Atração Involuntária
5 Capítulo 5
CAPÍTULO 5
Cheguei em casa por volta das duas da manhã, fui direto para o banheiro e tomei um banho quente para relaxar os músculos doloridos pelo esforço da volta. E chorei. Chorei até não ter mais lágrimas. Saí do banheiro e vesti uma camisola preta de seda que minha mãe tinha me dado no meu último aniversário. Sentei no banco ao lado da janela, abracei os joelhos e apoiei meu queixo neles, olhando para a baía que se descortinava à frente da casa.
Comecei a relembrar os acontecimentos daquela noite, desde os fantasmas que quase me mataram até a repentina aparição de Jesse e a forma como ele me rejeitou. Talvez estivesse enganada. Talvez ele não estivesse tão interessado em mim quanto eu pensava.
Levantei ficando em pé em cima do banco, meu corpo todo sendo atingido pela brisa fria que vinha do mar. Apoiei minhas mãos nas laterais da janela e dei um passo em direção ao telhado.
– Vai quebrar o pescoço.
Eu não esperava ouvir uma voz tão próxima, considerando as circunstâncias em que me encontrava e deixei escapar um grito assustado. Uma das mãos minhas escorregou da lateral da madeira, fazendo meu corpo inclinar perigosamente para o lado de fora. Mas Jesse foi mais rápido e segurou seu pulso trazendo–me de volta para dentro, meu corpo indo de encontro ao seu peito sólido. O corpo másculo me inundou com uma agradável sensação de segurança e conforto, mas Jesse me pôs no chão segundos depois sem fazer alarde.
– Precisava me assustar desse jeito? Essa mania que vocês fantasmas têm de chegar sem fazer barulho está começando a me irritar. – Frizei bem a palavra “fantasmas” com a intenção de fazê-lo perceber que eu tinha entendido o recado. Não ia deixar ele perceber o quanto estava magoada.
– Da próxima vez eu dou um jeito de avisar antes de aparecer. – E, para minha raiva, ele riu.
Espera! Para tudo! Ele disse “da próxima vez”? Calma, Suzannah, talvez ele tenha dito isso da boca para fora. Sem esperanças precipitadas.
– Você disse que não viria mais aqui. Na verdade, você prometeu. – A súbita alteração na atmosfera me deixou inquieta. – Então, o que te trouxe aqui dessa vez?
– Você.
Como uma única palavra podia conter tantos significados e soar tão inteiramente honesta? Eu fui forçada a lembrar tudo que ele me falara aquela noite, mas nem isso era suficiente para aplacar o calor que sentia nesse momento. Era como se chamas ardessem sob minha pele espalhando–se por todo o corpo.
– Eu? – Me afastei optando pela cautela. Ele já me rejeitara uma vez. Não ia me permitir ter esperanças ainda. – Por que queria me ver?
– Porque não consigo me controlar, mi hermosa.
Jesse estendeu a mão e tocou meu pescoço. Eu vi o fogo iluminando os olhos escuros e profundos. Retive a respiração, momentaneamente hipnotizada pela voracidade daquele olhar. Ele se aproximou. Um passo, dois...
As imagens eram como relâmpago percorrendo meu corpo. Eu ofegava e sentia um calor intenso inundando minhas veias, fazendo ferver o sangue que por elas corria. Inclinei minha cabeça para trás, o rosto dele vindo de encontro ao meu, meus olhos permanecendo fixos no contorno da boca tentadora.
Meu corpo buscava o dele. Havia entre nós dois uma sintonia impressionante que coordenava os movimentos. O contato era inevitável. O encaixe era perfeito. Os lábios dele encostaram suavemente sobre os meus. Ternos. As mãos me tocavam, mas não tentavam me puxar para seu corpo.
– Venha para mim, hermosa, se me quiser. Venha para mim.
Ele deixou que eu escolhesse. E eu estava farta desse joguinho. Me ergui na ponta dos pés, colando meu corpo ao dele, beijando-o com ânsia e paixão. Jesse abriu–se imediatamente para a invasão agressiva da minha lígua, gemendo ao sentir meu desejo por ele.
Eu segurava a parte da frente da sua camisa, apertando-a entre os dedos. Meu corpo buscava o dele. O beijo era inebriante, quente...
