At the End
1 At the end of the day.
Notas iniciais
“Sei que estão se preparando para lutar.” Ouviram-se gritos entre os alunos, alguns se abraçaram, aterrorizados, enquanto procuravam ao redor de onde vinha aquele som. “Seus esforços são inúteis. Não podem lutar comigo. Não quero matar vocês. Tenho grande respeito pelos professores de Hogwarts. Não quero derramar sangue mágico.” Fez-se, então, silêncio no salão, o tipo de silêncio que comprime os tímpanos, que parece vasto demais para ser contido entre paredes. “Entreguem-me Harry Potter”, disse a voz de Voldemort, “e ninguém sairá ferido. Entreguem-me Harry Potter, e não tocarei na escola. Entreguem-me Harry Potter e serão recompensados. Terão até meia-noite.” O silêncio tornou a engoli-los. Todas as cabeças se viraram, todos os olhares no salão pareciam ter encontrado Harry, para mantê-lo congelado à luz de milhares de raios invisíveis. Então, uma pessoa se levantou à mesa da Sonserina e ele reconheceu Pansy Parkinson, no momento em que ela esticou para o alto um braço trêmulo e gritou:
— Mas ele está ali! Potter está ali! Agarrem ele!
Antes que Harry pudesse falar, houve um movimento massivo. Os alunos da Grifinória tinham se erguido à sua frente e encaravam, não Harry, mas os colegas da Sonserina. Em seguida, os da Lufa-Lufa se puseram de pé e, quase no mesmo momento, os da Corvinal, todos de costas para Harry, todos olhando para Pansy, e Harry, aterrado e sufocado, viu varinhas surgirem por todo lado, sacadas de capas e mangas.
— Obrigada, srta. Parkinson – disse a professora McGonagall, em tom seco. – Será a primeira a deixar o salão com o sr. Filch. Se os demais alunos de sua Casa puderem acompanhá-la... Harry ouviu o atrito dos bancos no chão e o barulho dos alunos da Sonserina saindo pelo lado oposto do salão. – Os alunos da Corvinal em seguida! – gritou a professora. Lentamente, as quatro mesas se esvaziaram. A da Sonserina ficou completamente deserta, mas alguns alunos mais velhos da Corvinal continuaram sentados depois que os colegas saíram: um número ainda maior de alunos da Lufa-Lufa ficou para trás, e metade da Grifinória não deixou os bancos, e foi preciso a professora McGonagall descer da plataforma para fazer os menores de idade saírem.
(Harry Potter e as Relíquias da Morte)
O rapaz de cabelos castanhos e cachecol verde e prata enrolado de modo a cobrir seu nariz se levantou com os de sua casa e se dirigiu à saída como todos; que culpa tinha? Aquela não era sua batalha. Os grifinórios que lutassem. Os lufanos que morressem como os trouxas que eram. Os corvinos...
E ele estacou no lugar, fazendo os primeiranistas atrás dele quase caírem. Não se importou em ajudá-los, estava muito ocupado olhando a figura esguia e loira sentada à mesa da Corvinal, um olhar determinado e a varinha em mãos. Talvez por percebê-lo encarando-a, virou-se para lançar-lhe um olhar de desapontamento. E então foi demais.
Percebeu Harry Potter correndo para fora do Salão Principal, os olhares de todos – ou quase todos – seguindo-o por alguns segundos antes de voltarem aos arranjos urgentes que a guerra pedia.
— O que está fazendo aí? Vamos embora! — uma garota de sua casa cujo nome ele não se lembrava puxou-o pelo braço, mas ele se afastou. Ainda encarava a corvina que roubara seu coração, o olhar de desapontamento dela pesando em seus ombros.
— Vá! Eu vou ficar! — ele gritou para a garota que ainda o puxava, deixando o cachecol que cobria seu rosto cair e revelando as marcas vermelhas e os cortes sangrentos que dominavam suas feições. Ela assustou-se e correu com os outros, deixando-o ainda a encarar sua garota.
Ele tirou o cachecol, que havia ficado pendurado em seus ombros, e jogou-o no chão. Como usava um moletom de cor cinza, ninguém o reconheceria como membro da Sonserina. Então sacou a varinha e correu até a corvina, a determinação estampada em seu rosto desfigurado pelas vezes que os Carrow haviam infringido suas punições em segredo.
— O que você... — ela começou quando ele terminou de cruzar a distância que os separava, mas o sonserino não a deixou falar; Mérlin sabia que ela falava e raciocinava demais. Simplesmente a beijou, fazendo as palavras que ela iria lhe dizer perderem-se junto com sua consciência.
— Eu vou lutar. No final, é o que meu coração quer. Lutar ao seu lado. — sussurrou-lhe quando ela rompeu o beijo com um sorriso lacrimoso. Então as instruções do homem negro em cima da plataforma os fizeram sair de sua bolha de felicidade. Ambos iam lutar. Lado a lado, como sempre havia sido.
All I know at the end of the day
Tudo o que eu sei no final do dia
Is you want what you want
É que você quer o que você quer
And you say what you say
E você diz o que você diz
And you'll follow your heart even though it'll break
And você vai seguir seu coração mesmo que ele se quebre
Sometimes
Às vezes
E então ele era apenas mais um combatente no meio do grupo. O lobisomem que tinha dado aula de DCAT quatro anos atrás, Remus Lupin, comandava aquela divisão. A garota de cabelos coloridos que correra para os braços de Lupin alguns segundos atrás lutava com maestria ao lado do marido, enquanto o resto deles se espalhava pelos jardins. O sonserino perdera sua amada de vista em meio à luta, o que estava aterrorizando-o por dentro. Mas o Comensal da Morte que o atacava não deixava brechas para pensar nela ou no perigo que ela corria sem alguém para cobrir sua retaguarda, então ele simplesmente duelou como se a vida dela dependesse disso. E, bom, talvez dependesse.
