Atrás Do Arco De Pedra

2 As Férias (Mais Horríveis da Minha Vida)


Notas iniciais
Obrigado pelos comentários!!!

Acordei com uma baita dor de cabeça, olhei a hora no despertador que fica ao lado da minha cama, eram 08h15min. Levantei-me e fui até a escada, meu pai já havia acordado e estava sentado no balcão da cozinha de roupão azul, estava lendo o jornal e esquentando o seu café. Voltei, fui até o banheiro lavar o rosto e escovar os meus dentes, meu cabelo parecia um ninho de pássaros, então tratei de arrumá-los também. Passei pelo quarto da Chloe, a TV estava ligada, como sempre. Ela sempre dorme assistindo o programa favorito dela que é Os Pégasos Saltitantes. Entrei e desliguei a TV, e para começar meu dia com o pé esquerdo, eu pisei em um lego!

― Ai! Gritei baixinho. E sai de lá o mais rápido possível. Desci as escadas até a cozinha. E meu pai continuava do mesmo jeito que o vi anteriormente, não tinha movido um músculo sequer, achei estranho.

― Bom dia querida! Falou meu pai alegremente, dando o melhor dos seus sorrisos.

― Silencio que eu ainda estou dormindo! Brinquei com ele, eu sempre falo isso de manhã.

― Engraçada como sempre e então? – perguntou empolgado. Está ansiosa para a nossa viagem em família?

― Muito Pai, pra valer! ― respondi ironicamente, a verdade era que eu não estava nem a fim de sair de casa. Peguei um prato e meu pai colocou bacon e ovos nele. ― Valeu Pai!

― Eu tenho uma novidade, para todos vocês, mas se você me prometer guardar segredo, eu te conto! Quando ele falou isso olhou para os dois lados, como se o que ele fosse dizer era um segredo da Casa Branca.

― Está bem pai ― Neste momento levantei a minha mão direita e disse: Que o segredo seja oculto na escuridão e jamais veja a luz do dia! ― Tirei essa frase de um dos meus livros favoritos!

― Ótimo, então eu acho que posso te contar! ― Ele disse satisfeito.

― Não vamos passar ás férias aqui em Raleigh, vamos para Charlotte! ― Ele disse isso muito empolgado, e ficou esperando uma resposta. Nao sei de onde as pessoas tiram nomes tao criativos para cidades!

― Sério? Que ótimo pai! ― Eu disse sinceramente feliz, pelo menos uma vez ao ano vamos sair desta cidade que não suporto. Vamos ficar em que hotel?

― Bom, enquanto a isso... Vamos ficar na Casa do Tio Charlie. Não é legal?!

— É parece ser bem legal!

— E é! A casa do Tio Charlie é incrível, no meio da floresta e perto de um lago, da pra agente pescar!

— Um lago? Isso me fez lembrar quando eu tinha cinco anos e o Jason oito, agente ia pescar com o papai sempre que podíamos. Mas agora não dá mais.

— Bom dia amores! — minha mãe chegou, e na mesma hora meu pai fez um sinal para eu não falar nada. Eu ri! Mas foi silenciosamente.

— Bom dia Mãe! Às vezes eu me esforço para não chegar perto da minha mãe de manhã, ela tem com um mau hálito, que nem a Chloe dormindo aguenta.

— Bom dia querida! — neste momento mamãe olhou para papai lentamente e depois para mim. — Acordaram cedo hein!

— É, nós estamos muito ansiosos para a nossa viagem! Eu falei com um ar de mistério, e com um pouco, só um pouquinho de medo da minha mãe.

— Você Kattie? Empolgada para a nossa viagem? Até parece! — Ela disse debochando, como se ela soubesse mais do que eu sobre minha própria vida.

— Estou falando sério, mãe, é tão bom passar as férias aqui em Raleigh! Não é Pai? — Brinquei com ele, papai era péssimo em guardar segredos.

— C-com certeza! — Ele disse nervoso, a qualquer momento ele vai desabafar.

— Enfim, Kattie já são 09hrs, vá acordar os seus irmãos!

— Tudo eu! — Resmunguei e sai. Fui ao meu quarto para pegar a arma secreta que eu sempre uso para acordar o Jason, uma buzina de carnaval. Mas passei no quarto da Chloe primeiro, porque um dia cometi o enorme erro de acorda-la assim, e ela quase morreu de susto. Além de minha mãe ter reclamado comigo por dois dias inteiros.

