Atraída pela morte
1 Prólogo
Notas iniciais
(P/V) Boa leitura meu povo! Pelo amor de Deus ... comentem!!! Isso mesmo to mendigando comentários ~lê-se ajoelhada pensando que está divando,sqñ~
O odor fétido de urina e fezes inundava o lugar, a água imunda batia em meu rosto levemente trazendo ainda mais a podridão até mim e, enquanto eu ainda estava congelada, os roedores habituais dos esgotos pisavam em mim, como mais um cadáver jogado e algum riacho que tinha a ligação com estes túneis imundos que davam acesso a vários lugares da cidade.
Deitada com os pensamentos voando pelas suas memórias fracas e perdidas no mais profundo do seu intimo, ela estava completando sua transição, após ter sido morta e agora, pelo o que sentia, enquanto seu coração se inundava de amargura, seria assim por um bom tempo, seria uma morta, estaria sempre e constantemente sem nenhum resquício de vida em seu peito ou o corpo que ainda havia sobrado.
O brilho de seus olhos havia desaparecido, e agora estavam submersos em uma densa cor de púrpura, a cor do seu alimento, a única coisa que a manteria morta por mais tempo do que deveria.
Se tivesse fugido quando teve chance, talvez estivesse em casa, mas isso é apenas um talvez, se tivesse mesmo fugido estaria com Junior, fazendo cafuné para que o irmão mais novo dormisse, enquanto ela digeria o terror que havia sentido algumas horas antes. Talvez se...
Chega de talvez! Já é tarde demais para pensar nas possibilidades de uma vida normal, ela se repreendeu enquanto tentava ainda ficar presa em algum lugar de sua mente oca e vazia.
E então um cheiro de ferro, mas que parecia extremamente doce, como se ela pudesse sentir o perfume tornando-se um liquido espesso e viscoso misturando-se a sua saliva e escorrendo lentamente pelo canto de sua boca, isso tudo começou a atiçar seu novo corpo, sua garganta arranhou e no fundo de seu peito começou a crescer um pequeno rosnado, que a fez ficar agitada, se seu coração ainda batesse, talvez estivesse a martelando neste exato momento, com se dizendo Não, por favor, Não vá até lá?!
Tentou se concentrar nos barulhos que a água fazia, aquela água que a estava sufocando, mesmo sem a necessidade inútil de respirar, ela continuava a subir a descer o peito, enchendo os pulmões de ar sem nenhuma satisfação ao fazê-lo.
Porque isso tinha que acontecer justo comigo! Ela praguejou a si mesma, enquanto se levantava, lentamente com dificuldade por falta de espaço e por instinto começou a seguir o rastro avermelhado que começava a brotar sobre a água esverdeada.
***
Era sábado, o dia estava nebuloso, na região de Minas Gerais.
Não vejo a hora que você desaparecer! Droga de pirralho. Lorena estava ansiosa naquele dia, era seu aniversário de dezessete anos, e seu irmãozinho a deixaria pela primeira vez desde que seus pais haviam se mudado para outro estado, ele iria dormir na casa de um dos colegas da escola e ela ficaria com seu namorado Ronald.
Será apenas um dia, então não se alegre tanto. o rapazinho, com uma aparência divertida, ficou sentado o sábado inteiro no sofá, enquanto a irmã limpava a casa de maneira impaciente, não vendo à hora em que aquele que compartilhava do mesmo sangue, cairia fora por três dias! Uma festa de pijama com Cassie, só isso nada de mais.
Uma festa com um garoto mais velho, com o qual saia há apenas sete meses. Nem sabia se estariam mesmo namorando firme, mas pelo o que notara nele, poderia confiar naquele que supostamente a estava amando há uma semana e meia, com aliança e tudo. Seu segundo namorado, porque o primeiro foi um completo babaca, a forçando a todo o momento, para que tivessem logo a bendita primeira vez que Lorena tentava evitar.
O telefone celular começou a tocar, Junior foi atrevido o suficiente para atendê-lo, quando Lorena que segurava a vassoura se aproximou para pegá-lo de suas mãos.