Senti uma urgência violenta se apoderando de Jesse. Ele recuou de repente, me empurrando para trás. Estava tremendo. De novo não, por favor. A reação se estendeu por alguns instantes, mas a natureza assumiu o comando. Soltei um grito abafado ao sentir os braços firmes em torno da minha cintura, determinados na ânsia de me puxar de encontro ao peito musculoso. Sua boa se apoderou da minha. O beijo punia, era poder e domínio, como se eu tivesse que pagar pelos anos seguidos de privação. E eu nem tentava evitar. Pelo contrário. Correspondia aos beijos ardentes e às carícias cada vez mais ousadas, saltando sobre o corpo de Jesse e enlaçando-o com as pernas.
Sua língua traçou um caminho na pele do meu pescoço fazendo com que eu fosse tomada por intensos calafrios. Mas dessa vez eram de prazer.
Senti sua mão delizando a alça da camisola pelo meu ombro, expondo um seio. A boca faminta encontrou o vale entre meus seios, tomando posse de um mamilo e sugando-o eroticamente. Eu não mais raciocinava. Vagamente, percebi que ele me pressionava contra a parede às minhas costas. Então as mãos enormes buscaram meus quadris e eu entrei em choque. Instintivamente, minhas mão cobriram as dele, mas a boca de Jesse devorava a minha naquele exato momento, fazendo com que eu me sentisse fraca da cabeça aos pés.
Eu gemi ao sentir os dedos dele tocar minhas pernas, mas dessa pela parte interna.
– Você é tão macia – ele sussurrou, afastando um pouco a boca e enterrando o rosto no meu pescoço.
Eu gemi mais uma vez. A mão de Jesse deslizava pelo meu ventre, provocando sensações que jamais soube que existiam. Então os dedos atrevidos delizaram pelas bordas da minha calcinha.
Naquele momento eu pensei que estivesse em chamas. Meu corpo tremia violentamente, minha mão esbarrando na prateleira de livros e derrubando alguns. Ninguém nunca me tocara daquela maneira. Na verdade, ninguém nunca fizera comigo a metade do que Jesse estava fazendo.
– Jesse – eu sussurrei, agarrando-o pelos ombros conforme o prazer crescia e me tirava a capacidade de respirar.
Jesse começou a acariciar meu corpo sem parar e a falar palavras em espanhol, mas que certamente eram elogios.
Ele estava disposto a me enlouquecer de prazer.
Jesse massageou com os dedos a parte úmida da minha intimidade, pressionando-a com pequenos movimentos. Eu gemi, completamente entregue à carícia erótica.
Eu sentia uma necessidade urgente de me livrar das roupas, mas não conseguia me mexer. Ele me tocou ainda mais intimamente com o dedo, talvez sentindo se eu estava pronta para ele. Então ficou imóvel.
Ele fechou os olhos, gemendo em agonia.
O que foi que eu fiz?, perguntei a mim mesma começando a entrar em desespero. Ele me colocou suavemente no chão e se afastou.
Eu o encarei sem acreditar no que ele estava fazendo.
– Por quê? – eu perguntei num fio de voz. – Por quê?
– Suzannah, me perdoe. Eu imploro!
Antes que eu pudesse responder, Jesse desaparecera.
Eu caí de joelhos, fraca demais para me manter em pé, perplexa demais para chorar.
Não havia refúgio para o que eu sentia. Não havia remédio para a dor, para a frustração e o vazio. Não entendia, e não tinha ninguém a quem pedir explicações. Logicamente sabia porque ele me deixara, porque me abandonara sem dar explicações. Era óbvio. Eu era uma humana enquanto ele era um fantasma de mais de 150 anos.
Jesse vivia de acordo com regras e normas de conduta e honra que não faziam sentido para mim. Eu queria encontrar a lógica de tudo isso, mas não conseguia raciocinar. Olhei em volta respirando fundo. Se nós éramos tão diferentes assim, porque sentíamos aquelas coisas? Por que dois seres “imcompatíveis” se sentiriam tão... tão perfeitos para atender às necessidades um do outro?
Fiquei alí no chão por não sei quanto tempo, as lágrimas finalmente aparecendo e escorrendo pela minha face. Já era tarde, mas não tinha sono. Meu joelho doía pela posição desconfortável. Mas não me importava com muita coisa naquele momento. Só queria extravasar minha dor.
– Por favor, não chore, hermosa.