— Chloe, acorda! — Disse sacudindo ela, sem sucesso. — Chloe acorda tem um monte de unicórnios lá no jardim!

— Onde? No jardim? Já estou indo! E saiu correndo escada abaixo.

Andei até o final do corredor, no quarto do Jason, abri a porta como uma ninja e entrei, acabei pisando em um dos seus CDs, doeu, cheguei bem pertinho do ouvido dele, e buzinei. Eu sou demais.

— Jesus, Maria e José! — Ele disse de um pulo que deu!

— Acorda agente tem que ir se adiantando para viajar!

— Não faça mais isso, sua LOUCA! Ele estava com o cabelo pior que o meu.

— KATTIE, não têm nenhum unicórnio no jardim! — Disse Chloe lá embaixo, ingênua Chloe.

— Desculpe Chloe, acho que foi apenas um alarme falso. Mas tem uns cereais esperando por você lá em baixo!

— Eba! E ela saiu correndo

— Vamos Jason, papai quer nos dar uma notícia. Eu disse como se não soubesse de nada.

— Hum... Uma notícia? Falando isso ele colocou a mão no queixo tentando pensar, tentativas inúteis.

— É sim, e parece ser bem legal! Continuei falando secretamente.

— Você sabe qual é a notícia! Ele disse. O Jason ás vezes era muito esperto, mais só ás vezes.

— Não eu não sei, por isso estou aqui te acordando, porque ele quer contar para todo mundo de uma vez só. Nem a mamãe sabe.

Agente desceu correndo pela escada, e fomos direto para o balcão.

— Pai, conta logo a notícia! Eu disse impaciente mesmo sabendo de tudo.

— Nós nestas férias...

— Iremos sair de Raleigh, vamos para Charlotte! Eu o interrompi.

— Kattie, você prometeu que não ia contar! Ele disse indignado.

— Eu prometi não contar a ninguém, mais como o senhor ia contar decidi pegar essa oportunidade! Acabei rindo sozinha com todos olhando para mim senda um único sorriso, foi constrangedor.

— Charlotte? Perguntou minha mãe. — Iremos ficar em que hotel?

— Na casa do... — eu comecei a falar e papai tampou a minha boca, muito rápido, foi engraçado.

— Na casa do tio Charlie! Ele falou rapidamente antes que eu o interrompesse.

— Mas a casa do Tio Charlie esta praticamente abandonada, e aquilo ali é um casarão! Mamãe disse como se aquilo fosse a pior ideia do mundo, como se a casa fosse mal assombrada, aquele comentário arrepiou a minha coluna.

— Não se preocupe, ontem mesmo mandei um pessoal fazer a faxina. Vai estar tudo perfeito quando chegarmos lá!

— O que você achou Jason? Perguntou meu pai.

— Legal, me fez lembrar quando agente saía para pescar! Pela a primeira vez eu vi o Jason realmente empolgado para viajar.

— Exatamente! Onde está a Chloe? Minha mãe perguntou já ficando preocupada.

— Bom... É que eu falei para ela que tinhas uns unicórnios lá no jardim, e ela estava procurando, agora ta na cozinha devorando uns cereais. Eu falei sem medo das consequências.

— Kattie! Não faça mais isso com a sua irmã! Disse minha mãe.

— Tá legal mãe, desculpa! Chloe, nao coma sem escovar os dentes, é errado! Ela voltou correndo com um monte de grama nas mãos e nos cabelos ruivos, com uma tigela de cereais na maos, a grama ficou bonita no tom de pele dela. Se eu dissesse isso para minha mãe ela ia me dar uns cascudos, então preferi não dizer nada.

— Mas, tá legal. Ela disse sorrindo

— Ok, todo mundo subindo para se arrumar, temos pouco tempo se queremos chegar lá cedo. Disse minha mãe, já pegando a Chloe para dar um banho nela. Uma hora depois estava todo mundo pronto e com as malas lá em baixo.

— Tá legal, eu quero todas as malas no carro em 20 min. Disse minha mãe. Você pode achar que é muito tempo para guardar poucas malas, mas cada pessoa estava com pelo menos três malas, e uma bolsa de mão. E 20 min depois estavam todos dentro do carro. Eba Viajar!

