer. E alguma coisa me dizia que comigo não seria diferente.

Latidos ecoaram pela casa, e não demorou muito para que Jake estivesse ao pé da mesa, balançando sua cauda. Acho que ele estava pedindo o café da manhã.

“Ok, venha garoto.” Esme se levantou da cadeira, e ele a seguiu contente.

Animais eram tão mais fáceis de lidar do que os humanos.

Eu me perguntava se Jake seria mal-humorado se tivesse recebido o mesmo nome que o dono. Não pude deixar de rir com o meu pensamento, fazendo Emmett me olhar curioso.

Em um pequeno intervalo de tempo, tanto Carlisle quanto Jasper apareceram na cozinha.

“Emmett, isso é esmalte na sua unha?” Carlisle perguntou ao ver as unhas de Emmett. Eu ainda não acreditava que ele havia se prestado a ser a Barbie da Alice.

“Alice que pintou.” Ele respondeu, dando de ombros.

“Vermelho não é a sua cor.” O Sr Cullen continuou com seu tom brincalhão. “Você deveria tentar um rosa.”

“Mas a Rose gosta de vermelho.” Emmett se defendeu, fazendo todos na mesa rirem.

“Se ele já está assim agora, eu nem quero ver quando você se casar.” Carlisle falou e recebeu um olhar nada gentil da esposa.

Esme logo saiu da cozinha, carregando uma bandeja com alguns alimentos. Deveria ser para o Edward. Ele era o único que não havia descido, quer dizer, a Rose também não, mas segundo o Emmett ela dormia demais mesmo. Já o motivo do Edward não descer era mais do que claro. Eu ainda estava ali.

***

O Emmett tinha razão, eu realmente deveria ter medo da Alice, pelo menos tratando”se de compras.

“Bella, deixa de ser teimosa.” Alice batia o pé enquanto me encarava séria.

“Alice eu não vou deixar você me comprar esse vestido” Falei firme, e ela revirou os olhos.

“Encare isso como um presente de boas vindas e de desculpas.” Ela tentou, mas eu estava irredutível. O vestido realmente era lindo, mas eu não podia aceitá-lo.

“Alice, o vestido custa 500 dólares.” Falei na esperança de colocar algum juízo naquela cabecinha.

“E daí?” Ela disse revirando os olhos.

“Eu não posso aceitar Alice.” Ela suspirou irritada, e entregou o vestido à vendedora antes de sussurrar alguma coisa no ouvido da mesma.

Assim que saímos do shopping, Alice me levou direto para casa.

Charlie estava dormindo, e eu decidi ir direto para o meu quarto.

Durante o tempo que passei com a Alice, eu tive vontade de perguntar alguma coisa sobre o Edward, mas eu não tive coragem. Eu não sabia se estaria me intrometendo num assunto que não me dizia respeito.

Eu não conseguia entender o porquê ele agia daquela maneira. Quer dizer, parecia que o problema dele era só comigo. Eu nunca o vi destratando os outros. Se bem que eu não o tinha visto tantas vezes assim para tirar conclusões sobre a relação dele com os demais.

Se é que existia qualquer tipo de relação. Era como se ele tivesse se afastado de todos. Como se ele tivesse construído uma muralha, separando-o da família e dos amigos, mesmo morando na mesma casa que eles. Ele havia se trancado dentro dele mesmo, e não deixava ninguém se aproximar.

Eu sabia o que era ser solitária, mesmo não morando sozinha. Mas Esme e Carlisle pareciam ser os pais perfeitos. Eles eram atenciosos, compreensivos e amorosos. E mesmo assim, eles estavam perdendo o Edward, e pareciam não fazer nada para trazê-lo de volta. E eu me perguntava como isso era possível.

As semanas foram seguindo, e minha relação com o Edward continuava a mesma. Ele chegava, sentava-se ao meu lado, e quando a aula acabava ele ia embora. Sem se quer dizer uma palavra. Eu já até havia me habituado com isso. Havíamos achado a fórmula perfeita para a nossa convivência.

Não vou mentir e dizer que essa total indiferença não me incomodava, por que incomodava. É impossível você se sentir bem, sabendo que a pessoa que está ao seu lado, que deveria ser seu parceiro na escola, faz questão de fingir que você não existe. Era frustrante. Irritante. Deprimente. Mas era melhor do que brigarmos.

Durante essas semanas, eu havia passado mais duas noites na casa dos Cullens. De alguma forma, eu já me sentia parte da família, o que era estranho. Eu nunca fui de me adaptar tão facilmente as pessoas ao meu redor.

O mais bizarro, é que não havia sido apenas com os Cullens que eu tinha estabelecido uma forte ligação. Mike, Angela , Ben e Cia, também se mostraram serem ótimos amigos. Para falar a verdade, apenas Angela e o Bem, mas com restante a convivência era agradável. Mesmo o Mike dando em cima de mim à cada cinco minutos.

Finalmente, o sinal havia tocado anunciando a hora do almoço. Como o habitual, Edward se levantou no mesmo instante que o sinal tocou. Eu sempre quis saber como ele conseguia se locomover por ali sem qualquer tipo de auxílio, mas era só você olhar para as pessoas que você entendia. Elas se desviavam dele. Era como se fosse um príncipe que ninguém poderia tocar, ou a escória, na qual ninguém queria tocar. Apesar dos nossos problemas, eu sabia que ele não estava entre os últimos.

Angela me parou na saída para me perguntar sobre o baile, que seria dali há um mês. Quase toda a escola estava animada com o tal baile. Era como repetir o colegial outra vez. Ouvi atentamente todas as suas dúvidas sobre que roupa usar, que cor, que modelo... Todas essas coisas que as garotas normais pensam. É garotas normais, por que tudo o que eu pensava, era o que eu iria fazer para fugir da Alice, e não ir àquele maldito baile.

