Atos de Vingança II

Capítulo II

Santuário

Selene passara a maior parte do ataque fora do campo de batalha não tinha intenção de lutar. Assistira os combates à distância e, depois que Andrômeda passou pelas doze casas, se dirigiu até a Casa de Câncer, lá ficando até o fim das lutas.

Assim que penetrou na quarta casa observou cada canto daquela que teria sido sua morada caso os deuses não tivessem brincado com seu destino.

- Sinto seu cosmo aqui ainda...- murmura para si dirigindo-se até os aposentos internos, ignorando completamente os gritos de dor dos guerreiros que se enfrentam do lado de fora.

Ao chegar aos aposentos onde efetivamente vivia o guardião da Casa de Câncer, ela se dirige imediatamente ao quarto. Lá chegando sorri, ele ficara mais organizado com o passar do tempo. Sentando-se na cama ela observa o quarto melhor, apenas uma cama, um armário e algumas prateleiras de livros o decoram, talvez com as cabeças dos inimigos o local ficasse um pouco mais sinistro, porém do jeito que está é até aconchegante, simples, mas aconchegante.

Nas prateleiras ela nota que apesar de mais velho o Cavaleiro de Câncer não mudou seu gosto literário. Ética a Nicômaco, um diálogo de Sócrates escrito por Platão; A República e o Banquete, também de Platão; O caso dos Exploradores da Caverna de Lon Füller; Crime e Castigo de Dostoievski; Além do Bem e do Mal de Nietzsche; Mein Kampf de Hitler; A Arte da Guerra de Sun Tzu; Táticas Militares de Sun Pin, a Bíblia Sagrada, o Torá e o Alcorão adornam suas prateleiras.

Retirando a Bíblia da prateleira e folheando-a, nota que algumas passagens estão marcadas, mas curiosamente ela não consegue abrir o Apocalipse. Forçando um pouco as páginas se separam. Elas foram cortadas de modo que pudessem esconder um objeto sem deformar o livro.

- Não acredito que a tenha guardado... – Selene não consegue sufocar a surpresa.

Dentro do livro estava uma pequena pedra, de tom leitoso, com um brilho que mudava conforme a luz incidia sobre ela, uma pedra da lua.

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Encostas do Monte Etna, Sicília, Itália.

Vinte dois anos atrás

- Ung!

- Levante-se, rapaz! Vai se deixar vencer por uma mulher?

- Mestre!

- Não falei com você, Helena, e sim com o molenga aos seus pés! Levanta! Vamos! Não detenha seus golpes! Ela é uma garota, mas também é uma guerreira! No campo de batalha não há lugar para cavalheirismos! Em combate pouco importa o sexo do adversário vocês têm uma missão: proteger Athena!LUTEM! Na hora da luta moral, verdade, justiça, bem e mal se vão, o que importa é ficar vivo! Entenderam?

- Sim, mestre – dizem os dois.

- ENTÃO PAREM DE SE CONTER! PRA CIMA DE MIM, AGORA! CADA UM POR SI! VOU TIRAR A ARMADURA, VALE TUDO!

- Iáaaa!

- Ahhhhhhh!

O Cavaleiro de Prata da constelação do Cruzeiro do Sul retira sua armadura para nivelar as forças com os pupilos, e nota orgulhoso que eles evoluíram mais do que o esperado. Com um ano de treinamento já eram capazes de desferir golpes na velocidade do som e agora, com quatro, lutam de igual para igual com ele, um cavaleiro experimentado. Mais dois anos e dominariam o básico da telecinésia e assimilariam completamente o sétimo sentido.

“Luigi com certeza é o mais óbvio – pensa o mestre – Seus movimentos carecem ainda de sutileza, espero poder incutir nele o gosto pela estratégia. Vejamos o que acontece se... Como esperava não se defendeu! Apostou tudo em ataques de força bruta, mas está melhorando, não tem o gosto apurado de Helena pelas artimanhas e armadilhas, mas ainda assim não gostaria de ver esse moleque vestindo uma armadura de ouro se estivesse do lado contrário. Pena que não possa tornar a ambos Cavaleiros de Ouro, se o Grande Mestre tivesse me confiado duas armaduras douradas... Não é hora pra pensar nisso! Luigi está bem irritado pelo soco de Helena e é capaz de me machucar seriamente se eu me distrair. Na pior das hipóteses o futuro Cavaleiro do Cruzeiro do Sul será tão forte quanto o novo Cavaleiro de Ouro de Câncer.”

- Vocês! Sozinhos! AGORA! – diz o mestre agarrando os chutes dos alunos lançando-os ao chão – Luigi melhore a defesa! Helena, pare de brincar e ataque pra valer, aproveite as oportunidades que esse idiota está lhe dando! Não importa quão amigos sejam, enfrentar o inimigo com todas as suas forças também é um sinal de respeito!

- Sim, Mestre! – berram novamente os dois

Os jovens voltam a trocar golpes, nitidamente o cosmo do garoto é mais agressivo, mas a habilidade da jovem Helena supera a agressividade do oponente fazendo com que ela domine a luta. Aceitando os violentos golpes no rosto ela o deixa em posição para uma joelhada estratégica.

