Atos de Vingança Ii
7 Capítulo 7
Atos de Vingança II
Cap VI
Zurique, Suíça.
É inverno na maior cidade da Suíça, Zurique. Pólo comercial e industrial desse país de tradição neutra a cidade recebeu no início da noite dois dos menos pacíficos Cavaleiros de Athena. Ikki de Fênix e Máscara da Morte de Câncer. Hospedaram-se no Opera Hotel, um elegante e aconchegante quatro estrelas a catorze quilômetros do aeroporto.
Ikki ainda não entendeu direito de onde o dourado tirou dinheiro para isso, mas não reclamou. Assim que desembarcaram e se registraram no hotel, Máscara o avisou que deveria estar pronto esperando por ele no saguão até as dez horas da manhã caso contrário o dourado resolveria os problemas que tinha pra resolver ali sozinho.
- Dez e meia! Onde está esse idiota?
- Sentado aqui por pelo menos três horas lhe esperando preguiça de bronze. –responde Máscara da Morte fechando uma revista e se levantando de uma poltrona.- Você vai assim?
- Assim como?
Ikki olha para suas roupas e não vê nada demais em suas onipresentes camisa vermelha e calça azul. Máscara usando roupa social, colete e gravata. A vestimenta do Cavaleiro de Ouro surpreende Fênix.
- Qual o motivo dessa elegância toda?
- Como eu lhe disse ao sairmos de Jamiel, não podemos chamar a menor atenção. – diz o dourado caminhando até a rua e chamando um táxi — por isso não trouxemos as armaduras nem nos registramos com nossos nomes reais.
- Máscara da Morte é seu nome real? – pergunta Ikki já dentro do carro.
- Se tudo correr bem teremos um trunfo contra as deusas da Vingança. – ignora a pergunta do jovem.
Privatbank IHAG Zürich, trinta minutos depois.
Ikki está se sentindo mais perdido do que cego em tiroteio. Câncer simplesmente o arrasta como um lacaio para cima e para baixo. Como é incapaz de entender o que ele fala com os funcionários tudo o que pode fazer é esperar que o outro lhe explique o que está fazendo o que Máscara não faz.
- Afinal o que aquele velho tanto mexe no computador? – fala em um tom que não admite indiferença
- Eu tenho um cofre nesse banco há anos. Porém por motivos irrelevantes agora eu perdi a minha chave. Ele está conferindo todos os dados possíveis sobre mim para poder me dar acesso ao bendito cofre. Maldita demora. O que mais eles querer? Exame de DNA?
Em outra sala do mesmo banco duas pessoas passam pelo mesmo problema.
- Não entendo por que a demora!
- Você não precisava ter vindo e sabe disso.
- Mas, Lady Selene, como poderia deixá-la sair do Santuário sem escolta?
- Os cavaleiros sobreviventes não me oferecem perigo e você sabe disso...-responde a mulher séria – Andreas, é tão difícil assim me chamar de mãe?
- Ainda não me acostumei com a idéia de que a mãe que eu vi morrer está viva, falando comigo, sem ter envelhecido um único minuto desde a última vez que a vi...- responde o jovem com voz distante.
- Entendo...- ela o abraça meio sem jeito – também é estranho vê-lo crescido e formado, a última vez que o vi você mal conseguia andar direito.
Após um silêncio constrangedor o gerente chega até ela e, após algumas palavras os guia até o cofre.
- Até que enfim! Tem certeza que não querem que eu faça um exame de fezes também? Talvez um de contagem de espermatozóides? Imbecis! – resmunga o Cavaleiro de Câncer enquanto caminha atrás do idoso funcionário.
- Você poderia se vestir de mulher que de nada adiantaria, sua personalidade lhe denunciaria. Afinal o que tem no cofre?
- Mostro-lhe quando chegarmos lá.
Várias revistas e detectores de metais depois os seis entram no cofre por corredores opostos. Selene e Andreas foram os primeiros a chegar. Quando a amazona estava dando a última volta na chave é interrompida por uma áspera e conhecida voz.
