Atrás Do Arco De Pedra
1 Quando Tudo Começou
O sinal toca. A aula acaba. Férias. Corri para o meu armário e peguei tudo que era necessário, como alguns dos meus livros favoritos, e a barra de chocolate que ganhei de uma amiga. Despedi-me rapidamente de meus colegas, e corri para o estacionamento. Meu pai estava lá.
— Oi, meu bebê! Ele disse isso com um sorriso bobo.
— Pai, não fala isso, assim vai me deixar com vergonha na frente do pessoal!
Dizendo isso entrei no carro, e peguei meu celular. Leguei para minha melhor amiga, que não foi ao colégio hoje por conta de uma crise alérgica a frutos do mar.
— Alô? Perguntei.
— Oi Kattie como foi à aula? Ela respondeu com uma voz estranha meio esganiçada com um tom doce de compreensão.
— Foi legal, e como você está? Eu perguntei muito preocupada, ela tinha uma crise dessas quase todas as semanas, e seu problema com frutos do mar sempre piorava.
— Bem agora eu estou melhor! Já tomei o medicamento receitado pelo doutor, de novo! Ela respondeu muito satisfeita.
— Que bom assim você e eu podemos aproveitar as nossas férias juntas! Eu afirmei muito animada, porque um tempo atrás eu falei com a mãe dela nós concordamos que eu ia passar a maior parte das férias na casa dela!
— Está falando com quem, posso saber? Perguntou o meu pai como se eu estivesse falando com um delinquente juvenil.
— Espera um pouco pai! Eu respondi gesticulando para ele parar com a mão.
— Acho que você está um pouco ocupada, então vou direto ao ponto! Não vou poder passar as férias com você! Tchau! E ela desligou na minha cara.
Fiquei decepcionada. Agora eu vou ter que passar as férias com minha família. Quando eu vir Sophie eu vou mata-la.
O grande problema de passar as férias com a minha família é: Eles sempre viajam para uma praia deserta, e catam no caminho. Três horas de pura tortura. Cheguei à minha casa. Passei pela cozinha, minha mãe estava lá a fazer o almoço.
— Olá mãe! Falei com um tom triste.
— Oi querida, estou fazendo o seu prato favorito: arroz aos quatro queijos, filet ao molho madeira e batatas gratinadas.
Ela disse muito animada.
— Hm legal! Eu disse sem muita animação.
Minha mãe às vezes percebe quando acontece alguma coisa, mas, desta vez ela não disse nada. Subi para o meu quarto e joguei a minha mochila em cima da cama, me sentei e liguei meu computador, entrei em um chat e Sophie estava online. Eu tinha que fala com ela.
Oi! Ela demorou muito para responder, mas, eu tinha que ser paciente.
Oi Kattie! Ela respondeu depois de muito tempo.
Sophie, qual é o seu problema? Eu perguntei com raiva
Desculpe-me esta resposta não está disponível, senhorita Kattie! Respondeu-me irônica.
Não acredito nisso, a gente já tinha combinado tudo! Eu respondi indignada.
Não têm que ser do seu jeito, alguns imprevistos acontecem! Ela me respondeu como se estivesse me escondendo algo.
Espera aí! — Caí na real. — Você não está melhor?
CLARO que estou! Respondeu-me ainda irônica.
Vou continuar duvidando! Respondi, agora começando a ficar preocupada.
Pode duvidar a vontade! Mas agora eu tenho que ir! Boas férias! Ela pareceu triste ao responder isso, então eu resolvi deixa-la em paz.
Tchau! Beijos!
— Kattie, o almoço está pronto! Minha mãe gritou. Desliguei tudo e desci as escadas correndo, não tinha percebido que estava com tanta fome.
— Kattie, chame seus irmãos, por favor! Disse o meu pai.
— Jason e Chloe, o almoço está pronto! Berrei.
Meus irmãos são extremamente chatos! Jason é o meu irmão mais velho, e com isso é o mais chato. Chloe é minha irmãzinha de sete anos, ela é bastante irritante.
— Aí que fome! Eu disse pegando o meu prato, já feito pela minha mãe.
— Mãe essas batatas estão incríveis.
No mesmo instante, meus irmãos desceram as escadas brigando, não os entendo sempre brigam e se abraçam.
— Eu disse para você não pegar o meu fone de ouvido! Disse o meu irmão gritando. Ele era alto e magricela, seus cabelos são negros cacheados e seus olhos verdes.
— Como é que eu ia saber que quando bota o fone de ouvido na água ele não ia pegar mais?! Disse minha irmã fingindo a inocente. Ela era baixinha e muito fofa, seus cabelos eram são ruivos e muito lisos e seus olhos são castanhos. Eu não suporto quando eles brigam!
