Atenção

4 Capítulo 3


Notas iniciais
Enjoy

—Aqui, esse não te parece interessante? — Lucy disse, apontando para um pedido. Saphira olhou para ele com desgosto e então olhou de volta para Lucy, como se ela estivesse falando sério. — Então, eu desisto. Nada te interessa.

Mas é claro que nada a interessaria. Saphira ainda estava pensando sobre aquela missão de classe S. Ela tinha mais do que somente vontade para ir atrás daquele cara, sentia como se fosse sua obrigação.

Jogando-se na cadeira ao lado de Lucy, Saphira deu mais uma olhada para os pedidos. Tinha, sim, um ali que parecia mais do que interessante. Saphira levantou-se, pegando o papel, com metade de um sorriso animado.

—Esse? — Lucy perguntou. — Mas eu já tinha mostrado ele pra você, você disse que não faria isso nem morta.

—Bom, eu mudei de ideia. — Saphira disse com um sorriso. Lucy a analisou, desistindo novamente de tentar entender a amiga.

—Eu não consigo te entender.

—Bom, então devemos nos arrumar. Vai chamar o Natsu para ir junto? — Saphira perguntou, dando um espaço de tempo para Lucy pensar. Aquele mesmo sorriso de sempre em seu rosto. Lucy estava começando a não gostar daquele sorriso dela. Não parecia falso, mas parecia... Ela não sabia como descrever.

—Não. Não vai precisar de qualquer jeito.

—Não quer avisá-lo, então? — Saphira voltou a perguntar.

—Porque esse súbito interesse por ele? Você sabe que ele tem um namorado, não é? — Lucy disse, sentindo um peso em suas palavras ao dizer aquilo. Era como se ela estivesse se forçando a lembrar do que aconteceu dois meses atrás. Ainda doía. Ela ainda não tinha conseguido deixá-lo de lado.

—Eu percebi isso. Mas, sei lá. Já que não quer avisá-lo... — Ela disse, deixando a frase incompleta, virando-se de costas para a sua amiga de infância.



No dia seguinte, Lucy e Saphira partiram para a cidade de Crocus, a cidade do pedido que Saphira apontara. A missão para substituir as bibliotecárias que tinham saído de férias ou algo do tipo. Se Levy já não estivesse em outra missão, provavelmente iria querer ir junto.

Lucy e Saphira foram conversando o caminho todo, rindo e brincando como uma vez fizeram, quase uma vida atrás. Vez ou outra, Saphira a tentava se fazer lembrar de memórias que, num momento, Lucy podia jurar que nunca tinha acontecido, mas, então noutro segundo, concordava e dizia mais detalhes.

—Lembra-se daquela vez em que você arrancou a peruca da sua tia Clarisse? — Saphira disse, ainda não conseguindo se recuperar da sessão de risos que tinham trocado mais cedo. Lucy ainda ria, mas não se lembrava da cena. Então, Saphira, pacientemente começou a citar certos detalhes daquela memória. — Não se lembra? Ela começou a falar coisas irritantes sobre sua mãe e você ficou quieta, então...

—Quando ela virou as costas, eu puxei o cabelo dela. — Lucy disse, rindo, não conseguindo acreditar na própria mente. Não se lembrava de ter sido uma pirralha tão chata assim. — Não me lembrava disso.

—Ah, Lucy. São tantas as coisas que fizemos juntas. Acho que terei de fazer você se lembrar de todas. — Saphira disse, rindo, seu sorriso estranho apareceu novamente. Mas, depois de ter visto aquele sorriso não sei quantas vezes, Lucy começou a se acostumar, embora lhe desse calafrios a cada vez que via.

—Sim, por favor. — Lucy riu, parando para perceber. — Eu não consigo me lembrar de nada daquele verão que você ficou lá em casa.

—Talvez sua memória tenha ficado ruim. — Saphira sugeriu. Mas Lucy duvidou que aquele fosse o caso. Lucy tinha, sim, uma boa memória. Talvez a melhor da guilda inteira. Lembrava-se claramente de como conhecera Natsu em Hargeon, como a guilda fora cruelmente destruída pouco tempo depois por culpa sua... Lembrava-se de todas as cenas horríveis que seu pai a fizera passar em sua infância. Mas, a princípio, não se lembrava de nada que Saphira mencionava, quase como se só lembrasse quando ela falava.