Me assustei, mas não demonstrei. Continuei com o rosto entre as mãos, escondendo as lágrimas.
– Suzannah. – Senti seus passos se aproximando.
– Não me toque, Jesse – falei irritada ainda com o rosto escondido.
Ouvi um suspiro de frustração seguido por um rangido quando ele sentou na minha cama.
– Eu não quero te fazer sofrer, Suzannah.
Eu levantei o rosto, não me importando mais que ele visse minhas lágrimas, a raiva me dominando novamente.
– Por que você faz isso comigo, Jesse?
– Eu tinha que agir de acordo com o que acreditava ser o melhor para você. Por favor, me perdoe...
– Só se terminar o que começou.
Ele se levantou de repente indo até a janela, as mãos tensas deslizando pelos cabelos num gesto típico de nervosimo.
– Jesse?
– Por favor, não diga nada!
Agora ele estava indo longe demais.
– Bem, lamento que considere minha declaração tão ofensiva – eu reagi irritada me levantando. – Peço desculpas. Não vai mais acontecer.
Lutando contra as novas lágrimas – desde quando tinha me tornado tão chorona? – marchei até a porta do banheiro com a intenção de me trancar lá. Determinada, girei a maçaneta, mas nada aconteceu. Por mais que empurrasse, a porta permanecia fechada. Era difícil conter o soluço que se formava no meu peito. Se não estivesse tão furiosa, teria percebido que Jesse havia se posicionado atrás de mim. Mas, distraída, quase gritei quando senti a mão no meu ombro.
– O que é agora? – reagi me virando furiosa.
Devagar, Jesse deu alguns passos aproximando-se um pouco mais, empurrando meu corpo contra a porta e apoiando as duas mãos contra a madeira, bem perto dos meus ombros. Para implementar a reação provocada por sua atitude, ele aproximou seu corpo do meu até quase me tocar. Quando fitou meus olhos quase não havia espaço entre nós. Ele me envolvia com o perigoso poder que emanava do seu corpo, fazendo meu coração acelerar.
– Por que, Suzannah? Por que não me contou?
– Contei o que? – Do que ele estava falando?
– Por que não me contou que é virgem?
Ah. Isso.
– E daí?
– Você ainda é inocente, Suzannah. Por mais que seu corpo responda ao meu, sua mente ainda não tomou a decisão. Não quero forçá-la a nada. Não quero pressioná-la. Mas não me entenda mal. A necessidade que sinto de colocar alguma distância entre nós é simplesmente um esforço pessoal, uma tentativa desesperada de me manter sob controle. Entenda isso, por favor.
Sua declaração me deixou surpresa, da mesma forma que me deixou ainda mais certa do que eu queria.
– Eu entendo. E quero que também entenda algo. Sou virgem, sim, mas só porque ninguém nunca despertou meu interesse. Confesso que sempre sonhei com algo especial para a minha primeira experiência, e... pensando bem, já encontrei o que procurava. É você, Jesse. Quando me toca, quando me beija, você desperta coisas que jamais havia experimentado antes, que nunca imaginei poder sentir.
– Suzannah. – Sua voz era rouca e baixa, quase um sussurro. – Cuidado com as coisas que diz. Estou me empenhando para manter o controle, e posso assegurar que não é fácil. Se eu não conseguir... se começarmos alguma coisa... Não vai ser fácil recuar.
– Eu não estou pedindo para você se controlar, estou?
– Eu não posso, Suzannah. Eu simplesmente não posso acabar com sua pureza dessa forma.
Senti uma vontade imensa de esbofeteá–lo. A atitude condescendente começou a me irritar.
– Muito bem, eu entendo. Se esse detalhe é tão importante para você, vou tentar encontrar um homem, um humano, com que possa viver minha primeira experiência. Então saberei do que vamos falar da próxima vez em que discutirmos sobre esse assunto.
– Nunca permitirei tal coisa! – A declaração era uma mistura de rugido furioso e promessa sensual. Eu podia ver que ele tremia da cabeça aos pés.
Contive um sorriso vitorioso, satisfeita com a reação que havia conseguido provocar.
– Bem, não prentendo morrer virgem, Jesse! Alguém vai ter que me tocar, porque ser freira não faz parte da minha lista de ambições. Especialmente agora que descobri como é desejar um homem e ser desejada por ele.
