Notas iniciais
Oi oi gente!
Então, muitos de vcs estão me cobrando Ones pq faz um certo tempo que eu não faço, talvez muito, entoces meus queridos, estou aqui com uma one bem café com leite pq apesar de tudo, sei que vcs gostam dessas pra dar uma adocicadinha na life de vcs.
Espero que gostem e boa leitura!

Eu não era um cara romântico, longe disso.

Bem longe disso.

Mas isso não significava que eu não sabia amar, eu apenas não sabia expressar isso da melhor forma possível.

Certo, talvez eu fosse um ogro.

Estávamos no recesso escolar, eu estava no meu segundo ano da faculdade, administração, é, até agora eu não sei o que estou fazendo da minha vida.

E além de não ser um cara nada romântico, eu também não sabia gerenciar meu tempo entre faculdade e vida pessoal. Se na época da escola que eu tinha que fazer um trabalho de história que era copiar e colar algo da internet e jogar online eu já não sabia gerenciar meu tempo.

Imagina agora.

Só. Pensa.

E por isso, eu, Charlie Martin havia levado um pé na bunda. Faziam duas semanas e três dias para ser bem exato.

As coisas boas que acontecem na vida, você nem sabe o dia que foi, quanto tempo levou e se duvidar, o ano não está incluso também. Agora as coisas ruins... você sabe até o segundo em que ocorreu, lembra até a cueca que estava usando.

E por sinal, eu estava com uma cueca preta quando ela me deu o pé na bunda, e ela foi até delicadinha sem aquele papo de "não é você, sou eu", ela realmente disse que o problema era eu.

Mas eu admito que mereci, de verdade. Mulheres precisam de carinho, atenção, afeto e todas essas coisas.

Eu não dava nada disso a ela.

Isso eu já sabia, mas ela também falou que eu "não tinha maturidade para dividir a vida com outra pessoa". E bem... com isso eu também concordo.

Ela estava uma mistura grande entre decepcionada, brava e triste. E isso sem duvida é pior do que brava. Eu preferia que ela tivesse gritado comigo do que ter falado daquele tom de mãe decepcionada.

E eu ouvi tudo realmente como uma criança levando uma bronca. Fiquei calado, parecendo uma porta.

Emily Davis era simplesmente a melhor garota que eu poderia conhecer na minha vida, era caloura em medicina veterinária, loira, olhos azuis com o centro esverdeado, inteligente, com um corpo ótimo e... eu era absolutamente apaixonado por ela.

Ela sempre foi boa demais pra mim, todo mundo sabia disso, e por algum motivo, aquela menina maravilhosa gostava de mim.

Gostava do verbo não gosta mais.

Ela fazia meus dias mais felizes apenas sorrindo pra mim, mas eu, sendo um ogro, nunca soube retribuir isso. E olha só no que deu.

Emily não olhava mais pra mim, na verdade, ela ignorava totalmente minha existência. E quando todos descobriam que Emily Davis, a caloura gostosa, linda e inteligente estava solteira, ela começou a ser rodeada por meninos.

Isso mesmo, seres do sexo masculino, com mãozinhas ousadas e olhares piores ainda, e um volume insinuante nas calças. Eu queria castrar todo mundo que ousasse "levantar" pra ela.

Ciúmes na minha opinião é algo bem idiota. Mas sendo idiota ou não, eu estava sentindo o tal ciúmes, e não era bom. Eu sempre senti um pequeno ciúmes das pessoas perto dela, mas eu não esquentava muito a cabeça porque eu continuava confiando nela independente de quem chegasse perto.

Era uma grande, estrondosa merda sentir ciúmes.

Cada um que encostava dela me dava vontade de voar no pescoço e deixá-lo vermelho até que o sujeito parasse de respirar, logo depois de castrar que era o meu objetivo principal.

E ah, talvez eu fosse um pouco violento, não com ela, nunca fui e nunca serei, mas qualquer um que brincasse assim como meu emocional, que não fosse ela, estava ferrado.

Os alunos organizaram uma viagem para a praia nesse recesso. Tenho que admitir que toda essa coisa de calor, praia, água, mosquitos, calor, queimaduras e calor, não me atraia em nada.

Nada.

Mas ela gostava, e só deus sabe o quanto eu queria aquela loira teimosa, nervosinha e linda comigo de volta, mas se ela me aceitasse de volta (o que eu não estava botando muita fé que ia acontecer), eu a trataria como a rainha que ela realmente era.

As pessoas gritavam enquanto entrávamos naquela pousada, as pessoas mais legais da escola estavam ali, para ser convidado para isso, você tinha que ser alguém naquele ambiente acadêmico.

E ah, como poderia me esquecer, eu jogava basquete na faculdade, e não querendo me gabar com isso, mas eu jogava muito bem, me chamavam de "O Grande Martin", algumas pessoas deixariam isso subir a cabeça, eu não me importava.

Na minha visão, eu só enfiava uma bola laranja em uma cesta. Acabou ai.

A vi passar perto de mim com suas amigas, shorts jeans curto, regata vermelha e seus lindos cabelos dourados descendo por suas costas como fios de ouro levemente ondulados. Já tinha uma latinha de cerveja na mão, os óculos de sol em frente aos olhos e o sorriso branco estampado em seus lábios vermelhos.

– Martin! – Nick quase me derrubou – pro quarto garoto, depois PRAIA.

Nick, um dos meus melhores amigos, era o completo oposto meu em praticamente tudo, ele, loiro, bronzeado e de olhos azuis, eu, branquelo, moreno e de olhos verdes, ele, um maromba que vivia na academia, eu, até que bem definido, mas nada comparado a Nick, ele cursando engenharia, e eu administração.

Ele amava praia, e eu odiava.

A única coisa que tínhamos em comum na verdade, era o amor pelo basquete, por que de resto, não só em aparência, mais em gostos, éramos grandes opostos.

De acordo com meu outro amigo, Nathan, eu era mais parecido comigo, mas ainda assim bem diferente, era isso que nos mantinha tão próximos.

Os garotos do time foram gritando até os quartos, logo Nick estava só com sua bermuda correndo com a prancha na mão até o mar.

