At The End of The World
1 Primeiro Dia: Neku e Shiki.
Notas iniciais
Capítulo 1.
Primeiro Dia:
Neku e Shiki.
Dentre todos os tipos de arte no mundo, sua preferida tinha de ser grafite. Os desenhos artísticos e expressionistas que se espalhavam pelos centros urbanos, com o objetivo de embelezar o cinza e sem graça ou de apenas exibir o que o grafiteiro tinha a dizer para o mundo, se estendia ali mesmo naquele muro a sua frente. O garoto simplesmente não podia resistir a eles que eram magníficos, estonteantes, qualquer fosse o adjetivo que lhe viesse à cabeça para elogiar aquele trabalho.
Para ele, aquilo era a verdadeira arte, a grafite bem a sua frente pintada num muro do Distrito Udagawa. O estilo já era bem famoso e único, sem dúvida nenhuma para cometer um erro de identificação. Definitivamente era obra do CAT, o artista de rua favorito de Neku Sakuraba.
Em meio a grande multidão de pessoas que lotavam as ruas de Shibuya, o menino era um alvo fácil de achar. Cabelo distintivamente espetado ruivo laranja de olhos azuis. Seu principal acessório é um par de fones de ouvido colorido em tons de roxo, com um leitor de áudio branco em forma de tubo pendurado em seu pescoço. Vestindo uma camisa sem manga, roxa e cinza, com uma gola alta que tem uma listra larga roxa indo pelo meio, com a tarja contornada de amarelo. Shorts brancos sustentados por uma faixa preta folgada, que possuem dois grandes bolso com listras roxas na parte superior, as listras também delineiam um par de botões amarelos em cada bolso. Seus tênis combinam com o design de sua camisa, nas cores roxo e cinza, com uma listra roxa delineando pelo amarelo, tendo quatro botões amarelos com tiras brancas que substituem os cadarços. E por fim, uma faixa de suor amarela no pulso esquerdo.
Agora mesmo, o Distrito Udagawa estava vazio e não havia ninguém por perto, nenhum maldito barulho para lhe incomodar. Apenas Neku e a grafite. Pelo menos era o que ele achava. Ouvindo passos vindos do canto esquerdo do muro, Neku olhou rapidamente para a fonte e viu uma garota de longos cabelos cor de rosa avermelhado e boné marrom com várias listras brancas visíveis na parte de trás correndo em sua direção; como ela olhava para trás, ele presumiu que ela estava fugindo de alguém ou alguma coisa. Quando ela percebeu sua presença, seus olhos vermelhos róseos se arregalaram em desespero.
- Por favor, me ajude! – Ela gritou ao agarrar sua mão e começar a correr no sentido contrário ao muro, arrastando Neku consigo.
Após descer os cinco degraus da escadaria e parar numa plataforma nos fundos de um prédio cheio de cartazes, Neku soltou-se do agarro forte dela e a questionou imediatamente, olhando-a como se ela fosse louca. – Ei, qual é o seu problema?!
- Por favor, me ajude! Aqueles homens estão vindo atrás de mim! – Ela sussurrou quase chorando com os olhos lacrimejantes. Antes que Neku pudesse perguntar sobre quem ela estava falando, ou mesmo se ela era apenas louca, duas vozes vieram do mesmo canto de onde a menina surgiu. Eles gritavam coisas como: “Ela foi por aqui!” ou “Encontre-a!”. E pelo volume, dava a impressão de que estavam cada vez mais perto. – Por favor! – Ela implorou mais uma vez, novamente agarrando as mãos do menino.
Ele podia ignora-la, deixar quem quer que fosse aquelas pessoas alcançarem-na sem se importar com tudo isso. Não era problema dele, então para quê se incomodar? Mas o calor do momento tomou conta e ele teve uma ideia para socorrer ao pedido dela. Sem pensar duas vezes, Neku empurrou a garota para dentro de lixo do prédio atrás dela e fechou a tampa antes mesmo dela ter a chance de protestar. Possivelmente, Neku pode ter batido a tampa na cabeça dela quando a fechou. Partindo para a próxima fase, ele pulou em cima da caçamba, sentando-se em cima dela com as pernas penduradas na beira, em seguida ligando seu leitor de áudio em um rap qualquer para disfarçar. Não se esquecendo de esmurrar a caçamba, dizendo para a garota fazer silêncio.
Virando a esquina em frente ao muro, descendo os mesmo cinco degraus, dois homens de terno se encontravam na frente de Neku, esperando que o garoto lhes desse atenção. Assim que o fez, deligando seu aparelho de música, mas sem retirar os fones, um dos homens começou a falar.
- Garoto, você viu uma menina passando por aqui? Tinha cabelo rosa e usava um boné marrom.
- Não que eu saiba, ou me importe. – Respondeu rudemente sem ter a mínima consideração de com quem ele estava falando, sendo que ele sabia quem aqueles homens eram.
- Ei! Tenha um pouco mais de respeito, seu pirralho! – O outro falou. – Essa garota é altamente perigosa! Uma usuária de D! – Isso acabou por confirmar as suspeitas de Neku sobre eles. Eram mesmo investigadores especiais, atrás de mais uma pessoa suspeita de usar o famoso vírus D.