— Desculpe Pamonha, eu não mexo mais nas suas coisas! Disse ela com um olhar de cachorro pidão.
— Jason, o que o seu Ipod estava fazendo nas da Chloe? Perguntou a minha mãe.
— Chloe, eu vou te pegar! Berrou o meu irmão.
— Ah, socorro! Pediu minha irmã.
— Parem com essa algazarra, agora! Disse minha mae com raiva.
— Credo, parece que eu que sou a mais velha! Eu disse jogando meu prato na pia, e fui subindo para o meu quarto. E eu escutei a minha mãe dizendo:
— Arrumem suas malas, amanhã vamos viajar!
Minha irmã gritou de alegria enquanto o meu irmão gritava procurando seu Ipod, como se o Ipod fosse responder. Infelizmente eu teria que viajar. Eu não estava nem um pouquinho a fim de viajar, que saco!
— Kattie, você viu o meu Ipod? Perguntou o meu irmão desesperado.
— Procura na caixa de bagunças da Chloe! Eu disse.
— Ai que droga, ele deve estar todo arranhado! Ele disse choramingando.
— Há! Deve estar parecendo uma frigideira depois de sete ovos mexidos! Eu disse brincando, e Jason fez uma cara que seria assustadora para a Chloe, mas, isso não funciona comigo.
— Toma aqui, pamonha! Eu o chamei pelo o apelido que a Chloe deu para ele quando ela tinha uns Três anos de idade e entreguei o Ipod.
— Ah sua pestinha! Ele me agarrou e me deu uma chave de braço um tanto carinhosa, coisa de irmão.
— Jason eu estou ficando sem ar! Ele me soltou, deu um sorriso bobo e desceu as escadas.
— Chloe não mecha nas minhas coisas! Ele gritou para a minha irmã, e foi a ultima coisa que eu o ouvi dizer. Eu subi para o meu quarto pra arrumar a minha mala, quando cheguei lá Golgi, meu cachorro, estava deitado, dormindo de boca aberta na minha cama.
— Eca Golgi! Sai da minha cama! Sai! Ele nem se levantou.
— Tudo bem, pode ficar aí, mas, você não vai comer hoje!
Então ele levantou a cabeça com suas orelhas pontudas para cima e saiu do meu quarto correndo, esse cachorro já me arranjou muita encrenca!
Peguei uma mala extra para colocar meus livros e alguns de meus CDs favoritos, não vou me importar de levar biquíni, não gosto de quase nada que se refira à praia, então peguei um bloquinho de papel e escrevi:
Plano para as minhas férias: Ler, escutar música e dormir.
Que legal! Estas serão as melhores férias da minha vida!
Botei tudo que eu acho importante na mala: blusas, calças e roupas íntimas, porém, a minha mãe sempre vem olhar a minha mala, tira tudo, e coloca todas as roupas que eu simplesmente não quero usar. A campainha tocou.
— Kattie! É pra você!
Desci as escadas correndo na esperança de que fosse Sophie. Não acredito que quem estava na porta da minha casa era Chad, ele era simplesmente o cara mais gato da minha turma de Biologia. Arrumei meus cabelos rapidamente.
— Oi! Ele disse com um sorriso que quase derreteu o meu cérebro.
— Oi! O que você está fazendo aqui na minha casa? Burra, burra, burra, por que eu não o convidei para entrar?
— Você esqueceu o seu livro na sala, e eu quis fazer questão de vir lhe entregar pessoalmente! Aqueles olhos lindos azuis quase me fizeram perder o rumo da história.
— Sério?! Muito obrigada, isso foi muito gentil de sua parte! Eu disse me esforçando para parecer bonita.
— Sabe... Amanhã eu e uns amigos vamos ao cinema — Ele botou a mão atrás d cabeça — E eu estava me perguntando se você gostaria de ir comigo? Ai que droga, eu tenho que viajar amanhã, tudo isso é culpa de Sophie.
—Eu sinto muito Chad, mas, amanhã eu vou viajar! Eu disse muito, muito triste. Esse poderia ser o meu primeiro encontro.
— Você tem que viajar amanhã mesmo? Não dá para adiar? Ele disse isso com uma cara tão fofa que até a minha mãe deixaria.
— Não, ela não pode adiar a nossa viajem em família garoto! Não acredito que eu não percebi que o meu pai estava atrás de mim.
— Mas, senhor...
— Tchau garoto! Dizendo isso o meu pai fechou a porta na cara de Chad.
—Pai! Qual é o seu problema? Eu disse zangada — O que ia custar adiar um dia? Não acredito nisso pai!
— Sabe o que ia custar? Ele retrucou — A sua infância!
