Atração Involuntária
9 Capítulo 9
CAPÍTULO 9
O dias seguintes transcorreram sem problemas. Ia para a escola pela manhã, à tarde, antes do jantar, eu fazia meu trabalho como mediadora e à noite ficava com Jesse. Tudo nas mil maravilhas. Mas ainda tinha que aturar algumas indiretas de Brad sobre o fato de eu ficar tanto tempo no meu quarto.
– Sabe, Suze, não é normal uma garota jovem e bonita como você passar tanto tempo no quarto – disse certa noite durante o jantar, a voz carregada de ironia. – Você devia sair mais, aproveitar a noite.
Se ele achava mesmo que iria me pegar com essa estava muito enganado.
– Eu não gosto de sair à noite. Prefiro muito mais ficar no meu quarto lendo um bom livro.
– E que livro você está lendo agora, Suze – perguntou sarcasticamente.
Os outros observavam nossa conversa sem falar nada.
– Se Houver Amanhã de Sidney Sheldon.
– Não conheço.
– Você não conhece Sidney Sheldon? – minha mãe perguntou finalmente entrando na conversa. – É um dos maiores escritores dos últimos tempos.
– Eu conheço – David falou empolgado. – Gosto muito dos livros dele. Mas nunca li esse. É bom?
– Muito – respondi. – Tracy Whitney é uma das melhores heroínas que eu já vi. Depois eu te empresto.
– Obrigada.
– Viu filho? – Andy falou se dirigindo à Brad. – Você deveria andar mais com Suze. Talvez assim você adquirisse um pouco da cultura dela.
Brad me lançou um olhar mortal que me deixou apavorada. Brincadeira! Tive que fazer um esforço sobrehumano para não rir. Minhas costelas doíam do esforço. Pego na própria armadilha. Rá rá. Tadinho do Brad.
E o melhor é que eu não estava mentido. Eu estava mesmo lendo esse livro. Descobri há alguns dias que Jesse adorava ler então a gente ficava parte da noite sentados no banco da janela, eu apoiada no seu peito firme e macio, enquanto líamos alguma coisa escolhida por ele. Isso só não acontecia quando ele inventava de ler os livros de história do colégio e outros que me fez pegar na biblioteca. Sério! Ele lia aqueles livros com tanto prazer que parecia que estava lendo a Cosmopolitan. Nesses dias eu o deixava ler sozinho enquanto fazia meu dever de casa ou ouvia música.
E a outra parte da noite nós aproveitávamos para coisas mais produtivas.
E teve um dia particularmente especial no meio de toda essa correira “escola + mediação + namoro”. Eu cheguei em casa depois da aula muito feliz porque finalmente, depois de quase um mês de trabalho diário, a escola finalmente estava livre de fantasmas. Cheguei sozinha porque Brad tinha ficado no treino de futebol, David tinha ficado na casa de um amigo para estudar e Jake, que me deixara em casa, tinha um encontro com uma garota e não sabia que horas chegaria. Pediu para avisar ao pai que, se fosse se atrasar para o jantar, ele ligaria.
– Cheguei! – gritei para avisar que estava em casa.
– Hermosa.
Dei um pulo do susto que levei e me virei para o topo da escada. Jesse estava lá e vinha descendo na minha direção.
– Jesse – sussurrei –, você ficou louco? O que está fazendo aqui em baixo?
– Não tem ninguém em casa.
– Não? – me surpreendi, minha voz voltando ao tom normal.
– Não – ele falou se aproximando mais. – Tem um recado na secretária eletrônica.
Ele apontou o aparelho que estava do meu lado. A luzinha piscava indicando que havia um recado e eu apertei o botão para ouvilo. Era da minha mãe:
“Crianças, eu vou ter que ficar trabalhando até tarde hoje porque surgiu uma notícia urgente e eu estou responsável pela cobertura. Andy também vai chegar tarde porque teve uns problemas com o prazo de entrega de um projeto. Infelizmente vocês terão que providenciar o próprio jantar. E nada de pizza! Avisaremos quando estivermos indo para casa para que não se preocupem. Beijos. Amo vocês”
Ai que saco. Odeio cozinhar.
Epa. Volta a fita. Eu estou com o meu namorado numa casa vazia. Mas o problema é que meus meio–irmãos poderiam voltar a qualquer instante. Tive uma idéia. Peguei o telefone e liguei para Brad. Depois de chamar umas seis vezes ele atendeu.
– Alô?
– Brad, é Suze.
– O que você quer? E fala logo antes que o treinador reclame comigo.
Grosso!
– Eu só queria te avisar que não tem jantar em casa hoje. Seu pai e minha mãe vão chegar tarde. A gente vai ter que cozinhar. Eu estava pensando se você poderia ficar responsável por fazer a salada enquanto eu faço...
– Quê? Você está louca?! – ele falou quase gritando. – E eu lá tenho cara de cozinheiro? – Era uma pergunta retórica. – Não! Pode deixar que eu vou sair para comer pizza com o resto do time.
– Mas mamãe disse que não era para gente comer pizza – falei numa voz de fingida inocência.
– Ah! Vai se ferrar! – E desligou.
Rá. Funcionou. Fale para um homem do tipo do Brad que ele tem que ir para cozinha que eles fogem logo.
