Notas iniciais
Todos nós gostaríamos de ser os heróis, salvar o mundo e sermos reconhecidos por isso. Mas será que realmente vale a pena? Siga essa jornada com Jared e descubra como é se tornar um protagonista do pior modo possível.

Ás vezes, tudo o que queremos é ser especial. Queremos que alguém bata em nossa porta, anunciando que somos bruxos ou semideuses, nos levando para um lugar fantástico. Que alguém nos diga que somos "o escolhido" e que só nós podemos derrotar o vilão mais poderoso e mais temido de todos. Mas alguma vez consideram que preço isso tem?

Qual o preço a pagar por poderes fantásticos ou por uma poderosa varinha mágica? Será que vale a pena pagar esse preço? Talvez essa seja a minha maior dúvida afinal.

Não me levem a mal, não estou dizendo que ter poderes incríveis não é legal, só digo que o preço é alto demais. Eu já fui como um de vocês, sentado em segurança do outro lado desse livro, onde nenhum vilão ou monstro pode nos alcançar. Onde a história acaba quando fechamos o livro com o marca pagina entre as folhas.

Posso garantir que toda a mágica que os livros prometem, deixa de ser incrível depois de um tempo. Chega uma hora em que tudo o que mais queremos é parar nossa história e voltar para a vida real, sem monstros, assassinatos, sequestros entre outros. Mas não podemos, porque essa é a vida real que escolhemos.

[...]

Bem, devem estar se perguntando quem eu sou. O ingrato que reclama de receber tudo o que um adolescente mais quer deve ter um nome afinal. Bem, meu nome é Jared, ao olhar para mim, não se consegue identificar nada de anormal, sou até bastante comum.

Tenho 16 anos, olhos e cabelos castanhos e pele pálida, como consequência por trocar o sol por algumas horas de leitura. Sou alto também, mas em padrões aceitáveis para um garoto de minha idade. Como eu disse, uma aparência típica.

Geralmente não sou notado por todos, passo despercebido no meio da multidão. As garotas preferem os garotos de olhos claros ou musculosos. Não tenho nenhuma das duas coisas, o único exercício físico que pratico é levantamento de livros, digamos que essa atividade não conta muito para as garotas.

Se sou um nerd? Acho que pode se dizer isso. Tenho pilhas de livros de HQs em minha casa, troco festas para passar o dia jogando RPG e não pratico nenhum tipo de atividade física, sou completamente sedentário.

Você deve estar pensando "Como assim sedentário? Personagens protagonistas precisam correr e treinar o tempo todo!" Bem, eu não sou nenhum Percy Jackson ou um Harry Potter, tudo o que eu tenho para me virar contra as criaturas que enfrento é a minha mente. Então se está esperando que EU corra por aí igual um Gorila doido e troglodita, com minha espada assassinando as coisas, vai se decepcionar. Como eu disse antes, o mundo mágico não é como nos livros, ninguém tem uma escola ou um acampamento para treinar suas habilidades. Tudo o que temos é uma biblioteca velha caindo aos pedaços, com sua atendente velha caindo aos pedaços.

Devem ter notado que eu enrolei um pouco para começar essa história. Eu não sabia por onde começar, queria deixar a história mais interessante para vocês e causar um pouco de suspense, é claro. Mas começar pelo começo não tinha graça nenhuma, afinal, todos os livros começam pelo começo. Também pensei em começar pelo fim, mas estragaria a surpresa de muitas coisas e alguns escritores já fizeram isso.

Foi então que eu decidi começar pelo meio da história, onde a história está emocionante e mantendo o suspense que eu desejava. Mas foi aí que uma cruel dúvida me afligiu, por qual parte começar?

Escolhi um trecho que eu gosto bastante, captura bastante da minha personalidade e mostra algumas coisas bem importantes.

Ah, não se preocupe, vou voltar para o começo depois de contar esse trecho e explicar tudo o que foi lido. Então não se preocupem se não entenderem alguma coisa. Tudo será esclarecido ao longo dessa história.

[...]

Era uma noite escura, alguns dos postes de luz da rua em que estávamos, pareciam ter queimado a muito tempo. Estava chovendo forte, eu apertava o livro contra o peito, tentando impedir que ele se molhasse e a história dentro dele fosse apagada. Meus cabelos estavam colados a testa e meus olhos vidrados na garota em minha frente. Eu tremia de frio e minha garganta estava muito dolorida, mas nada disso importava, eu precisava sair de lá e terminar o livro antes que fosse tarde.

-O que vai fazer agora, idiota? Nós perdemos a caneta! Você não pode escrever sem ela!- dizia a garota de cabelos claro e olhos vermelhos. Assim como eu, suas roupas e cabelo estavam enxarcadas. Água escorria pelo rosto enquanto ela me encarava.

-Eu salvei nossas vidas e você ainda reclama? Posso arrumar uma caneta em qualquer lugar e terminar o livro!- respondo furioso. Bato o pé no chão, fazendo com que um pouco de água espirre em nós.

-Seu garoto desprovido de inteligência! Aquela caneta era única, sem ela, tudo o que você escreve são palavras inúteis. Se tentar escrever com uma caneta comum nesse livro, ela vai estourar nessa sua cara burra- diz a menina sacudindo os braços, como se estivesse prestes a socar o meu rosto com força, pelo que eu sabia, ela poderia mesmo.

-Eu vou recuperar a caneta Emma, se não quiser me ajudar, fique aí reclamando para as paredes- digo me virando e caminhando para longe.

Sabia que sem Emma eu não era nada, ela havia me ajudado muito ao longo de toda a aventura, mas eu não podia deixar que ela me ofendesse assim. Meus dentes batiam enquanto eu andava, o livro ainda apertado contra o peito. A caneta em meu bolso, que havia se tornado parte de mim nos últimos dias, fazia muita falta. Eu estava acostumado a sentir a caneta no bolso da calça Jeans enquanto andava. Era estranho andar agora sem nada no bolso.

-Jared, espera- diz Emma andando até mim, eu sabia que ainda estava furiosa comigo, mas ela nunca se negaria a ajudar- você não vai achar aquela caneta sem mim, vamos esperar até amanhã, quando o dia estiver claro e a chuva passar. Não fale comigo até lá.

Foi então um raio caiu bem perto de onde estávamos, fazendo com que ela me olhasse apavorada. Ela tinha uma ótima intuição dedutiva, então sabia que devia me preocupar com aquilo também. Afinal, não tínhamos mais a caneta para nos defender.

-Ele está próximo- diz Emma- sabe onde estamos e está com nossa caneta.

-Como pode saber disso? Não tem como ter deduzido isso com um maldito raio!- digo olhando para ela, afinal, era demais, ninguém podia ter uma dedução tão boa.

-Não foi com um raio, bobão, ele me disse. Falou comigo telepaticamente- diz Emma- ele disse em minha mente, caso não saiba o que significa telepaticamente. Quer que o encontremos, vai nos propor um acordo.

Arregalo os olhos, sabia que sem a caneta, ele podia invadir nossa mente e nos encontrar onde quer que estivéssemos, mas eu não sabia que seria tão rápido. Deveria ser tempo recorde.

[...]

Bom, deve estar se perguntando quem é Emma, por que diabos nos preocupamos tanto com uma caneta e quem está atrás de nós. Sinto muito informar, meu caro leitor, mas só descobrirá isso se ler esse livro até o fim.

Notas finais
Descubra os acontecimentos a seguir, nos próximos capítulos de "Atlas"

Continua...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.