Atrás Do Arco De Pedra
3 A Aventura Começa...
Era um local legal para acampar. Bem aberto, com algumas árvores apenas, a lua estava cheia e alta no céu. Um ótimo lugar para namorar, pode-se assim dizer.
─ Vou pegar um pouco de lenha, é melhor você ficar aqui, se acontecer alguma coisa grite o máximo que puder! Quer ficar com a lanterna? ─ ele perguntou, e eu acho que ele estava olhando para mim com um pouco de “ interesse”.
─ Se você for precisar dela, pode levar! ─ ele sorriu e saiu andando em meio as árvores. Me bateu uma pancada de vento que arrepiou a espinha, aquele lugar apesar de ser incrível, e muito frio. Enquanto eu o esperava, escutei uma série de ruídos na floresta, galhos quebrando, o vento assoviando, o som das corujas e ... Passos.
─ Chad? ─ perguntei assustada. Me levantei do tronco em que estava sentada, e tentei ver quem era, quando eu estava me aproximando, algo passou voando em meio as árvores, não consegui identificar o que era realmente, mais sabia que era um animal bem grande, ele voou em volta da clareia e foi embora. Eu tentava ver para onde ele fora, mais fui interrompida com mais ruídos. No escuro da floresta, conseguia-se ver uma sombra familiar.
─ Golgi? ─ eu perguntei mais aliviada, esperava que ele viesse até mim mas... não era Golgi.
─ Ti- Titânio? ─ rezava para que não fosse ele, mas acho que rezei errado. Titânio olhava para mim tentando me dizer alguma coisa, parecia que estava me chamando. Ele correu até mim, pegou a minha bolsa, e saiu correndo. Bom, ele realmente estava me chamando. Corri atrás dele para tentar recuperar a minha bolsa. Corremos uns 50 metros e lembro-me apenas de ter visto um clarão e uma rajada de vento me lançou para longe, até que bati a minha cabeça em uma pedra, e com isso acabei desmaiando. Quando eu acordei, não sabia onde estava. Estava na margem de um rio de dividia floresta, olhei para os lados procurando titânio, mais não o encontrei. Estava faminta, e com dor de cabeça. Lembrei-me que quando havia saído de casa, peguei a minha bolsa que estava próxima a janela, e para a minha sorte, eu sempre guardo suprimentos para emergências. Quando eu estava comendo, vi novamente o “ OVNI” . Ele pousou na outra margem do rio. E eu consegui ver exatamente o que era.
─ Ai meu Deus, eu não acredito! Um grifo! ─ eu me desesperei ao ver o animal. Um grifo, meio leão, meio falcão. A criatura mais majestosa da face da terra. Primeiro eu imaginei que aquilo tudo fosse apenas um sonho, mas ai eu me deparei com o pesadelo, o grifo estava vindo em minha direção, PARA ME ATACAR. Quando estava chegando perto, o Chad atirou um flecha brilhante nele, mas errou, mesmo assim o grifo foi embora.
─ Ai minha nossa! Eu estava em estado de choque.
─ Me perdoe, não deveria ter deixado você sozinha! ─ ele disse me levantando do chão.
─ Não tem problema, mas, o que você atirou nele? ─ perguntei tirando a terra das minhas mãos e roupa.
─ Fechas de mercúrio, meu avo que me deu! ─ ele responde pegando um arco, e uma mochila com várias flechas. ─ Você tem habilidades com flechas?
─ Bom, eu fiz aula de arco e flecha durante 6 anos! ─ respondi confusa.
─ Bom então essas minhas amiguinhas vão com você! ─ ele disse entregando o arco e as flechas, umas 12 mais ou menos.
─ Valeu, e eu com certeza teria acertado aquele grifo! ─ brinquei.
─ Mas eu não queria acertá-lo, ele não está contra nós! ─ ele respondeu seriamente.
─ A então tá legal, senhor “mira ruim”. Se não conseguia acertar a flecha nele, era só falar. Não precisa falar que um grifo de mais de 2 metros que tentou me atacar, era nosso amigo. ─ Continuei brincando.
