Atormentada

5 Histórico ruim.


Notas iniciais
Pessoal, eu sei que está curto, mas eu tenho uma incapacidade de escrever capítulos longos. Por isso, vou tentar postar com bastante frequência, para compensá-los. Boa leitura!

Surpreendentemente, algumas risadas depois, Catherine percebeu que gostava de conversar com Fred. Ou era só o efeito do álcool em seu organismo. Eles estavam agachados atrás do balcão do bar. Valerie procurava-os, desesperada.

— Já assistiu Estranha Obsessão? — Fred sussurrou. — É mais ou menos aquilo. Eu não estou brincando: ela é louca.

Catherine riu. De repente, sua risada sumiu e ela ficou sombria.

— Pelo menos tem alguém que se importa com você.

— Você também tem.

— Quem?

— Eu.

Cathy pensou que ele estivesse zombando dela, mas os olhos de diziam o contrário. Ele olhava no fundo dos olhos dela. De repente, ele estava perto demais. Tanto que Catherine podia sentir sua respiração e perceber que seus olhos tinham dois tons de azul. Um mais claro ao redor da pupila, que ia escurecendo suavemente. Tudo que conseguia sentir era o cheiro dele. O mundo poderia cair ao redor que Cathy continuaria paralisada, olhando para Fred. Ela estava tentando absorver tudo nele, seu cabelo escuro despenteado, como se ele tivesse acabado de acordar, o piercing na sobrancelha direita, uma cicatriz fina que brilhava em sua testa, a pele pálida e os olhos que pareciam enxergar dentro dela emoldurados por compridos cílios.

Ele apoiou a mão na lateral do pescoço de Cathy, seus dedos estavam gelados, o que a fez estremecer. Puxou-a para si lentamente. Seus lábios estavam a centímetros de distância.

— Ah, finalmente achei vocês!

Fred xingou. Catherine se afastou dele, constrangida. Valerie estava acompanhada de dois rapazes.

— Querido, eu os encontrei. — Valerie disse, orgulhosa.

Fred levantou, relutantemente.

— Cathy, esses são Spike e Jimmy. Eles são da banda.

— Cara, o que acontece? Eu sem nenhuma e você com duas.— O de cabelo azul falou. — Oi, gata, eu sou o Jimmy.

— Spike. – O loiro falou, simplesmente.

— Oi. — Catherine sorriu para eles.

— Fred, onde você arranjou essa gracinha?

— Cala a boca, Jimmy. — Os olhos de Fred reluziram de raiva.

— Pessoal, acabamos de computar os votos. — O apresentador disse. — Rufem os tambores, o vencedor da VI Batalha de Bandas é: Elvis Não Morreu! Parabéns, garotos! Subam ao palco e peguem seu prêmio.

Os três saíram do lado de Catherine e foram até o palco. O apresentador entregou a cada um deles um ursinho de pelúcia. Aquilo era sério?

— Obrigado pessoal e jurados. Isso significa muito para nós. — Jimmy agradeceu. — Cathy, meu anjo, eu vou escrever uma música para você agora!

Só podia ser brincadeira. O que aquele tal de Jimmy, o estranho de cabelo azul, estava querendo com ela?

Fred arrancou o microfone da mão dele.

— Não vai não, Jimmy. Porque sou eu que escrevo as músicas.

— Eu também sei escrever, cara!

— Com certeza, você rimaria gato com rato e seria o próximo John Lennon.

As pessoas na platéia riram. Catherine se alarmou. Fred e Jimmy iam mesmo começar uma discussão bem ali?

— Crianças, não briguem. — O apresentador interrompeu. — E você, meu rapaz, o que tem a dizer? — Ele perguntou ao garoto de cabelo platinado. Catherine tinha quase certeza que aquele era Spike, o baterista.

— Nada. — Realmente, ele não era de muitas palavras.

— Uau, que falante. — O apresentador falou. — Então, meninos, vocês vão cantar outra para nós?

— Agora não, Bruce. — Fred respondeu. — Mas nós nos vemos por aí.

Ele desceu do palco rapidamente, parecia irritado.

— Ei, Cathy! — Ellie a estava chamando. — O que rolou entre você e o Fred?

— Absolutamente nada. O que poderia rolar? —Ela se fez de desentendida.

— Ah, vamos querida, eu vejo o jeito que vocês se olham.

— Você está vendo coisas, Ellie.

— Catherine, vou te levar embora. — Fred surgiu ao lado delas.

— Frederique, que falta de educação. Cathy e eu estamos conversando. E ainda é cedo.

— Não enche, Elleanor.

— O que aconteceu? – Ela perguntou.

— Vamos. – Fred pegou o braço de Catherine e a guiou para a saída.

— Espera aí! — Ellie protestou, mas eles já estavam longe, indo até o estacionamento.

— Solta meu braço. — Cathy exigiu.

Fred não soltou.

— Está machucando. — Ela insistiu. Ele afrouxou o aperto.

— Entre. — Fred abriu a porta de uma van preta.

— O quê?

— Entre. Eu não vou te sequestrar.

Catherine entrou. Fred foi para o lado do motorista.

— O que você faz nas horas vagas? Transporte de crianças?

— Acredite, você não vai querer saber. — Ele deu um sorriso malicioso. — A van é útil por causa da banda. Nós temos que carregar os instrumentos e tal.

— Ah, entendi. — Ela disse. — Então, o que aconteceu lá dentro? – Cathy queria saber por que ele ficou tão irritado, repentinamente.

— Eu não quero falar sobre isso.

