Athena e Eu

14 O que está acontecendo comigo?


Notas iniciais
Cavaleiros do Zodíaco, infelizmente, não me pertence. É propriedade de Masami Kurumada, que é quem enche os bolsinhos enquanto me emociono feito boba.

Athena

Ele viu tudo. Então meu mundo desabou. Não suportei ser mais tão controlada e as lágrimas desceram, abundantes, pelo meu rosto.

– Seiya, espere...!

Meus passos ficam mais rápidos enquanto sussurro sem parar:

– Espere... Por favor espere...

De repente, estou correndo. Vou tropeçar na cauda idiota do vestido, mas não posso parar de correr. O que vou fazer, o que posso fazer?

– Por favor... Meu amor, espere... Por favor!

Mas ele já tinha se ido.

Ah. Meus deuses. Que isso não aconteça. Não vou suportar. Não vou conseguir se... se...

– Eros, seu idiota! Você venceu, está bem? Venceu! Agora me deixe em paz. Não precisa tirar tudo de mim.

Ninguém responde, e meu desespero é maior. Algo se abre no meu interior e eu sinto que preciso fazer alguma coisa agora, senão... Senão...

– Athena Santíssima! A senhora está bem?

Ouço a pergunta do Cavaleiro de Peixes, mas meus olhos estão embaçados demais para enxergar.

– Não, Afrodite. Está tudo errado... Tudo.

*****

Seiya

Pra falar a verdade, nem sei o que sentir. É muita coisa para processar. Mas aqui, olhando esses amigos preciosos com quem tive a sorte de conviver, vendo-os felizes, rindo, bebendo e brincando, não posso deixar de pensar que estou sendo egoísta.

Se meus maiores delírios se realizassem, eu teria que vê-los sofrer, cada vez mais... E sempre. Mas está além de mim. Nessa cadeia de eventos, não tem nada que eu possa fazer que vá alterar alguma coisa.

Se houvesse... Por maior que fosse o preço, eu pagaria.

– Mas o que há com o Pégaso, tão circunspecto? – Aiolia perguntou, com malícia no olhar.

– É verdade. – Respondeu Milo, também malicioso. – Nosso garoto aqui é sempre tão alegre... Problema sentimental será?

Empalideci imediatamente ao perceber que olhavam para Shina, próxima a nós, mas de costas para poder apreciar a bebida.

Mesmo aquela distância, pude senti-la enrubescendo de raiva.

– Não vamos ser indiscretos, não é Cavaleiros? – Shun murmurou ao meu lado. – Ele está apenas cansado. A Guerra Santa ainda é recente, e a reconstrução está dando muito trabalho.

– Isso lá é verdade. – Disse o Cavaleiro de Escorpião. – Mas graças aos deuses, já está quase terminando.

– Sim, — Tornou Andrômeda. – Devolveremos aos Templos o esplendor de outrora.

Todos ficaram em silêncio.

– Mais bebida? – Ofereceu Shun, gentilmente.

Meus lábios estavam secos:

– Eu aceito. Vinho, por favor.

– Com água. Você ainda não tem idade para bebê-lo puro – Aiolia olhou com semblante preocupado.

Shun também pareceu indeciso, mas pareceu julgar que eu precisava mesmo daquilo ao dizer:

– Já experimentou com mel? Fica até mais saboroso. Shaka me ensinou como preparar outro dia.

Por pior que fosse o meu estado, não resisti a fazer uma piada.

– Do jeito que estou hoje, até vodka cai bem.

Mas ninguém me ouviu, pois Aiolia e Milo haviam começado uma discussão fervorosa com Shun a respeito das melhores maneiras e ingredientes certos para se misturar com vinho para menores, se afastando em direção a uma das mesas imensas.

Se tem uma coisa que Saori sabe fazer, é uma festa. O ambiente tinha comida e frutas que pareciam não ter fim, com pouca iluminação e som ambiente para não ofuscar a beleza e energia do luar daquela noite, que estava maravilhoso.

Enfim, tudo lindo. Todos rindo e conversando.

Continuei, absorto, olhando a luz da Lua, mesmo com o arrepio de advertência ao pensar em Ártemis. Prefiro isso a ter que olhar para Athena, tão linda e sorridente, conversando de grupo em grupo, sendo a anfitriã perfeita.

Shina quebrou o silêncio:

– Entediado também?

Sorri, mesmo que só um pouquinho.

– Você, entediada? É difícil imaginar.

– Nem tanto. Agora que estamos em tempos de paz, já podemos viver nossas vidas... Mas só agora me dei conta de que nunca tinha pensado nisso. De repente, é muita coisa para processar.

Dei um suspiro de desânimo, sem deixar de achar engraçada a nossa semelhança.

– Nem me diga. Sabe que eu estava pensando nisso também?

Ela respondeu:

– Dá pra notar.

Enrubesci, como se de repente ela tivesse me visto nu. Será que foi assim que ela se sentiu quando vi seu rosto?

– Shina, se as coisas fossem diferentes...

Ouvi sua risada sarcástica e sexy. A amazona começou a caminhar em direção ao luar, para longe da festa, e eu a segui, hipnotizado por aquela risada que veio encher minha noite de magia. Embaixo de uma árvore, ainda de costas para mim, ela se apoiou e disse baixinho:

– As coisas podiam ser diferentes. Você é que não quer que elas sejam.

Sorri e concordei, subitamente desejando ver seu rosto enquanto dizia isso.

Continuamos andando na nossa fila indiana improvisada.

– Você merece coisa melhor do que metade de um coração, Shina.

– Acho que eu posso escolher o que quero e o que mereço sem ajuda.

Essa é a Shina que eu conheço. Passional e independente. Sorri de novo.

– Onde está me levando?

Então ela parou, revelando um lago em meio ao bosque.

O Lago das Amazonas.

Engoli em seco.

– Shina, é melhor voltar...

Sem se virar para mim uma única vez, ela se despiu, peça por peça, e entrou nas águas que pareciam frescas e acolhedoras.

Ai, meu Deus.

Por um momento, tive vontade de aceitar aquele convite mudo e me deixar guiar pelos sentidos. A amazona se banhava de forma sensual e envolvente demais para ignorar.

Mas um rosto não me saía da cabeça, mesmo olhando a imagem linda da Shina nua na minha frente a me provocar.

Com o coração doendo, fiz algo que jamais imaginei que seria capaz de fazer.

Fechei meus olhos.

E coloquei o pé na água.

*****

Notas finais
Esse capítulo parece estar transbordante de emoção. Ou romantismo demais, quem sabe?