Essa parte pode parecer meio gay, mas meu outro grande amigo, Nathan, estava passando protetor as minhas costas, eu era branquelo e viraria um camarão se não me protegesse de forma devida.

E sim, eu já tinha passado por isso pra saber, eu não ficava bronzeado, apenas vermelho, e eu já tinha aceitado isso.

Nathan me deu um tapa na bunda quando acabou e eu ri.

– Olha que eu vou falar pra Kate...

Ele riu, namorava uma das líderes de torcida, Kate Baker, um amorzinho de pessoa, combinava com ele, na verdade, bastante.

– Pode contar, ela não vai ligar – ele piscou pra mim que sorri – vai tentar falar com a Emily?

Mordi o lábio e assenti.

– Se tudo der certo, mais do que apenas falar – suspirei – eu to precisando tanto do abraço dela cara...

– Diga isso pra ela – Nathan sorriu – faz duas semanas, não tem como ela te esquecer completamente em duas semanas, em algum lugar do coraçãozinho dela o seu rostinho ainda ta lá.

– Você é romântico, fala com ela, eu não sei o que fazer.

– Fala o que ta sentindo cara, apenas isso, não é difícil.

– Mas...

– Diga o que ela significa pra você, como se sentiu sem ela, apenas fale tudo.

O olhei e Nathan suspirou se sentando ao meu lado na cama.

– Você a ama?

Ri.

– Você sabe que amo.

– Então pronto, quando começaram a namorar você ficou meia hora apenas falando dos tons diferentes do seu cabelo dependendo da claridade – ri com isso, eu fiquei que nem louco correndo atrás dela por uns dois meses, e quando ela aceitou sair comigo eu já fiquei bem feliz, e meu deus, quando começamos a namorar, eu virei um idiota completo de tão bobo aquele dia, e Nathan presenciou isso – você sabe ser romântico, só precisa ser com ela.

– Eu não sei ser romântico.

– Me diz, o que você sente quando está com ela?

Ergui as sobrancelhas para ele.

– Vai lá, vamos praticar seus sentimentos, fala ai.

Suspirei revirando os olhos e depois olhando para frente.

– Você não quer ir lá com a Kate não?

Ele riu.

– Ta jogando vôlei agora, não vai notar minha presença, agora vai, abre o bico, como se sente com ela? Em detalhes, por favor.

Mordi o lábio.

– Eu... eu sinto uma paz enorme – ele sinalizou com a mão para eu continuar e eu suspirei.

Também não era bom em expor sentimentos em voz alta.

– Eu gosto de ficar com ela, mesmo que seja apenas sentado do lado dela na biblioteca enquanto ela estuda – Nathan assentiu pedindo pra eu continuar – o jeito que ela sorri pra mim faz com que eu me sinta a pessoa mais amada do mundo... e quando ela me abraça e coloca a cabeça no meu peito eu sinto que eu preciso protegê-la a todo custo do mundo, mas ao mesmo tempo, é ela que me protege, me faz manter a calma quando eu quero bater em alguém, me deixa feliz quanto eu fico triste e... acima de tudo, me faz sentir homem mais sortudo do mundo por ser amado por ela.

Olhei para Nathan e o mesmo estava sorrindo.

– É, você ta pronto – ele se levantou.

– Mas o que eu...

– Olhe bem pra ela e fale tudo isso que me falou, apenas isso, se ela realmente te amar como disse tantas vezes, não vai ter erro.

Assenti, ia dar certo.

– E ah, quanto estiver falando com ela, provavelmente vai estar de biquíni ou algo assim, então olha nos olhos dela, se concentra nos olhos, pelo amor de deus, foca nos olhos.

Ri.

– Valeu cara.

– Você vai estar sem camisa, vai ajudar também.

Ri enquanto ele acenava e saia. Nathan era um bom amigo para conversar, muito bom.

A galera estava toda acumulada na parte da praia de frente pra pousada, todos gritavam, mergulhavam, jogavam uns aos outros na água, na areia, riam... e eu só procurava um ponto loiro específico no meio de toda aquela gente.

Sentei na areia vendo que Emily não estava ali, fechei os olhos colocando a cabeça na areia e aspirei aquele cheiro de praia.

Era a única coisa na praia que eu gostava, o cheiro dela.

Pensei que nesses cinco meses que estivesse com Emily, as coisas só foram decaindo desde o primeiro mês.

Quer dizer, eu dava muita atenção a ela nos primeiros meses.

Pelos deuses, por que eu parei?

1 mês.

– Charlie, eu tenho que ir pra aula – ela riu me olhando, eu já estou mega atrasada.

– Eu vou te deixar ir, só mais um beijo – sinalizei um com a mão segurando sua cintura com a outra.

Ela revirou os olhos sorrindo e me beijou. Era engraçado como eu viajava quando ela me beijava. A prensei na parede, suas mãozinhas delicadas se infiltraram pelo meu cabelo arranhando meu couro cabeludo.

– Charlie...

– Shii loirinha – sorri voltando a beijá-la – quero você mais um pouco antes de entregá-la para aquele professor tarado.

Ela riu e não questionou, já estava no final da aula mesmo, então ela só voltou a me beijar. Desci as mãos para sua bunda e apertei mordendo o seu pescoço.

Nossa, não querendo ser superficial nem nada, e realmente não estava namorando ela apenas por seu corpo. Mas... que menina gostosa!

– Esquece essa aula, fica comigo – sussurrei.

– Ah, dane-se – ela me abraçou pelo pescoço voltando a me beijar.

A sentei na bancada e fiquei entre suas pernas ainda a beijando, o cheiro dela era incrível, eu ficaria com o nariz enfiado na curva do pescoço dela o dia inteiro só sentindo seu cheirinho. Mordi ali e ela riu me abraçando colocando minha cabeça em seus seios. Sorri abraçando sua cintura, era um travesseiro tão confortável, nossa, o melhor travesseiro do mundo.

– Amor – ela sussurrou acariciando meus cabelos.

– Hum?

– Vai virar a aula, eu não posso faltar duas seguidas.

Fiz bico e ela riu me dando um rápido beijo o encerrando com uma mordida delicada.

