Ato Final

1 Capítulo único


Notas iniciais
Escrevo isso como uma pessoa que acabou de assistir Code Geass R2, que gostou bastante e que estava louco pra escrever algo sobre.

Lelouch sabia que aquele seria seu ultimo dia na Terra. Não se sentia tão mal, afinal, aquele era o preço que ele decidiu pagar por todos os seus pecados e para que todos finalmente pudessem ser felizes.

Manteve-se sentado na sua cama em sua suíte imperial, se preparando para seu ultimo ato, Já havia se despedido de C.C.; achava que não deveria se despedir de Nunally, para que ela não fraquejasse no caminho que guiaria, mas gostaria de ter se despedido de seu amado Suzaku.

Sabia que sua determinação pessoal em pagar seus pecados com a própria vida, devia-se muito ao roteiro criado por ele e Suzaku, que seria sua espada, seu braço direito e sua força. Não haveria mais tempo de tomar um amor para si. Shirley estava morta, Euphemia estava morta, sabia que Kallen o amava, mas não era recíproco. No entanto, Suzaku estaria com ele até o fim.

Ouviu a porta de sua suíte ser aberta e logo se interpôs diante daquela falta de educação. Mas viu Suzaku Kururugi adentrando. Seu coração disparou na mesma velocidade em que o segurou pelos ombros.

— Suzaku! O que faz aqui?

— Você achou que não viria?

— Todos acham que você morreu. É muito leviano de sua parte aparecer aqui.

— A cena da minha morte acabou sendo bastante abrupta. Eu planejava me despedir antes de ter que te matar.

Lelouch o abraçou e sentiu que não precisava de Geass para saber o que Suzaku iria fazer dali pra frente. Suzaku o abraçou e sentiu a verdadeira ternura do homem por trás da mascara de mentiras.

Suzaku afastou-se lentamente com os olhos nos olhos de Lelouch. Não que quisesse provocá-lo, pois sabia que Lelouch não poderia mais comandá-lo com o geass, mas quis mergulhar naqueles olhos tão temidos e reencontrar o olhar ternuroso que tanto admirou.

— Kallen. Ela se sente culpada por minha morte?

— Sim. Mas não se preocupe, esse peso que ela carregará é legitimo; afinal, foi ela que tomou a decisão.

Sentou-se na cama e com o coração disparado e disse: — Lelouch, eu...

— Eu sei – disse Lelouch intervindo e olhando fixamente pra ele. – Por isso mesmo que tem que ser você.

“Euphie, eu consegui me declarar pra você no final?”, pensou Suzaku. “E se sim, fez alguma diferença?” Pôs a cabeça apoiada nas mãos e ficou quieto.

— Suzaku – chamou Lelouch.

Quando Suzaku olhou pra ele, foi surpreendido por um beijo na boca. Seus lábios eram quentes e a sensação de êxtase dominou todo o seu corpo.

— Eu descobri que nunca seriamos felizes juntos por uma coisa que transcendia a guerra e os nossos lados opostos nela: A nossa essência. Por mas que nos amassemos, o fato de que minha essência faria querê-lo proteger de tudo e de sua essência de querer me proteger de tudo, causaria uma incompatibilidade. Como é engraçado que o único momento em que superamos isso, com o fato de eu ceder e aceitar sua proteção, é o momento em que decidimos nos separar para sempre.

— Você está errado, Lelouch. Não vá achando que o amor é algo tão lógico. O amor abre exceção a lógica, age por impulso e algumas vezes nos leva a tomar decisões ilógicas.

— Mas mesmo assim, estamos tomando decisões apenas baseado na lógica.

— Você não está me ludibriando para você se safar, não é Lelouch? Nós temos uma promessa.

— Sim. Nossa promessa. Não se preocupe, eu vou cumpri-la. Mas, por hora, me ajude a me desfazer do meu traje de imperador. Eu vou tomar banho.

Suzaku engoliu em seco e se apoiou na mão estendida de Lelouch para se levantar.

Lelouch começou a se despir e Suzaku o ajudou a tirar os adereços. Logo Suzaku pôde olhar o peitoral nu de Lelouch, que sorria maliciosamente ao perceber a cara de Suzaku. Quando começou a tirar a calça, Suzaku virou-se, mas Lelouch segurou seu ombro e lhe disse:

— Não se precisa se envergonhar. Por favor, apanhe minha roupa.

Quando Suzaku apanhou a roupa no chão, Lelouch já tinha entrado no banheiro. “Lelouch” pensou. Trouxe o traje imperial para mais perto do seu corpo e cheirou, sentindo a fragrância de Lelouch. Seu corpo eriçou e sua paixão ascendeu.

No momento em que Lelouch saiu do banho, Suzaku estava pronto pra vesti-lo.

— Não precisa. Você tem que estar lá de tocaia para esperar o momento certo.

— Eu vou estar lá. Assim como você também estará – e se pôs de joelho para vestir Lelouch.

— Suzaku, será que haverá um momento em que você poderá contar para Nunally sobre o que realmente aconteceu?

— Eu não sei. Mas assim como lutarei até o fim por um mundo melhor, eu lutarei para que esse dia aconteça.

— Você promete cuidar dela?

— Prometo.

— Parece que deixarei meus sonhos em suas mãos, afinal.

Suzaku terminou de vesti-lo e lhe deu um beijo rápido.

— Mas que forma de se despedir.

— Não temos mais tanto tempo. Vá logo antes que alguém lhe veja comigo aqui no quarto. Os preparativos devem estar prontos.

— E você, Suzaku, não demore em nos apresentar o seu show.

Lelouch foi até a porta, mas ao invés de abrir, virou-se e disse:

— Eu viverei dentro de ti, Suzaku. Você, a pessoa que mais me conhecia e que sabe o porquê de termos feito tudo o que fizemos nesses últimos meses. Não me importo de ser visto futuramente como um monstro, pois o meu verdadeiro eu estará em ti e só morrerá quando você também morrer.

Lagrimas escorriam nas faces dos dois, mas Lelouch foi o único que enxugou as suas, saindo em seqüência.

“Lelouch, você apenas me manipulou para que eu desistisse de te matar ou você realmente sente isso?” pensou. “Não, eu sei que foi genuíno e o uso do geass está fora de questão. Despediremos-nos no ultimo ato de nossa peça”.

Suzaku foi até a porta e antes de abrir, pensou: “Se tivéssemos nos encontrado em outras circunstancias” e saiu do quarto.

E lá se foi Suzaku, predestinado a se caracterizar do alter-ego do seu amado e matá-lo com esse disfarce. Suzaku sentiu o consolo de ele mesmo executá-lo e sabia que Lelouch Vi Britannia achava o mesmo.

Notas finais
Espero que tenha gostado da história.
Não se acanhe se quiser mandar o feedback. É sempre bom (Vai que rola mais uma revisão).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!