Depois de estuporar mais dois Comensais que se aproximavam, ele ficou subitamente sem inimigos. Três duelavam com Lupin, dois com a esposa dele. Alguns de seus companheiros já haviam caído, as máscaras caindo à medida que os Comensais perdiam a consciência ou a vida. Contou os alunos ao seu redor e então a viu. Suada, com um ferimento na testa, mas viva e linda como sempre fora. Curava o braço de um dos estudantes do grupo deles, que aparentemente havia perdido um naco enorme de carne e sangrava muito. Ele viu o Comensal da Morte que se aproximava por trás dela e não hesitou em estuporá-lo. Ela virou em sua direção e lhe sorriu, para depois voltar a curar o braço do aluno. Ele se aproximou, alerta para possíveis inimigos, e então dois Comensais se materializaram, separando-o de sua amada.
Ele lançou um feitiço de amarrar no primeiro, tendo sucesso já que ele se distraíra tentando decidir se iria até a corvina e o aluno ferido ou até o sonserino. O outro foi mais difícil. Duelaram por vários minutos, sendo acrescentados mais cortes que desfiguraram seu rosto e um profundo ferimento em algum lugar de sua caixa toráxica, e o Comensal foi petrificado.
O braço do garoto já curado, os três se dirigiram até Lupin. Precisavam dar cobertura ao homem, que parecia estar ficando mais lento com o cansaço. A mulher dele duelava com ardor, mas olhava-o de canto de olho, preocupada. Ela também já havia percebido.
O sonserino e sua garota separaram um dos Comensais do grupo que atacava seu antigo professor, enquanto o outro garoto dominava o terceiro. O homem por trás da máscara deu uma risada incrédula para o sonserino:
— É você, filho?
Ele congelou, já respirando forte por causa da perda de sangue. A corvina ao seu lado apertou os lábios, seus olhos arregalados olhando de seu amor para o Comensal. E então, para sua surpresa, o sonserino girou o pulso da varinha e lançou:
— Crucio!
Os gritos do homem encheram os ouvidos do rapaz, que não percebera que chorava até sua visão embaçar. Mas ele não parou. Não importava se aquele fosse seu pai; ele havia escolhido seu lado.
Sua garota apertou-lhe a mão livre e então silenciou o homem com um feitiço de estuporação. Tentou dizer algo, mas o sonserino fez que não com a cabeça e virou-se para observar o campo de batalha, enxugando as lágrimas com as costas da mão que segurava a varinha. Apertou com mais força a mão delicada de sua amada e então sentiu dor.
Dor, excruciante dor. Atingido nas costas, caiu no chão em desespero. Contorcia-se em agonia, enquanto sua garota virava-se para ver quem o havia atingido. Tudo parecia estar em câmera lenta. Viu-a gritar algo, mas não conseguia ouvi-la em meio aos próprios gritos de dor. Sua visão escureceu por meio segundo, onde ele viu um clarão de luz verde sair da varinha de sua amada. A dor subitamente parou. O sonserino parou de se contorcer, a exaustão atingindo-o enquanto seus pulmões lutavam para voltar a respirar.
Um rosto conhecido e amável surgiu em sua linha de visão. Era sua corvina favorita.
— E-eu o matei. Quem estava te causando dor. Um Avada Kedavra bem no peito. — segredou-lhe, em um misto de medo e orgulho.
— Bom. — ele sorriu, mas até o simples ato doía.
— Consegue se levantar? — ela perguntou. Ele negou com a cabeça e então tossiu. Usou uma mão para cobrir a boca e ela acabou sanguinolenta. Sua amada arregalou os olhos mais uma vez — Você tem alguma ferida interna? Onde dói?
— Tudo. — ele tentou dar de ombros, mas gemeu de dor.
— Shh, não se mexa. Vai ficar tudo bem. — ela estava chorando, mas já conjurava algum feitiço aleatório que prometia curá-lo. Surtou quando ele não fez efeito e tentou outros, o tom de desespero sendo ouvido em sua voz. — Por que essa droga não funciona?!
— Ferida causada — ele começou, mas foi atingido por um acesso de tosse, cuspindo mais sangue — por magia negra. Não se cura. Você devia saber, s-sendo — tossiu mais uma vez. Mais sangue. — corvina e tudo.
— M-mas...
— Eu vou morrer. — afirmou, sorrindo de lado levemente. Ela começou a negar com a cabeça, mas viu sua expressão e parou, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto. — Eu escolhi o lado certo. Estou bem, l-linda.
— E-eu... — ela começou, mas um raio verde atingiu-a no braço. Ela começou a desfalecer diante de seus olhos, caindo por cima dele em um abraço sem vida. Ainda respirava, ele percebeu. Junto com ele.
— Eu te amo. — disse em seu último sopro de vida, mas não sabia se ela tinha ouvido. Se tornou mais um corpo sem nome em meio às baixas daquela guerra, juntamente com a única que verdadeiramente choraria por ele. Ninguém soube do sonserino que seguiu seu coração, e quem soubera já estava morto. Harry Potter e os grandes heróis daquela batalha não ouviriam seu nome ou chorariam por um herói tão pequeno. Mas está tudo bem. Afinal, ele amou. E, no final do dia e depois dos erros que se comete na vida, não tem mais jeito a não ser amar.
All I know at the end of the day
Tudo que eu sei no final do dia
Is love who you love
É que você ama quem você ama
There ain't no other way
Não há nenhuma outra maneira
If there's something I learned
Se há algo que aprendi
From a million mistakes
Depois um milhão de erros
You're the one that I want at the end of the day
Você é a única que eu quero no final do dia
Fale com o autor