Aten Sky E O Caçador De Líderes
1 Capítulo 1 (Introdução): O Sucessor Louro
Notas iniciais
– A qualquer momento virão nos buscar – disse Navi enquanto olhava para o vento que soprava ao lado de fora da estalagem.
– Estaremos prontos e dispostos! – respondeu Ignis.
– Farei o primeiro turno de vigia hoje – Navi estava pensativo e com o olhar longe.
– Está bem – Ingnis parecia preocupado e abatido.
E estava certo em estar preocupado, afinal, os outros estavam mortos e nada se sabia sobre quem ou o que o fizera. Tão silencioso e secreto, havia derrotado e matado quatro das pessoas mais poderosas do Sehdro.
– Vamos pegá-lo, seja o que for – o louro disse com a coragem que o fez líder de toda a Terra Amarela. – Ele preferirá, como todos que me enfrentaram, estar em um incêndio inescapável! – após soltar uma leve risada Navi respondeu:
– Certamente... já está na hora, esperaremos para emboscá-lo.
Tudo fazia parte de um plano. Fora da estalagem estava a elite Ninja convocada por Brent, que havia reassumido a liderança da Terra Preta após a morte de seu sucessor. Perfeitamente indetectáveis, estavam esperando pela ação do assassino.
A noite passou fria e quieta. Já estavam lá havia duas semanas e prepararam-se para ficar muito mais tempo.
No dia seguinte não foi ouvido sequer um som naquele casebre. Os generais negros discutiam sobre o silêncio e decidiram uma investigação rápida. Enviaram alguém para ver o que acontecera e o que encontraram foi completamente inesperado.
Lá estava, sobre o chão de madeira, frio e imóvel. Sua enorme espada encostada na parede não parecia e nem poderia ter sido usada, já que seria impossível fazê-lo sem que tivessem percebido. Quando entraram deram-se com o corpo possivelmente morto, era de Ignis. Navi desaparecera sem deixar qualquer rastro detectável.
– Médico! – gritou e os médicos vieram.
O levaram para o hospital da cidade mais próxima, Gelb, e avisaram seus familiares. Quando acordou, havia perdido todas as suas memórias recentes, não se lembrava de nada do que ocorrera.
No dia seguinte as notícias nos jornais cintilavam com matérias como "Líder Louro É Ferido Gravemente", "Líder Níveo Desaparece", "O Sehdro Retoma às Lideranças Anteriores".
Os Seis Grandes se reuniram para decidir o que seria feito a seguir. A situação era tensa e nunca houve precedente registrado. Tudo isso acontecendo poucos anos após a Grande Guerra Ninja, estava tudo esfriando e todos esperavam paz.
– E o que faremos? – perguntava o Grande Cetrino.
– Acho que está claro – ponderou o Grande Níveo.
– De fato, não há escolha, assinarei este tratado de decisão – concluiu o Grande Virente.
Era um dia comum. Aten se preparava para sair de casa. Vestia uma camiseta sem manga, uma calça com alguns detalhes amarelos nas laterais, suas botas de cano longo, suas luvas de couro que só vão até a metade dos dedos, colocou sua grande espada nas costas, ligou sua esfera de mercúrio e saiu pela porta da frente. Ele mora em Gelb, uma pequena vila perto de Taar, capital da Terra Amarela.
Ele fora mandado comprar algo para seu pai e estava a caminho da loja. Foi quando viu uma moça muito bonita vestida em um quimono de monges e com cabelos brancos. Ela carregava uma sacola e havia acabado de sair de um ferreiro. Tratava-se de alguém da Terra Branca, um Níveo.
Não é muito comum ver pessoas de outras Terras em Gelb, é uma cidade sem muitos atrativos. Por este motivo essa moça chamava atenção e Aten a observava.
Ele pôde ver logo atrás dela um homem com um sobretudo e encapuzado que, ao chegar perto, tomou sua sacola e, correu na direção de Aten.
– Minhas esferas! – A moça gritou.
Aten sacou sua espada e se preparou para interceptar o ladrão.
– Saia da minha frente se você da valor a sua vida! – Disse o homem encapuzado. Ele parou, deixou a sacola no chão e sacou dois sabres escondidos debaixo do seu sobretudo.
– Cale a boca, seu ladrão covarde! – Aten respondeu e logo em seguida lançou o primeiro golpe.
Aten já começou em vantagem, pois era mais habilidoso. A moça, muito preocupada, só podia assistir e contar com a derrota do ladrão.