Devolva! ela falou em um tom baixo e de ameaça, mas já era tarde ele já havia atendido.
Oi mamãe! ele disse com um olhar de Ah hoje não, maninha. E era exatamente isso que pensava, sorriu presunçoso e então começou uma conversa animada, e pediu para que a mãe passasse para o pai, e mais uma vez se seguiu outra conversa, em que ele tocava vez ou outra no nome de Ronald, o que fazia o pai ficar irado.
Me dê logo o celular! disse Lorena, colocando uma mexa de cabelo para da orelha, seu corpo todo pedia e suplicava por um banho, mas ele teria de esperar um pouco mais.
Ela quer falar com você. disse o garoto com desdém, unindo suas sobrancelhas grossas em um olhar contrariado.
Oi mamãe! a voz dela soava nervosa, não era isso que tentava aparentar diante da autoridade.
Lorena! Aqui é seu pai. ela corou um pouco, havia se esquecido disso.
Desculpa pai, isso é só para não perder o costume. eles riram um pouco.
Aquele Ronald vai ficar bem longe de você quando eu chegar. o coração de Lorena deu um pulo, Como assim chegar? Ela estava nervosa, sim, agora que o irmão sorria traiçoeiro, tudo o que ela queria era socar aquelas bochechas bronzeadas até perderem a cor e ganhar um tom arroxeado.
Eu vou te matar! ela sussurrou afastando um pouco o telefone de sua boca, o garoto rebelde deu de ombros ainda sorrindo, foi andando até a escada e irônico, piscou e mandou um beijo para a irmã que fervilhava de raiva.
Pai, eu não ia sair com ele, iríamos apenas ver um filme, ele iria para a casa dele, e depois Cassie viria para fazermos nossa festa do pijama. ela tentou parecer convincente enquanto apertava o cabo de madeira da vassoura, nervosa pelo irmão ter estragado seu aniversário. Mas vocês não iriam vir só daqui a um mês, isso só para passar uma semana e depois voltariam que eu sei. ela retrucou tentando mudar o rumo da conversa.
Nem tente isso mocinha. o pai a repreendeu, era possível imaginar um homem de cabelos louros dourados, sentado no banco do passageiro revirando os olhos por causa da filha, com a mãe dirigindo ao lado, esboçando um sorriso brincalhão e com o pensamento de Lá vamos nós de novo.
Pai eu já sei o que acontece entre os casais, não preciso saber de mais nada, eu estudo para isso! ela ficou na defensiva antes que o senhor de quarenta e poucos anos começasse a mesma ladainha.
Mas eu ainda nem comecei a dizer nada, querida. ele deu uma risada abafada, o telefone estava no alto-falante, ela suspeitava, pois sua mãe dera uma risadinha de fundo.
Eu sei no que está pensado! ela falou mais uma vez, com um tom mais calmo, evitando expor seus pensamentos maliciosos com Ronald.
Você sabe que existem pílulas e eu ainda não falei delas. o pai dela começou e fez uma pausa, esperando que a filha o retrucasse, mas esta estava envergonhada demais para isso, e pensou em apenas uma coisa. Sabe que tem aquela que você pode tomar no dia seguinte, mas eu não apoio, seria como um aborto se você já estivesse...
Pai! Eu sou virgem! E pretendo continuar assim por um bom tempo, tudo bem? ela falou de uma só vez, escutou um breve Ah! De surpresa e tentou ignorar.
Acho que já cumpri o meu trabalho hoje. o pai falou dando de ombros, enquanto a mãe começava uma breve conversa com a filha, que particularmente estava ficando entediada.
Sabe, seu pai e eu estamos levando uma surpresa para você, uma pessoa da qual você gostava muito. Como assim? Que droga é esta, agora que a Cassie será obrigada a vir, e Ronald... Bem... Argh! Lorena estava impaciente demais, e agora teria mais um motivo para manter a casa bem limpa, Visitas! Por que seus pais eram tão grudados? Ela queria estapear o irmão, queria deixar aquela casa por um instante e tentar viver sozinha por uma semaninha que fosse. Seus pais a sufocavam tanto, mesmo estando tão longe.