- Foi mal. Não vi ninguém assim. – Respondeu outra vez. Os agentes, sem dizer mais nada, se dispensaram. Quando não havia mais sinal deles, Neku desceu da caçamba, permitindo a garota de sair, buscando por ar puro. – Eles já foram. – Comentou enquanto a observava sair por conta própria da lixeira.
Olhando com mais atenção, Neku pôde perceber melhor as roupas da garota, que eram um tanto relevadoras e chamativas. Além do boné, que também possuía três bottons no canto superior direito, ela usava uma camisa vermelha de manga curta que expõe uma parcela muita grande do seu abdômen, acompanhado de um colete curto amarelo com um capuz branco, e um colar em volta o pescoço com um pingente em forma de peça de quebra-cabeça. Ela usava uma saia denim verde curta decotada com uma bolsa marrom em volta da cintura. Havia uma pulseira amarela no pulso esquerdo acompanhada de um anel no dedo mindinho. Quase na altura dos joelhos dela, estavam as botas de salto alto marrons com listras amarelas nas laterais. E por ultimo, um gato de pelúcia preto que ficava pendurado na boca da bolsa.
- Que ideia foi essa?! – Ela reclamou. – Podia ter me avisado ‘pra eu me esconder ao invés de me jogar na lixeira! – E você ainda bateu a tampa na minha cabeça!
- Foi mal. Não pensei muito sobre o que fazer. – Disse casualmente, ganhando como resposta um suspiro irritado da garota.
- De qualquer forma, obrigada por ter me escondido. Salvou minha vida. – Riu de modo infantil. Olhando para ela, Neku duvidava sobre o que aqueles agentes disseram sobre ela. A menina não parecia ser o tipo de pessoa que iria destruir a própria vida para usar o D. Ela parecia aqueles tipos de garotas patricinhas fashionistas meio tontas que se fazem de fofas na frente dos outros; principalmente dos rapazes. – Eu sou Shiki Misaki. Qual é o seu nome?
- Neku Sakuraba. – Apresentou-se ainda em tom casual, dizendo seu primeiro apenas por educação como ela fez. Seria nessa hora que ele viraria de costas e sairia andando sem se importar com a pessoa, mas a curiosidade lhe impedia de fazer isso. Essa garota, Shiki, é a primeira pessoa usuária de D que Neku conheceu em toda sua vida. Ele estava curioso sobre os rumores serem verdadeiros. – Ei, olha... Aqueles caras que estavam te procurando eram investigadores... É verdade o que eles disseram? Você é uma usuária D? – Não que eu me importe. Pensou.
- Sim, eu sou. – Disse ela com os olhos meio tristes, encarando suas botas por alguns segundos antes de retornar ao garoto a frente dela, que surpreendentemente já tinha se virado de costas para ela e começou a subir a escadaria de volta ao muro. – Ei! Onde você ‘tá indo?! – Perguntou estupefata.
Sem se virar para ela, Neku levantou a mão direita em um aceno e disse-lhe: — Retornar ‘pra minha vida. Até mais.
- Você salva uma garota e depois diz: “até mais”; e ainda sai andando?! – Shiki se alterou de estupefata para irritada com a atitude dele, ao ponto de imitar sua voz quando repetiu a sentença “até mais”.
Neku parou de subir as escadas e se virou para a menina, o melhor para ele seria um jeito de tirá-la da sua cola, como sempre fez com todo mundo. – Olha, eu tenho meus valores. Então você pode manter os seus, certo? Seja lá o que quer que você tenha se metido, não é problema meu.
- Depois de ter me salvado, você vai simplesmente me deixar aqui?!
- Eu não salvei você, apenas evitei confusão para mim mesmo. E sim, eu vou.
Como ele pode ser tão grosseiro?! Shiki perguntou internamente. Sem ter muitas alternativas, ela decidiu seguir Neku aonde quer que ele fosse; de preferência um lugar seguro e longe dos investigadores.
Quando parecia que os problemas foram resolvidos para ele, Neku olhou por cima do ombro e percebeu que ela o seguia com uma expressão que misturava seriedade e irritação. Por favor, não me diga que ela é tsundere... – Por que está me seguindo, Stalker?
- Meu nome não é Stalker. É Shiki. Tente dizer: Shi-ki.
- Por acaso acha que eu sou uma criança?
- Pelo menos me deixe ir com você... – A face da seriedade se quebrou, e tomando seu lugar aos poucos veio à tristeza e o medo. – E-eu não quero ficar sozinha.
Pela primeira vez, Neku se sentiu pressionado sobre qual decisão tomar: fazer como sempre e deixar a menina se virar sozinha ou ajuda-la. Ela não é minha responsabilidade. Não tenho porque me envolver. Mesmo com todo o seu ideal em mente, de que todas as pessoas deviam cuidar de si mesmas e não se envolverem no assunto do outros, a resposta que veio foi a mais inesperada até para ele. – Ok. Você pode vir comigo. Mas seja discreta, não quero ser preso por ajudar uma usuária D.
