Atarashī ashita
6 0.6 - O Desafio
“ – É um desafio? – Perguntei, encarando-o mortalmente – Porque eu aceito! “
Jake repetia os meus movimentos que o instrutor havia aplicado no mesmo, mas desta vez, eu era o alvo. O Garoto abria um grande sorriso enquanto eu caia.
– O que...? Eu... eu não estava pronta!
– Ah, sério? – Jake estendia a mão em minha direção. – Venha, eu te ajudo a levantar.
Segurei a mão de Jake. – Obriga...
O Garoto me puxava, posicionando a palma da mão oposta sobre o meu estômago, fazendo com que eu girasse em torno de...90 graus, jogando-me por cima usando a palma da mão como apoio.
– Não acredito que você caiu nessa... – Jake mordia o lábio inferior, provavelmente para conter a risada. – Desiste?
– Você...Você me enganou! – Protestei. – Isso não é justo!
– Você não falou as regras. – O Garoto me encarava, ainda com aquele olhar desafiador. – Ainda quer tentar? Agora vai ser humilhação em público.
– Como assim? – Parece que já havia terminado o jantar, pois agora, todos estavam no lado de fora, observando o nosso “treino”. Levantei-me lentamente, encarando as pessoas ao redor. – Entendo, mas eu não vou desistir agora, ainda precisamos terminar o castigo.
– Você que pediu, depois não reclame que foi humilhada em público nas suas primeiras semanas de aula. – O Garoto suspirava. – A primeira impressão é tudo.
Peguei a faca que estava caída ao meu lado e corri em direção à Jake, que estava completamente relaxado. Investi na direção do garoto, mas no mesmo instante, Jake dava um passo para o lado, inclinando-se na minha direção e agarrando o meu braço no qual havia atacado. Não sabia o que estava acontecendo, apenas sentia como se meu braço estivesse prestes a torcer. Em questão de segundos, Jake posicionava a faca em minha nuca.
– Eu não entendo... por que não fez isso naquela hora?
– Já disse, só estava brincando com você. – Tentou explicar mais uma vez, retirando a faca de minha nuca. – Ainda estou pegando leve.
Encarei os soldados que estavam espalhados ao nosso redor e acabei encontrando Yomono Rukasu, que estava me encarando com o mesmo olhar de quando brincávamos de “desafio”.
Ele está... me desafiando...? Que tipo de desafio seria?
Vencer... Vencer de Jake...
Jake jogava a faca em minha direção, fazendo com que eu saia de meus devaneios. Assim que peguei a faca, encarei Rukasu novamente, que apenas assentiu com a cabeça.
“Vá em frente”
Ergui a faca em direção ao garoto, segurando o cabo firmemente. Comecei a correr em sua direção, mas era surpreendida pelo mesmo, que estava na minha frente, me segurando pelo braço e com alguns movimentos rápidos, já estava jogada no chão.
– Espera, eu... eu já vi isso em algum lugar. – Não importa o quanto eu tente, não consigo me lembrar de quando ou onde já vi esta técnica, mas a dor era a mesma.
– É Sério? – Jake me encarava, parecia estar surpreso com algo. – Você não se lembra de nada?
– O que você quer dizer com isso? – Perguntei.
– O Instrutor aplicou esse golpe em você hoje de manhã... como pode já ter esquecido?
– O qu-
O Instrutor aparecia ao nosso lado, segurando Higuchii pela gola da camisa. – Os dois estão liberados. Cheguei a pouco tempo, mas pelo estado da senhorita Teshigawa, posso chegar a conclusão de que vocês estavam treinando. – O Homem encarava Higuchii mortalmente. – Encontrei este vira-lata dormindo enquanto os dois treinavam.
– Espera, e eu? – Perguntou Higuchii.
– Você vai treinar comigo! – O Instrutor largava Higuchii. – Já passou o horário do jantar, o que todos estão fazendo aqui?! Para os dormitórios, JÁ!
(...)
– Para começarem a usar uma DMT de verdade, é necessário muito treino pesado. – O instrutor parava de andar, encarando a grande montanha a sua frente. – E Para isso, vamos malhar o corpo de vocês.
– E como uma montanha vai nos ajudar? – Perguntou uma morena ao meu lado.