- Mas que diabos...?
- Impossível! Você deveria estar morto! Ma...Lady Selene, por que ele ainda vive?
- Luigi? Como você...?
- Luigi? – Ikki encara Câncer
- Você tem certeza que quer realmente falar sobre isso agora? – pergunta Máscara da Morte encarando Fênix com cara de poucos amigos.
- Tem razão. – responde Fênix se pondo em guarda
- Como escapou?
- Achou realmente que eu iria ficar preso por muito tempo?
- Ficou por dois anos.
- Aconselho você e sua cria a se afastarem daqui sem causar problemas.
- Você...Você sabe? – Selene o olha espantada.
- Uma de suas servas deixou escapar. Mas isso não vem ao caso, me dê o que me pertence e suma daqui. De preferência para longe das deusas da Vingança, caso contrário morrerá de qualquer jeito.
- Vocês não serão idiotas de nos enfrentar aqui não é? – fala Selene gesticulando pra que Andreas pegue tudo o que encontrar no cofre e colocar em uma maleta que trouxeram. – Vocês podem ferir inocentes...
- FODAM-SE OS INOCENTES! – berra Máscara da Morte saltando a mesa ao perceber o estratagema de Selene – VOCÊ E ESSA ABERRAÇÃO MORREM AGORA!
- Pode vir, velhote! – Andreas tira o casaco salta contra Máscara destruindo a mesa ao cairem embolados.
- Não temos tempo pra isso, o que...?
- Acho que vou levar isso, moça – Ikki havia pegado a bolsa e sorria pra Selene.
- Sonhe.
- Ouf!
Uma poderosa cotovelada jogou Fênix contra as outras gavetas amassando-as. Selene pega a bolsa e corre pra fora do cofre empurrando os dois funcionários atônitos.
- Andreas! Vamos! – Ela grita.
- Essa coisa não sai daqui viva, Helena! Pode esquecer!
- Faça seu pior! Vai ser humilhado de novo!
Andreas e Máscara estão se anulando golpe a golpe. Nenhum dos dois está usando o cosmo o combate é simplesmente físico. Apesar de Máscara ser mais velho e mais experiente do que Andreas este é mais poderoso e mais rápido. Não que isso incomode o Cavaleiro de Câncer ele quer é que o combate seja o mais duro possível, só assim sua vingança será completa.
- Ela está fugindo!
- Estou ocupado se não percebeu! Atrás dela!- responde Máscara se defendendo com uma gaveta de aço — E não a mate, isso é função minha!
- Não me dê ordens!
Ikki corre atrás da mulher pelos corredores do banco. Os seguranças já haviam sido derrubados por ela, sirenes ecoavam pelo local gritos e pânico no saguão.
- Para quem não queria confusão você até que está fazendo uma senhora bagunça...
- Você...Não pode...Culpar-me.
- Oras... Um sobrevivente de bronze? Isso vai ser tão divertido...
- Mas..?
Vários móveis e janelas haviam sido destruídos. Selene estava de joelhos próxima a um balcão, com o braço esquerdo manchado de vermelho. Uma mulher vestindo pesados agasalhos e rosto coberto está parada no meio do saguão, dez homens fortemente armados renderam os outros usuários do banco. A neve entra rodopiando no edifício.
- Quem é você?
- Sua sentença de morte. Aceitem seus destinos e essas pessoas não serão feridas.
- Nunca. – respondem Selene e Ikki.
- Pois bem. – estala os dedos.
Em resposta ao estalar de dedos da mulher os homens disparam suas armas contra a os presentes.
- Vôo da Fênix!
- Raio de Prata!
Sem nenhuma intenção predeterminada de cooperação os dois destroem os projéteis, antes que firam alguém, porém as armas e seus possuidores continuam intactos. A líder parece sorrir sob seu capuz.
- Então vai ser do jeito mais difícil...