- Ótimo! Obriga, Neku! – Pulou de alegria, toda animada por saber que agora ela tinha alguém com quem contar. – Você quer ver meus poderes?
- Poderes?! – Do que diabos ela está falando?
- Você não sabe? – Levou cerca de três segundos, e Shiki percebeu que tinha feito a pergunta errada para alguém que não era um usuário D. Nisso ela ficou com as bochechas enrubescidas e sacudiu os braços em negação, parecendo estar nervosa e envergonhada. – Ah! Desculpe! Eu esqueci que ninguém sabe os efeitos do D. Quer dizer, a maior parte da população.
- É... O governo bloqueia quaisquer informações sobre esse vírus. Os únicos que sabem sobre ela são os próprios usuários. – Complementou. Isso era verdade, tudo que eles disseram. O vírus D, aparentemente, só existia em Shibuya, e havia rumores sobre pessoas estarem tentando trafica-los para o resto do mundo. Mas os investigadores eram bastante rígidos sobre isso. Nenhuma amostra sequer deixou o terreno de Shibuya.
- Bem, Neku... O motivo pelo qual os investigadores não permitem que ninguém saiba sobre os efeitos do D é por que... Eles são muito perigosos... – Explicou, quase sussurrando a ultima parte.
- Perigoso? Você parece bem ‘pra mim. – Internamente, Neku desejou que ela não tomasse aquilo como elogio. – E o que esse “poder” que você falou tem haver com os efeitos do D?
- Esses são os efeitos. O D causa uma mutação no DNA das pessoas que a injetam, dando a elas habilidades incríveis como super-heróis de HQ ou Mangás.
Esse D deve ter deixado ela bem louca. Poderes?! Não brinca! – Você acha mesmo que eu vou acreditar que você tem algum poder por causa de um vírus? Que mentira.
- Eu não estou mentindo e posso provar! – Ela gritou irritada enquanto desprendia o gato de pelúcia da bolsa e o segurava com as duas mãos e os braços estendidos, exibindo-o para Neku, ao mesmo tempo fazendo beicinho de raiva.
Neku não pode reagir de outra forma a não ser encara-la com os olhos serrados e uma expressão que dizia: “sério?”. – O seu poder é um gato de pelúcia? – E ela ainda me tratou com se eu fosse uma criança ainda a pouco. – Você não está velha demais pra brincar com bichinhos de pelúcia? Ou mesmo carrega-los consigo na rua?
- Não é um bichinho de pelúcia! É o Mr. Mew! Eu mesma o fiz. – Uma veia começou a pulsar na testa de Shiki, a ignorância dele era tremenda. – O meu poder se chama “Possessão”, eu tenho a habilidade de controlar objetos inanimados, como o Mr. Mew.
A reação de Neku não mudou, ele ainda continuava achando aquela garota uma louca. Possivelmente, para ele, este era o verdadeiro efeito do vírus, o que o tornava em nada mais nada menos que outra fórmula de alucinógeno.
Shiki, percebendo que está sendo desacreditada, bufou e resolveu tentar uma abordagem mais direta. – Acho que eu ou ter que provar ‘pra você. – Ela olhou em voltam, procurando algo para poder usar na demonstração. Foi quando ela viu duas latas de lixo em frente ao muro grafitado. Perfeito! – Vai, Mr. Mew! – Ela ordenou ao jogar o gato nas duas latas.
Neku, na hora, já achou que a loucura tinha ido longe demais. Mas toda sua mente, toda sua noção da realidade congelou e se despedaçou em cacos quando o gato foi envolto por uma espécie de aura vermelha e ele ganhou vida, começando a atacar as latas de lixo com as patas como se fossem punhos. E o mais surpreendente foi a pelúcia ter carregado uma das latas e ter jogado escadaria abaixo. E quando ele terminou, voltou correndo para os braços de Shiki.
- O que achou? – Perguntou com um sorriso inocente, como se tivesse visto a coisa mais normal do mundo.
Ao contrário de Neku que ficou e boca aberta e totalmente estupefato. Ele tentou encontrar uma solução lógica para isso a todo custo, aquilo que ele presenciou não podia ser verdade. – Isso é impossível! Esse gato deve ser algum robô por comando de voz!
- Não é não. Mr. Mew é totalmente de pelúcia. Eu disse que podia controla-lo. – O sorriso inocente ainda se mantinha e ela acabou tendo uma ideia ainda mais convincente. – Se não acredita em mim, então por que seu tocador de música ligou sozinho? – De sorridente inocente para sorridente cheia de superioridade e convencimento.
- O quê? Meu tocador não está- Quando ele deu por si, seus fones soaram uma das músicas no volume máximo. Na tentativa de poupar seus ouvidos, Neku retirou os fones imediatamente e olhou estupefato para Shiki, que tinha uma mão fechada apoiada na cintura e o outro braço sendo usado para segurar Mr. Mew; que agora voltou a ser um gato de pelúcia “normal”. Ela estava toda convencida, sabendo que agora conseguiu provar para Neku que ela não era louca.