– Fila! – O Instrutor pegava uma grande sacola e a jogava para o primeiro da fila, que quase caia no chão. – Eu quero que escalem essa montanha, até o topo!
– E para que a sacola, senhor? – Perguntou um magricela.
– As sacolas servem como peso. Se começarem a “fraquejar”, serão jogados morro abaixo. – O Instrutor dava um tapa na costa do magricela, como se fosse um incentivo. – Resumindo: Se parar de escalar morre.
– O Que?! – Os soldados resmungavam.
Os dias foram se passando...
– Os que vieram de vilas vão se adaptar melhor a este treino. – O Instrutor encarava um garoto “fora do peso ideal” em que pegava no pé. – Acredito que os cavalos da sua vila não te aguentavam, certo? – O Garoto permanecia em silencio, encarando o chão com uma expressão derrotada. – Você vai ficar com o cavalo mais forte.
Muitos não conseguiam se adaptar ao treino, como o instrutor disse, os que vieram de vilas já têm um tanto de prática. Alguns soldados corriam atrás dos cavalos que fugiam já outros tinham problemas em permanecer neles. No meu caso, parecia que o cavalo tinha medo de mim.
– Qual o problema, Myokko? – Perguntou Rukasu, se aproximando já montado em seu cavalo.
– Eu não entendo... – Tentei me aproximar novamente – Parece que o cavalo tem medo de mim...
– Que nada! – O Garoto ria. – Todos os cavalos estão fugindo dos soldados, ainda tive sorte que conseguir montar em um calmo.
– É Diferente... — Tentei me aproximar do cavalo novamente, encarando-o nos olhos. – Eu consigo ver o medo no olhar deste cavalo...
– E Por que ele teria medo de você? – Rukasu saltava de seu cavalo e se aproximava de meu cavalo, analisando-o.
– Eu não sei... – Tentei acaricia-lo, mas ele recuava.
... e acabei conhecendo pessoas...
... eram diferentes das que eu conhecia fora do exército...
– Se eu tivesse nota o suficiente? Eu entraria na tropa de Exploração – Giukino movia sua peça de xadrez. – Tenho uma certa curiosidade em relação ao lado de fora... e você, Jake?
– “Cheque” – Jake movia sua peça, cercando o rei de Giukino – Entraria na Tropa Estacionária...
– Ehh ?! – Higuchii se desequilibrava da cadeira – Você está pensando em ir para a Tropa Estacionária?! Que desperdício! – O Garoto botava os pés na mesa novamente. – Você deveria ir para a Tropa de exploração. É um dos melhores soldados!
– Quem sabe eu mude de opinião até lá... – Jake ajeitava o tabuleiro. Agora, seu adversário era Sigmt. – E você?
– Bom... Eu gostaria de ser da Polícia Militar... – Sigmt suspirava um tanto desanimado. – Queria ficar perto de meus únicos amigos, mas não vou ser de muita ajuda...
– Aquele instrutor não sabe de nada... – Mark encarava seu baralho de cartas. –Se eu tivesse nota o suficiente, iria para a Tropa de exploração... e você, Runna?
– Eu? Eu iria para a Tropa de exploração! – Runna botava as cartas na mesa, formando “21”. – Minha família passou por extrema pobreza e nós viramos um motivo de piada no lugar onde morávamos... É por isso que estou aqui... – A Garota encarava seu baralho com determinação nos olhos – Para honrar o nome “Machinnes”!
– Você não é tão egoísta como eu pensava.
– Não vá espalhar isso por aí, não quero fama de altruísta. – Runna bufava. – Mas e você, Myokko?
– Se eu tivesse nota o suficiente, entraria na Tropa de exploração também. – Respondi.
... talvez... talvez tenham mudado a minha opinião sobre a humanidade...
– Algum motivo especial? – Runna perguntou um tanto curiosa. – Proteger alguém que você ame, sede de vingança, honrar o nome de sua família...?
– Eu apenas vou me alistar nas tropas de Exploração para me entreter, não ocorreu nenhum trauma comigo em relação com os titãs ou algo do gênero... – Encarei a minha caneca vazia, abrindo um sorriso. -... Apenas mato por prazer.
... Ou não...
C O N T I N U A
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