Atração Perigosa
11 Capítulo X - ALISON
Notas iniciais

Ultimamente acordar para mim está sendo sinônimo de constrangimento. Simplesmente porque é a segunda vez que eu pago o maior mico na casa de Rachel. Tudo bem que eu sou medrosa mesmo, mas eu precisava ficar dando aqueles gritinhos e tapando o rosto?
Desisti de passar na casa de Brad hoje, estava um pouco cansada para ficar andando de lá pra cá e eu ainda tinha que passar na Play and Fun para devolver o DVD já que a dona descobriu que era pra buscar o DVD que a “adolescente loirinha da família Wesley” que tinha alugado.
Levantei da cama e fui tomar um banho.
Assim que sai do banheiro passando a escova no cabelo meu celular tocou e eu logo reconheci Party In The USA da Miley Cyrus por quem Ray era apaixonada.
– Oi, Ray! – Atendi abrindo o guarda-roupa.
– Oi, Ali. Tenho tantas coisas para te contar! – ela disse rindo em seguida e aquele som de sininhos tilintando acalmaram meus ouvidos.
– E precisava ser a esta hora?
– Mas você não está indo lá pra casa? – perguntou e percebi o tom de confusão em sua voz.
– Posso te ligar depois? – sugeri e ouvi ela bufar do outro lado da linha.
– Ok, tchau.
– Também estou com saudades... – impliquei. – Beijos!
Depois que desliguei o telefone soltei alguns risinhos de surpresa por Ray ter me ligado e parecer tão despreocupada com a vida.
Olhei para minhas roupas dentro do armário e logo senti um calor subindo em meu corpo e parando em minhas bochechas, percebi que estava corada. Lembrei de que Tom mandou eu ir mais vestida desta vez e abri a outra parte do guarda-roupa, onde minha mãe coloca roupas de Outono.
Antes de escolher uma roupa, vou até a janela e abro as cortinas. O Sol entra em meu quarto iluminando o dia e eu pisco algumas vezes para me acostumar com a claridade matinal.
Volto ao armário e pego uma calça de malha branca e uma blusa sem manga para não me deixar com muito calor. Pego um salto alto qualquer e divido o cabelo de lado apertando alguns fios em seguida.
Entrei no ônibus e fui para a parte de trás ligar para Rachel.
– Ah, você demorou! – Atendeu minha ligação no segundo toque.
– Bom dia para você também. Sabe que o Hawaii ta te deixando sem educação? – brinquei.
– Na verdade, eu tenho muita educação aqui no Hawaii, sabia? – Eu podia vê-la apoiada na janela admirando a praia. – Eu tenho ótimos professores.
– Mas no masculino mesmo? – entrei na conversa animada. Encostei minha cabeça na janela e ela começou a descrever suas aulas e seus professores atenciosos.
– O Troy ta perto de você? – perguntou sussurrando e eu ri.
– Não. Mas vocês deram um tempo não deram?
– Sim, mas não quero que ele se machuque, eu o amo. Mas havaianos são os havaianos... – suspirou.
– Agora, fala!
– Eu tenho aulas de culinária com um francês maravilhoso! Ele odeia o Sol daqui, mas disse que adora as turistas. – Nós duas rimos juntas. – Amiga, ele beija tão bem!
– Ok, e o que mais? – pedi ansiosa.
– Tem um havaiano, claro. Ele me dá aula de surfie e ele tem uma pegada maravilhosa, eu praticamente viajo no bronzeado e nos olhos verdes dele...
– Ah, eu quase sinto o cheiro do mar só de imaginar um homem desses pra mim! – Eu inspiro quando o ônibus para e um passageiro salta.
– E papai ta dando trabalho? Você ta bem?
– Não, seu pai é ótimo, super caladão. – elogiei e me segurei quando o ônibus virou e percebi que estava sozinha. Quando vou responder sobre mim as palavras fogem da minha boca e eu vejo papai e mamãe discutindo em uma rua vazia que eu usava como atalho. Eles estão dentro do carro e mamãe mexe o braço sem parar enquanto papai só está olhando para frente suspirando. O ônibus acelera e isso é tudo que vejo.
– Aí, eu caí e a gente começou a rir! – Rachel ria do outro lado do telefone e eu dei uma risada baixinho fingindo que tinha prestado atenção. Avisei ao motorista que iria descer no próximo ponto e ele assentiu.
Fico feliz de saber que hoje já é sexta e amanhã é sábado, ou seja, eu pegava mais tarde e saía mais cedo. Lavei a louça e resolvi agora ir juntando a louça para lavar tudo nas sextas-feiras.
Depois do almoço, Tom escovou os dentes e avisou que iria subir para trocar de roupa e subimos juntos. Fiquei do lado de fora do quarto rindo algumas vezes quando ouvi ele bater as portas do guarda-roupa com força e xingando em seguida.