- É verdade...? Você fez isso...? – Manejou dizer ainda surpreso, não se esquecendo de colocar os fones de ouvido de volta, que Shiki fez o favor de desligar.
- Eu disse que não estava mentindo. Podemos ir?
- É... Claro... – Respondeu sem jeito, mas tomando a liderança para saírem do Distrito Udagawa. Esse vai ser um longo dia...
AMX, loja de Shibuya que era muito famosa com seus eletrônicos e artigos em moda. Não era a toa que Shiki pediu a Neku para que eles fizessem uma rápida pausa por lá só porque ela queria ver um CD de sua banda favorita que estava em lançamento. É. Definitivamente ela é uma daquelas meninas patricinhas. Só espero não ter que aguentar muita frescura dela. Disse a si mesmo internamente ao observar a garota na sessão de discos, praticamente surtando sobre tudo que ela encontrava. Sendo que ele tinha deixado bem claro para ela não chamar atenção. Desse jeito ‘tá difícil...
Se bem que, pensando bem, era compreensível o porquê d’ela estar agindo desse jeito. Em Shibuya, todas as pessoas que eram suspeitas de terem injetado o D em seus corpos eram levadas pelos investigadores e sumiam completamente. E aqueles que não eram levados imediatamente, se tornavam fugitivos e eram caçados pelos agentes. As possibilidades de sucesso nas fugas eram quase nulas. Dependendo do tempo que Shiki injetou o D em seu próprio corpo, seria surpreendente ela ter sobrevivido por muito tempo.
Pouco tempo depois, ambos saíram da loja e voltaram a seguir o percurso deles (sendo mais sincero, o percurso de Neku para algum lugar qualquer). Incomodada por não saber exatamente aonde exatamente eles iam, Shiki perguntou a Neku: — Onde nós estamos indo? Você não me disse nada desde que saímos do Distrito Udagawa.
- Eu estou indo ‘pro meu dormitório... – O dito fez a menina corar por uns instantes, até ouvir o resto. – Você é que está me seguindo, Stalker.
- Eu não sou uma Stalker! – Gritou irritada, mas não alto o suficiente para chamar atenção na rua enquanto eles andavam. – Já disse que meu nome é Shiki, não é tão difícil de pronunciar.
- Que seja... – Comentou vagamente, pondo um silêncio entre eles. Nesse instante, Neku percebeu que não era uma boa ideia levar Shiki para o seu dormitório, pois o lugar tinha pouco espaço e não havia lugar para ela dormir; a não ser que ele comprasse um futon, se ele tivesse dinheiro que não fosse para comida. Aquele lugar é tão pequeno que eu jamais vou chamar aquilo de apartamento! E ainda não acredito que por um momento pensei em deixa-la ficar consigo! – Ei, você tem algum lugar ‘pra ficar? Eu ‘tô meio que sem condições de por mais alguém comigo.
Os dois pararam de andar e Shiki pensou com o dedo indicador sobre os seus lábios. Quando ela estava prestes a responder, o seu celular dentro da bolsa tocou. Ela o pegou e visualizou algo que parecia uma mensagem de texto.
Para: Shiki.
Nós ‘tamos indo ao Edifício 104. Nos encontre lá, yo!
De: Bito.
Os olhos dela pareciam brilhar de esperança ao ver aquela mensagem. Esse tal de Bito devia ser um dos amigos dela ou mesmo outro usuário D. Se ela tinha amigos, então por que ela veio pedir ajuda a mim? – Amigo seu?
Shiki despertou do seu pequeno transe na tela do celular e se virou para Neku, envergonhada por ter “viajado”. – O quê? Ah! Sim, ele é... Ele também é um usuário D como eu. – Outro silêncio se instalou sobre eles, sendo este bem desconfortável para ambos. Eles queriam evitar serem um dos primeiros a falar, mas a menina acabou por deixar escapar. – Neku, será que você... Poderia me levar até o Prédio 104? Meus amigos estão esperando por mi... – Por alguma razão que Neku não compreendia, Shiki desviou os olhos dele para um canto qualquer e disse aquilo de um modo hesitante, como se não fosse o que ela realmente queria dizer.
Nesse momento ele viu sua oportunidade de se livras dela sem ter que se preocupar, melhor do que tê-la naquela caixa minúscula que ele vivia. – Claro... Eu te levo até lá...
Ela fez um sorriso triste e concordou, dando assim a deixa para eles seguirem em frente. O Edifício 104 não ficava muito longe de onde eles estavam no momento, só precisavam passar em frente da entrada do hospital St. Center e depois pela Passarela Cruzada, um dos pontos mais famosos em Shibuya. Falando naquele hospital, Neku lembrou vagamente de quando era criança e tinha quebrado o braço esquerdo.
Sua mãe o tinha mandado para lá no maior desespero de sua vida. Sete anos se passaram desde aquele tempo e a marca da cirurgia ainda estava no seu braço, uma pequena lembrança de sua época de travesso. Agora, com quinze anos, ele se tornou um antissocial, rude, individualista e até mesmo, de acordo com os murmúrios de outras pessoas, emo. De onde eles tiraram essa ideia de dizer que eu sou emo?!