– Ok, eu deixo você ir.

– Deixa? Nossa, que namorado bonzinho – ela sorriu irônica e se inclinou para me beijar novamente.

Sorri e ela saiu. Passei a mão pelos cabelos e fui logo atrás, eu também tinha aula.

Sorri ainda deitado na areia com as mãos atrás da cabeça, eu gostava de pensar nela. Abri os olhos vendo todos ainda da mesma forma, bagunçando no geral, afinal, era recesso, estavam todos muitos felizes obviamente. Uma folga era sempre boa.

– Sozinho, Martin? – Samantha se sentou ao meu lado.

Uma ruiva linda, realmente linda, mas insuportável.

E isso fazia toda beleza física que ela tinha sumir.

Aquela menina me perseguia.

Me segurei para não dar um corte na garota, apenas assenti.

Ela começou a falar algo, mas eu apenas esqueci da ruiva e voltei a pensar na loira.

2 mês.

– Não tinha que estar no treino? – ela perguntou mexendo no meu cabelo, gostava bastante de mexer no meu cabelo, eu já havia percebido isso, e bem, eu gostava de seu carinho em meu cabelo, bastante.

– Cancelaram – murmurei – todos estão atolados em matéria para treinar direito.

Ela assentiu, as provas haviam começado e todo mundo estava se ferrando, afinal, aquela faculdade era conhecida por ser difícil, BEM DIFÍCIL.

– Eu te ajudaria com a matéria, se soubesse alguma coisa que está estudando.

Sorri fraco e ela retribuiu, gostava de vê-la sorrir, era um calmante natural.

– Quer massagem? Parece tenso.

Assenti me deitando de costas logo após tirar a camisa. Ela escorregava os dedos e unhas por toda extensão de minhas costas, não era certo alguém ser bom em tudo, não podia ser, mas Emily era.

Nick apostava que ela era um ET, mas bem, eu já a vi inteirinha e podia afirmar que não era não.

Suspirei com um sorriso no rosto, ela fazia uma massagem ótima.

– Calma, você vai conseguir – ela sussurrou no meu ouvido – você é inteligente, mas o fato de não reconhecer isso não te ajuda em nada, só atrapalha.

Fechei os olhos mordendo o lábio.

– Valeu – murmurei.

Depois de uma meia hora ela deitou em cima de mim me abraçando, a segurei e me virei para cima deixando-a deitada em mim ainda. Eu amava ficar apenas daquele jeito com ela, até porque eu era bem preguiçoso, ficar deitado já era ótimo pra mim, e deitado com ela então.

– E as suas provas, tudo ok? – sussurrei abraçando as costas dela.

– Sim, estou me organizando bem – ela deu de ombros e eu assenti.

Acariciei seu rosto de leve e ela sorriu daquele jeito, aquele jeito que me hipnotizava completamente.

– Eu amo você – ela sussurrou beijando minha bochecha logo depois.

Sorri e a abracei.

Pisquei, um dos meus maiores erros foi nunca ter dito que amava também, eu sempre achei que esse tipo de coisa não precisasse ser dito, mas agora eu via que precisava sim.

Samantha continuava falando de alguma coisa relacionada ao mar e eu apenas assentia soltando um "é, realmente" ou algo assim de vez em quando.

Olhei para o lado e segurei um sorriso ao ver Emily passando correndo atrás de uma bolinha de tênis. Usava um biquíni azul e tinha uma raquete em mãos. Olhei mais para o lado e vi Sarah com a outra raquete, era a namorada de Nick, estudava ciências políticas e era uma roqueira doidinha.

Ou como diria Emily "melhor pessoa".

E por falar no Nick, ele estava surfando bem de boa, Nathan jogava vôlei com Kate e eu permanecia sentado com Samantha.

Quem será que tava na merda?

Olhei fixamente para Emily, ela bronzeada ficava linda, amanhã já estaria com uma cor bem bonita. Ela riu e eu sorri, gostava muito da risada dela.

Quem eu estou querendo enganar? Gostava de tudo nela.

Aquele corpo... eu era apaixonado pelo corpo dela.

Você realmente só percebe que algo significa muito pra você, quando perde essa coisa. E meu deus, se ela me desse outra chance de tentar, eu seria o melhor namorado do mundo, jamais arriscaria perdê-la de volta.

Suspirei e a olhei de volta. Era muita areia para o meu caminhãozinho, com certeza ela sabia disso. Mordi o lábio, será que era melhor deixá-la livre para que ela arrumasse um cara à altura?

A olhei novamente e cerrei os punhos na areia vendo um cara conversando com ela, ele sim era mais babaca que eu, porque mesmo eu sendo um ogro, eu a respeitava como mulher e como pessoa, agora aquele canalha olhava para o corpo dela toda vez que ela desviava os olhos para Sarah. O garoto sorriu simulando que estava dando um tapa na bunda dela fazendo seus amigos rirem.

Meu braço até tremeu com vontade de ir voar no pescoço dele, a sorte dele era que Emily odiava violência e eu estava tentando deixá-la menos p da vida comigo, e só por que ele não relou a mão nela, se não eu já estava lá faz tempo.

Que droga, Emily, tinha que ser tão linda assim?

Suspirei, enquanto isso Samantha ainda falava, mas agora eu não respondia nada, cogitei mesmo ir dar uma dura naquele moleque, e com uma dura eu quero dizer um murro na cara.

Mas eu já havia levado tanta bronca dela por conta dos meus descontroles que dessa vez eu fiz o máximo que pude para me controlar.

E por pouco, muito pouco consegui me manter sentadinho na areia.

3 mês.

Abri a porta do vestiário levando uma toalha molhada na perna. Ri dando um pulinho e fiz o mesmo no desgraçado.

Também conhecido como Nick.

– Ah filho da égua, minha perna seu arrombado – eu disse e ele riu.

– Ganhamos dos campeões Martin, você merece.

– Ué, ganhamos e eu recebo uma toalhada por isso? – ri.

– É minha demonstração de carinho – ele colocou teatralmente a mão em cima do coração.

– Coitada da Sarah – eu ri.