- Aaaaaaaaahhhhhhhhh

- Aproveitei bem a oportunidade, senhor meu mestre? – é nítido que a jovem ri sob a máscara.

- Muito bom, mas se ele estivesse usando armadura talvez não fosse tão eficiente assim. Chega, – ele diz pegando sua armadura — banho, jantar e estão livres até amanhã ao pôr-do-sol. NADA DE BRIGAS NAS VILAS VIZINHAS ENTENDEU, LUIGI?

- S-s-sim, mestre – responde o rapaz ainda cambaleando.

À noite uma figura trôpega chega ao cume do vulcão e é surpreendida por uma voz zangada.

- Você é surdo ou burro? Quantas vezes vai ter de ouvir o sermão do mestre para não arrumar confusão nas vilas!

- Não lembro de ter pedido por sua companhia ou mesmo sua opinião, Helena! – ele diz dando meia volta

- E então depois de descontar a frustração em pivetes e bêbados se sente melhor?

- Como é? – ele se vira para ela

- Você sabe que sou mais forte e vai descontar a raiva da derrota em alguém que você com certeza pode vencer. Admita: você me teme.

- Sua...!

A resposta ao repentino ataque do colega de treinos é um golpe quatro vezes mais rápido que o som. Num instante Luigi está no chão com a amiga sobre o peito e uma bolsa de gelo sobre o olho

- Que porcaria é essa?

- Se o mestre por acaso desconfiar que estes machucados não foram causados por mim, você vai acabar tendo sérios problemas.

- Como se você se importasse. – ele ri

- Se você for embora quem eu vou humilhar?

- Já chega!

Eles se embolam outra vez, novamente a vitória é dela, que fica máscara a face com ele.

- Qual é a da máscara? Esse negócio dá arrepios.

- Isso é minha prova de fidelidade à Athena. Renuncio a minha feminilidade e me torno uma defensora da justiça.

- Nunca tira essa coisa?

- Claro que sim! Eu ainda como e lavo o rosto sabia? Não posso tirar na frente de nenhum homem senão serei forçada a matá-lo ou amá-lo.

- Hahahahaha! Que idiotice! A menos que você se torne uma Amazona de Ouro, ou tenha um cosmo desse nível, você corre o risco de morrer se alguém mais poderoso lhe vir o rosto, e depois de morta qualquer um poderá vê-lo. Isso se você por amor a vida não for forçada a amá-lo.

- Não se preocupe, ninguém verá meu rosto. Tornarei-me a Amazona dourada de Câncer e serei invencível.

- Eu não saí do jogo ainda sabia? E eu consigo tranqüilamente lhe tirar a máscara.

- Você sempre perdeu pra mim. – ela responde ironicamente.

- Quer apostar? Não precisa nem me soltar. Começamos assim mesmo.

- Valendo!

O jovem a empurra para cima com seu cosmo libertando-se e após um animado combate, que mais parece uma brincadeira de pega-pega, ele lança seu cosmo através do indicador, o golpe a faz parar, sentindo o corpo gelado e o mundo escurecer momentaneamente. Quando se recobra ele já está sobre ela, mal lhe dando tempo de deter-lhe as mãos, o que não impede de retirar a máscara de seu rosto com uma cabeçada.

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Santuário, Casa de Câncer.

- Ah! Quem está aí? – Selene esconde a pedra novamente no livro e se vira para o recém chegado.

- Sou eu, Nicomedes.

O Guerreiro do Vento Sul entra no quarto pingando água e sangue, é nítido que ele está transtornado pela excitação da vitória.

- O que houve? – ela pergunta aparentemente calma

- O combate terminou, os cavaleiros fugiram. – ele joga o elmo no chão

- E por que está aqui? – recuando um passo ela percebe que está presa entre ele e o armário.

- Gostaria de compartilhar a vitória com você. – os olhos do homem brilham de desejo.

- Hã? Notus! O que pensa que está...?

Um rápido rasante o ajuda a enlaçá-la pela cintura com firmeza. Antes que ela possa se defender seus lábios já estão unidos. Utilizando seu controle sobre o ar Notus a mantém presa a seu corpo. Suas mãos exploram o delicado corpo da amazona.

- Admita que me deseja, Selene – ele sussurra entre beijos e carícias – Percebi isso desde a primeira vez em que nos vimos. Deixe de bobagens e se entregue de uma vez...

- Notus... Nicomedes! Nico...

Ela cede aos beijos do guerreiro e se agarra ao pescoço deste. Eles se beijam com fúria, o cosmo de Notus se torna mais calmo, carinhoso e a libera levemente da pressão que une forçosamente seus corpos, delicadamente acariciando os cabelos do homem ela guia a boca deste ao seu alvo pescoço.

- Nico... Devagar... Desse jeito... Você... Não...Vai... Conseguir... Aproveitar...A DOR QUANDO EU QUEBRAR O SEU MALDITO PESCOÇO!

Continua...