Observando com mais atenção as ruas, ele percebeu que já estava em estado de crepúsculo, talvez por volta das cinco horas. A vontade de pegar o celular para checar era praticamente inexistente. Depois de quase quinze minutos de caminhada desde o AMX até a Passarela Cruzada, eles finalmente chegaram, o Edifício 104 ficava logo à frente. Shiki iria se reunir com seus amigos e Neku não teria mais que se preocupar com ela; se é que ele realmente se importou.
- Vamos, o 104 está logo ali. – Afirmou ao seguir a destinação deles, mas ao perceber que ela não tinha dito nada, ele se virou para conferir se ela ao menos ainda estava lá. Fisicamente, ela estava, mas de alguma forma parecia que ela ao mesmo tempo não estava. O que será que ela ‘tá pensando? – Ei! Você ‘tá bem? – Questionou para chamar a atenção dela.
- Hun? Ah, é! Nós chegamos...- De novo aquele sorriso triste. O que se passava na cabeça de Shiki era a pergunta de um milhão de yen. Desde o momento em que ela leu aquela mensagem, sua personalidade sofreu uma grande queda, ele até poderia chama-la de Stalker outra vez que ela nem iria se importar. – Obrigada por tudo, Neku. Eu vou sozinha daqui. Você não precisa se preocupar, eu vou ficar bem.
- Eu não me lembro de ter perguntado se você ia ficar bem. – Disse na sua maneira casual, sendo rude e direto.
- Será que eu... Posso te ver outra vez? – Podia ser só impressão dele, mas Neku jurou ter sentido um pouco de esperança na voz dela. Porém, as circunstâncias o levavam a destruir essa esperança.
- Acho melhor não. Você pode me trazer problemas. – Pronto, ele fez. Shiki não teve reação alguma, ela apenas pegou o celular e ficou olhando alguma coisa nele durante alguns segundos. Se Neku fosse uma pessoa considerada normal para os padrões da sociedade, a coisa mais sensata a se fazer seria perguntar o que ela observava com tanta emoção naquele aparelho, mas ele não o fez. Presumiu que fosse aquela mensagem de novo, e se não fosse não havia motivos para ele se importar a respeito.
- Se é assim que você quer... – Fechou o celular, guardo-o e seguiu em frente até o 104, parando para dar adeus ao garoto. – Até mais, Neku... – E finalmente, depois de toda aquela atmosfera estranha com ela, Shiki sorriu para Neku com verdadeira felicidade.
Em resposta, ele apenas acenou para ela, sem dizer nada ou mesmo permitir que ela visse seu pequeno sorriso; graças à gola alta de sua camisa que vez ou outra cobria sua boca. Tudo que se tinha a dizer um para o outro fora dito e os “adeus” foram dados. Possivelmente esta seria a ultima vez que eles se veriam, e como Neku já havia deixado claro, ele preferia desse jeito. Até mais... Stalker...
Os dois partiram em suas respectivas direções, Shiki ao Edifício 104, e Neku ao parque onde estava a Estátua de Hachiko para poder ter acesso ao Terminal de Ônibus Oeste. Ele nem se atreveu a olhar para trás, achando que tinha se livrado de vez da “Stalker” e se olhasse ela viria atrás dele. Mesmo sabendo que não tinha mais porque se preocupar com Shiki, ele não deixava de sentir que tinha algo errado acontecendo e tinha haver com aquela despedida entre eles. E toda essa possível preocupação acabava com seu idealismo individualista. Que ótimo! Fiquei com aquela garota por meia hora, praticamente, e já foi o suficiente pra eu meu envolver demais.
Já eram dezoito e vinte, de acordo com seu celular. O dia foi muito exaustivo, mas agora que ele já estava no Terminal, era só pegar um ônibus até seu “dormitório”; jamais vou chamar aquilo de apartamento!; e poderia descansar pelo resto da noite. Admirou mais uma arte do CAT, debateu um conversa “bem interessante” com dois investigadores, conheceu uma garota que tem o vírus mais procurado de Shibuya nas veias, descobriu os efeitos do mesmo, e ainda andou muito pelo bairro com a garota pegando no seu pé e o seguindo para todos os lados. Sem contar o fato que ele a jogou no lixo na primeira chance que teve, apesar dela ter se vingado mais tarde.
Ela está com o amigos agora. Não é mais o meu problema. Na verdade, nunca foi- Seus pensamentos foram cortados quando ouviu, mesmo através dos seus fones, um murmúrio de pessoas se juntando próximos a uma tela pendurada na perde do Terminal. Não foram as pessoas em si que chamaram sua atenção, se sim a menção do Edifício 104. Ele olhou para o televisor e viu uma reportagem ao vivo informando que neste exato momento o 104 estava em quarentena devido a uma ordem dos investigadores, que acreditavam ter encontrado um usuário D naquela área.
