Athenas
12 Sonho de Uma Noite de Verão
Notas iniciais
[Jace Stephen]
Acordei meio atrasado em relação ao café da manhã, mas ainda consegui pegar uma maçã no caminho. Procurei por Rovena em todo o refeitório e não a vi em lugar algum, comecei a ficar preocupado, mas lembrei-me mentalmente que monstros não entravam em nossas barreiras, e se entrassem, todos nós iríamos saber.
Vejo Rhanna com seu namorado Kevin em um canto conversando e rindo, sinto inveja dos dois, por poderem desfrutar de um namoro normal e sem pedras no caminho. Mas eu sei que não devo apressar as coisas e enfiar os pés pelas mãos, ser paciente é uma coisa que aprendi com Perséfone, minha madrasta. Todos podiam achar que o pessoal do mundo inferior não sabe amar, mas posso dizer por experiência própria que por mais durão que meu pai seja, ele ama seus filhos. Não demonstra, é claro.
Decido perguntar para Rhanna se ela viu Rovena pela manhã e para minha sorte ela me diz que viu ela e James indo rumo a clareira atrás do Chalé 6. Talvez nem tanta sorte assim.
Vou em direção ao Chalé e percebo que um vulto de um sátiro chamado James corre pelo outro lado da clareira e sinto-me com sorte por ele não estar mais com ela. De algum modo sinto que ela precisa de mim e de meu apoio, caminho vagarosamente rumo ao lugar onde acho que ela está, mas antes de vê-la já escuto seu choro e sou guiado pelo seu pranto.
– O que te faz chorar minha dama?
Ela me olha e imediatamente se levanta e me puxa para um forte abraço. Nem me dou o trabalho de perguntar qualquer coisa, apenas deixo que ela tome fôlego em meus braços.
Passamos um tempo assim e começo a reparar que esse abraço me transporta para um estado de amor que encontro em Sonho de Uma Noite de Verão. Apesar de não ser um sonho, nem noite e sem todas aquelas maluquices. Me sento no chão encostado sob a sombra de uma árvore e a sento em meu colo. Ela não protesta então sei que fiz a coisa certa.
– “Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor”. Ele a deixou? Então deixe que vá, o que é seu sempre volta Darling.
Ela demora um pouco para responder, mas quando fala vejo um leve sorriso se estampar em seus lábios.
–Não é isso Shakespeare. Eu o amo, como amigo- Ela se vira e olha fixamente em meus olhos- E ele me ama como algo mais. Mas não consigo dar esse tipo de amor para ele, então ele se foi. Apenas sinto que perdi uma parte importante da minha vida.
– “No entanto, para dizer a verdade, hoje em dia a razão e o amor quase não andam juntos.”- Eu começo a passar a mão entre seus cabelos, acariciando seu rosto e limpando suas lágrimas. Até chorando e com o nariz vermelho ela era linda.
Ficamos assim um tempo que me pareceu uma eternidade num paraíso e sinto-me revigorado por estar junto dela num momento delicado e ser seu companheiro agora. Quando nos demos por conta acabamos ficando uma manhã inteira ali juntos, apenas abraçados. Então resolvemos ir para o refeitório comer.
Antes de sairmos do nosso pequeno paraíso lembro-me de um trecho de Sonho de Uma Noite de Verão e decido que esse é o momento certo de dizê-lo. Paro no meio do caminho e puxo-a para perto até que nossas testas estejam encostas, a seguro pela cintura e começo com meu melhor tom melodioso a falar:
– “Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.” Você é meu sonho Darling e não importa quando e onde eu sempre vou sonhar com você.
Dou um rápido beijo em seus lábios que se formam em um sorriso de satisfação e saímos para o refeitório enfrentar uma dura tarefa de escolher o que comer.
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