— Espera ai pai, nós nos esquecemos de Golgi. Eu gritei pobre cachorro, esquecido em suas férias de verão. Meu pai parou o carro e eu desci correndo. Levei mais 5 min para pegar Golgi, e todas as suas coisas. Agora sim, pé na estrada.

Todo o caminho meus pais e a Chloe passaram cantando. Eu e o Jason ficamos escutando música por muito, muito tempo (no celular dele, ou seja, foi a viajem toda só escutando heavy metal). E também dormimos muito. Resumindo a viajem foi um saco. Mas, a parte mais impressionante da viajem, foi que na entrada de Charlotte tinha um arco de pedra enorme, lindo, quando passamos por ele senti um arrepio na coluna, acho que estou apenas com frio e me enrolei com o meu casaco.

Chegamos à cidade de Charlotte á tarde, passamos no supermercado e compramos o que precisamos para essa semana. E quatro sacos de ração de 10 kg para Golgi. Até porque Golgi é um Dog Alemão muito lindo, e grande, é branco com pintinhas pretas. E um pouquinho de ração não vai satisfazer a sua fome. Em 40min nós chegamos na casa do tio Charlie, uma casarão muito bonito, de mármore e portas de 2 metros de altura. Quando entramos, meu pai ficou furioso, o pessoal que ele havia mandado para a casa, não havia feito à limpeza, meu pai ficou tentando ligar para eles, e nada.

— Parabéns Richard, você conseguiu fazer com que passemos toda essa noite arrumando a casa. Disse a minha mãe zangada, ninguém chega perto de mamãe quando ela fica zangada.

— Desculpe Querida, não sei o que houve. Ele disse decepcionado. E ele ficou tentando ligar para eles e finalmente conseguiu falar com alguém.

— Não acredito, eles acharam que era só para a semana que vem!

— Que legal! — disse minha mãe ironicamente. – Mesmo assim corram para pegar os seus quartos!

Corri para o primeiro andar onde encontrei um quarto bem legal, o quarto tinha um leve cheiro de poeira, as paredes tinham um papel de flores brancas, acho que eram lírios, perfeitamente colocado da metade da parede bege, para baixo. Tinha uma escrivaninha linda, lado esquerdo da escrivaninha havia uma estante com alguns livros empoeirados. Todos os livros eram de um autor para mim desconhecido: C. Nathan P. por um momento pensei que fosse o tio Charlie, mas, ele trabalha para o exercito americano, nunca teria tempo para escrever. Continuando sobre o quarto tinha um closet enorme lá, que minha família toda poderia morar lá dentro. E para melhorar tudo tinha um armário cheio de CDs e uma televisão, até parecia que aquele quarto fora feito exatamente para mim. Voltei para a estante de livros, peguei um livro chamado “Passeio a Cavalo”, pela resenha conta a história de um garoto havia ganhado um cavalo e que 10 anos depois o cavalo ainda era seu melhor amigo.

— É este aqui! Disse para si mesma.

Joguei algumas das minhas coisas sobre a cama.

— Kattie! Meu pai gritou da escada. — Desce e vem guardar essas coisas no porão.

— Já estou descendo! Respondi. Fechei o livro e coloquei-o novamente na estante e desci.

— Leve estas caixas que estão ali! Meu pai disse apontando para uma pilha de caixas. Peguei uma e fui para o porão. Quando abri a porta, levei um susto. No porão havia nove estantes com livros e anotações, livros do mesmo autor dos outros livros que no meu quarto se encontravam. No centro do porão havia uma escrivaninha com mais livros e duas lixeiras cheias de ideias que não deram certo.

— Que incrível! Eu disse. — Pai, eu acho que não vai dar para colocar as caixas aqui embaixo. Eu falei enquanto o meu pai descia.

—Uau! Ele disse surpreso. — O Tio Charlie evoluiu bastante desde a ultima temporada que ele passou lá em casa!

— Tio Charlie? Perguntei então C. Nathan P. é o Tio Charlie?

— Sim, é sim! Respondeu. — Ele sempre escreveu belos livros!

— Que incrível! Eu disse surpresa novamente. — Mas, como ele escrevia se ele sempre viveu no exercito por causa do vovô? Eu perguntei enquanto pegava alguns papéis em cima da escrivaninha.

— Bom, ele sempre dava um jeito! Ele disse rindo.

— É! Eu disse rindo também.

— Ei gritou minha mãe no topo da escada. — Vocês por acaso não estão pensando em fugir da faxina?! Estão? Minha mãe perguntou.