– Se a Emily aguenta seu mal-humor constante, a Sarah aguenta minhas demonstrações de carinho – ele disse e eu sorri dando de ombros.

Saí do vestiário logo após tomar meu banho, raramente eu sorria assim pro nada, mas eu realmente estava feliz.

Estava até vê-la.

Emily estava sentada na arquibancada conversando com um menino que fazia alguma aula com ela, qual exatamente eu não sei. Ela tinha aquele costumeiro sorriso no rosto que ao contrário de mim, ela distribuía com muita facilidade.

Usava a minha blusa do time que eu havia dado pra ela para usar nos jogos, uma camiseta normal e por baixo uma calça jeans preta. Normalmente eu não teria reparado na calça ou na cor dela, acontece que a mão daquele idiota estava na coxa dela, na c-o-x-a da m-i-n-h-a namorada.

Era muita ousadia fazer isso na minha quadra.

Enfiei o celular no bolso traseiro da calça e fui apressado até eles.

– AHAM! – pigarreei e os dois me olharam.

A expressão assustadinha dela logo voltou a ser um sorriso e ela imediatamente levantou para me abraçar. A culpa nunca era dela, Emily era absolutamente fiel a mim e inocente demais para achar que outra pessoa poderia estar dando em cima dela ciente de que a mesma tinha namorada.

Às vezes eu tinha dó dela por ser tão ingênua.

Agora do idiota ali não, se ele estava dando em cima de uma menina comprometida não era nada ingênuo.

– Você foi ótimo – ela sorriu pra mim estalando um selinho em meus lábio me abraçando pelo pescoço logo depois.

Não disse nada, a esperei me soltar para xingar aquele moleque que me olhava fixamente tentando parecer ameaçador.

Coitado.

Quando ela me soltou me olhou passando a mão no meu rosto, eu nem tinha a abraçado de volta.

– Tudo bem?

Ela viu que eu ainda olhava fixamente para o garoto e me soltou para ver o que estava acontecendo.

– Olha aqui seu pirralho, se você encostar na minha namorada de volta, eu enfio aquela cesta na sua cabeça antes que você possa pensar ema alguma coisa.

– Charlie – ela me olhou, a minha voz tinha engrossado de forma que eu parecia um demônio falando, não duvidava nada que estivesse saindo fogo de meus olhos.

A ignorei completamente.

– Fica longe dela – eu quase rosnei – agora sai daqui.

Ele relutou um pouco, mas depois de segundos ainda o encarando com aquela cara, ele logo foi embora.

– Precisava falar assim com ele? – ela segurou meu braço, antes aquele olhar de decepção não me afetava – estávamos só conversando.

– Ele estava quase se jogando em cima de você, Emily – eu disse – estava com a mão na sua perna, na sua coxa!

– Mas estávamos só conversando! – ela insistiu – não confia em mim?

– Isso não vem ao caso.

Os olhos dela ficaram tristes.

– Não confia em mim? – ela disse baixo.

– Ele estava quase...

– Não foi isso que eu perguntei.

– O que interessa se eu confio ou não? O assunto aqui é ele.

Ela negou com a cabeça e suspirou me empurrando de leve pelo peito abrindo passagem para ela sair. Suspirou de olhos fechados e tirou a blusa com calma a colocando na minha mão, passou o cabelo para trás da orelha e saiu encolhida do ginásio.

Essa havia sido uma das várias vezes que eu havia conseguido deixá-la assim.

Engoli seco quando ela segurou o braço do garoto, seu nome era Dylan se eu não me engano, loiro, boa pinta, e pelo jeito com uma conversa muito boa porque ela estava dando mais atenção do que eu esperei um dia ver dela.

Ela sorriu inclinando a cabeça para o lado. Ela sempre fez isso pra mim.

Pra mim.

Ciúmes era a pior coisa que eu já havia sentido na vida, e eu odiava isso. O que eu sempre senti por ela em relação a outros meninos era raiva deles, mas a respeito dela eu nunca senti nada nesse aspecto. Mas agora, vê-la dar atenção daquele jeito para ele me destruiu. Será que ela sabia que aquilo me afetava muito mais do que eu gostaria de admitir?

Abaixei a cabeça olhando para a areia que estava quente quase me queimando, mas eu não estava me importando tanto pra isso porque a dor que eu estava sentindo no peito era muito maior.

– É, ela não sabe o que está perdendo – Samantha soltou.

A olhei e franzi o cenho.

– Que?

– A Davis – ela deu de ombros – a pesar que o Dylan é bem atraente, BEM atraente.

Isso, joga na cara, ajuda muito.

– Mas, tem garotas mais bonitas que te querem por aqui.

Neguei, ela era a mais bonita.

– Não sou superficial – a olhei rapidamente – a beleza absurda dela ajuda, mas não é o que me faz gostar dela.

– Francamente, ela não tem nada demais.

Franzi o cenho e ri. Sinto cheiro de inveja.

– Tem certeza? – ri de volta – linda, inteligente, legal, meiga... precisa de mais algo?

Samantha bufou.

– Só acho que tem pessoas mais interessantes para o grande Martin.

– Pra mim não, só ela me interessa.

Mordi o lábio ao vê-la rir com Dylan que já segurava a cintura dela.

Não é possível que não estivesse fazendo de propósito, eu estava logo ali!

– Bom, parece que pra ela não é assim.

A olhei. É uma menina Charlie, não se pode bater em meninas.

Ela parecia muito entretida e o papo não acabaria por agora, suspirei, talvez ela estivesse melhor sem mim mesmo.

– Vou voltar para a pousada, estou cansado.

Joguei minhas poucas coisas em uma das espreguiçadeiras e me joguei na piscina vazia. Estavam todos na praia.

Eu precisava esfriar minha cabeça, tanto metaforicamente quanto fisicamente, o sol estava muito quente e meu corpo estava queimando, eu sentia que sim.

Sinceramente não sei por que não fui para o quarto, talvez, assim, apenas talvez eu estivesse esperando que ela enjoasse da praia e fosse pra piscina, eu precisava ficar sozinho com ela tempo o suficiente para me desculpar e ouvir um não, e só assim começar o processo de recuperação.