─ Bom, amigo ele não era, mas inimigo também não. Na verdade ele é o guardião da floresta, nos avisa que algo de ruim está se aproximando. É isso o torna nosso amigo. ─ Ele respondeu.
─ Então o que ele estava nos avisando? ─ perguntei confusa. ─ Chad? ele estava de costas para mim, e não prestou muita atenção no que eu falei.
─ Abaixa, vai abaixa logo! ─ ele gritava para mim, ele me puxou e quando eu cai no chão, vi um clarão imenso pela segunda vez e reparei melhor no rosto do CHAD... Opa não era o Chad. E logo em seguida fomos levados por outra rajada de vento.
─ Chad o que foi isso? gritei. ─ Quer dizer, Não Chad, o que foi isso?
─ Quem é Chad, e porque você não para de me confundir com ele? ─ ele perguntou confuso.
─ A pergunta é: quem é você e o que fez com o Chad? ─ perguntei nervosa.
─ Tá legal, mais uma vez, QUEM É CHAD, menina? ─ ele perguntou ainda mais confuso.
─ Chad! O garoto lindo da minha escola que me mandou essa bolsa, com esses livros! ─ eu disse pegando a bolsa e mostrando a ele.
─ Não sei do que você está falando, quem te mandou esses livros fui eu, Connor! ─ ele respondeu tentando esclarecer as coisas até onde ele sabia.
─ Connor? ─ perguntei desapontada. ─ Connor com “C” de Chad?!
─ É, eu acho! ─ me respondeu confuso.
─ Então porque você me mandou esses livros? ─ perguntei confusa.
─ Porque achei que ia precisar, e com certeza você vai! ─ exclamou
─ Porque? Sobre o que são esses livros? ─ perguntei.
─ Você não sabe a lenda sobre essa floresta não é? ─ ele finalmente me compreendeu.
─ Lenda? Perguntei mais confusa que o habitual.
─ É, essa floresta é meio que encantada, esses livros são sobre criaturas místicas! quando ele estava falando isso avistamos o grifo novamente, e nós escutamos um barulho imenso.
─ O que foi isso? Perguntei assustada.
─ Acho que foi outro meteoro, mais esse caiu próximo a clareira eu acho. ─ ele respondeu tentando ver alguma coisa.
─ Eu não acredito que eu pulei da janela do 1º andar de um sobrado, para ser quase atingida por um meteoro. Rimos e eu meio que cai na real.─ Eu não acredito nisso! ─ Gritei. ─ Caiu um meteoro lá na clareira onde estávamos.
─ Sério? Onde você mora, não cai meteoros? ─ ele perguntou indignado.
─ Não, quer dizer, Sim, Não. Ah, não é disso que nós estou falando! ─ eu disse um pouquinho nervosa.
─ Então, sobre o que estamos falando? ─ ele perguntou.
─ Eu acho que Titânio salvou a minha vida! ─ disse contente.
─ Ok, Titânio é mais um de seus amigos imaginários? Perguntou.
─ O que? Como assim; Amigos imaginários? ─ perguntei indignada.
─ Chad, Titânio... Onde é que você vai para em Kattie Parker? ─ perguntou preocupado e brincando comigo.
─ Não são imaginários, Chad é um garoto lindo que é minha dupla na aula de biologia! ─ respondi com raiva.
─ Uhum, sei, certo, claro, e Titânio? ─ continuou a brincar. Olhei para ele com raiva.
─ Titânio é o Dog Alemão desaparecido do meu tio! ─ respondi.
─ O que? O cão das trevas? ─ ele perguntou assustado.
─ Espera ai, como é que é? Cão das trevas? ─ perguntei rindo.
─ É que sempre que acontece algo de ruim, a sua sombra está lá. Mas as pessoas nunca viram ele a luz do dia! ─ ele me explicou.
─ Nossa! Respondi impressionada. Eu reparei que Connor estava triste e sentia que ele queria me dizer alguma coisa. ─ Connor, você está bem?
─ Kattie, eu não tenho boas notícias para você! ─ ele começou. ─ É que quando o meteoro caiu na clareira, a rajada de vento atingiu a casa onde você estava.
─ Como assim, isso não é possível! ─ me desesperei.