Usei o mesmo truque com Jake que disse que ia jantar com a amiguinha dele. Oba. Menos um. É claro que com o David eu tive que usar outra técnica. Ele nunca iria deixar eu cozinhar sozinha.
Liguei para a casa do amigo dele – ele tinha me dado o telefone de lá no caso de uma emergência. Tão responsável.
– Dave, é Suze.
– Oi, Suze. Aconteceu alguma coisa?
– Nada de mais. É só que minha mãe ligou avisando que ela e seu pai vão ficar presos no trabalho até tarde. Ou seja, sem jantar para nós. Eu já falei com seus irmãos e eles disseram que vão jantar fora. Então eu estava pensando se você não poderia jantar por aí mesmo. Assim eu não preciso cozinhar nada.
– Mas se você quiser eu te ajudo.
Eu não disse?
– Na verdade, Dave, eu tenho um trabalho de história para fazer e só vou comer alguma besteira mesmo enquanto estudo.
– Você precisa de ajuda no trabalho?
Ai, Céus! Por que ele tem que ser tão prestativo e nerd? Tudo bem que eu gostava disso, mas aquele não era o momento.
– Não precisa. Eu tenho que fazer isso sozinha. E nem é difícil. É só longo. Então, tem problema se você ficar aí?
– Acho que não. Deixa eu ver. – Ouvi ele falando com alguém e depois voltou à linha. – Sem problemas. E a mãe do Kane disse que me leva em casa depois do jantar.
Ai que perfeito!
– Ok, Dave. Valeu. Até mais tarde então.
– Até. E bom estudo.
– Obrigada.
Desliguei e encarei Jesse que estava parado do meu lado
– O que foi isso? – perguntou com o cenho franzido. – Nós não fizemos esse trabalho ontem?
Quando ele diz “nós” quer dizer ele ditando e eu copiando.
– Claro que sim, eu só queria me certificar que não seríamos interrompidos.
– Interrompidos em quê?
Como ele é fofo com essa carinha de inocente. Que vontade de apertar aquelas bochechas. Ergui uma sobrancelha o encarando sugestiva e ele compreendeu.
– Hermosa... – Sua voz era de advertência, mas eu podia notar que estava um pouco rouca.
– O quê? – perguntei inocentemente.
Mas ele não respondeu. Ao invés disso ele me beijou. No começo foi um beijo suave, mas em pouco tempo se transformou em outra coisa.
Louco de desejo, Jesse me encostou na parede ao lado da porta e me beijou com paixão. Zonza, eu passei as pernas pela cintura dele. No fundo da minha consiência eu tinha medo que alguém da minha família mudasse de planos e resolvesse ir para casa mais cedo, mas quando eu senti o corpo de Jesse, rijo e exigente, tudo desapareceu.
Ele me levava para a sala sem interromper o beijo. Me deitou no tapete fofo que ficava em frente à lareira que nunca era acesa e começou a se despir. Eu sorri maliciosa e o ajudei enquanto ele tirava as minhas roupas.
Eu comecei a explorar o corpo másculo com as mãos e com os lábios, deixando que as peles roçassem uma na outra, até não conseguir mais resistir. Então, eu o guiei para dentro de mim, e o movimento despertou uma série de tremores.
Os movimentos foram se intensificando, e eu pensei que fosse explodir de prazer. De repente, Jesse enrijeceu ainda mais dentro de mim gemendo alto e começou a dizer meu nome, como um mantra. Uma nova onda de prazer me envolveu até que eu perdi a capacidade de pensar.
Passou muito tempo até que eu, finalmente, começasse a voltar a realidade. Jesse estava do meu lado, o peito arfando, tão satisfeito quanto eu.
– Estou feliz por namorar uma mulher com a mente tão brilhante. – Sua voz ainda estava entrecortada pela falta de ar.
Ser chamada de mulher brilhante depois de fazer sexo com um homem perfeito como ele era para deixar qualquer uma nas nuvens.
– Ah, eu acho que preciso de um banho. – E precisava mesmo. Eu estava toda suada, o corpo pegajoso.
Jesse se inclinou na minha direção, beijando meu pescoço. Ele levantou e me colocou no colo depois que eu peguei nossas roupas. Fomos para o meu quarto ele me levou até o banheiro. Opa! Banho em dupla? Gostei.
Mas então ele me deu um beijo de leve na testa e já ia saindo quando eu o segurei pelo pulso.
– Aonde vai?
– Te dar um pouco de privacidade.
– Eu não quero privacidade, Jesse. Eu quero você!
– Hermosa, você não sabe o efeito que você causa em mim quando fala desse jeito. – Sua voz estava tão rouca que eu quase não entendi o que ele falava.
– Mas é um efeito bom?
– Você não faz ideia. – e me puxou para um beijo ardente. Ok. Agora eu fazia, sim. Sentia o efeito entre as minhas pernas.
Ele me levou para debaixo do chuveiro deixando a água morna cair sobre os nossos corpos. Tudo bem que ele não precisava tomar banho, mas ele ficava simplesmente maravilhoso com a água escorrendo por seu cabelo, deslizando por seu corpo.