Ele puxou a porta e eu me desequilibrei o pouquinho já que estava encostada nela e ele me puxou. Levantei a cabeça para olhá-lo e ficamos assim nos olhando por um tempo.
Ele tirou a mão de meu ombro lentamente e se afastou um pouco, sorrindo em seguida.
– O que achou? – perguntou fazendo uma pose se apoiado na muleta.
– Está ótimo.
– Você e suas amigas pegariam? – Ele me olha de cima a baixo e depois fica olhando para meu pescoço. Eu fico rindo e coro por ele lembrar daquela minha resposta idiota.
– Eu tenho namorado, então não. – respondo descendo as escadas sem ajudá-lo rapidamente.
Quando o táxi chegou, eu ajudei Sr. Tom ir até a saída, paguei o taxista e voltei para dentro da casa deixando a janta pronta e o prato feito dentro do microondas.
Escrevo um bilhete avisando onde a janta está e saio da casa apagando as luzes da cozinha, deixando apenas a da sala acesa.
Hoje era aniversário de Carlos e ele daria uma pequena festa na casa do namorado, arrumei minha roupa em cima da cama e não quis falar com mamãe e nem papai nem por um segundo.
Paguei a Silver para ela me maquiar e depois me arrumei. Silver entrou no quarto depois que eu me vesti e assobiou olhando meu vestido preto que marcava bem o corpo e era decotado no peito e de alças finas, nas costas era aberto e o decote atrás acaba bem em cima da minha bunda, o vestido mal chegava aos meus joelhos.
– Você pode me ajudar com outra coisa? – pedi fazendo cara de sofrida logo em seguida e ela bufou, mas aceitou com os pequenos olhinhos azuis brilhando. – Escolhe um sapato pra mim?
Ela pega um banquinho e começa a mexer em meus sapatos e me mostra um verde e depois um vermelho de salto-alto e aberto na frente, escolho o vermelho e depois ela me mostra a carteira vermelha que ganhei de Rachel de formatura.
– Obrigada, maninha! – agradeço pulando na cama e ela vem em seguida para me maquiar.
– Qual o estilo da festa? – ela pergunta após preparar a minha pele e prender meus fios para que não atrapalhem o processo.
– Sex, drugs and Carlos naked. – respondi murmurando e ela levantou as sobrancelhas surpresa. – Pode ousar dessa vez. – Eu deixo fechando os olhos e quase posso ver seu sorriso animado.
Ela terminou e eu me olhei no espelho do armário me sentindo maravilhosa, parecia até mágica. Sorri sem graça e ela veio dando os últimos retoques em meu cabelo.
Os meus olhos estavam um pouco apagados e ela exagerara um pouco no rímel em minha opinião, o batom era vermelho e meu cabelo estava para o lado preso com um grampo tão pequeno que tive que chegar mais perto para enxergá-lo.
– Posso te pedir uma coisa? – Ela pediu juntando as mãos e balançando o corpo de um lado para o outro.
Arqueei uma sobrancelha. – Sim, você pode vir comigo. Mas se arrume e rápido!
A casa parecia até um santuário com mamãe, papai e Sam longe de casa – eles estavam levando Sam à escola para a viagem dele de férias – e assim que Brad me viu, ele me puxou para um beijo e passando a mão por todo meu corpo, eu o afastei e lembrei-o dos vizinhos.
Fiquei parada esperando Silver. – Quem estamos esperando? Meu primo já está no carro. – indagou e me beijou no pescoço.
– Eu vou levar Silver.
– A pirralha? – ele reclamou e Silver apareceu na porta e eu ri porque ela estava maravilhosa.
– Sim, a pirralha, cunhadinho. – ela implicou e entrou no carro, abriu a porta e ficou ao lado de Phillip, o primo todo charmosinho e inteligente de Brad.
Silver estava maravilhosa, usava uma blusa branca curta e uma saia de couro preta, um salto alto vinho e uma bolsa-carteira verde. A maquiagem impecável, mas estava mais leve que a minha – sombra clara e batom rosa-bebê.
Brad e eu entramos no carro – então ficou eu na parte do carona, Brady dirigindo, Phill e Silver atrás. Antes de começarmos o trajeto, Brad me deu outro beijo animado e ligou o carro.
Confesso que já estava ficando um pouco nervosa com a longitude do local e perguntei umas cinco vezes para Brad se estávamos no caminho certo. Silver e Phillip conversavam o tempo todo, às vezes riam e cantavam – Phillip canta muito bem.
Finalmente meu namorado parou em frente a uma casa branca e iluminada, havia uma placa avisando o tema da festa e quando saímos do carro percebemos que estávamos no meio do nada já que não tinha nada em volta a não ser os carros do lado da casa.
Silver me olhou animada quando Phillip pegou em sua mão e eu apenas dou um sorriso ameno passando tranqüilidade para minha irmã.