Catherine sentiu que estava correndo perigo. Não tinha sido uma boa ideia pegar carona com um cara que ela mal conhecia e que obviamente tinha problemas para controlar a raiva. Além disso, ela sentiu uma energia estranha emanar de Fred, algo perigoso, mas, ao mesmo tempo, magnético.

Ele estava dirigindo muito rápido, o que a deixava com medo, mas ela tinha mais medo ainda de pedir para ele reduzir.

— O prédio da minha mãe é perto da biblioteca.

Fred não respondeu. Parou a van. Catherine olhou pela janela. Eles já tinham chegado.

— Como você sabia...?

Cathy estava tentando perguntar como ele sabia onde era seu prédio, sem ela ter dito. Fred deu de ombros.

— Golpe de sorte? — Ele sorriu.

Deu a volta e abriu a porta para Catherine.

— É... parabéns pelo prêmio. E obrigada por ter me trazido.

— Não foi nada.

Cathy se virou, andando em direção ao seu prédio.

— Catherine.

Ela parou.

— O quê?

— A próxima vez que decidir sair à noite por aí, me chame.

Cathy ia responder, mas quando olhou para trás, não havia mais nada.

Entrou no elevador, apertou o número quatro e torceu para que sua mãe já estivesse dormindo. Assim, teria que encarar a fera só de manhã. Girou a maçaneta do apartamento trinta e seis, agradecendo mentalmente sua mãe por não tê-la deixado trancada para fora. Quando abriu a porta, pulou de susto. As luzes estavam acessas e havia policiais em todos os lugares da sala. Um homem sem uniforme estava sentado no sofá. Catherine deduziu que aquele era Aaron, o namorado de Taylor. Que ótima forma de ser apresentada à alguém “Aaron, essa é minha filha marginal, ela costuma fugir de casa e passar a noite fora“, ela pensou.

— O que está acontecendo aqui? — Cathy perguntou.

— Meu Deus! Onde você esteve? — Taylor questionou, seus olhos estavam vermelhos.

— Andando um pouco. — Deu de ombros.

— Até as quatro da manhã, Catherine?

— Já são quatro da manhã?

— Sim. E você saiu daqui às onze.

— Acho que eu me distraí. Caros policiais,estão dispensados por hoje. — Cathy riu.

— Você está brincando? Onde esteve?

— Eu me perdi.

— Isso é sério, Catherine. Eu pensei que tinha acontecido alguma coisa! Você não pode fazer isso, nunca mais! E está de castigo pelo resto da sua vida.

— Certo.

— Pelo resto da sua vida!

— Eu já entendi.

— Agora, ou você me conta o que realmente aconteceu ou...

— Pelo amor, eu só quero dormir, mamãe.

— Conte, então.

— Ah, foi assim, caros senhores policiais: eu estava andando tranquilamente por aí, quando alguém começou a me perseguir. Eu corri e corri, e por sorte não morri. Mas, ele morreu. – Catherine estava contando a história cantando e rindo.

— Senhora, sua filha costuma beber? — Um policial alto e forte perguntou.

— Não, a última vez que eu fiz isso, uma coisa muito ruim aconteceu. Mas, você sabe como é, às vezes é difícil resistir. — Catherine disse.

— Sopre aqui. — O policial a entregou um bafômetro.

— Isso é sério? — Ela riu, mas pegou o bafômetro e soprou quando viu o olhar no rosto de sua mãe.

— Ela está bêbeda, senhora. Deve estar imaginando coisas.

— Eu não bebi tanto. E aquilo aconteceu antes de eu beber. — Catherine tentou se defender, mas quem acreditaria em uma garota que volta bêbada para casa às quatro da manhã? — Por favor, vocês têm que acreditar em mim. — Ela implorou.

— Obrigada, policiais. Vocês podem ir. Desculpem pelo transtorno. — Taylor estava extremamente constrangida.

Todos os policiais se retiraram do apartamento. Eles olhavam para Cathy e balançavam a cabeça, indignados, antes de passar pela porta.

— Aaron, querido, você também pode ir agora.

— Oi, Aaron. É um prazer enorme te conhecer. — Catherine sorriu. Taylor a fuzilou com os olhos.

— Oi, Cathy. — Ele acenou. Tinha cabelos grisalhos e olhos gentis.

Aaron se levantou e andou até Taylor.

— Não brigue com ela. Tente entender antes. — Ele sussurrou.

— Obrigada. Desculpe por tudo isso.

— Tudo bem. — Aaron inclinou-se para beijar Taylor, mas mudou de ideia.

Catherine simpatizou com ele. Parecia empático e altruísta.

— Vá dormir. — Taylor disse.

— E o sermão? — Cathy questionou.

— No momento, eu não tenho energia nem para um sermão. Nós conversamos amanhã. Se você não fugir de novo.

Sua mãe se retirou, deixando—a sozinha. Catherine foi até seu quarto. Tomou um banho rápido e colocou um pijama quente. Deitou-se na cama. Virou de lado e ouviu um barulho estranho. Tateou no escuro até encontrar o interruptor de luz. No claro, viu um pedaço de papel em seu travesseiro. Pegou—o e leu as palavras impressas:

“Que coisa, feia, Cathy. Uma menina do seu tipo, tão certinha, beber e chegar tarde. Se bem que você tem um histórico de fazer besteira quando bebe, não é? De qualquer forma, a próxima vez que for sair, ao menos deixe um bilhete. Não queremos que Taylor enfarte, por sua causa, como seu papai.”

Naquela noite, Catherine chorou até dormir.

Notas finais
Obrigada por ler! Espero que tenha gostado. Até o próximo.