Mas eu precisava do não dela para sossegar.

Ou quem sabe, um sim. Meu deus, como eu queria um sim, mas estava sendo realista esperando um não.

Afinal, você estão vendo ai como eu sou um ogro, e merecia um não, mas com um sim eu definitivamente seria muito feliz em tentar fazê-la feliz.

Agora de verdade, pra valer.

Mas bem, eu tive momentos fofos com ela, às vezes dava algum surto ou sei lá, claro, com seus devidos limites, mas vindo de mim era muita coisa.

4 mês

Seria mais um dia de aula normal, uma quarta feira como qualquer outra, seria se não fosse aquele dia em especial.

Se tinha algo que eu era bom e me orgulhava muito, era meu talento com datas.

Se alguém me dissesse a data do aniversário uma vez, eu jamais esqueceria.

Emily para minha surpresa não ligava muito para isso, o que é incomum em meninas, pelo menos todas que eu já conheci. Ela não disse isso claramente, mas uma vez eu estava fuçando sua carteira atrás da carteirinha dela.

Não me olhem assim, ela que pediu.

Mas enfim. Acabei cruzando com sua identidade, a foto não era das melhores, mas não estava ruim também, olhei sua assinatura e de relance a data do seu aniversário.

Para a minha surpresa, era em uma semana.

E além de nunca ter comentado comigo, ela não parecia estar ligando pra isso. Peguei sua carteirinha devolvendo a identidade como se nada tivesse acontecido e levei para ela que terminava de passar aquela coisa nos cílios que eu nunca vou lembrar o nome.

O que importava é que a surpresa ia ser anda mais já que ela não fazia ideia que eu sabia seu aniversário.

Um dia antes, ou seja, na terça eu fui atrás das coisas. Comprei chocolate porque ela amava mais do que animais, é, pois é, e depois passei na joalheria procurando algo que tivesse sua cara, sorri mordendo o lábio ao ver um par de alianças prateadas, sorri novamente. Ela ia gostar daquilo, pra mim uma aliança não era algo extraordinário, mas romântica do jeito que ela era iria adorar.

E já que eu não era muito romântico, poderia assim demonstrar que ela significava muito pra mim. Eu não tinha muita criatividade para gravar algum apelido bonitinho, até por que, não tínhamos apelidos originais, então foram os nomes mesmo.

Fui atrás dela naquela manhã antes que entrasse na primeira aula.

Ela andava meio depressa, mas não estava atrasada. E foi então que eu lembrei.

TPM.

Nossa, ainda bem que comprei chocolate.

Fui até ela a chamando baixinho. Vai que eu grito e ela fica brava.

– Oi amor, eu to meio atrasada, falo com você no almoço – ela sorriu fraco me dando um selinho voltando a andar.

– Espera – pedi e ela se virou pra mim – é rápido.

Ela assentiu e se virou completamente pra mim.

Sorri minimamente e peguei o chocolate.

– Feliz aniversário, velhinha.

Emily me olhou e sorriu minimamente segurando a caixa sorrindo ainda mais ao ver que era chocolate.

– C-como você sabia?

Sorri e dei de ombros.

– Chocolate – ela riu – me conhece tão bem.

Sorri quando ela me abraçou. Linda demais.

– Então – eu tossi pra melhorar a voz – tem mais uma coisa.

Ela franziu o cenho e me olhou, mordi o lábio e tirei a caixinha do bolso.

– E-eu não pensei em nenhum apelidinho bonito, então foi o nome mesmo – abri a caixinha.

Emily olhou surpresa pra mim e eu mordi o lábio.

– Gostou?

Ela sorriu abertamente e me abraçou com força.

– Você sempre me surpreende, capitão – ela sussurrou.

Segurei seu rosto olhando seus olhos marejados e a beijei.

– Eu amo você – ela sussurrou me abraçando de volta.

– Eu também – sussurrei a abraçando mais forte.

Nadava de um lado a outro da piscina, era bom relaxar um pouco, afinal, também estava exausto das aulas. Voltei a superfície jogando o cabelo para trás. Chegamos na hora do almoço mais ou menos, e sinceramente não me surpreendi ao ver que já estava escurecendo. Eu havia ficado um bom tempo na praia, e bom, ali também.

Saí da piscina pegando minha toalha e minhas poucas coisas indo para meu quarto que estava dividindo com os meninos. Tomei um banho e me troquei, estava esfriando então coloquei uma manga longa arregaçando as mangas até os cotovelos e sentei na cama bufando.

Primeiro dia e nada.

Um tempinho depois Nick e Nathan entraram rindo e molhados.

– Eu vou pro banho primeiro! To cheio de sal! – Nick saiu correndo e Nathan riu dando de ombros.

Continuou se secar e me olhou suspirando.

– Nada?

– Eu nem consegui chegar perto – fiz careta – que saco, sempre tem alguém com ela.

– Bom... – Nathan fez bico – sinto-lhe informar, mas além de linda, ela é popular e simpática, esperava o que?

– E solteira – rosnei.

Nathan riu.

– Não por muito tempo, certo?

O olhei espantado e Nathan riu.

– To falando de você com ela cara, relaxa.

Relaxei os ombros e Nathan sentou no chão pra não molhar a cama.

– Ela tava com o Dylan hoje... ele tava quase beijando ela, muito quase.

– Dylan é um idiota, ela sabe disso, relaxa.

– Não parecia saber, porque tava cheia dos papinhos e sorrisos com ele.

– "Eu não sinto ciúmes, é algo tão ridículo" – ele tentou imitar minha linda voz, foi bem falha a imitação – "Eu confio totalmente nela, eu só não quero ninguém se aproveitando da ingenuidade dela".

Revirei os olhos.

– Eu confiava nela quando estava comigo, no caso ela não está mais, pode fazer a merda que quiser.

– Cara – Nathan ponderou com a cabeça – Emily não é do tipo que sai pulando de homem em homem, faz duas semanas, é muito pouco pra superar cinco meses, não acha? – o olhei atentamente – se ela está conversando e dando "bola" para os meninos, pode ser apenas por dois motivos.

Pisquei.

– Quais?

Nathan riu novamente.