─ É que a clareia não é tão longe da sua casa! ─ ele explicou
─ Mas, como é que você sabe disso? ─ Perguntei chorando.
─ Bem, é que quando você bateu a cabeça eu fui te pegar para levar para a sua casa, mais quando eu cheguei lá... vi que o sobrado havia sido atingido. ─ ele explicou-me
─ Ai meu deus, meus pais, meus irmãos, minha família estava naquele sobrado! ─ comecei a chorar muito.
─ Calma, a chance deles estarem bem. A estrutura dele não foi completamente destruída, o problema é que uma rajada de vento de um meteoro, tem a força de um furacão de tamanho médio. ─ ele respondeu.
─ Espero que eles estejam bem! ─ Peguei a minha bolsa e nós corremos para a casa do tio Charlie, ou o que sobrou dela. Quando nós estávamos chegando, fiquei um pouco mais esperançosa, porque apesar da casa ser bem antiga, ela não era de madeira. Quando chegamos, vi que o telhado havia sido destruído, as janelas haviam sido quebradas, e quando eu olhei em volta, vi que a árvore em que Golgi estava amarrado foi ao chão, e por sorte não atingiu ele, que estava muito nervoso. Conseguimos tirar a coleira de Golgi debaixo da árvore, e corremos para a porta de entrada
─ Connor, tem alguma coisa bloqueando a porta! ─ eu gritei para que ele me ajudasse, e finalmente conseguimos abrir a porta.
─Mãe! Pai! Chloe! Jason! ─ eu gritava com a esperança de encontra alguém, vivo.
─ Kattie, eu vou procurar em outro cômodo da casa! ─ Connor me disse antes de correr para o corredor próximo ao hall de entrada!
─ Mãe! Tem alguém ai? ─ continuei a gritar.
─ Kattie! ─ ouvi a voz da Chloe choramingando.
─ Chloe, graças a Deus você está bem! ─ Agradeci.
─ Eu estou com medo Kattie! ─ ela choramingou.
─ Calma, onde é que você está? ─ gritei.
─ Aqui na salinha de TV do primeiro andar! ─ Respondeu soluçando.
─ Eu não posso subir porque a escada está quebrada, mas se você chegar até aqui na frente, você pula e eu te seguro! ─ tentei acalmá-la. ─ Eu jamais te deixarei cair!
─ Certo! ─ ela respondeu um pouco mais calma. Quando estava olhando para cima, eu vi a Chloe perto do primeiro degrau da escada, pronta para pular, como a casa tinha três andares, o 1º não era tão alto.
─ Pula! ─ gritei. ─ Mas não pega impulso!
─ Está legal! ─ disse ela enxugando o nariz. Ela se jogou do 1º andar e eu a peguei.
─ Kattie, onde é que a mamãe está? ─ ela perguntou chorando.
─Nós vamos achar todo mundo! ─ respondi triste.
─ Kattie, corre aqui! ─ gritou Connor. Coloquei a Chloe no chão e corremos, encontramos o Connor tentando abrir a porta do porão. ─ Acho que eu escutei alguma coisa. ─ ele continuou. Tiramos os destroços que estavam bloqueando a porta, abrimos e infelizmente não encontramos nada.
─ Chloe, tinha alguém lá em cima? ─ perguntei com a mão nos ombros dela.
─ E-Eu não vi ninguém! ─ ela respondeu.
─ Kattie eles devem ter ido pedir ajuda, ou algo do tipo! ─ Connor disse nos acalmando.
─ Por que o porão não foi destruído? ─ perguntei curiosa.
─ Acho que o seu tio usava ele para se refugiar de furacões e bombas! ─ respondeu.
─ Hum, já é tarde, podemos passar a noite aqui? ─ perguntei cansada.
─ Claro, vamos descansar! ─ ele me respondeu.
─ Kattie, quem é esse garoto? ─ Chloe perguntou.
─ Chloe, esse é o Connor, ele me ajudou muito hoje! ─ respondi.
─ Ah, e onde você conheceu ele? Você saiu escondida? Afinal onde você estava? ─ ela me interrogou.