Talvez Lucy deveria suspeitar a maneira como sua memória funcionava quando estava perto dela. Mas ela não suspeitava, ela tentava não pensar nisso. Porque, desde a morte de seu pai recentemente, ela precisava de alguém para chamar de família, por mais que ela e Saphira não tivessem uma ligação de sangue. Ela estava precisando daquele tipo de atenção que Saphira dava à ela, como se ela fosse a única pessoa que existisse no mundo naquele momento. Era a maneira como Saphira a olhava, como falava com ela.

Fazia sentir-se especial.



Naquele mesmo dia em que Saphira e Lucy saíam para a missão em Crocus, a guilda passou por um breve momento de pré-destruição. Eles quase se aniquilaram por um segundo.

Quando Mirajane foi pendurar mais missões no quadro de pedidos, sentiu falta de algo. Ela percebeu a ausência de uma missão ali, embora na hora não lembrasse de qual. Então, pegou seu caderno grosso para fazer uma breve checagem, embora não achava que realmente precisasse. Afinal, a última vez que aquilo acontecera, foi algum tempo depois de Lucy ter entrado na guilda e, depois da punição que sofreram, eles sabiam melhor a roubar uma missão de classe S.

—O que houve, Mirajane? — Macao perguntou assim que viu a menina andar para lá e para cá com papéis em mãos. Ela parecia um pouco preocupada. Ela tinha quase certeza de que algum pedido deveria ter caído em algum lugar.

—Está faltando uma missão no quadro de pedidos. — Disse, mais concentrada no que estava fazendo do que estava dizendo. Estava pensando em voz alta. — Acho que eu deixei cair em algum lugar.

—Qual missão, Mirajane? — Erza perguntou, também estranhando a reação da amiga. Mirajane deu uma rápida olhada para o caderno e leu a cópia que tinha feito. Os olhos de Erza arregalaram-se e então suspirou. — Acho que a Saphira deve ter pego.

—Como assim? Ela partiu para uma missão em Crocus com a Lucy esta manhã. — Mirajane disse, claramente se lembrando de Lucy ter mencionado. Lucy era muito mais inteligente do que aquilo. Ela já tinha tomado uma missão de classe S, sabia dos riscos. Ela não passaria por aquilo de novo.

—Qual?

Mirajane deu uma olhada no caderno.

—Para substituir as bibliotecárias que ficaram de férias.

Erza deu um passo para frente e deu uma rápida olhada para o quadro. Talvez Mirajane cometeu um deslize.

—Não, elas não foram nessa missão. O pedido ainda está aqui. — Erza comentou, apontando. Mirajane parecia mais confusa ainda.

—Talvez elas esqueceram de levar o pedido? — Mirajane disse, não acreditando nas próprias palavras. — Mas não faz sentido.

À esse ponto, metade da guilda estava preocupada junto com Mirajane. Metade desses, começavam a discutir se elas tinham realmente pego uma missão de Classe S, se eram tão estúpidas assim.

—Para onde elas disseram que estavam indo? — Gray perguntou, curiosa.

—Crocus. — Mirajane disse, um pouco distraída, folheando as páginas do caderno. Talvez ela tivesse errado em algum lugar.

—Não é nessa cidade que fica a Prisão de Alta Segurança da Magia Negra? — Gray disse. Assim, foi como se Mirajane tivesse ligado um interruptor. Naquele instante, havia caído a ficha.

Sim, elas tinham sido estúpidas daquele tanto.

Natsu olhou para Gray com um olhar cumplicente. A última vez que aquilo tinha acontecido, foi porque ele tinha a empurrado para aquela situação. Aparentemente, ela tinha gostado tanto que agora, ela queria repetir.

Juvia ficou preocupada por Lucy. Natsu considerou ir atrás dela. Gray não deixaria Natsu ir sozinho.

O mais engraçado é que, naquele momento, ninguém considerou que, talvez, a culpada por ter sumido aquela missão de Classe S, não era a Lucy. Em nenhum momento passou pela cabeça deles que a culpada pudesse ser a mais nova integrante da guilda.

Era uma regra básica.

Notas finais
Gostaram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.