– Ou ela apenas é uma pessoa muito bacana que conversa com quem vem conversar com ela – ele deu de ombros – ou, ela está tentando mostrar pra você que há mais opções.

Franzi o cenho.

– Te fazendo ciúmes Charlie, te fazendo ciúmes, e ta dando certo.

– Ela não faria isso.

– É uma coisa que ela vai recusar se você perguntar, mas de uma forma inconsciente ela está fazendo isso sim, talvez ela queira que você tome uma atitude com isso, o que é bem provável porque nenhuma mulher faz ciúmes em um homem se não quiser que ele reaja de alguma forma.

– E de que forma eu devo reagir?

– Quando for falar com ela, mostre que ficou incomodado, isso significa que se importa com ela, e ela vai ficar feliz em saber disso.

Suspirei fazendo bico.

– Que curso sobre mulheres você fez?

Ele riu dando de ombros.

– Namoro com uma no caso – ele sorriu – mulheres não são difíceis, só são... complexas. Sabe quando você entra no ensino médio e a matemática começa a apertar? É exatamente isso, você precisa estudar para entender, depois que entende fica fácil, bem fácil na verdade.

– Prefiro matemática.

Ele riu.

– Bom, um dia e nada, amanhã eu tento – dei de ombros.

– No no no – ele negou – o dia não acabou.

O olhei.

– Ué, olha, quer uma dica?

Assenti.

– As meninas vão jantar em um restaurante de frutos do mar – ele disse – vai atrás, elas vão sozinhas porque o resto vai em uma pizzaria. Sarah e minha lindinha não vão atrapalhar vocês se você quiser falar com ela.

– Eu... e se ela me ignorar?

– Meu filho, se ela quiser te ignorar vai fazer isso qualquer hora do dia, o tempo ta passando, lembre-se disso.

– É sério mesmo, te pago muito bem pra ir falar com ela.

Ele riu.

– Se desse eu falava, de graça por que sou ótimo, mas você tem que fazer isso, ela vai gostar, acredite, Emily é toda amorzinho, não vai resistir você pedindo desculpas pra ela.

Mordi o lábio torcendo para realmente acontecer isso.

– E quando ela te perdoar, dê atenção a ela, carinho e não me faça besteira de volta.

Assenti, isso já era regra absoluta, não tinha nem o que questionar.

Nick saiu do banheiro, olhou para mim e depois para Nathan e soltou um sorriso.

– To com fome.

– Novidade! – dissemos em uníssono enquanto Nathan ia para o banheiro.

Acabei decidindo esperá-la voltar para a pousada. Se eu interrompesse seu jantar certamente ela ficaria mais brava do que já estava comigo.

Ela sempre odiou ser interrompida enquanto comia.

A pizzaria praticamente lotou com tantos universitários. Estavam todos ainda muito afobados com o primeiro dia do recesso, não que eu estivesse surpreso.

O povo gritava tanto que se eu não estivesse evolvido no meu próprio mundinho, certamente estaria me incomodando.

A mesma coisa acontecia nos jogos de basquete, se eu de fato "ouvisse" a torcida, eu estava ferrado.

– Anime-se garotão! – Nick me deu um cutucão forte e eu sorri forçado.

– Uhuul! – ergui os braços e o loiro riu virando o copo de cerveja garganta a baixo.

Talvez fosse bom beber um pouco...

Não foi bom beber, por que bem, eu não bebi pouco.

Pisquei sentando na fonte da pousada. O povo ainda empolgado foi todo para a praia, algumas pessoas cansadas foram para os quartos, afinal, eram quase duas da manhã.

E eu estava quase chorando de desgosto. Algum idiota devia estar a devorando com os olhos naquele exato momento, e eu, não podia fazer nada.

Esfreguei os olhos sentindo as lágrimas próximas. Eu era fraco pra bebida, e o álcool me deixava altamente sincero, mas acima de tudo, carente, meu deus, eu ficava muito carente.

Por esses e outros motivos, Emily nunca me deixava beber demais, ela tinha controle próprio, eu não, sem dúvida.

Mas agora ela não estava ali pra me ajudar.

Certa hora tudo pareceu ficar escuro e... apaguei.

* * *

– Vai chamá-la – Nathan quase gritou.

– Calma – Nick disse e logo após eu ouvi seus passos apressados.

Eu estava naquele estágio do sono que você não sabe se está acordado ou não, mas com certeza eu estava mais dormindo do que acordado. Porém no momento, pra mim não passava de um sonho.

Não sei quanto tempo passou até eu ouvir a porta sendo aberta com violência.

– O que fizeram com ele?

Meu coração deu um salto. A voz dela... fazia tanto tempo que eu não ouvia sua voz.

Duas semanas e quase quatro dias.

– Nós? Nada – Nathan disse e pigarreou – ele saiu da pizzaria e disse que vinha descansar, e bem, quando chegamos ele estava deitado na fonte.

– Ele... bebeu?

– Dois copos na pizzaria, depois... eu não sei – Nick disse.

– Vocês são amigos dele, não sabem que ele não pode... – ela parou no meio da frase e bufou.

– Ele não ta muito legal há um tempo – Nathan disse baixo.

– Quanto tempo?

– Pouco mais de duas semanas – ele disse sugestivamente e depois suspirou – você faz falta na vida dele.

– Não é o que parece – ela disse brava – e esse roxo no braço?

– Deve ter batido quando caiu.

– Eu vou atrás de gelo – Nathan disse – vamos Nick.

– Por que...

– Vamos.

– Esperem – ela disse – eu não posso ficar aqui.

– Esqueça da sua raiva dele por um momento, eu sei que se preocupa – Nathan disse – vamos atrás de gelo e algo descente para ele comer quando acordar.

A porta fechou novamente e eu senti a cama mexer de volta. Não era um sonho.

– Por que você só faz besteira?

Ela sussurrou e eu me assustei quando ela tocou meu rosto. Abri os olhos focando diretamente nos seus, ela estava sentada na pontinha da cama e me olhava atentamente.

– Por que eu sou um idiota.

Ela engoliu seco tirando a mão do meu rosto.

– Já que acordou, eu vou indo – ela se levantou.

