Atração Perigosa
16 Capítulo XV - TOM
Notas iniciais
“- Eu quero você, eu te amo, mas…
– Mas… Não é o bastante, não é?”
— Skins.
Quando Alison volta parece que está mil vezes mais brava do que quando saiu mais cedo. Esta manha está fria e mesmo assim posso jurar que ela está suando enquanto passa de lá pra cá com o cesto de roupa suja.
– Alison, podemos conversar? – pergunto quando ela passa com dois tênis meus imundos.
– Estou ocupada agora. – Ela nem me olha, continua de cabeça baixa e fica um bom tempo na parte de trás da casa. Estou irritado pelo modo que ela está me tratando. Será que se arrependeu do que aconteceu? Eu fiz algo de errado?
A pergunta se torna uma afirmação. Eu fiz algo de errado. Tento lembrar de algo que eu possa ter dito ou feito, ou dito e feito. Repenso nas atividades que fizemos hoje, mas não consigo me lembrar de nada.
Fico em pé com um pouco mais de facilidade já que agora o gesso vai até o meu joelho. Olho no relógio e são 15:00 da tarde, ou seja, ela terá que falar comigo. Ou não. Ou eu mesmo terei que ser independente e ir na cozinha pegar meu remédio.
Sou dependente. Porque ela está vindo.
Ela vai à cozinha e volta com o comprimido em um guardanapo e segura um copo d’água na mão livre. Sorri e quando pego o remédio roço meu dedo indicador na palma da minha mão.
Coloco o comprimido na boca e pego o copo d’água, quando ela se afasta eu a puxo e ela cai ao meu lado no sofá. Eu beijo o pescoço dela e bebo a água em seguida.
Depois que engulo o comprimido tento beijá-la, mas ela se afasta.
– Ei, o que está acontecendo? – Eu a puxo pelo braço fazendo com que ela olhe pra mim mesmo que ela não queira. – Você mal falou comigo depois que voltamos do hospital. Fica aqui comigo.
– Olha, Tom. Eu vou tentar explicar melhor já que você não entendeu ainda: Eu vim aqui pra trabalhar e não pra ser sua puta particular! – Ela empurra meus ombros e levanta. – Vou limpar a cozinha.
– Inteira? – Meu tom sai divertido e eu levanto uma sobrancelha brincalhona, mas ela não ri.
– Sim, a gordura está em todos os lados e faz os armários amarelarem. – Ela arregaça as mangas da camisa que parece cara e tira os sapatos, colocando-os ao lado do sofá e some da minha vista.
Ela sai da cozinha e volta com um balde médio vazio, uma vassoura e uma esponja. Ouço ela abrir a torneira e a água cair no balde, depois ouço ela fechar a torneira e a água se espalha no chão. Ela começa a esfregar.
Depois de alguns minutos ela volta com a calça toda molhada e para na minha frente.
– Vou trocar de roupa já que a calça atrapalha. – ela avisou e subiu. Dei de ombros, se ela não quer falar comigo também não falarei com ela. Alison pareceu um pouco surpresa com minha ação, mas depois jogou os cabelos para trás e sumiu.
Passaram-se pelo menos meia-hora e Alison ainda não desceu. Estou preocupado. Estou com raiva. E confuso. Quero vê-la, quero tocá-la e quero beijá-la. Ela é maravilhosa, sua boca é tão boa que eu poderia beijá-la sem parar por dias e realmente não vejo motivo para não fazê-lo.
Isso pode parecer coisa que garotos como Troy diriam, pensariam ou sentiriam, mas cada parte do meu ser preciso dela. Eu a conheço há muito tempo, mas parece que depois que a gente se beijou pela primeira vez eu tivesse renascido e tudo que eu vivi antes não importasse mais ou simplesmente não existiram.
Amanhã é o aniversário dela e eu pretendo fazer uma surpresa bem especial e única. Ela irá se surpreender.
Respiro fundo e vou até a escada, subindo o degrau apoiando meu peso na perna esquerda enquanto afasto a direita da madeira. Não quero cair e nem quero me machucar. Quero apenas beijá-la.
Bato na porta e a mesma desliza para dentro do quarto, Ali está sentada na cama digitando fervorosamente algo em seu notbook. Não falo nada, apenas fecho a porta e entro no quarto sentado ao lado de seu computador e ela para de digitar, clica algumas vezes e depois fecha o objeto.
– Aconteceu alguma coisa? – pergunta arqueando a sobrancelha loura.
– Aham. – Eu coloco o notbook sobre o criado-mudo e ela sozinha se aproxima, envolvo sua cintura e encosto nossos narizes. – Eu percebi que não consigo mais ficar sem você.
Nós rimos juntos e nos beijamos, depois ela desce o corpo e deita a cabeça em meu colo fico alisando seu cabelo sentindo o cheiro de morango espalhar-se pelo quarto e depois de um tempo eu beijo seu braço.
– Por que sempre antes da gente se beijar eu te faço alguma pergunta? – Ela deita com a barriga para cima e suas pernas ficam entre as minhas, nós rimos novamente juntos e o som fica em perfeita harmonia.
– Não sei. – Eu olho pra janela e sei que ela me observa, ela ergue o braço e fica alisando minha barba. Não faço nada e nem fico a olhando, pois isso é muito bom pra ser verdade.
– Desculpe por ter te ignorado mais cedo.
– Por que fez aquilo? – Eu tiro sua mão de meu rosto e a coloco na cama, em seguida entrelaço nossos dedos.
– Você me chamou de cuidadora passageira. Aquilo me machucou. – respondeu fechando os olhos e vi uma lágrima cair. – E aquele homem me chamou de sua filha.
– É porque você é nova e tem a idade da minha... – Ela se solta de mim e com o dedo indicador me impede de continuar.
– Não fala isso. Por favor, não diz isso. – Ela começa a chorar com mais força e me abraça, me sinto horrível por fazê-la chorar e acho que um buraco se abriu em meu peito.
– Desculpe. – É tudo que digo e é tudo que acho que posso dizer. Ela continua me abraçando, mas já parou de soluçar e sinto meu ombro molhado por suas lágrimas.
– Não me deixa ir, por favor. – Ela diz em um tom choroso que sai infantil, eu sorrio e apenas deixo que ela continue repetindo isso até adormecer em meus braços.
Eu jamais a deixaria ir.

Fale com o autor