BRAAAAMMáscara da Morte e Andreas atravessam a parede, cobertos de ferimentos e pó. Apesar da confusão já estabelecida não param de trocar golpes. A mulher fica em silêncio observando-os por alguns instantes após o que gargalha.
- Hahahahaa! Vim aqui em busca de dois, mas parece que vou levar três. Hahha, com um único golpe hei de acabar com completamente com os guardiões da “casa” de Câncer. – ela frisa bem a palavra casa.
- Como assim? – Máscara se ergue
- De onde saiu essa mulher? – pergunta Andreas olhando por sobre os ombros.
- Pai, mãe e filho, antes em lados opostos, mas lutando agora por um objetivo comum, a sobrevivência. Que tocante. Farão companhia um ao outro no inferno. Triplo Inferno!
- COMO É QUE É? – Câncer encara Andreas e depois Selene.
Não há tempo para resposta, os homens disparam contra a multidão e Ikki, que havia sido poupado da tripla rajada de chamas disparada ela mulher tenta desesperadamente salvar os inocentes.
Desprotegidos Máscara da Morte, Andreas e Selene são seriamente feridos pelo golpe.
- O que ela quis dizer com aquilo, Selene? – Máscara ignora completamente a dor dos ataques.
- Exatamente o que você ouviu! Andreas é MEU filho! – responde a mulher se erguendo.
- Ora, ora, ora... Então é verdade? – ri a atacante – O imponente Cavaleiro de Ouro desconhece sua descendência?
- Cala a boca!
Selene avança sobre a mulher tentando evitar que continue a falar, porém é facilmente repelida caindo sobre uma escultura de mármore.
- Lady Selene!
- Sem a armadura vocês nada podem fazer contra miiiiiiii...
A frase foi cortada pelo meio, num instante as roupas que recobriam o corpo da mulher se consumiram em chamas ao mesmo tempo em que ela era arremessada longe.
- Talvez eles não, mas nós, Cavaleiros de Bronze, nunca dependemos de placas de metal para cumprir nossas missões. – diz Ikki segurando a bolsa – Levante-se Máscara da Morte, como você mesmo disse em Jamiel, temos uma guerra para vencer.
- Unf! – Câncer se ergue – Moleque abusado...
- Vocês não vão a lugar algum com isso!
Selene se põe na frente da Máscara da Morte que a encara sério e curioso. E assim ficam, imóveis, por alguns instantes até que um imenso cosmo os ataca novamente, forçando-os a se espalhar.
- Ninguém sairá daqui vivo! – diz a mulher que traja uma rubra armadura e uma máscara para lhe ocultar a face.
- Quimera?
- Pfff, eu devo estar perdendo o jeito, era pra você estar morta.
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Longe dali, na Casa de Gêmeos
- Agora não há escapatória... Um deles morrerá.
- Isso não vai chamar atenção para nós?
- Se eles morrerem não.
- Quimera não é adversária para Selene, Máscara e Andreas juntos.E ainda tem o Fênix.
- Deixe de tolices! Eles estão desarmados. Poderiam ser cem e nada adiantaria.
- Vocês quem sabem. Só quero que se lembrem dos riscos casos eles sobrevivam.
- Se Selene sobreviver, o que eu duvido que aconteça, eu cuido de desviá-la de nossas atividades, certo? Agora aproveite o espetáculo.
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Zurique.
- Maldição! – Máscara rosna – Ela não pode ter ficado tão forte assim em seis meses!
-Que tal colocarmos as diferenças de lado temporariamente e unirmos forças?- sugere Ikki.
- NUNCA!
Atacando a amazona de Quimera Máscara da Morte, Selene e Andreas conseguem distraí-la tempo suficiente para que Ikki a atinja com o Vôo da Fênix repetidas vezes, mas ainda assim ela não parece disposta a cair.Lançando Fênix sobre um carro, Quimera prepara o golpe fatal nos guardiões da Casa de Câncer.