Por alguma razão, seus olhos ficaram arregalados. Era muita coincidência para ser verdade, e ainda por cima saber daquilo fazia seu coração acelerar o batimento cardíaco. Pela segunda vez, no mesmo dia, Neku agiu sem pensar duas vezes. Correu de volta para a Passarela cruzada, tentando organizar todos os pensamentos corridos na sua cabeça. Por que diabos eu ‘tô correndo como um doido até o 104?! Não pode ser por causa dela! Eu não me importa com ela ou qualquer um! Cada um deve cuidar dos seus próprios problemas! Então por que eu estou preocupado com aquela garota?! Quer saber, dane-se!
Isso era o que Neku chamava de organizar seus pensamentos a uma velocidade frenética. Que se dane a moralidade, seus ideais e tudo mais que o impedisse de ir até aquele prédio. Ele iria ao 104, e ninguém iria para-lo. Exceto o amontoado de pessoas reunidas na faixa de pedestres que dividia a rua do 104 e da Passarela Cruzada. Era verdade, o local está em quarentena e ninguém podia passar por causa dos policiais bloqueando a pista.
Tinha que ter um jeito de passar para o outro lado sem ser por ali, outra rua pela qual ele pudesse dar a volta ou mesmo... Aquela loja! Exclamou internamente ao ver bem na curva de entrada da agora área de quarentena. Com certeza havia uma porta dos fundos ou uma janela que desse dentro da área. Ok! Eu posso fazer isto! Quando Neku tinha voltado a correr, uma das várias possibilidades de acontecer com alguém que corre freneticamente em meio a uma multidão; ele esbarrou fortemente com uma pessoa e caiu no chão.
- Ei, você ‘tá bem garoto? – A pessoa perguntou, pela voz dava para dizer que era um homem. O mesmo estendeu a mão para Neku, que aceitou sem problemas, e o ajudou a levantar. O sujeito tinha cabelo preto num topete, olhos de mesma cor quase escondidos pelos óculos escuros, camisa branca social com mangas dobradas até o cotovelo, colete preto abotoado social, calça preta e sapatos sociais pretos.
- ‘Tô, foi só uma queda. – Respondeu já de pé, quase voltando a correr quando percebeu que o sujeito ainda o segurava pelo braço.
- Apenas tome cuidado. E pense duas vezes antes de agir. – Aconselhou, dando uns tapas leves na coxa de Neku, bem onde ficava o bolso vazio de sua bermuda, e depois indo embora sem dar importância ao escândalo do 104. Que cara estranho...
A loja que ele iria usar, por sorte, estava aberta, então tentativas de invasão não eram necessárias. A principio, Neku achava que uma porta dos fundos seria mais “apropriada”, mas ele nem se deu ao trabalho de procurar, pois uma das janelas com vista direta para a rua do 104 estava aberta. Ok, isso ‘tá começando a me assustar. É coincidência demais ‘pra uma noite.
Novamente, ele deu um “dane-se” para tudo aquilo e pulou pela janela. Do jeito certo como deveria ser, toda a rua estava vazia, possuindo apenas as vãs dos investigadores com o símbolo bizarro deles: um par de asas esqueléticas negras; exatamente com uma área em quarentena deveria ficar. Mas onde estão eles? Devia ter um monte de investigadores aqui... Por que ele não havia notado antes? Porque estava com a mente muito ocupada procurando pelo inimigo para notar Shiki caída bem no meio da rua.
- Droga...! – Amaldiçoou a cena que ele mais temia ver se tornar realidade. Sem demora, Neku se apressou até ela, chegando perto o suficiente para ver que, felizmente, ela só tinha alguns arranhões e nenhum ferimento grave. – Ei, você está bem? – Perguntou por precaução, afinal as aparências engaram.
- Estou... – Shiki nem soube ao certo quem era, mas após poucos segundos elas reconheceu a voz e encarou seu dono. Ao perceber que a pessoa, dentre todas no mundo, era Neku Sakuraba, que foi resistente a ela e a tratou com frieza, ao ponto de acha-la maluca, seus olhos se arregalaram em surpresa total. – Neku...?! O que você está fazendo aqui?
- Não pergunte. Nem eu sei. – Disse enquanto a ajudava a se levantar. Mesmo que os postes de luz tivessem sido desativados e a única iluminação da rua fosse os holofotes, ainda não tinha como a multidão na Passarela Cruzada ver os acontecimentos graças às vãs usadas como bloqueio nas saídas. – Onde estão os investigadores? Eu pensei que você estaria cercada por eles.
Antes que Shiki pudesse responder, uma risada histérica a impediu, vindo da frente do Edifício 104. Os dois jovens olharam para o sujeito e viram uma mulher de cabelo rosa forte curto e olhos azuis. Vestindo uma blusa azul escura com luvas da mesma cor, deixando o umbigo à amostra, um short preto curto e botas de salto alto brancas que chegavam até o tornozelo. No momento não estava visível, mas nas costas da blusa estava o símbolo dos investigadores.
- Se deseja morrer, eu realizarei seu pedido com muito prazer. – Ela pronunciou-se com tom sádico na voz, claramente se divertindo com toda a situação. – Vocês crianças nunca aprendem mesmo nosso nome. Uzuki Yasuhiro, não uma mera investigadora, e sim uma investigadora nível Ceifadora!