Me despedi de Angela, e vi que Mike estava mais à frente na entrada do refeitório. Decidi dar uma volta pelos corredores da escola, numa tentativa de fugir do meu mais novo perseguidor.

Passando pelos corredores da escola, eu pude ouvir uma melodia, vinda de uma das salas de música. Eu nem sabia que era permitido utilizar as salas durante o intervalo do almoço. Quanto mais eu me aproximava, melhor eu podia ouvi-la. Era uma melodia triste e solitária, e eu me perguntava quem seria a pessoa por trás daquelas notas. Devia ser um dos professores, por que eu já tinha ouvido todos os alunos tocarem, e nenhum deles tocavam com tamanha perfeição.

Segui até a janela que dava para a sala, ficando numa posição na qual pudesse ver a sala sem ser vista, e me assustei ao perceber que era ele quem estava tocando.

Edward mantinha uma expressão compenetrada, enquanto ele permanecia completamente mergulhado em meio às notas musicais. Ele tocava com o coração, e você podia sentir cada emoção que ele sentia, apenas por ouvir o seu apertar de teclas.

Era como se toda aquela muralha arrogantemente construída, desabasse, com a primeira nota tocada no piano. Diante do piano, ele não se escondia atrás da fachada que ele erguera. Ali era apenas o Edward.

Eu senti uma lágrima escorrendo pelo o meu rosto. Ele deveria dar aulas ali, e não estudar.

“Você deveria dar aulas aqui, e não estudar.“ Alice entrou na sala, e eu me assustei com as palavras dela. Edward sorriu brevemente. Era a primeira vez que eu o via sorrir.

“O que faz aqui?” Ele respondeu sem qualquer emoção na voz.

“Jasper pediu para te trazer o almoço.” Alice colocou a bandeja que ela trazia na banqueta, ao lado dele.

“Obrigado.” Ele respondeu agradecido. Era estranho ver aquele novo lado do Edward.

“Como foi a aula?” Ela perguntou com um sorriso sarcástico. Por mais que ele não pudesse ver o sorriso dele, eu apostava que ele podia senti-lo no tom da voz dela.

“Alice.” Ele disse num tom repreensivo. Aparentemente, ela estava se metendo num lugar que não lhe dizia respeito.

“Sabe, uma hora ou outra você vai ter que falar com ela. Bella é uma ótima pessoa. Você deveria ser permitir conhecê-la” Não pude me deixar de surpreender ao ver que o assunto era eu.

“Já acabou a sessão conselhos?” Ele perguntou, começando a dar sinais de irritação, devido ao rumo da conversa.

“Já Sr mal-humorado.” Alice deu-se por vencida. E eu agradeci internamente por isso. Não sabia se agüentaria ouvir o que Edward teria a falar ao meu respeito. “Eu vou indo nessa. Comporte-se” Ela deu um beijo na testa dele e saiu dali.

Sorri pelo pequeno gesto de Alice. Estava claro que ela realmente se importava com ele, embora aquela era a primeira vez que eu a via demonstrando isso. Durante a minha estada na casa dos Cullens, eu nunca tinha visto o Edward trocar mais do que três palavras com o irmão e os amigos. Mas vendo-o ali com Alice me fez perceber que talvez eu estivesse tirando conclusões precipitadas sobre todo o assunto. Talvez as pessoas não eram tão alheias à situação do Edward. Talvez eu era quem estava alheia à toda aquela situação. Mas isso não queria dizer que eu permaneceria assim.

Momentos depois de Alice ter saído dali eu também saí. Me assustei ao ver uma garota loira, um pouco mais distante, olhando para Edward de uma maneira triste. Eu nunca a tinha visto na vida. Eu me perguntava se ela o conhecia, ou se simplesmente estava triste por causa da música. Saí dali e fui para o refeitório me encontrar com o pessoal. Nos sentamos na mesa habitual, conversamos, comemos, e assim que o sinal tocou me pus a caminho da minha sala. Mas de alguma forma o Edward não saía da minha cabeça. O sorriso dele não saía da minha cabeça, e eu me perguntava o porquê daquilo tudo.

Para a minha surpresa, acabei me chocando com alguém que estava na entrada da sala. Bem, não foi surpresa nenhuma ao ver em quem eu havia esbarrado.Por que eu só esbarrava nele? Era como se fossemos dois imãs, nos atraindo apenas para nos chocarmos um contra o outro. Literalmente falando.

“Eu não acredito nisso. Você realmente não olha por onde anda?” Ele perguntou, irritado com sempre.

“Como você sabia que era eu?” Perguntei confusa. Eu sequer tinha aberto a minha boca para falar nada.

“Você é a única pessoa nessa escola, ou melhor, no planeta inteiro que tem o dom de esbarrar em mim.” Ele manteve o seu tom frio comigo, e eu me controlava para não explodir. Embora eu tivesse prometido à Esme não brigar com Edward na casa dela, eu estava me esforçando ao máximo para não brigar com ele em lugar nenhum.

Respirei fundo, e ele saiu da minha frente e foi para o seu lugar. Eu o segui. Eu podia sentir todos os sentimentos das últimas semanas borbulhando no meu sangue. Antes que eu pudesse perceber, as palavras já haviam voado da minha boca.

“Essa história de tratar as pessoas do jeito que te dá na telha, pode funcionar com as pessoas daqui, mas você vai precisar de muito mais do que isso para me afastar.”

Eu não acreditava no que eu tinha falado, e o pior de tudo? Eu tinha deixado Edward Cullen sem nenhuma reação.

Ótimo!