— O que? Perguntei assustada.
— Quando você começar a sair com garotos, vai crescer! Ele disse chateado.
—Certo, então quer dizer que garotos são fermentos biológicos? Eu me estressei.
— Você está crescendo! Assim como o seu irmão! Não será mais a minha bebezinha! Ele disse fazendo cara de choro.
— Pai, desculpa! Mas, só porque eu estou crescendo não quer dizer que vou virar uma delinquente como o Jason. E além do mais, ainda tem a Chloe! Eu disse pegando no ombro dele, e dado o meu melhor sorriso.
— Nossa é mesmo a Chloe é minha bebezinha! Tchau Kattie! Ele disse e saiu.
— Uau! Espera aí! O senhor bateu a porta na cara do garoto mais lindo do colégio... Para nada? Eu perguntei muito indignada.
— Hm... Parece que sim! E ele saiu rindo.
— Ai que raiva! Eu gritei.
— Mamãe, mamãe, mamãe, mamãe! Gritava a Chloe na cozinha. Agitada como sempre.
— Chloe! — Minha mãe chamou, mas, a Chloe não ouviu — CHLOE! Ela gritou.
— Oi mamãe! Ela riu
— O que foi? Minha mãe perguntou como se estivesse com raiva, eu não entendi aquela ação.
— Me ajuda a fazer esse trabalho de Geografia! Ela disse muito empolgada, como se esse trabalho fosse a melhor coisa do mundo depois de chocolate e unicórnios.
— Agora não tem como querida! Por que não pede ajuda a sua irmã? Ela parecia mais calma agora, depois que viu a ingenuidade da Chloe.
— Tá certo! Ela se desanimou, parece que ela prefere fazer trabalho com a minha mãe, às vezes, eu tenho dó dela. Porque ela sempre vai pedir as coisas na hora errada.
— Kattie, você pode me ajudar a fazer esse trabalho de geografia? Ela perguntou.
— O que precisa fazer? Eu perguntei olhando para ela.
— Uma maquete da minha sala. Ela disse já animada de novo.
— Vá pegar uma caixa. Eu disse.
— Tá certo! Ela saiu correndo. E o Jason apareceu.
— Quem era aquele na porta em? Ele perguntou com uma cara sarcástica.
— Ninguém de seu interesse! Eu disse, e ele saiu correndo e dizendo:
— Mãe, mãe, mãe! A senhora perdeu de ver o namorado da Kattie!
— Jason cala a boca! Corri atrás dele, pulei em suas costas e dei uma chave de braço nele.
— Socorro! Sai de cima de mim sua doida! Ele exclamou, com sua face meio avermelhada, eu sou ótima em defesa pessoal.
— Jason, ele não é o meio namorado! E falei no ouvido dele.
— Então tá! — Ele se acalmou — A Kattie tá namorando, a Kattie tá namorando! Daí a minha mãe apareceu.
— Kattie saia de cima do seu irmão e suba para o seu quarto já! Graças a Deus a minha mãe apareceu. Desci das costas do meu irmão e subi para o meu quarto em silêncio. No meio do caminho a Chloe apareceu.
— Ei você não vai me ajudar? Ela estava carregando uma caixa cheia de gliter e emborrachado. E pobre tão ingênua, esqueceu que nós estávamos de férias.
— Chloe, sua fofa, nós estamos de férias! Eu disse acariciando seus compridos cabelos.
— É mesmo! Desculpa! E ela saiu rindo e correndo, que doidinha. Fiz o resto do caminho até o meu quarto.
— Com licença Kattie! — Minha mãe entrou — É verdade que você está namorando?
— O que? Não mãe, eu não estou namorando! Eu falei
— Que bom! Até porque você é muito jovem para isso. Quando ela disse isso olhou para mim como se estivesse jogando uma mágoa antiga na minha cara.
— Não mãe, eu não sou! E eu vou namorar com quantos anos? 23? Eu falei olhando com raiva para ela. Acho que ela não percebeu a pitada de ódio que fora junto com a frase.
— De preferência! Ela disse com uma ponta de sarcasmo.
— Mãe! Ela olhou para mim e deu um enorme sorriso que seria até capaz de acabar com uma possível 3ª guerra mundial.
— Vamos descer para jantar! Ela disse empolgada.
— Tá certo! Mãe, não diz nada para o papai, por favor! Quando eu falei isso fiz a melhor cara de cachorrinho pidão do mundo.
— Seu segredo estará guardado comigo! Ela disse, e nós descemos para a mesa, chegando lá tinha uma linda pizza me aguardando na mesa e já cheguei gritando.
— O primeiro e o ultimo pedaço são meus! Eu disse levantando a mão, e todos protestaram, como sempre.
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