O homem se defendeu do golpe com um dos sabres e tentou um ataque com o outro, mas Aten foi rápido, pulou para trás e pôde reiniciar o ataque. Lançou-se com uma investida pelo lado direito do seu inimigo, que, mais uma vez, usou o sabre de sua mão direita como defesa, no entanto, Aten chutou seu outro braço, fazendo-o largar a outra arma. Vendo que estava em desvantagem, o homem encapuzado passou a se esquivar e se defender dos sucessivos ataques que vinham contra ele. Em um dos ataques, o sabre restante voa de sua mão e ele sente o aço frio de uma espada em seu pescoço.
– Suma! – disse Aten em tom de ordem. Sem dizer nada o homem fugiu.
– Obrigada – ela agradeceu ainda um pouco preocupada e assustada.
– De nada, mas acho que terei problema com os policias por causa disso – Aten disse enquanto entregava a sacola.
– Minha esfera de mercúrio gravou tudo – a moça respondeu com um leve sorriso – eu explico para eles e passo a gravação.
– As vezes eu esqueço como essas esferas são convenientes.
Esferas de mercúrio são muito utilizadas por aqui. Podem gravar e enviar para outras esferas áudio e vídeo que são mostrados holograficamente. Elas flutuam em volta do seu portador e podem ser encontradas em ferreiros. São em sua maioria de mercúrio vermelho, mas sabe-se que já inventaram esferas com mercúrios tingidos de outras cores, como azul e verde.
Pouco depois chegaram os policiais. A moça passou toda a informação e começaram uma busca pelo local.
– Puxa! Agora me lembrei, estou atrasada, tenho que ir agora, tchau! – Ela se despediu e saiu correndo.
– Tchau... Não, espere! Qual o seu nome?! – Aten perguntou gritando.
– Hella! Meu nome é Hella! – Respondeu.
– Chamo-me Aten! – ela já estava longe e não ouviu. – Agora eu tenho que comprar aquilo...
Aten foi até a loja para comprar o que seu pai precisava e então voltou para casa imaginando o que havia dentro daquela sacola. Ele é imaginativo e curioso por natureza. Pensou na possibilidade de ser uma arma, já que ela saia de um ferreiro, ou talvez uma esfera de mercúrio nova, quem sabe estava apenas de viagem e queria fazer uma revisão em sua própria esfera. Enfim, provavelmente nunca saberia.
Quando abriu a porta viu seu pai sentado em dos sofás com sua muleta ao lado de sua mãe. Mas havia ali um rosto não familiar. Um monge Níveo já idoso, vestindo um característico quimono e portando seu bastão. Não concluiu ao certo se teria alguma conexão com a garota que vira um pouco mais cedo.
– Ele voltou – disse o velho.
– Filho, este é Vydis, ele veio da Terra Branca para te ver – disse a mãe de Aten. – Deixe a sacola com as compras em cima da mesa e venha cumprimentá-lo.
– Olá meu jovem espadachim – apertaram as mãos. Aten se sentou no sofá junto ao seu pai. – preciso ser breve, por isso, perdoe-me se for direto demais – todos ficaram quietos. – Precisamos partir de imediato para a Cidade da Neve. Você será treinado para suceder seu pai, os outros estão já estão lá.
– Então vocês decidiram começar antecipadamente o treino... – disse Ignis – eles só deveriam começar aos vinte anos. Não acha ser tarde demais para algo assim?
– Discutimos muito sobre isso. A verdade é que ninguém tem poder o suficiente para desafiar o Sehdro. Não podemos mais cometer erros como aquele plano tolo que você resolveu por em prática com Navi. Esperar pelo assassino usando-se de isca? Nem parece ter sido ensinado pela Hanna! Mesmo dois anos depois Navi ainda não foi econtrado...
– Você me conhece, – respondeu Ignis – eu ainda sou um Sky! Curiosidade e simplicidade estão no nosso sangue, pode apostar que Aten também é assim! – Todos olharam para o garoto, um momento de silêncio tomou conta da sala, mas esse momento foi quebrado pelas gargalhadas de Vydis e Ignis ao ver a feição que tomou conta do rosto do jovem espadachim naquele instante. Após rir timidamente Aten diz:
– Então, partiremos quando?
– Agora mesmo – respondeu o sábio.
– Eu... já arrumei suas coisas, meu filho – disse a mãe de Aten. Nunca é confortável para uma mãe ver seu filho partir, mas ela sabia que esse dia chegaria, só não esperava que fosse tão cedo.
Já Aten parecia excitado com a ideia, ele aprecia aventuras, viagens e mistérios. “Ser aventureiro é uma das principais características de um Sky” dizia-lhe seu pai quando ainda era criança.
Uma vez prontos e depois de uma longa despedida, partiram antes do meio-dia. Iriam almoçar no caminho, pois tinham pressa.
Quando chegaram, Aten pode ver uma moça de cabelos brancos esperando ao lado de uma carroça, percebeu que já a havia visto em algum lugar.
– Hella?
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