At midnight

1 At midnight we all celebrate


Notas iniciais
Dedicado aos meus desgarrados. Obrigada por fazerem meu ano um pouco mais mágico

At midnight we all celebrate

A euforia era total não só em todas as partes da Terra, mas também fora dela. Pela primeira vez desde a Primeira Era, o ano mudaria em Nnanrena no mesmo dia do universo sem magia, e aqueles que conheciam os dois mundos celebravam ainda mais animados do que aqueles que não sabiam.

No universo mágico, os habitantes começavam a se aglomerar em volta das Grandes Árvores Prateadas – onde, segundo a lenda, os reinos tiveram início – para comemorar. Haviam enormes mesas onde as pessoas colocavam pratos de comida que seriam partilhados num futuro próximo, e as crianças já corriam de um lado ao outro umas atrás das outras, algumas transformadas em suas formas animais, outras usando seus poderes naturalistas. Paula e sua irmandade estavam no pequeno chalé à beira-mar, e havia me chamado para comemorar com sua família.

Era uma sensação incrível estar lá, mas eu não estava.

Não que eu estivesse reclamando. Passar a virada de ano no Local Esquecido era tão gostoso quanto. A sede da Resistência, o grupo de pessoas que conhecia a verdade sobre o multiverso, estava cheia e barulhenta. Além da equipe de Emma¹ e seus familiares, que trabalhavam no FBI e geralmente pegavam casos envolvendo assassinos sensitivos, havia também a família de Bruce e até Jonny² havia aparecido, levando consigo a pequena Lucy, que rapidamente fez amizade com outra garotinha no local.

Eu me sentia em casa ali. Claro que preferia que meu filho³ estivesse conosco, ou que eu pudesse estar com todos que eu amava ao mesmo tempo, mas era impossível; afinal, nunca seria possível reunir pessoas de nove reinos e de dois universos diferentes em um único local. Mesmo assim, era o melhor fim de ano que eu tinha em dois anos.

Pouco antes da meia-noite, Paula conseguiu fazer uma projeção na parede de sua casa. Ela sorria, extremamente feliz, enquanto segurava um bebê em seus braços. Seu cabelo, geralmente bem curtinho, estava chegando a altura do queixo e ela usava um vestido solto bem parecido com o que eu mesma usava; como tradição mitérica, usávamos azul claro para celebrar a vida. Eu estava pasma com o quanto ela havia mudado em minha ausência.

— Estou com saudades, Eulëyn! Você realmente precisa vir pra casa. Sei que está amarrada com o Bruce e a Resistência ai, mas caramba! Faz três anos que você não vem aqui. — A serva das águas não parecia brava comigo, estava apenas com saudades. Ergui a mão e toquei a projeção, triste por não poder encostar em minha amiga.

— P, eu estou morta de saudades de você, de seus filhos, de Mitéra, de tudo! Eu tenho tanta coisa pra contar... — e nem tudo é bom, pensei, lembrando do longo período que passei trancafiada no Hospital Experimental. — Assim que as coisas se acalmarem aqui eu vou abrir um portal e atravessar. — Prometi. O bebê nos braços de Paula começou a se debater, e tudo que eu queria fazer era segurar a afilhada que eu mal conhecia.

— Angie já ama a sua voz, acredita? Coloquei aquele vídeo seu cantando no meu casamento e ela, por incrível que pareça, parou quieta todo o tempo que você cantou! — Eu sorri com aquela notícia, já sentindo meu coração disparado. — Volta pra casa. E traz o bonitão do Bruce pra gente conhecer.

Senti minhas bochechas queimarem no momento que ela citou meu namorado; Instantaneamente, ergui o olhar em direção da sala onde ele estava, brincando com nossa cadelinha e com as crianças. Paula ergueu as sobrancelhas de um jeito cômico, me fazendo rir.

— P, você é casada!! — Ri, chocada com a brincadeira da minha amiga. Ela gargalhou também, balançando a cabeça. Nos cabelos, uma bela tiara trançada dizia as pessoas sua situação amorosa. — Eu vou, e o Bruce vai comigo. Quer ele queira ou não. — Eu e minha melhor amiga rimos e, ao longe, escutei Aster a chamar.

— Preciso ir, os garotos estão irritando os centauros. De novo. Feliz ano-novo, Lyn!.