Brad avista alguns amigos e logo puxa Phill que quase derruba Silver já que estavam de braços dados.
– Alison, estou com medo.
– De quê? – pergunto confusa.
– Ele é maravilhoso e eu, bem... Sou eu! – exclama passando a mão no corpo com desdém.
– Nunca, eu digo, nunca se ache inferior a um homem. – repreendo-a e ela joga os fios castanhos para trás do ombro.
– Ok, somos superiores. – ela diz mais pra si mesma do que para mim enquanto olha para os pés.
– Não, somos iguais. – Eu a puxo e entramos na festa. Ela dá alguns passos para trás quando um garçom passa com taças de champanhe e a oferece, eu pego duas.
Bebo um pouco do líquido que borbulha em uma taça e entrego a outra para ela, que bebe com o rosto vermelho.
– Procure alguém que conheça. – Ela tenta argumentar. – Tem gente aqui que você conhece. Quando o Phill enjoar de fingir que está feliz com as brincadeiras idiotas do Brad... – Eu aponto para o grupo de cinco garotos que estão rindo enquanto Phill está forçando uma risada e com a cabeça baixa. – Ele vai procurar você.
– O que eu tenho que fazer?
– Vá para a parte do bar e quando ver ele se aproximando puxe papo com um garçom, qualquer um, ele vai se sentir ameaçado. – aconselho. – Depois olhe pra ele meio com desdém e meio interessada, vire-se pra ele e preste atenção em tudo que ele falar, mas não fique olhando diretamente não! Alterne em olhar ele e o garçom. Apenas finja estar interessada no garçom enquanto joga charme pro cantorzinho.
– E quando devo beijá-lo? – Ela me puxa quando eu vou em direção a Carlos.
– Mas eu tenho que te ensinar tudo? – Mordo o lábio. – O.K., não o beije no bar, só no meio de uma dança. Boa sorte. – E dito isso eu saio em direção ao meu amigo que está prestes a subir na mesa.
Eu o puxo e lhe dou um abraço, abro minha bolsa e lhe entrego seu presente (um ticket de 900 dólares na loja Armani) e ele pira, me abraçando e me beijando em toda a minha face e o topo do meu peito que aparece no decote.
– Eu trouxe a minha irmã, ela conversou meia-hora com um garoto e está apaixonada. – Aponto pra ela e depois para Phill que está entrando na casa. – Mas e aí, que casa é essa, hein?
– É do meu namorado, o Ty.
– Ty? – pergunto confusa, tinha certeza que era outro nome...
– Sim, eu terminei com aquele lá. – Ele balança a mão para o nada com um olhar de repulsa. – Mas e você, ainda está com o babaca do Brad?
– Sim. – Ele arqueia uma sobrancelha. – Mas não estou mais tão afim dele. – confesso e ele me puxa para a cozinha, assim que chegamos ao local os cozinheiros nos cumprimentam e ele me arrasta para a dispensa.
– Que babado! – Ele põe a mão na cintura. – Tem outro na parada?
– Sim, meu patrão. O Sr. Parrish.
– O pai da Rachel? – Ele quase grita e eu lhe dou um olhar urgente. – Como isso? – Ele diminui o tom e agarra a minha mão que não está segurando a bolsa.
– Não sei. Na verdade, eu nem sei se quero ele realmente. Eu só sei que depois que ficamos mais próximos, Brad não é mais o São Brad para mim, entende?
– Acho que sim. – ele murmura baixinho me olhando. – Brad e você já...?
– Não, mas ele está forçando. – Eu solto nossas mãos.
– Então, deve ser isso, só. Ele está forçando e você não está gostando, logo se retrai. – Ele faz menção de quem vai sair e eu puxo ele pelo braço.
– Se eu pudesse beijaria o Tom. – Eu levanto o olhar e o encaro segura. – Porque eu quero.
Ele me puxa em um abraço e depois me segura pelos braços, quando o encaro seu olhar é quase de pena.
– Alison, não se preocupe com isso agora. Se rolar o beijo, me liga e eu já terei uma opinião formada. – Só depois que saímos da dispensa que percebo que estava prendendo a respiração.
Depois de alguns minutos Brad me encontrou e logo me puxou para um beijo. Coloquei minhas mãos em seu pescoço e tentei focar apenas naquele momento que há alguns anos para mim pareceria um sonho.
A boca dele na minha, suas mãos deslizando em minha cintura e depois seus dedos brincavam com meu cabelo. A confusão para que minhas mãos fossem para sua cintura e depois o momento em que parávamos e nos encarávamos como dois jovens bobamente apaixonados.
– Nossa, faz tempo que você não me beija assim. – ele sussurra em meu ouvido e eu vejo alguns de seus amigos apontarem para mim e fazerem sinal de curvas com as mãos.
Não falei nada apenas fiquei olhando pra ele enquanto nós entrávamos no carro e tínhamos a atenção de todos da escola.
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