─ Eu estava... hum... Na padaria, foi lá que eu conheci o Connor, ele mora aqui perto! ─ Desenvolvi uma história para a Chloe não sair dizendo para os meus pais que eu fugi para sair por ai com um estranho, e percebi que o Connor nunca havia me dito onde morava. Eu nunca havia reparado exatamente no Connor, ele era bem bonito. Era alto, com olhos verdes e cabelos castanhos claros.
─ Bom, vocês fizeram compras quando chegaram aqui? ─ Connor perguntou.
─ Sim, eu acho que a mamãe colocou ou em cima do balcão, ou guardou tudo no armário! ─ respondi.
─ Bom, eu vou pegar algumas coisas como mantimentos! ─ ele respondeu, prestes a ir para a cozinha.
─ Espera ai, mantimentos? ─ perguntei confusa.
─ É, nós não podemos ficar muito tempo aqui, quando amanhecer precisamos sair. ─ ele me explicou.
─ Por que? ─ perguntei
─ A estrutura da casa está muito fraca, e pode desabar a qualquer momento, já é um risco passarmos a noite aqui. ─ ele respondeu. ─ Você tem alguma barraca de acampamento ai? ─ perguntou.
─ Entendi. Eu acho que o papai trouxe umas duas ou três! Bom eu vou colocar a Chloe para dormir, ela está bem cansada! ─ respondi.
─ Ótimo, tudo bem, descanse um pouco também. ─ respondeu e foi para a cozinha. Olhei para a Chloe e ela estava bem mais calma, nós fomos até a sala de TV que havia lá em baixo, e estava um pouco bagunçada por conta do acontecido, mais para a nossa sorte, haviam dois sofá-cama lá, e a TV ainda estava pegando. A Chloe deitou-se e ficou assistindo.
─ Chloe, eu vou ver se o Connor achou as cabanas! ─ avisei. ─ Você vai ficar bem?
─ Vou sim, mais eu estou com um pouco de fome! ─ respondeu.
─ Eu vou pegar alguma coisa para você comer! ─ dei um beijo na testa dela e saí. Fui até a cozinha e tinha um monte de coisa jogada pelo chão. Connor estava juntando a comida que encontrava inteira e colocando em uma sacola.
─ Connor, você achou as cabanas? ─ perguntei.
─ Achei, estavam aqui em cima do balcão! ─ respondeu-me mostrando as cabanas. ─ Peguei duas, uma para você e Chloe, e uma para mim e Golgi! Falando nisso, onde ele está? ─ perguntou.
─ Eu não sei! ─ sai da cozinha e corri para a sala onde Chloe estava, lá estava Golgi. Assistindo Marmaduke com Chloe. ─ Golgi, seu danadinho. Voltei para cozinha para ajudar Connor.
─ E então, achou ele? ─ Connor perguntou.
─ Uhum, ele está na sala com Chloe! ─ respondi. ─ Connor, você nunca me falou onde você mora! ─ falei.
─ Me desculpe, eu moro com o meu avô em um sobrado aqui perto, os meus pais desapareceram aqui na floresta quando eu tinha 6 anos , eu sinto muito pelos seus pais, não é só pelos meus, mas sei como está se sentindo! ─ completou.
─ Tudo bem, mas como você sabe como estou me sentindo? ─ perguntei.
─ Bom, é que faz dois dias que o meu avô saiu para pescar e não voltou mas! ─ Quando ele falou isso seus olhos se encheram de lágrimas, e ele as enxugou rapidamente.
─ Connor, eu sinto muito. Mas nós estamos juntos nessa! ─ falei.
─ Enfim, onde a Chloe está? ─ ele mudou de assunto.
─ Agente ajeitou a sala de TV que tem aqui em baixo, ela está assistindo! ─ respondi. ─ E por falar nisso, você encontrou alguma caixa de biscoito por ai? ─ perguntei.
─ Encontrei, A Chloe está com fome? ─ ele perguntou sorrindo.
─ É! ─ respondi sorrindo também. ─ Vou levar para ela!
─ Espera, não é melhor pegar um pouco de ração para Golgi também? ─ perguntou.
─ Nossa é mesmo, ele deve estar com fome! Peguei uma vasilha com ração para ele. ─ é melhor levarmos um pouco conosco também!