— Feliz ano-novo, Paula.

Sorrindo, me despedi de Paula e acenei com a mão. A projeção, feita com água, sumiu no mesmo instante, e eu voltei caminhando para a festa.

*

Meu vestido se enroscava em meus tornozelos por causa do forte vento, prelúdio se uma tempestade. A taça de champanhe vazia estava presa em minhas mãos, e eu tentava não pensar em enchê-la novamente. Não queria ficar bêbada na primeira virada do ano após fugir do hospital onde passara os últimos dois anos.

— Você está bem? — Bruce me perguntou, aparecendo na porta da sacada. Ele segurava uma longneck de cerveja preta, mas ainda não havia bebido quase nada; no máximo, um ou dois goles. Sorri automaticamente e estendi a mão para ele. Seus dedos enroscam em meio aos meus, deixando minha pele aquecida. — Gatinha, você está gelada! — Ele soltou a garrafa em cima de uma mesinha e esfregou as mãos pelos meus braços desnudos, tentando me aquecer. Eu ri.

— Eu sei. Mas, ei. — Segurei suas mãos e as apertei entre as minhas. Os pelos de meus braços ainda estavam arrepiados pelo contato. — Não se preocupa, vou ficar bem. — Respondi, voltando para o balaústre e me apoiando nele. Bruce se apoiou ao meu lado e me ofereceu um gole de sua cerveja; aceitei, apenas para termos algo a fazer.

— Eu achei estranho você não estar lá dentro. — Ele comentou de repente, me olhando nos olhos. Eu dei de ombros.

— Eu... eu estava lembrando do hospital; dos últimos dois anos. — Minha voz falhou, e eu pigarreei para tentar voltar. — Precisei tomar um ar. E você? Por que não está lá? — Aponto com a cabeça para a sala, onde a música tocava alto e nossos amigos abusavam da bebida desenfreadamente. Se continuassem daquele jeito, eu logo seria obrigada a dar uma de mamãe e interromper a bebida para que nada demais acontecesse; ou, pelo menos, impedir que eles saíssem da sede e dirigissem pela cidade. Aparentemente, todo mundo dormiria ali naquela primeira noite.

Do seu jeitinho mais calmo e amoroso, Bruce largou novamente a longneck, me abraçou e beijou minha testa de forma carinhosa. Fechei os olhos de forma automática.

— É que o motivo da minha celebração estava aqui desse lado da casa, E.

Enquanto processo suas palavras, os fogos de artifício começam a iluminar o céu atrás de nós. Ele sorri para mim e coloca uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha ao mesmo tempo que eu sinto a primeira lágrima escorrer por minha bochecha. Bruce sorri com o canto dos lábios, e usa um dedo para secar meu rosto.

— Feliz ano novo, Bruce.

— Feliz ano novo, E.

Então ele se inclinou para mim e seus lábios se encontraram com os meus. Meu peito explodiu de amor junto dos fogos que marcavam a chegada de mais um ano. Embora eu não estivesse lá, sabia que todos os meus amigos erguiam suas taças naquele momento, com desejos de felicidade e amor para o novo ano que entrava em nossas vidas.

Notas finais
Última história do ano, galerinha! Eu estou realmente feliz com meu ano como escritora, embora sinta que poderia ter sido melhor. Publiquei 9 histórias e criei personagens que quero esmagar demais!! De um jeito ou de outro, essa one aqui foi a que me deu mais prazer de digitar, e ela fluiu tão rápido que eu juro que levei uma hora pra escrever e mais uns minutos pra revisar. Eu amo tanto a Eulëyn e a família dela que sinto como se fossem a minha família! Citei no capítulo três personagens (quatro, na real), que possuem histórias em meu perfil. Emma, Jonny, Paula e a própria Lyn possuem já um espacinho aqui: 1 - https://fanfiction.com.br/historia/724187/Eu_estou_aqui/ 2 - https://fanfiction.com.br/historia/730371/Recomeco/ 3 - https://fanfiction.com.br/historia/767932/Significados/ 4 - https://fanfiction.com.br/historia/761601/Nossa_pequena_historia/ É isso, gente. Muito obrugada pelos comentários, pelos favoritos e recomendações!! Amo vocês.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!