Me sentei desesperado.

– Emy, espera.

– Os garotos foram atrás de gelo, já devem chegar – ela disse virada de costas pra mim com a mão na maçaneta.

– Eu quero falar com você, pelo menos me ouça.

Ela relaxou os ombros e tirou a mão da maçaneta se virando pra mim com os braços cruzados. Aquele shorts deixava as pernas dela lindas.

Foco nos olhos, Charlie.

– Eu sei que eu tenho sido um péssimo namorado nos últimos meses, e eu peço minhas sinceras desculpas por isso.

Ela piscou e assentiu.

– Aceito suas desculpas – ela mordeu o lábio e olhou a hora no celular – eu vou dormir.

– Espera, eu não acabei.

Pisquei forte e me levantei.

– Eu... eu nunca pensei que sentiria tanta falta de alguém como eu senti de você nessas semanas – pisquei – eu peço desculpas por não ter te dado valor, mas é que eu não sabia o que era te perder, e vamos encarar que eu... eu sou um ogro idiota que não sabe dar carinho e atenção a outra pessoa.

Ela continuou imóvel me olhando sem expressar nada. Ela tinha esse dom de ficar pacífica com qualquer situação.

– E-eu sei que é muita cara de pau da minha parte pedir isso, mas... – segurei seus pulsos – me da mais uma chance?

– Charlie...

– Eu não sei demonstrar carinho, mas eu vou aprender, por que eu tenho tudo isso dentro de mim, só não sei demonstrar – suspirei – eu... eu espero que ainda se importe comigo, acho que se importa por que se não, nem estaria aqui – mordi o lábio.

– Nick disse que você estava mal e...

– Você veio me ajudar – sorri minimamente – eu estou disposto a ser o cara que você merece, só precisa permitir isso.

– Foram cinco meses te dando chances.

– Desculpa – suspirei – eu não te dei o valor que você merecia, mas... droga, eu não suporto ver ninguém perto de você que eu já quero enfiar o punho na cara do sujeito...

– Parecia bem entretido com Samantha para pensar em algo – ela piscou e sorriu irônica – não que eu esteja ligando para o que você faz ou deixa de fazer, mas... justo a Samantha?

– Eu não... foi ela que sentou e começou a falar comigo, eu não estava nem prestando atenção nela.

– Estava prestando atenção no que então?

– Naquele idiota te devorando com os olhos e você nem percebendo.

Ela franziu a testa. Eu já disse que ela ficava linda fazendo isso?

– Dylan?

– Por quê? Tiveram outros?

Ela arregalou os olhos.

– Olha aqui, por que está nervosinho assim? Se eu quiser sair transando com todo mundo que vejo o problema não é seu, afinal, você e eu não temos mais nada.

– Mas quero ter! – gritei.

É, eu gritei, bem alto por sinal.

– Eu quero você de volta.

Suspirei.

– Eu amo você e quero poder dizer que é minha sempre quando alguém ousar se aproximar de você.

Ela travou. Meu deus, eu disse as três palavras.

– O-o que disse?

Agora eu que travei engolindo seco.

– Eu te amo desde nosso desastroso primeiro encontro quando eu vi que... não importava o que fosse acontecer, mas eu não só queria, como precisava de você.

Ela ficou absolutamente estática, mordi o lábio e segurei sua cintura.

– Eu prometo, juro, que se me der mais uma chance, eu vou te fazer a mulher mais amada e feliz do mundo.

A porta foi aberta e ela se separou e mim. Os garotos apareceram, Nick tinha um saquinho de gelo nas mãos.

– Acordou bela adormecida? – ele sorriu.

– Boa noite pra vocês – Emily colocou a franja atrás da orelha e saiu.

Olhei para Nathan que apontou com a cabeça para a porta, o obedeci e fui atrás dela.

Segurei sua mão e a virei pra mim.

– Você ainda me ama?

Ela engoliu seco e piscou desviando os olhos de mim.

– Foram cinco meses – ela disse – é obvio que ainda te amo, mas eu consigo superar, não se preocupe.

– Não quero que supere.

Ela suspirou recuando a mão me soltando dela.

– Por que eu te daria uma chance? – ela disse séria – só pra você voltar a ser frio comigo e eu tentar correr atrás, preocupada com você, querendo te ver feliz sempre, e você apenas quieto.

– Não vai ser assim – dei um passo me aproximando dela de volta – entenda que eu nunca soube demonstrar tudo o que estava dentro de mim, mas eu sempre senti – mordi o lábio – eu vou parar de ter esse constrangimento idiota e falar pra você todos os dias o quanto significa pra mim – segurei sua cintura.

– E por que você ficaria constrangido com isso?

– Eu não sei ok? É algo novo pra mim, eu sempre fui fechado, e eu não sei quais pensamentos eu posso e devo expor pra você, ou se tem algo se eu não devo falar de modo algum.

Ela sorriu. Graças a deus, ela sorriu.

– Você pode falar tudo.

– Tudo?

Ela assentiu e se aproximou de mim tocando meu rosto.

– O que você está pensando exatamente agora?

– Que esse shorts deixa suas pernas lindas.

Ela sorriu e eu sorri também.

– Vai falando – ela influenciou.

– Eu... – olhei seus olhos e sorri – amo o jeito que você me olha, seu sorriso me faz sentir melhor absolutamente do nada, quando você me toca eu sinto um arrepio gostoso no corpo todo, assim como está acontecendo agora.

Pisquei, era estranho falar o que eu sentia, bem estranho.

– Eu fiquei encantado com você assim que te vi porque você tem uma energia boa e contagiante... eu não sei explicar – mordi o lábio – você é gostosa pra caramba, e o fato de você não ligar pra isso te torna ainda mais bonita, eu tenho que conter minhas mãos que querem ficar no seu corpo o tempo todo, é lindo o jeito como você é inteligente e muito bem informada, sua relação com animais é muito bonitinha e toda vez que eu te vejo com uma criança, vejo que será uma ótima mãe e eu...

Parei e ela me olhou bem me estimulando com os olhos.

– Meu único desejo é ser pai dessa criança.