– Está fazendo isso de propósito. Quer me tentar, mas...
– Jesse, droga! – Quase gritei. – Eu quero você! Será que você não percebeu isso ainda?
E Jesse me beijou. Era inútil resistir.
Dessa vez eu tomei a iniciativa. Passei as mãos por seu peito firme, num gesto sensual, indo até o final da blusa, levantando-a e deslizando minhas mãos para tocar sua pele macia.
Ele gemeu. Me senti poderosa e excitada. Ousada, voltei a minha atenção para retirar sua blusa por completo, expondo seu corpo, deslizando as mãos pelo peito largo e pelas costas, sentindo nas mãos os tremores que o sacudiam.
– Tem certeza que é isso mesmo que quer, hermosa?
– Nunca tive tanta certeza em toda minha vida.
Isso era tudo que ele precisava saber. Sem medo ou hesitação me beijou e, me erguendo nos braços, me levou até a cama.
Os dedos firmes buscaram o final da camisola de seda, retirando-a com minha ajuda para então sua boca deslizar pela minha pele nua. Não contive um gemido longo de prazer, meu corpo arqueando em direção aos lábios habilidosos de Jesse que agora beijava meus seios sugando os mamilos, o prazer invadindo meu corpo por inteiro. Ao mesmo tempo as mãos ávidas deslizavam com frenesi pelas minhas coxas.
Ele voltou a me beijar, usando a língua com tal maestria que me fazia gemer, me enlouquecendo de prazer.
Então me pus a despí-lo, desesperada que nossos corpos se tocassem. Eu lutava para retirar sua calça ao mesmo tempo que ele tirava minha calcinha, num gesto urgente de paixão. Quando estávamos os dois nus, senti sua mão separando minhas pernas com a intenção direta de se deitar entre elas.
– Você é adorável – ele murmurou enquanto tocava com os lábios um ponto sensível no meu pescoço. Isso me distraiu enquanto Jesse pegava minha mão me fazendo tocar em seu membro.
– E agora você me pode me mandar embora... ou não.
A curiosidade foi mais forte que qualquer indecisão e eu quis sentir completamente o ponto mais alto da excitação de Jesse, agora em minhas mãos.
Jesse gemeu de prazer.
– Sinta, hermosa. Sinta como você me deixa.
Eu obedeci o comando. Podia sentir o prazer quase que doloroso que provocava nele, podia sentir os impulsos do corpo másculo a cada pressão de meus dedos no membro ereto.
Nossos olhares se encontraram e eu via refletido nos olhos dele a mesma urgência selvagem que eu sentia.
Então Jesse agarrou meus quadris e me penetrou suavemente.
– Hermosa – Sua voz não era mais que um sussurro.
– Jesse, por favor...
E ele me beijou, dando tempo para eu me acostumar com seu membro dentro de mim. Iniciou então um movimento suave, aumentando o rítmo a cada instante. A paixão nos levava além do contato físico.
– Jesse... oh, sim...
Ele sorriu de prazer ao me ouvir dizer seu nome em meio aos gemidos.
– Preciso sentir sua boca, hermosa, enquanto estou dentro de você. Preciso me perder em seus olhos e ver o prazer que está sentindo.
Então me beijou com selvageria e eu correspondi com o mesmo ardor. Tudo a minha volta pareceu desaparecer. Ele era perfeito.
Ele comandou o rítmo, já sabendo a melhor forma de me deliciar. Os movimentos ganharam intensidade e eu agarrei os ombros dele com violência.
Jesse grunhiu novamente. O clímax veio como uma libertação fantástica.
Eu ardia arqueando as costas, sofrendo um longo espasmo. Ainda sentia meu corpo tremendo de prazer quando Jesse me seguiu.
– Suzannah! – ele sussurrou num gemido enquanto chegava ao êxtase. Senti um líquido dentro de mim quando ele ejaculou com espasmos de prazer.
Nós dois ficamos caídos sobre a cama, entorpecidos e arfantes.
Jesse mantinha o rosto aninhado na curva do meu pescoço. Eu queria gritar, queria rir e chorar. Mas me contentei em me aconchegar no seu peito quando ele me puxou, acariciando meus cabelos.
O sono finalmente chegou e eu dormi alí, aninhanda nos braços de um fantasma. Meu fantasma.
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