Então ele começou a me ensaboar e eu fui para o céu. Sua mão passava por todo o meu corpo evitando as partes mais íntimas, mas ainda assim me levando à loucura. Eu gemia de prazer, meu corpo se contorcendo. Eu mal me aguentava em pé. E quase cai quando sua mão passou pela parte interna da minha coxa. Então ele me segurou pela cintura com uma das mãos e com a outra prosseguiu com a carícia. Deixou o sabonete no suporte e deslizou sua mão para a minha intimidade. Sorte que não tinha ninguém em casa porque naquele momento eu soltei um gemido tão alto que deve ter feito alguns passarinhos voarem da árvore na frente da janela.
Depois que eu já estava totalmente limpa e sem sabonete pelo corpo ele desligou o chuveiro. E quando eu pensei que ele iria me levar para fora e me enxugar ele me virou de costas para si e me segurou novamente com uma das mãos pela cintura. A outra foi descendo e descendo até chegar à minha parte mais íntima e úmida de desejo. Apoiei as mãos na parede, minhas unhas querendo arranhar o azulejo. Ele fazia movimentos circulares e aumentava a pressão quando atingia a parte mais sensível da minha região.
– Jesse... – eu gemia completamente sem fôlego. – Por favor...
Eu queria que ele acabasse com aquela agonia de uma vez por todas, mas ele parecia disposto a me torturar.
Ele soltou minha cintura por um instante para tirar o cabelo do meu pescoço e passou a língua pelo local.
– Jesse... aahhh.
Eu não conseguia mais raciocinar. Sua mão aumentou o ritmo da carícia e eu senti um dedo deslizando para dentro de mim. Ainda bem que ele tinha voltado a me segurar pela cintura porque eu perdi completamente as forças. Encostei minha cabeça em seu peito ele me puxou mais para si. Senti seu membro pressionando minhas nádegas e eu comecei a rebolar contra seu corpo. Ele gemeu alto e começou a estocar ainda mais rápido com seu dedo dentro de mim.
– Jesse, eu vou... aaaahhh...
Meu corpo todo tremia sofrendo os espasmos do orgasmo. Jesse então me virou para si e me beijou com paixão. Passei meus braços pelos seus ombros e o deixei com as mãos livres para percorrer todo o meu corpo. Em instantes eu já estava me arqueando contra seu corpo novamente. Ele me prensou contra a parede e eu envolvi minhas pernas pela sua cintura, facilitando a penetração. Ele começou a se movimentar dentro de mim enquanto beijava meu pescoço e meus lábios.
Minhas costas batiam contra a parede dura, mas eu nem me importava com a dor. Para falar a verdade eu nem sentia. Só sentia Jesse dentro de mim se movimentando mais rápido, seu peito pressionando meus seios. Eu já sentia o clímax se aproximando outra vez.
– Hermosa, eu não aguento mais. Eu vou...
Mas ele não precisou continuar. Senti seu corpo enrijecer e o líquido me invadir. Eu acompanhei em seguida, minhas unhas cravando nos seus ombros, deixando marcas profundas ali.
Depois que recuperei as forças eu tomei outro banho rápido, dessa vez sozinha e fui para a cama com ele do meu lado ainda sem roupas. Deitamos por cima do lençol e ficamos apenas nos acariciando, cansados demais para fazer alguma coisa a mais, mas desejosos demais para tirar as mãos um do outro. Quando o sol estava se pondo minha barriga roncou, me lembrando que eu ainda tinha que fazer alguma coisa para comer.
– Não estou com mínima vontade de cozinhar. Acho que vou pedir uma pizza.
– Nada disso, Suzannah. – Ele se levantou vestindo apenas a calça e me puxou para fora da cama. – Vem. Eu te ajudo.
– Você sabe cozinhar? – perguntei enquanto vestia um roupão branco de algodão que batia nos joelhos.
– Não. Mas eu te dou apoio moral.
– Rá. Muito engraçado.
No fim ele acabou me ajudando de verdade. Fiz um sanduíche de peito de peru e enquanto eu separava tudo ele lavou e cortou as verduras. Sentamos a mesa de madeira da cozinha mesmo, ele na minha frente apenas me olhando enquanto eu comia.
– Foi tão bom chegar hoje na escola e não ver nenhum fantasma por lá – comentei entre uma mordida e outra.
– Você fez um excelente trabalho com eles.
– Também acho. – Sorri orgulhosa. – Fazia tempo que eu não mediava tantos fantasmas em tão pouco tempo. Mas eu só consegui isso graças a você.
– Não mesmo, hermosa. O mérito é todo seu – ele falou sem graça.
– Deixa disso, Jesse – eu o cortei, repousando meu lanche no prato. – Se você não tivesse aparecido naquela noite, aqueles projetos de poltergeists teriam feito picadinho de mim.
– Projeto de quê?
– Poltergeist. Fantasma traiçoeiro – expliquei.
– Ah.
– E você ainda fez que com que eles ficassem bonzinhos usando todo aquele seu poder incrível.
– Ok. Talvez eu tenha ajudado um pouco.
– Ajudou e muito – eu o corrigi.
– Mas não fui eu que tive todo aquele trabalho para fazer o que eles pediam. Esse mérito você não pode negar.
– E não nego. – Desde quando eu era modesta? – E fiquei muito feliz quando acabou. Agora finalmente eu posso assistir minhas aulas sem ninguém berrando no meu ouvido.