- Ceifadora...? – Neku repetiu abismado, querendo confirmar se ouviu certo o que ela disse e ao mesmo tempo surpreso pelo uso do nome de um deus mitológico.
- Você conseguiu dessa vez, Shiki. Estava tão perto de conseguir fugir de nós... Mas foi tão tola em achar que aquela mensagem era real! – Falou cheia de orgulho da sua armadilha. Uzuki fez um gesto com a mão e vários investigadores apareceram armados cercando todo o perímetro. – Estou surpresa que um civil teve a coragem de ajudar uma garota como você. Isso significa que eu tenho autorização para eliminar vocês dois.
Aos poucos, um helicóptero veio se aproximando do 104 e trouxe consigo um tanque cilíndrico, o qual ele soltou logo que chegou ao ponto marcado. Ainda no ar, o tanque se abriu e o conteúdo dele impactou-se no chão ainda de pé, bem entre Neku e Shiki e Uzuki. A poeira causada pelo impacto sessou e permitiu que os dois adolescentes vissem claramente a criatura. Um lobo de pelo cinza e branco de pé sobre as duas patas traseiras com dois metros de altura, e no lugar de suas duas patas frontais estavam dois braços mecânicos que eram quase do seu tamanho.
- O que... O que é aquela coisa...? – Neku perguntou a ninguém em especial, totalmente confuso sem entender o que diabos era aquele monstro bem a sua frente. Se ele pudesse se olhar, veria seus olhos completamente arregalados, a testa escurecendo, o suor surgindo aos poucos pelo seu rosto e as sombras se originando ao redor dos seus olhos. A face completa do desespero.
- É um Noise... – Shiki murmurou com os dentes rangendo. Suas mãos se apertavam sobre Mr. Mew.
Uzuki dobrou a manga esquerda, mostrando seu relógio, e em seguida ligando uma tela holográfica por onde ela digitava vários códigos estranhos. – Iniciando Noise. Mosh Grizzly elimine as duas crianças!
Entendendo a ordem, o Noise abriu seus olhos e mirou nos adolescentes. Como sua primeira investida, Mosh correu até os dois alvos com a garra esquerda arrastando pelo chão. Quando chegou perto o bastante para trazê-la e atingir os jovens, Neku conseguiu recobrar a consciência e desviou do ataque, levando Shiki consigo. Mosh calculou rápido e, ainda usando o braço esquerdo, atingiu Neku e o mandou para longe, mais precisamente na direção de Uzuki, que só assistia ao combate.
Shiki, que havia caído no chão quando desviada do ataque, se levantou e ordenou que Mr. Mew atacasse o Noise. O gato o fez, do jeito que lhe foi dito, porém os golpes do bichinho de pelúcia pareciam não surgir efeito. Mosh apenas o atingiu com um dos braços e o jogou de volta a dona.
Voltando para Neku, a pancada não foi forte o bastante para desmaia-lo. Aos poucos ele foi se levantando e ouviu um objeto de vidro caindo no chão. Ele o pegou e viu que se tratava de um soro liquido laranja com a letra D escrita nele. O D... Mas desde quando eu estive carregando isso? Nesse momento, rápidos flashes passaram pela cabeça do garoto, fazendo relembrar daquele homem que ele tropeçou. Aquele cara...! Ele colocou no meu bolso! Mas por quê?!
- Você já era, pirralha!
- Neku!
As duas gritaram quase que ao mesmo tempo. De repente para Neku, tudo ficou lento, o mundo ao seu redor ficou mais devagar. Mais uma decisão ele teria de tomar. Injetar o D em seu corpo, salvar a garota, mas por um fim a sua vida. Ignorar tudo isso, deixar que Shiki morresse e ser preso por ajudar uma usuária D. Eu já vim até aqui e já ajudei aquela Stalker. Não tem como eu ignorar isso! E acima de tudo, eu não vou ser preso! Não pelos Investigadores! Sem hesitar, com sua escolha feita, ele injetou a seringa em seu braço esquerdo rapidamente, sentindo a picada da agulha, que felizmente não era grande, somada a sensação do líquido passando por suas veias, se espalhando e misturando ao sangue.
Suas células começaram a fornicar, passando para a dor de sentir seu DNA sendo reescrito; que a propósito não era agradável, era quase enlouquecedora. De repente, suas mãos ficaram em chamas, um fogo originado do seu próprio sistema que não queimava sua carne ou lhe fazia sentir dor, não mais. Ele podia senti-la sob seu controle, pronta para atender a suas vontades, até mesmo as mais banais possíveis.
Hora do contra-ataque. Dispersou o fogo de suas mãos e as trouxe até os fones para abafar o som e permitir-lhe uma melhor concentração para o que ele iria fazer. Foco... Quando Neku abriu seus olhos, mirando Mosh Grizzly, uma chama se manifestou nos pés dele e cresceu tanto em alta velocidade que incendiou todo o Noise. Isso para a grande surpresa das duas moças no campo.