— Não querida, já estamos subindo! Respondeu meu pai.

— Melhor subirem logo, porque eu fiz uns sanduíches de salmão e a Chloe, o Jason e Golgi já estão lá na cozinha então... — Ela afirmou.

— É pai, é melhor agente correr! Eu disse.

— Vamos logo! Ele disse.

Quando estava saindo dei ultima olhada na biblioteca, e tive um pressentimento que seria a ultima vez que olharia para ela e disse:

— O paraíso realmente existe!

Corri para a cozinha e peguei um sanduíche enquanto o meu pai colocava Golgi na varanda por ter comido os dois últimos sanduíches que tinham no prato. A cozinha daquela casa era enorme, tinha uma balcão de granito logo abaixo dos armário que eram feitos de madeira de pinheiro, atravessando a cozinha tinha uma porta que levava a outra área que era quase ao ar livre, com um bar e uma grande mesa de madeira. Mais na frente havia uma porta de vidro que levava até uma quadra de basquete. As pessoas as vezes perguntam por que o Tio Charlie tem uma casa daquele tamanho se ele morava sozinho, essas pessoas não sabem nada, completamente nada sobre a história dele. Tio Charlie tinha três filho e uma mulher que ele amava muito, Tia Sarah. Um dia, ela e os meus primos Liam, Mara e Jerome estavam voltando da casa de minha avó, e estava chovendo muito e a neblina estava muito densa, ela não viu a curva e caíram com o carro no penhasco, todos morreram. Tio Charlie ficou arrasado, e não sem razão, ele perdeu as pessoas que ele mais amava. Terminei o meu sanduíche e fui para a entrada da casa.

— Oi Golgi! Eu disse olhando para ele que estava preso na varanda. Desci os degraus e dei uma olhada no ambiente, na lateral da casa havia uma casa de cachorro para animais do porte de Golgi.

— Que estranho, não sabia que Tio Charlie tinha um cachorro! Eu falei sozinha. Entrei novamente em casa e minha mãe estava organizando as compras.

— Mae onde está o papai? Perguntei.

— Acho que está lá em cima! Respondeu. Subi e encontrei-o arrumando a sala da TV.

— Pai? Chamei-o.

— Oi querida! Ele respondeu olhando para mim e dando um sorriso, mas, percebi que ele estava muito cansado.

— Posso ligar para o Tio Charlie? Eu perguntei com os olhos atentos ao que ele fazia.

— Claro querida, toma aqui o meu celular! Ele disse e meu deu o celular. Que. Droga. Eu simplesmente esqueci o meu celular em casa, vou ficar sem ele por uns dois meses.

— Valeu! Agradeci e digitei o numero do Tio Charlie.

— Alo? Ele disse, eu poderia reconhecer esta voz em qualquer lugar.

— Tio? Oi Tio é a Kattie! Falei

—Olá Kattie, qual é o problema? Ele perguntou

— Bom Tio, o senhor tinha um cachorro? Perguntei

— Então você encontrou a casa do Titânio? Ele riu enquanto perguntava

— Bom, eu acho que a casa é de madeira, e não estava bem escondida! Eu falei um pouco confusa.

— Titânio é o nome do meu cachorro! Falou. — Ou você ainda acredita que eu encontrei Golgi no vale dos doces? Ele brincou

— Tio, o senhor me contou esta história quando e tinha oito anos! E depois eu me esqueci! Eu falei descontraída.

— Titânio era um dos meus cachorros, Titânio e Silícia viviam com a minha família aí, mas, poucas pessoas sabem que Silícia estava no carro também quando aconteceu o acidente! Ele disse. — Ela já foi enterrada atrás da casa, e depois disso Titânio fugiu e eu nunca mais o encontrei, algumas pessoas falam que às vezes ele aparece por aí para “ver” Silícia.

— Nossa Tio eu nunca poderia imaginar isso! Respondi chocada.

— Mas não precisa ter medo, Titânio é apenas um pouco travesso! Respondeu.

— Isso me conforta! Eu disse com uma risada nervosa. — Ei, o senhor nunca me disse que era escritor! Eu disse.

— Hum, então me perdoe senhorita! Ele riu e brincou.

— Bom, então eu posso ler algum, ou alguns? Perguntei.

— Claro que pode, e tem um livro na terceira estante, se não me falha a memória o código é 2698, você vai gostar desse! Ele exclamou.