Ficamos em silêncio novamente e eu voltei ao meu sanduíche. Então uma dúvida passou pela minha cabeça e eu não contive a curiosidade.
– Jesse, há quanto tempo você é fantasma?
Ele me olhou sério.
– Por que essa pergunta agora?
– É só que eu estava lembrando do dia que você enfrentou aqueles treze fantasmas sozinho. Então eu percebi que, para você ter tanto poder assim, você deve ter morrido há muito tempo.
– Sim. Cento e cinquenta anos.
– Nossa! – Eu meio que já tinha deduzido isso por conta das roupas dele, mas ainda assim fiquei surpresa. E a curiosidade aumentou. – Como foi que você morreu?
Jesse não disse nada. Talvez eu o tenha ofendido. Às vezes eu me deparo com fantasmas que não gostam de falar sobre como morreram. Ele continuou calado e eu pensei que ele não ia responder.
O sol já tinha se posto lá fora, a lua surgindo em seu lugar, bem alto lá no céu, e eu podia ver o rosto do Jesse como se fosse dia. Ele não estava parecendo muito diferente do habitual. Por baixo daquelas espessas sobrancelhas negras, seus olhos, de cílios tão densos, eram tão reveladores quanto um espelho – quer dizer, eu provavelmente seria capaz de ver meu reflexo neles, mas não adivinharia nada sobre o que ele estava pensando.
– Er... Deixa para lá. Não precisa me contar...
– Não – ele respondeu. – Tudo bem.
– É só curiosidade mesmo. Se você não se sentir confortável para falar sobre isso...
– Não, não é isso. É só que... Eu não lembro o que aconteceu.
Não era a primeira vez que eu encontrava um fantasma que não se lembrava de como morreu. Mas geralmente os que eu encontrava eram vítimas de acidentes de carro e eu tinha certeza que na época que ele viveu as pessoas não morriam de acidente de carro. Eu nem tinha certeza se já existia carros motorizados naquela época.
– Não lembra?
– Não. – Seu olhar se fixou em algum ponto atrás de mim, provavelmente sem ver nada, preso em recordações. – Na época em que eu vivi, essa casa era um hotel. E eu tinha vindo para a cidade para resolver alguns assuntos de negócios da família e me hospedei aqui. Eu cheguei à noite, muito cansado da viagem e dormi rápido. E não acordei. – Ele abriu os braços para mostrar seu corpo atual. – Quando eu me dei conta que tinha morrido, eu voltei imediatamente para cá, mas meu corpo não estava mais aqui.
– Então será que é por isso que você continua aqui? – perguntei displicentemente, mordendo o último pedaço do sanduíche.
– Como assim?
– Será que você ainda não seguiu em frente porque quer descobrir o que aconteceu com você naquela noite?
Ele levantou-se de um salto empurrando a cadeira para trás, me olhando furioso.
– O que você está fazendo, Suzannah?
– O quê? – Eu o encarei, assustada. O que foi que eu fiz agora?
– Você está tentando me mediar. – Não foi uma pergunta. – Por quê?
– Jesse, pelo amor de Deus, foi só uma pergunta!
– E por que você fez essa pergunta?
– Sei lá. Curiosidade.
– Curiosidade?
– É.
– E o que vai acontecer se eu descobrir o que me prende aqui, Suzannah? Ou melhor, o que você vai fazer depois que descobrir o que me prende aqui?
Eu não consegui responder. Porque eu sabia o que eu faria normalmente. Mas o problema era que ele não era qualquer fantasma. Ele era o Jesse. Meu Jesse. E eu não podia simplesmente mediar ele como eu sempre fazia.
– E então, Suzannah? – Como ele viu que eu não respondia, ele continuou. – Você iria me “ajudar” – ele fez as aspas no ar quando falou essa palavra – como você fez com esses fantasmas da escola?
– Claro que não! – respondi de imediato e logo me arrependi de ter dado muita ênfase. – Quer dizer – corrigi com a voz baixa –, só se você quisesse.
Ele contornou a mesa e parou ao meu lado se abaixando para ficar com seu rosto na altura do meu.
– E se eu não quiser a sua ajuda, Suzannah? – perguntou com a voz suave. – E se eu não quiser seguir em frente?
– Jesse...
– Não, Suzannah – ele me interrompeu sério, seus olhos brilhantes. – Eu sei que eu estou morto e eu sei que é seu trabalho como mediadora fazer com que os fantasmas sigam para o lugar deles, mas talvez esse seja o meu lugar.
– Jesse...
– Me deixa falar, por favor – me interrompeu novamente. – Talvez esse seja o meu destino, Suzannah. Talvez você seja o meu destino. – Ele se ergueu e começou a andar pela cozinha sem me encarar. – Eu não estou pedindo que você sacrifique sua vida para ficar ao lado de um fantasma. Eu nunca pediria isso a você. Eu só quero que você seja feliz, mesmo que não seja ao meu lado. – Ele respirou fundo e me encarou parando do outro lado da cozinha. Eu não conseguia falar nada, meu coração batendo tão forte no meu peito que chegava a doer. – Só por ter te conhecido, hermosa, eu já sou o homem mais feliz do mundo. E quando você corresponde ao meu toque, aos meus beijos... – ele apenas me encarou como se não tivesse palavras para descrever o que sentia. – Eu não preciso de mais nada. Eu não preciso saber o que aconteceu comigo naquela noite. Só o que eu preciso é você. Nem que seja por pouco tempo. – Ele se aproximou e se abaixou ao meu lado novamente, pegando meu rosto entre suas mãos. – Eu te amo, Suzannah. Te amo como nunca pensei amar ninguém. Eu demorei uma vida toda e além dela para te conhecer e só alguns instantes para me apaixonar. E eu não trocaria um minuto sequer dos meus momentos com você por cem anos de uma nova vida sem você.