- Depois cuido de você, moleque enxerido. Olhe bem para seu pai Andreas e você Máscara encare bem seu filho. Quanto a você, Selene, sorria, sua família enfim se reúne.
Caídos no chão os três se entreolham. Diante do olhar inquisitivo de Máscara da Morte Selene abaixa a cabeça, ele jamais deveria ter descoberto. Andreas olha de um para outro seu olhar é pura confusão. Seu pai é o homem que matara sua mãe?
Ignorando completamente a adversária, Máscara ergue Selene pelos ombros e pergunta à queima roupa:
- Não é a primeira vez que ouço isso. É verdade? Essa... Essa... ABERRAÇÃO é meu filho? – aponta para Andreas ocupado em atacar Ikki e Quimera.- Foi por isso que fugiu da Sicília?
-Ele é MEU filho já disse... – responde Selene sem encará-lo.
- Você acha que uma guerreira do cacife dela se sentiria intimidada por você? -Quimera ri enquanto derruba os outros dois. – Ela fugiu pra se proteger da vergonha e defender o rebento de um crápula como você.
- Força Gravitacional!
- Ondas do Inferno!
- Aaaaaargh!
Furiosos com o constante matraquear de Quimera, Máscara e Selene a derrubam. Elairritadíssima por ter sua vida devassada de maneira tão indigna e ele confuso e assustado com a possibilidade de tudo o que foi dito ser verdade.
- Não sei o que lhe deu, menina. Mas não vou admitir que me humilhe desse jeito!
- Não pense que vai escapar, Selene! Assim que essa idiota cair eu quero respostas hoje, AGORA.
A boca de Quimera sangra, sua armadura começa a rachar. Ikki e Andreas aproveitam o desequilíbrio da adversária e juntam-se ao ataque.
- Seus golpes não podem atravessar minha armadura! Nunca conseguirão potencia suficiente. Morram!
Lentamente a mulher começa a recuar até que num último esforço ataca novamente com um único e gigantesco turbilhão de fogo.
- Não se pode combater fogo com fogo. Vou te ensinar do jeito mais difícil.
Ikki eleva seu cosmo unindo as chamas do ataque de Quimera com o seu flamejante cosmo criando a figura da Fênix nos céus de Zurique.
- VÔO DE FENIX!
- Ah...
FWASHH!
Engolfada pelas próprias chamas e com um poderoso adicional do cosmo do Cavaleiro de Fênix, Quimera atinge vários carros estacionados na rua destruindo completamente os veículos.
- Não... Eu não posso... Selene? Andreas? O que fazem ao lado desses cavaleiros? E por quê...ARGH! – ergue-se ainda flamejante mas ajoelha-se novamente com a mão na testa
- Hm? – Ikki, desconfiado, atenta para o comportamento errático da mulher.
- Você me ajudou a fugir, ainda que contra a vontade. Poupei-a antes, não cometerei o mesmo erro.
- Não podem me vencer! Seus golpes são fracos demais para ferir meu corpo.
- Você só esqueceu de um pequeno detalhe. – responde Ikki
- Qual? – pergunta a mulher recuando alguns passos.
- Nossas maiores habilidades não são ferir o corpo.
- Mas a alma.
- Ah é? Então destroçarei a alma de vocês também! CAÇADOR DE ILUSÕES! – avança Quimera.
- ILUSÃO DA FÊNIX!
- ONDAS DO INFERNO! — Andreas e Selene, para a surpresa de Máscara da Morte, também utilizaram as Ondas do Inferno.
As Ondas do Inferno triplicadas bem como a Ilusão da Fênix se chocaram com o golpe da Amazona de Quimera. Aqueles que assistiam assustados o incrível combate saem lentamente de seus abrigos e observam o curioso anticlímax da batalha.
Após três combatentes emanarem luzes sinistras de seus indicadores nada aconteceu. Por vários instantes nenhum dos cinco moveu um dedo, mantiveram-se parados em posição de ataque. Por fim a amazona tomba sem vida na neve.
Continua...
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