— Então tá legal, desculpe estar te ligando esta hora à tarde, sei que o senhor está muito ocupado. Eu disse.

— Eu estou sempre ocupado minha flor! Ele respondeu.

— Obrigado Tio! Depois agente se fala! Eu disse.

— Tchau querida! Respondeu.

Quando desliguei o telefone, desci correndo direto para a biblioteca e esbarrei em Jason no meio da escada.

— Ai! Dissemos juntos, e continuei a correr. Abri a porta, e fui até a terceira estante.

—2696, 2697,... Isso 2698! Gritei. O livro tinha uma capa vermelha, e se chamava “Na Noite Do Desespero”. Minha mão suou na hora, será que aquele livro se tratava da vida do Tio Charlie? Sobre seus momentos de tristeza que ele viveu? Suas memórias mais sombrias? Abria primeira página e...

— Kattie! Minha mãe gritou.

— Oi mãe! Eu disse impaciente com o livro pesando na mão.

— Suba aqui agora! Ela gritou.

O que será que aconteceu agora? Subi a escada correndo e tropeçando, quase levei uma queda no topo da escada, e Jason estava lá!

— Queria ver esta queda! E ele ficou rindo da minha cara.

— Filha! Você está bem? Perguntou minha mãe preocupada. — Chegou um pacote para você! Não tem remetente.

Quando minha mãe saiu da frente do pacote, era uma caixa enorme de papelão toda lacrada, e em cima tinha uma carta. Meu pai levou a caixa para o meu quarto.

— Vou dar um tempo para você ver o que tem aí! Ele piscou o olho e saiu do quarto. Assim que ele fechou a porta, corri para a caixa, peguei a carta e nela estava escrito: “Faça bom proveito, sei que não te vi ainda, mas, beijos e espero te ver logo, Beijos novamente, C.”. Não tem aquele arrepio que a gente sente na coluna às vezes?! Pois é! Foi o que eu senti! Corri para tentar abrir a caixa e levei um corte! Como. Eu. Sou. Desastrada. Tinha uns cinco livros dentro da caixa e uma bolsa enorme escrito: “APENAS P/ EMERGENCIAS”. Não quis abrir a bolsa para ver o que tinha dentro, tive medo de não gostar do seu conteúdo. Todos os livros falavam de criaturas mágicas e como mata-las ou captura-las, eu não entendi a precisão dos livros. Foi naquela hora que tomei coragem para abrir a bolsa, peguei o zíper e na hora que eu ia puxando...

— Kattie, o jantar está pronto! Gritou o Jason lá da cozinha, imagino. Não entendi como já podia ser o jantar se eu nem almocei, me levantei e fui à escrivaninha olhar as horas, já eram 18h36min. Como o tempo passara assim tão rápido? E enquanto eu ia para a porta, escutei um baque na janela. Eu hesitei, mas acabei indo, abri a janela e tinha uma pessoa lá embaixo.

— Desce! Ele gritou. Ai. Meu. Deus. Será que era Chad? Será que aquele deus grego tinha vindo atrás de mim? Porém minha teoria não poderia se basear somente no será.

— Não posso, minha família está lá embaixo e eles vão me ver! Eu disse. Ele estava com uma lanterna sendo que ela apontava para o chão, e ficava olhando para a floresta como se houvesse alguma coisa ruim lá, algo que nós dois pudéssemos temer e muito.

— Desce agora, e traga a bolsa! O tom de voz dele parecia urgente. Então do nada algo se mexeu nas arvores da floresta. — Rápido, desça pela arvore!

Como eu, Kattie Parker, em sã consciência, vou descer pela árvore? Eu tenho que me arriscar pelo menos uma vez na vida. Corri até a caixa, peguei a bolsa e botei uns dois livros dentro dela, sem olhar é claro, botei umas barras de cereais e voltei para a janela, passei a primeira perna pela a janela, respirei fundo, segurei o galho mais próximo e pulei. Foi mais fácil do que eu imaginei, tirando a parte em que o meu pé prendeu em um galho e eu quase cai.

— Você demorou mais do que eu imaginava, mas, vamos! Ele estendeu a mão, mas, eu não consegui enxergar o seu rosto, só sei que segurei a sua mão e começamos a correr em meio as arvores e samambaias, no solo úmido da floresta nesta época do ano. Foi então que chegamos a uma clareira.

Notas finais
Comentem!!!