Eu ainda continuava em choque com a única diferença que as lágrimas escorriam em abundância pelo meu rosto por cima das suas mãos.
– Não chora, hermosa, por favor. – Ele enxugava as lágrimas e eu podia ver a aflição no seu rosto.
– Jesse... – eu finalmente consegui falar, embora a voz tenha saído baixa e entrecortada pela minha respiração irregular.
– Olha, eu não falei nada disso para te pressionar, nem nada – ele começou, nervoso. – Eu só precisava falar.
– Jesse... – tentei novamente, minha voz saindo mais clara.
– E eu não estou pedindo nada em troca. – Que mania de me interromper. – Só por você ficar mais um pouco comigo já será muito.
– Jesse... – falei, já começando a me irritar.
– Mas se você quiser que eu vá embora, eu...
Ok, agora já chega! Eu ia falar nem que fosse na marra. E foi na marra mesmo. Puxei seu rosto pela nuca e o beijei com paixão. Mas logo em seguida eu o soltei antes que aquilo evoluísse para algo mais.
– Posso falar agora? – ele apenas assentiu aturdido, seu peito arfando. – Ótimo! Para começo de conversa, eu não fiz aquela pergunta porque queria que você seguisse em frente. Foi só curiosidade mesmo. Embora eu admita que se eu descobrisse o motivo de você permanecer aqui, eu provavelmente iria querer te ajudar nisso. Mas eu nunca faria isso se você não quisesse. Eu nunca te obrigaria a seguir em frente, ainda mais porque eu não quero isso. Pode parecer egoísmo da minha parte, mas eu não quero que você vá embora, Jesse. Eu quero que você fique comigo até você não aguentar mais a minha presença ou ouvir minha voz. – Foi a minha vez de segurar seu rosto entre minhas mãos. – Eu te amo, Jesse. E eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo agora que sei que você sente o mesmo por mim.
Então ele levantou me levando com ele e me beijou, um beijo tão terno que fez com que as lágrimas voltassem a deslizar pelo meu rosto.
Ele se afastou e me olhou com seus olhos negros brilhantes, enxugando minhas lágrimas novamente, meu rosto entre suas mãos.
– Eu te amo tanto, hermosa. Tanto! – E seus lábios encontraram os meus mais uma vez, mas dessa vez com urgência.
Em questão de segundos meu corpo inteiro ardia de desejo, clamando por ele. Suas mãos ágeis desfizeram o nó do roupão revelando parte do meu corpo nu. Eu não perdi tempo e comecei a desabotoar sua calça querendo senti-lo dentro de mim, mas ele segurou minhas mãos me impedindo de prosseguir.
– Ainda não, hermosa. – Como assim “ainda não”? Queria gritar, mas não encontrei o ar. Eu podia sentir e muito bem sua rigidez contra meu corpo. – Eu quero tentar uma coisa – ele falou, sua voz rouca, com um meio sorriso provocante nos lábios perfeitos.
Opa! Gostei disso. Ainda nem sabia o que era, mas já estava gostando.
Suas mãos entraram pela abertura do roupão percorrendo meu corpo, causando sensações indescritíveis. Ele me puxou para cima fazendo com que eu sentasse na ponta da mesa. Instintivamente eu abri as pernas e o enlacei pelos quadris, puxando-o para mim. Enterrei minhas mãos nos seus cabelos e o beijei sofregamente, minhas mãos percorrendo seus ombros musculosos descobertos, descendo para o peito firme. Ele arfava sob minhas mãos e eu ouvi um som grave saindo de sua boca ainda colada à minha.
A paixão foi uma explosão tão grande e tão igual para nós dois que quase virou uma competição. Ele me puxou mais para si, seu corpo se encaixando perfeitamente entre minhas coxas. Ele estava surpreendentemente rijo. Então ele me beijou com ainda mais urgência, se é que isso era possível.
Suas mãos deslizaram pelos meus ombros fazendo com que o roupão escorregasse pelos meus braços, me deixando completamente exposta. Mas ele ainda estava vestido e, novamente, me impediu quando eu tentei romper essa barreira.
– Ainda não. – Sua voz estava tão rouca que era quase um grunhido.
– Ah, Jesse, por favor... – eu implorei num tom entre a raiva e o desejo. O que mais ele estava esperando? Seu corpo pulsava contra o meu, os dois numa urgência impressionante.
Seus lábios percorreram meu pescoço deixando um caminho de fogo por onde sua língua passava. Quando eu senti sua língua no meu seio eu pensei que fosse me dissolver de tanto prazer. Arqueei meu corpo contra o seu, minhas costas indo para trás, meu quadril roçando no dele sensualmente.