─ Eu peguei! ─ ele respondeu. Eu sorri e corri para a sala de TV.
─ Chloe, encontrei seu biscoito favorito! ─ disse entregando o biscoito para ela, e colocando a ração de Golgi no chão. Voltei pra a cozinha, pra comer alguma coisa.
─ Lanches entregues! ─ brinquei
─ Ótimo, assim não teremos canibais por aqui! ─ Connor brincou e nós rimos juntos. ─ Bom, deixei tudo organizado, agora é melhor nós irmos dormir, já é tarde!
─ É, eu to morrendo de sono! ─ Bocejei.
─ Bom eu vou arrumar o sofá La no porão para mim! ─ Connor falou.
─ Não precisa, na sala de TV tem dois sofá-cama! ─ respondi.
─ Mas, não é melhor para todo mundo, no porão? É mais seguro! ─ respondeu.
─ Eu sei que agente vai precisar sair, mas não é necessário nós irmos para o porão. Acho que a casa não vai desabar, e a sala de TV ficou quase intacta! ─ respondi.
─ Então tudo bem! ─ concordou. Fomos para a sala de TV, e, a Chloe e o Golgi já estavam dormindo. Empurrei ela que estava toda espalhada pelo sofá e me deitei, Connor deitou-se no sofá-cama de solteiro. Não demorei muito para dormir. Quando acordei, a Chloe já tinha levantado, ou melhor, todo mundo já tinha levantado. Fui até a cozinha e não os encontrei, por um momento fiquei preocupada, mais depois escutei os risos da Chloe, que estavam vindo da quadra de basquete. Corri até lá e vi, Chloe e Connor jogando basquete, estavam se divertindo, e Golgi também estava no meio. Voltei para a cozinha para pegar uns biscoitos, ou alguma coisa que eu encontrasse. Em cima da bancada tinham uns sanduíches de queijo e presunto, peguei um e me sentei em uma cadeira que não tinha sido destruída. E senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto, lembrei dos meus pais, será que estão bem? Connor, Chloe e Golgi entraram na cozinha rindo muito.
─ Eu ganhei de você! ─ A Chloe falou para o Connor.
─ Hum, eu acho que te deixei ganhar! ─ Brincou com ela.
─ Deixou nada! ─ Chloe retrucou. ─ Bom dia Kattie!
─ Bom dia Chloe! ─ respondi.
─ Bom, nós só estávamos esperando você acordar para irmos embora! ─ Connor informou.
─ Então vamos, mas... Para onde nós vamos? ─ perguntei.
─ Bom, vamos ter que andar bastante até chegarmos em um lugar ótimo para acampar e sem o alcance de meteoros! ─ Connor respondeu.
─ Ótimo, longe de meteoros! ─ falei. Pegamos as coisas e antes de sairmos, eu passei na biblioteca do tio Charlie e peguei o livro que contava sobre o dia em que perdeu sua família. A Chloe pegou a ração de Golgi, Eu os mantimentos, e Connor as cabanas. Andamos por mais ou menos 2 horas, com dois intervalos para descanso. Chegamos em um lugar com muitas flores e poucas árvores, e um rio, era tudo muito encantador.
─ Bom, é aqui que nós vamos ficar. Você consegue montar as barracas por enquanto que eu vou pegar lenha? ─ me perguntou.
─ Claro! ─ respondi. Eu já sabia exatamente como montar as barracas, então não demorei muito. Quando acabei guardei as coisas dentro das barracas, e enquanto a Chloe brincava com Golgi, eu peguei o livro do meu tio, e comecei a folhear. Não tinha forças para Lê-lo, não estava muito empolgada para ler em detalhes sobre o sofrimento do meu tio quando parte de minha família morreu. Fechei o livro e escutei uma movimentação estranha na floresta. Fiquei com muito medo, desta vez eu não estava sozinha, a Chloe estava comigo e eu tinha que protegê-la. A sombra de uma pessoa apareceu um pouco distante de onde estávamos.
─ Connor! ─ gritei.
─ O que foi? ─ respondeu cansado, pois tinha vindo correndo.
─ O que é aquilo? ─ perguntei apontando para a sombra. Connor ficou um bom tempo olhando para a sombra, não era assustadora, mas poderia ser perigosa.