Ela sorriu abertamente me abraçando pelo pescoço deixando nossos rostos bem próximos.

– Foi difícil? – ela sussurrou.

Assenti abraçando sua cintura.

– Mas é bom ao mesmo tempo.

Ela assentiu e arranhou de leve minha nuca.

– Volta pra mim?

– Só se continuar me elogiando, ta divertido – ela brincou e eu sorri mordendo o lábio.

– Amo o seu cabelo, tanto as ondinhas que ele faz quanto a cor, te faz parecer um anjo – ela riu baixinho, certo, era divertido – seus olhos são lindos, sua voz de sono adorável, eu fico até tonto quando você me arranha, quando você me morde da vontade de te pegar no colo e prensar na parede...

Ela mordeu meu pescoço e eu mordi o lábio, só tinha cara de santa mesmo, porque era uma safada.

A puxei pelas pernas a pegando no colo e a prensei na parede a fazendo rir baixinho.

– E por sinal, gostei do seu biquíni, eu preferiria se você andasse de burca, mas é um bonito biquíni – ela riu e mordiscou meu lábio.

– Sabe, seu cabelo ta bonito assim, se quiser manter grandinho assim... – ela sussurrou.

Fazia um certo tempo que eu não cortava.

– É bom pra puxar – ela sussurrou infiltrando suas mãozinhas ali e eu sorri mordendo o lábio – você não tirou a aliança.

– Claro que não – tirei uma das mãos de suas pernas e a enfiei no bolso tirando a aliança que ela tinha jogado em mim – estou andando com a sua desde então torcendo pra eu criar coragem de falar com você.

Ela sorriu mordendo o lábio e eu a coloquei no chão pegando sua mão direita colocando a aliança de volta onde nunca deveria ter saído.

– Eu te amo – sussurrei pra ela segurando seu rosto.

– Também te amo, meu amor – ela sorriu enroscando as mãos no meu pescoço me beijando – é tão bom ouvir isso de você.

Sorri.

– É muito bom falar – respirei fundo – estava com sono? – perguntei.

– Eu estava, mas agora nem sei mais o que é sono.

Ri e voltei a beijá-la.

– Agora a praia ta vazia... – eu sussurrei – quer dar uma volta?

– A água vai estar quentinha – ela sorriu e assentiu.

Estendi a mão para ela que a segurou, fiz uma reverência debochada e ela riu entrelaçando seus dedos nos meus.

– Acho que eu vou gostar desse Charlie carinhoso – eu disse começando a andar com ela até a porta.

– Eu já estou amando.

Sorri e olhei para frente.

– Se o Dylan chegar perto de você, eu arranco a cabeça dele.

Ela riu e eu sorri ao ouvir sua risada. É, seria muito bom ser carinhoso pra variar um pouco.

5 mês:

– Por que ta com essa cara? – perguntei.

Emily relaxou os ombros e me olhou.

– Você é um idiota, sabia disso?

Ponderei com a cabeça e depois assenti.

– Eu... eu to aqui há meia hora querendo falar com você e nem olhar na minha cara você olha.

– Eu to com sono, de olhos fechados mas ouvindo e respondendo rudo.

– Claro, respondendo com o maior interesse do mundo né?

Sentei a olhando.

– O que quer dizer com isso?

– Eu... – ela mordeu o lábio – eu sou um ser humano, ok? Eu preciso de atenção, de carinho ou pelo menos uma mínima demonstração de afeto.

Ergui as sobrancelhas.

– E você tem sido um frio extremamente babaca – ela bufou – se eu não vou atrás de você, a gente passa o dia sem se falar, e estudamos na mesma faculdade!

– Eu to ocupado ultimamente.

– Eu também estou! – ela evidentemente estava brava – eu faço medicina, você realmente pensa que é fácil?

– Eu não disse isso.

– Pois bem, se eu acho tempo, o mínimo que você deveria fazer é ligar para minha existência quando eu estiver aqui.

– Eu estou conversando com você, Emy.

– Não tá! – vi os olhos dela marejarem – eu cansei Charlie, cansei de não receber nada e te dar tudo.

Ela piscou e suspirou.

– Você ainda não tem maturidade pra dividir a vida com outra pessoa.

– Eu... o que?

Ela negou com a cabeça e tirou a aliança.

A nossa aliança.

E olhou daquele jeito triste e a jogou pra mim mordendo o lábio.

– Fique a vontade para dormir pelo resto do ano.

Mordi o lábio processando bem aquilo.

Acabou?

– Eu não tenho maturidade pra dividir minha vida com alguém? – perguntei baixinho.

Ela tinha as costas apoiadas no meu peito, a cabeça no meu ombros e nossos dedos das duas mãos entrelaçados.

Apenas ouvindo o barulho das ondas.

– Eu espero que agora tenha – ela sorriu – acho que tem.

– você vai me achar muito homossexual se eu ficar te agarrando toda hora?

– Eu vou adorar na verdade.

– Ok – sorri perverso avançando em seu pescoço o mordendo e chupando ao mesmo tempo.

– Não me marca! – ela brigou comigo tirando minha cabeça dali, porém ela ria.

– Quero marcar todinha – sorri beijando sua bochecha.

– E ah, se a cenoura chegar perto de você, esfrega a aliança na cara – ela disse e eu sorri.

– Eu adoraria fazer isso, mas adoraria mais ver você fazendo.

Ela riu abraçando meus braços.

– Não se atreva moreninho.

Sorri de lado e abracei sua barriga beijando sua cabeça.

Por que eu deixei aquela menina escapar?

Notas finais
Para a galerinha nova, tenho algumas fics e Ones que creio eu que valha a pena vc conferir se gostou disso. E ah, antes que vc se assuste, os personagens sempre são os mesmos, e claro, BEM VINDO A TURMA DE LINDHOS E LINDHAS!
Se vc leu isso aqui eu te peço uma coisinha: acompanhe e marque a história como lida, é mais fácil pra eu controlar.
Se você leu e gostou, faça o que está ali em cima e comente para que eu poste mais Ones além das duas fics que eu sempre mantenho em andamento, como vcs já estão acostumados.
Por hoje é só e beijo no coração de vcs!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!