– Díos mio – ele gemeu aumentando mais a pressão no local. – Você está me matando, hermosa.
Eu estava matando ele? E o que ele estava fazendo comigo era o quê?
– Jesse, por favor, eu preciso de você – eu quase gritei, louca de desejo.
Mas ainda assim ele não se rendeu. Ao invés disso ele vez com que eu me deitasse na mesa, sua língua prosseguindo com a carícia pelos meus seios túrgidos. Então ele começou a descer mais, demorando um pouco na minha barriga, beijando, lambendo. Eu me arqueava cada vez mais. Quando ele desceu ainda mais em direção ao meu ventre eu entendi sua intenção.
Ele passou a atenção para a parte interna da minha coxa e quando ele chegou à minha intimidade eu não resisti e soltei um grito de prazer. Precisei agarrar as laterais da mesa, buscando desesperada por algum controle. Meu corpo arqueava ainda mais e eu gemia enquanto ele descrevia movimentos circulares com a língua, fazendo pressão quando atingia meu clitóris. As sensações dominaram meus sentidos. Eu já não via mais nada à minha frente, minha vista turva de prazer. Eu me agarrava com força à superfície de madeira da mesa.
Ele sugava devagar, com movimentos suaves. Depois, percebendo o estado em que eu me encontrava, ele aumentou o ritmo aos poucos. Então sua língua entrou em mim, lambendo todo o líquido quente da minha intimidade. Eu estremeci num frêmito de desejo.
– Jesse! – gritei em meio aos gemidos. – Ah, meu Deus... Jesse...
Suas mãos fortes agarraram meus quadris enquanto ele aumentava o ritmo dentro de mim. Ele também gemia, satisfeito por me proporcionar tanto prazer.
Eu gemi ainda mais alto quando senti os calafrios percorrendo meu corpo, me preparando para o momento final. Eu senti meu corpo desfalecendo em cima da mesa tamanho foi o prazer que me invadiu. Não conseguia pensar em nada, não conseguia me mexer, meu corpo todo dormente ainda dominado pelas sensações.
Ele sugou o líquido que saiu de mim e aplicou pequenos beijos no local então se inclinou sobre mim, beijando meus seios e meu pescoço.
– Você é linda, Suzannah. Não tem nenhum defeito.
Envolvi meus braços pelo seu pescoço, rindo feito uma idiota e o beijei. Suas mãos percorreram a lateral do meu corpo, passando pela minha cintura e meu quadril, parando numa nádega e apertando-a, me deixando excitada novamente.
– Jesse, você vai me deixar louca – sussurrei no seu ouvido.
Ele gemeu rouco e me beijou profundamente, sua boca provocante e ousada. Suas mãos passaram às minhas costas arqueadas e me ergueu fazendo com que eu ficasse sentada novamente. Minhas mãos percorreram seu peito, descendo para o cós da sua calça. Dessa vez ele não me impediu. Ele me ajudou quando eu não consegui abrir os botões, minhas mãos trêmulas.
Depois que ele se livrou da calça e passei a beijá-lo, primeiro nos ombros, depois descendo para seu peito firme. Sua cabeça se inclinou para trás e ele disse meu nome num suspiro trêmulo, me beijando com urgência logo em seguida.
Ele pôs as mãos na minha cintura e me puxou mais para frente, me posicionando melhor para a penetração. Jesse me beijou novamente e eu me derreti em seus braços, estremecendo num frêmito de desejo de tê-lo dentro de mim.
Quando eu pensei que não poderíamos estar mais intimamente unidos, Jesse agarrou meus quadris com mais força, aumentando o ritmo. Passei as mãos pelas costas dele arranhando-o com minhas unhas enquanto minhas pernas envolviam seu quadril. Sorte que ele era um fantasma e não sangrava ou ele teria que ir ao hospital agora. Mas ele ainda sentia dor. Ele urrou quando sentiu minhas unhas se cravando na sua pele, mas era um grito de prazer.
Quando ele aumentou mais o movimento dentro de mim, nós dois olhamos diretamente nos olhos um do outro. Pude ver naqueles olhos negros todo o amor que ele sentia por mim e eu tinha certeza que ele via a mesma coisa nos meus.
Inclinei minha cabeça para trás, completamente entregue. Ele então se inclinou segurando minha nuca com uma das mãos enquanto a outra permanecia firme no meu quadril, e mordeu meu pescoço de leve, numa carícia erótica, chupando e lambendo o local. Isso ia deixar marcas. Nem me importei. Nada que uma blusa de gola alta não resolvesse.
Os dois gemiam em uníssono, as respirações aceleradas. Eu sentia o clímax se aproximando novamente, conforme ele aumentava o ritmo. Senti seu corpo enrijecer por inteiro e ele me apertou contra seu corpo, seu rosto afundando na curva do meu pescoço e atingimos o clímax juntos, em perfeita sincronia.
Continuamos abraçados por não sei quantos minutos esperando que nossas respirações voltassem ao normal.
Minha nossa, como eu fui idiota por não perceber o quanto eu o amava. Só fui me dar conta disso depois que ele disse o que sentia. Mas talvez fosse só insegurança. Em que sonho eu poderia imaginar que um homem maravilhoso como Jesse poderia se interessar por uma garota – embora ele chamasse de mulher – de 16 anos e completamente oposta aos costumes da época dele? Só no sonho mais louco. E esse sonho se tornou realidade.