Gostava? Pessoa? Nenhuma dica além destas? Letra inicial do nome? ela tentou, sim, tentar não é bem a palavra, seria somente para fingir um pequeno interesse, porque pelo o que ela sabia o telefone estava no alto-falante e a pessoa estivera a ouvindo este tempo todo. Lorena ficara envergonha por alguns instantes.
Não, nadinha, você vai saber só de ouvir a voz, então, vamos deixar para a surpresa. Chegaremos daqui a três horas. Beijos. antes que Lorena se pronunciasse mais uma vez, já frustrada o suficiente para não agüentar mais aqueles assuntos idiotas, a mãe desligou. Ela apertou o telefone celular com tamanha força que era possível ver os nós brancos de seus dedos.
O restante do dia se passou com tamanha rapidez que Lorena ainda nem tinha terminado de limpar os três principais quartos da casa, pelo menos o de visitas estava impecável, assim como o corredor e o banheiro logo no final deste, no segundo andar tudo estava bem, calmo e silencioso demais, se não fosse o som alto e agitado logo abaixo dos pés de Lorena, que vibrava através dela fazendo-a ficar mais animada e que se apressasse um pouco mais.
Começava a anoitecer, Lorena arrumava os lençóis na cama dos pais, e Junior já havia saído para a casa dos colegas, que por sinal ficava logo ao lado, se ele quisesse voltar e atrapalhar até mesmo seus planos com seus pais, ela arrancaria os miolos do garoto atrevido.
Espero que se divirta maninha. Fora isso que ele a dissera antes de sair, com sua mochila do Batman, cheia de bugigangas de pessoas viciadas em games, ainda não entendia o que ele via naqueles trecos. E apesar disso ser uma diferença entre eles, era o que os aproximava, ela passou a se acostumar com os gostos excêntricos do irmão mais novo e vez ou outra jogava com ele, haviam também os livros baseados nos jogos que ele possuía, e as histórias eram sempre cheias de bravura, coragem e lealdade, guerreiros e mestres. Devo admitir que adorei estes livros, ela pensou enquanto entrava no quarto já vazio do irmão e reorganizava a pilha tombada em cima do guarda-roupa. Ela estava apoiada na parte superior do guarda-roupa enquanto seus pés se equilibravam em uma pequena escada, com seis degraus a mais do que deveriam.
Arrumando os livros, desceu da escada, e o cansaço a consumiu, ainda faltava o seu quarto, este ela deixaria para o final, ninguém entraria nele a não ser ela, estava exausta o suficiente para cair na cama, sem nem se quer falar com Ronald, para que não aparecesse. Ronald! Droga se ele vier... A campainha começou a tocar, seriam seus pais? Não, ela notou os cabelos cor de cobre logo depois que conseguira correr pelo corredor e descer o lance de escadas até se aproximar do sofá e dele olhar para a porta, que esta era feita de vidro revestido. Talvez o pai fosse super protetor, mas Nem um fusível conseguiria destruir aquela porta, o pai dizia sempre de forma exagerada. Quem quer que esteja lá fora, não conseguiria ver nenhum vestígio de pessoas dentro da casa, via somente o reflexo de si mesmo. Mais um motivo para achar que talvez o pai fosse louco? Talvez.
Ronald, eu... Ah ela parou de falar no instante em que abriu a porta. Tudo bem com você? ele estava ensanguentado, se apoiado em um braço, manchando a parede imaculada de escarlate.
Ele veio atrás de você, e mandou que eu trouxesse este recado. ele está bêbado?
Você tem que entrar, venha vamos cuidar dos seus ferimentos. falou Lorena tentando segurar uma das mãos de Ronald, que a desviou, ele não necessitava de ajuda.
Você que precisará de ajuda. ele sorriu levantando o rosto, os olhos traiçoeiros possuíam a mesma cor do sangue escorria de suas roupas. Ela estava começando a suspeitar de que aquele sangue não pertencia a ele.
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