─ Eu... Eu não entendo! ─ Connor respondeu triste e confuso.
─ Como assim não entende? ─ perguntei. Connor andou mais um pouco para examinar melhor a sombra que estava á uns 100 metros de distância, e se aproximou ainda mais, acho que ficaram com 75 metros de distância, a sombra quase se aproximou mais do Connor, e acho que ele falou alguma coisa á ele, e logo em seguida foi embora. Eu acho que Connor conseguiu ver quem era, pois ele se jogou no chão de joelhos, corri para ver se ele estava bem, mas logo ele se levantou e correu para a barraca dele. Alguns minutos depois, ele estava chorando muito.
─ Connor, o que houve? ─ perguntei. A Chloe nem reparou no que havia acontecido, pois estava em meio as rosas que tinham mais adiante. Connor saiu da barraca com uma foto nas mãos, e me entregou.
─ Aquele homem... era o meu pai! ─ respondeu chorando. Olhei a foto e vi um homem com uma silhueta semelhante a sombra, e uma mulher ruiva de olhos azuis, com um bebe, o Connor.
─ Ai meu Deus. ─ respondi assustada. ─ Connor, por que você não foi atrás dele? ─ perguntei.
─ Não sei, fiquei com medo, mas ele recuou, acho que não ficou feliz em me ver! ─ respondeu.
─ Ou, ele não reparou que era você, apesar de você não ter mudado muita coisa. ─ completei. ─ Connor, o que foi que ele te disse?
─ Eu acho que ele reparou bem que era eu, ele me pediu desculpa. ─ respondeu.
─ Viu? Ele está arrependido do que fez, deveria ter ido atrás dele! ─ respondi.
─ Depois eu irei procurá-lo, mas que tal nós mudarmos de assunto? ─ perguntou.
─ Claro, que tal você me explicar melhor sobre essa lenda desta floresta? ─ perguntei.
─ Tudo bem! ─ respondeu. Nós nos sentamos no chão e ele começou. ─ Quando nós passamos pelo arco de pedra, nossos medos e sentimentos se voltam contra nós. A nossa imaginação deixa de ser apenas uma fantasia da nossa cabeça e vira realidade! ─ ele explicava de uma maneira tão encantada que os seus olhos brilhavam.
─ Nossa! ─ eu respondi assustada. ─ Então... Quem foi que imaginou um meteoro destruindo a casa do meu tio? ─ brinquei.
─ Bom, com certeza não foi eu. Mas quando você passar pelo arco de pedra novamente, o que aconteceu volta apenas para a sua cabeça, e tudo volta ao normal, tudo o que você imaginou deixa de ser real! ─ respondeu.
─ Como assim? ─ perguntei.
─ Olha, do lado de fora do arco está de um jeito, e dentro está de outro. Se você imaginar a casa do seu Tio sendo destruída por um meteoro, quando você passar pelo arco ele vira realidade, e quando você voltar, volta a ser sua imaginação! ─ respondeu.
─ Então nós temos que achar quem fez tudo isso, e colocá-lo para fora da floresta? ─ perguntei.
─ Basicamente. ─ respondeu.
─ E se a irmã gêmea da minha mãe, ao passar pelo arco se tornou malvada e sequestrou minha família, mas esqueceu da Chloe? ─ perguntei.
─ Sua mãe tem uma irmã gêmea? ─ perguntou.
─ Tem sim.
─ Então nem imagine uma coisa dessa! Brincou e nós rimos, mas se isso acontecesse, nós teríamos que achar a sua tia do mal e colocá-la para fora do arco! ─ respondeu.
─ Então primeiro nós temos que encontrar quem imaginou que a casa do tio Charlie fosse destruída por um meteoro, e com sorte, minha família estará lá!
— Sim e tem mais uma coisa Kattie, é para você se proteger, além do arco e flecha, prenda isso na sua cintura! Não olhei para o que ele me dava, mas, quando percebi era uma adaga, ela tinha o punhal dourado e sua lamina era levemente curvada.
— Tá... eu deveria agradecer? Ele riu do meu comentário e eu prendi a adaga na minha cintura. E nós fomos.
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