– Jesse – eu me afastei para olhar para aquele rosto perfeito que eu tanto amava. – Eu te amo.
Ele riu e seus olhos negros brilharam ainda mais.
– Você não sabe o quanto eu sonhei em te ouvir dizendo isso, hermosa. E agora meu sonho se tornou realidade.
Opa. Será que ele podia ler minha mente? Eu ri com a ideia.
– O que foi? – ele perguntou confuso.
– Eu estava pensando a mesma coisa.
Seu sorriso aumentou ainda mais e ele me abraçou.
Nos vestimos e, depois de arrumar a bagunça da cozinha dando uma atenção especial à limpeza da mesa, nós subimos as escadas em direção ao meu quarto. No instante que eu tranquei a porta eu ouvi o barulho de um carro do lado de fora. Olhei pela janela e vi Jake saindo do carro furioso batendo a porta do carro com violência. Ele falava, ou melhor, gritava no telefone com alguém e não foi difícil ouvir o conteúdo.
– E não foi só isso, não! Além de me deixar plantado feito um imbecil naquele restaurante idiota, quando eu estava voltando para casa eu vi aquela vagabunda de amasso com Frank. Logo com o Frank, cara! O idiota nem do time de futebol é. – Santa futilidade, meu Deus! Ele deu uma pausa enquanto ouvia o outro falando. – Nem pensar! Eu vou é sair! Quero pegar geral essa noite. Só vou me trocar e passo aí.
Ele entrou em casa e eu o ouvi subindo as escadas com passos duros.
– Suzannah! – ele gritou do corredor.
Levei um susto, porque além de ser muito raro Jake falar comigo, eu estava sentada no colo do Jesse no banco da janela.
– Oi?
– Já jantou? – ele perguntou do outro lado da porta.
– Já, por quê?
– Nada, só queria saber.
Ok. Essa foi nova. O meu meio-irmão que não era o David se preocupando comigo? Das duas uma: ou ele tinha bebido muito enquanto esperava pela garota que não chegou ou ele estava tão irritado por ter levado um bolo que se esqueceu de ser normal comigo. Por que aquele não era o normal dele. O normal era ele passar por mim como se eu não existisse.
– Suzannah – ele chamou de novo ainda do outro lado.
– O quê?
– Abre a porta.
Hein? Meu Deus. Ele descobriu. Ele descobriu o que eu fiz hoje. Entrei em desespero. Dei um pulo do colo do Jesse me aproximando da porta.
– Para quê?
– Quero falar contigo.
Isso estava muito estranho. Mas eu abri assim mesmo depois de me certificar que o roupão estava cobrindo tudo.
– Fala.
– Eu queria um conselho.
– Um... conselho? – perguntei confusa.
– É.
– Fala.
– É que eu acabei de levar o maior bolo da minha vida e eu quero me vingar.
Ai meu Deus. Para tudo! Jake, o machão da casa estava admitindo para mim que tinha levado um bolo.
– Uhum. – Foi só o que consegui dizer. Estava me concentrando ao máximo para ficar séria.
– Então, o que você sugere?
– Deixa eu ver se entendi, Jake. Você está me pedindo ajuda para se vingar de uma pessoa do mesmo sexo que eu?
– É.
– Você já ouviu falar que as mulheres protegem umas às outras?
– Você protegeria Kelly Prescott?
Opa. Pisou no meu calo. Kelly Prescott era a pessoa mais fútil que eu já conheci em toda minha vida. Ela era simplesmente insuportável e eu fiquei sabendo pela Cee Cee que Kelly tinha comentado para quem quisesse ouvi no banheiro das meninas que ela pretendia fazer amizade comigo para se aproximar dos meus irmãos. E eu nem sabia disso quando ela veio falar comigo. Eu dei um fora nela na frente de todas as amiguinhas barbies dela e ela ficou com ódio mortal de mim desde esse dia.
– Ela eu não protejo. – Epa, Suzannah! Lembre–se de manter sua pose de boa moça. – Mas eu não sei porque você veio pedir a minha ajuda, Jake. Eu não sou do tipo vingativa.
Rá! Mentira lavada! Cara de pau encerada. Ainda bem que meu nariz não crescia.
– Conta outra, Suzannah! – Ele me olhou descrente. Hein? – A mim você nunca enganou. – Oi? – Você acha mesmo que eu caí nesse seu jeito de filhinha da mamãe?
– Não? – Isso, Suzannah, se entrega, sua anta!
– Não mesmo! Sua mãe pode cair nessa, mas eu não. Claro que eu nunca tive certeza, mas depois que eu te vi saindo de casa depois que todo mundo tinha ido dormir, vestida toda de preto parecendo que ia matar alguém, eu saquei logo.
Eu o encarei com os olhos arregalados. Santo Deus! Mais um para me chantagear não, por favor. Só o Brad já estava de bom tamanho.
– Mas relaxa – ele continuou. – O que você faz da sua vida não é da minha conta. Para mim tanto faz se você vai virar freira ou gosta de andar com gangues depois da meia noite. – Nossa! Que cara extremista! – Então. Vai me ajudar ou não?