- Não pode ser...! – Uzuki gaguejou. – Esse garoto...! Onde você conseguiu uma amostra desse vírus?! – E em seguida gritou histericamente. Que mulher irritante...
- Não é da sua conta. – Respondeu de volta, olhando a mulher por cima do ombro, com frieza na voz.
- Neku... – Foi a única coisa que Shiki conseguiu pronunciar de tão surpresa que estava, antes do dito garoto vir até ela e tira-la de perto do Noise; aparentemente desligado.
- Estou farta de vocês, Children! Mosh Grizzly, acabe com eles agora! – A Ceifadora ordenou aos gritos enquanto digitava vários códigos no holograma, reiniciando o Noise.
Tensão pairou sobre o campo de luta. Sobre Neku, sobre Shiki, sobre Uzuki e sobre os Investigadores. Só se ouviam os barulhos dos carros e os murmúrios de pessoas do outro lado do bloqueio. Nisso, Shiki resolveu dizer a Neku o que ela tinha em mente, já mais confiante para encarar a o desafio de frente. – Neku, se você quer derrotar aquele Noise, vai precisar da minha ajuda. Ele é muito forte para nós individualmente, mas juntos podemos derrota-lo!
- Faça como quiser. Apenas não me atrapalhe. – Dito isso, os dois se posicionaram para lutar pela sobrevivência deles. Se eles perdessem aquela luta, seriam exterminados pelos Investigadores na certa, sem poderem fazer nada a respeito. Eu não vou desistir sem lutar, não vou desistir da minha vida!
- Pronto ‘pra morrer?
- Então morra!
Shiki e Neku, respectivamente, bradaram para o Noise antes de correrem na direção dele. Primeiramente, Shiki arremessou Mr. Mew no Mosh Grizzly e o gato deu um combo de chute e pontapés na cabeça do lobo mecânico, terminando com um gancho de direita; ou “pata” de direito. Em seguida veio a vez de Neku, que incendiou as próprias mãos e socou duas vezes o que seria o peito do Noise, logo depois realizando um salto de recuo para dar vez a menina. Desta vez Shiki atacou sem Mr. Mew, dando um chute fundo no estomago do inimigo com seu salto alto, mesmo que o Noise tenha tentado se defender com os braços mecânicos. Para finalizar, Shiki deu um salto de recuo, parando bem ao lado do seu parceiro, e Neku carregou uma forte bola de fogo que ele, sem hesitar, arremessou na cabeça do lobo.
Como previsto, a cabeça do Noise explodiu e o corpo sem comando caiu duro no chão, explodindo também o temperamento de Uzuki que começou a gritar de raiva enquanto segurava o cabelo rosa com tanta força que parecia que ia arranca-los. – Não pode ser! Esse era um novo modelo! – Que modelo vagabundo, então. Os dois adolescentes pensaram ao mesmo tempo. O som das armas dos outros Investigadores sendo carregadas ecoou pelo terreno do 104. Inclusive Uzuki sacou sua própria pistola. – De qualquer forma, vocês não tem como escapar de nós! Rendam-se agora!
A sorte de Neku, aparentemente, estava bem apurada naquele dia. Primeiro ele conheceu Shiki e passou por tudo aquilo num único dia. E agora uma granada veio voando por cima do bloqueio que ligava a Passarela Cruzada, caiu bem no meio da área em quarentena e espalhou uma cortina de fumaça bem expeça. Isso deu a Neku e Shiki a chance perfeita de fugirem sem serem notados, passando pela Passarela, a Estátua de Hachiko, a saída do Terminal e finalmente um lugar seguro para eles descansarem, a Passagem Inferior da Estação.
À essa hora da noite, ninguém jamais passaria por aquele túnel que até mesmo com o sol presente era escuro. Os dois jovens estavam respirando fortemente para recuperar o folego perdido, cada um sentado de um lado no túnel, de frente um para o outro.
- Diga, Neku... – Shiki tentou falar. – Onde você conseguiu aquela amostra...? Eu a vi caindo do seu bolso...
- Nem eu sei direito... Ela só apareceu no meu bolso sem eu perceber. – Ele podia ter dito que alguém o colocou no seu bolso e ele nem sabia quem era a pessoa, mas optou por omitir a existência daquele homem, então Shiki não faria perguntas.
- Devo dizer que sou sortuda. Você me salvou duas vezes no mesmo dia. – Disse a garota num tom calmo e sereno, ao mesmo tempo em que ela acariciava Mr. Mew. Isso fez com que seu novo “companheiro” a olhasse com estranheza.
- Eu te ajudei demais por um dia. Agora vá dormir, eu tenho um dia cheio amanhã. – Disse por fim estritamente. Neku ajeitou a gola de sua camisa sobre metade do seu rosto, cruzou os braços e recostou-se na parede, facilmente atingindo o sono.
Shiki também se preparou para dormir. Ela se deitou no banco que estava ao lado dela, usando Mr. Mew como travesseiro e olhou para a tela do seu celular uma ultima vez antes de adormecer. Eri...
Notas finais
Até mais!!!!
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