Como assim não ia rolar chantagem. Ok. Acho que eu me enganei completamente a respeito do Jake. Pensei que ele fosse igual ao Brad, mas agora eu via que ele era o meio–termo da equação. David era um poço de bondade enquanto Brad era um poço, ou melhor, um açude inteiro de canalhice. E Jake era um canalha – não comigo pelo visto, graças a Deus – bonzinho.
– Deixa eu pensar – falei, deixando de lado minha pose inocente. Me recostei na porta cruzando os braços enquanto pensava numa boa maneira de vingança. Várias coisas me vieram à mente, mas nenhuma era boa o suficiente.
Normalmente eu me vingo de alguém desferindo um bom soco de direita na pessoa ou fantasma, mas Jake não podia fazer isso com Kelly. Infelizmente.
Tinha que ser alguma coisa que deixasse ela no chão. Nada menos que isso. Então uma luzinha da maldade se acendeu na minha mente.
– Hum, Jake, você conhece algum cara sem o menor pudor e que toparia qualquer coisa?
– Está falando do Brad?
– Ele não dá. Seria bom um nerd.
– Nerds são certinhos.
– Nem todos.
Ele pensou um pouco.
– Tem o Henri.
– Quem é?
– É um francês metido a besta. Ele é da minha sala. É do grupinho dos CDF’s, mas é doido para andar no meu grupo.
– E ele gosta da Kelly?
– Quem é que realmente gosta daquela coisa?
– Certo. E esse Henri é correto?
– Como assim?
– Ele se vende fácil?
– Suzannah, Suzannah. O que está passando nessa sua mente diabólica?
– Só responde, Jake – falei rindo. Era tão bom ser eu mesma.
– Acho que sim. Fala qual é a sua ideia.
– Eu estava pensando em você pagar para o Henri espalhar pela escola que ele tinha transado com a Kelly.
– Suzannah! – ele me encarou de olhos arregalados. – Você é perversa!
– Você quer ou não a minha ajuda?
– Claro!
– Então presta atenção. Para isso dar certo você não pode deixar nenhuma brecha. Em primeiro lugar você tem que contar alguns detalhes íntimos dela para ele. Coisas que só quem já foi para cama com ela saberia. Você já foi, né?
– Já – ele admitiu a contragosto.
– Ótimo. Em segundo lugar – continuei –, você tem que encontrar algum momento em que a Kelly esteja sozinha. Pode ser em casa. Mas tem que ser um momento longo. Tipo, umas duas horas. E é nesse espaço de tempo que o nosso francês vai para a “cama” com ela. Assim ela não vai ter como alegar que estava em casa, já que não vai ter quem prove.
– Estou gostando. Continua – ele falou empolgado.
– E em terceiro lugar vem o mais importante: você tem que ameaçar o francês.
– Quê? Por quê? – perguntou assustado.
– Para ele não dar com a língua nos dentes.
Ele me encarou impressionado.
– Você já fez isso antes?
– Isso o quê?
– Essa vingança.
– Claro que não. É só que eu penso rápido.
– Ah.
– E então. Ajudei?
Ele ficou sério por uns instantes, provavelmente pensando em como colocar tudo em prática e depois sorriu.
– Muito. – E para minha surpresa ele se inclinou e me beijou no rosto. – Obrigada, maninha.
Maninha? Que maninha o quê!
– Ah! E você bolou isso sozinho, viu? – eu falei quando ele se afastou.
Ele parou no corredor a caminho do quarto.
– Fechado!
Entrei no quarto novamente, trancando a porta e me virei para olhar o amor da minha vida.
Ele continuava sentado no mesmo lugar e tinha um sorriso estranho no rosto.
– Que foi? – perguntei me aproximando.
– Eu não sei se reclamo com você ou aplaudo pela sua incrível capacidade de planejar algo tão rápido.
Eu tive que rir. Ele me puxou para mais perto e me abraçou pela cintura, seu rosto apoiado na minha barriga.
– Se você ouvir uns barulhinhos estranhos aí dentro é só a digestão, viu?
Ele riu e me apertou mais.
– Eu te amo, Suzannah. – Sua voz era suave e carinhosa.
– Também te amo.
Eu bocejei. Era natural eu estar tão cansada depois dessa tarde incrível.
Minha nossa! Ainda não eram nem oito horas e, no entanto, tantas coisas aconteceram nesse curto espaço de tempo. Primeiro a descoberta de que eu teria horas sozinha com Jesse. Depois a tarde maravilhosa de prazer. E depois a surpreendente declaração. Jesse me amava. Tanto quanto eu o amo. Eu não poderia estar mais feliz. Eu não poderia ser mais feliz. Bem, talvez se Jesse fosse humano. Mas eu não me permiti pensar nisso agora. Me deixei ser conduzida para a cama.
Jesse tirou meu roupão com delicadeza e meu corpo respondeu ao seu toque. Mas ele apenas fez com que eu me deitasse se juntando a mim depois de tirar a própria roupa. Cobriu nossos corpos com o lençol e me puxou para o seu peito. E eu dormi ali, aconchegada ao homem mais perfeito do mundo. O homem que eu amava e que me amava também. E nada mais importava.
Fale com o autor