At The Ballet
3 O pedido
Notas iniciais
Os dias que se seguiram na casa da família Kutterin foram muito mais animados do que os dias normais. Catarina e Santana se reuniam antes de dormir para discutirem como fariam para que tivessem a permissão de Joanne para irem até o Teatro Real de Londres para verem Antonieta. E essa animação parecia ser transmitida para todos os residentes daquela casa.
- Santana! Ainda estás acordada? – perguntou Catarina, entrando no quarto segurando uma vela. Catarina estava usando uma de suas camisolas de seda cor-de-rosa e estava com os cabelos soltos.
- Estou, entre por favor. – disse Santana se sentando na cama.
- Santana, hoje, enquanto você e suas irmãs estavam na escola, falei com Joanne. Claro que não mencionei o que faríamos, apenas mencionei sobre aulas de dança. E ela parece muito mais maleável sobre o assunto. – disse Catarina sorrindo.
- Espero que sim, falta uma semana para o espetáculo e nem consigo citar o nome do teatro na frente dela. – disse Santana sorrindo.
- Santana! Santana! – soou uma voz gentil no corredor, mas que fez as duas dentro do quarto congelarem.
Santana olhou para Catarina, que estava desfazendo seu sorriso. Joanne entrou no quarto e na face fez-se uma cara de surpresa.
- Catarina? O que você está fazendo aqui? E nessa hora? – perguntou Joanne.
- Estava falando com Santana sobre um assunto... – murmurou Catarina.
— Enfim, Santana sua maleta está pronta? Amanhã, Felícia levará apenas você e Rachel até a St. Carmelite. Elizabeth está passando mal e o frio não a ajudará ela em nada. – disse Joanne respirando pesadamente.
- Claro, está lá. – disse Santana indicando uma maleta de couro sobre a cadeira de madeira forrada em veludo. – Elizabeth está doente? Ela está bem ?
- Está, agora a pouco, veio até mim reclamando de dores em todo o corpo. – disse Joanne ainda respirando pesadamente. – Bom, agora que já estás avisada, vou acompanhar sua irmã até seu quarto.
- Espera Joanne! Santana e eu queremos lhe fazer uma pergunta. – disse Catarina se levantando da cama de Santana e olhando para Santana que olhava para a cena com medo da negação.
-Ora, então pergunte. – disse Joanne olhando para Santana.
-Ma-mamãe, eu queria sa-saber se eu e tia Catarina poderíamos... – Santana começou a falar, mas não conseguiria terminar. Olhou para sua tia que a encorajava com o olhar. – Se eu e tia Catarina poderíamos ir até o Teatro Real de Londres? Ver uma apresentação de Ballet?
O silêncio que misturava ansiedade e receio caiu sobre as três e não parecia ter fim, continuou até Joanne quebrá-lo com um respiro profundo.
- Claro, porque não? Contanto que se comportem. Querida. – disse Joanne indo até Santana e lhe dando um abraço sobre os ombros finos. – Santana, quero sua felicidade.
- Eu sei, mamãe. Mas imaginei que a dança não caberia nessa categoria. – disse Santana se desfazendo do abraço e se acomodando debaixo das cobertas.
- Isso te faz feliz, não faz? É o bastante para mim! – disse Joanne sorrindo, indo em direção da porta. – Ah, você também não acha que tentei entrar numa categoria que minha mãe julgava errado. Mas diferente de mamãe, eu adoro dança.
- Joanne! Você está falando sério? Nunca imaginei, quando fui para Paris, você me disse que odiava... – disse Catarina.
- Mas claro que disse! Tinha acabado de ser negada na faculdade de dança e mamãe não podia estar mais feliz, naquele momento ela tinha que por em prática o plano para a filha mais velha. Fiquei chateada por um tempo, até descer com Felícia certo dia e ver Santana dançando em seu quarto. – disse Joanne sorrindo, abrindo mais ainda a porta feita de carvalho .
- Nossa, Joanne... – disse Catarina em tom de espanto.
- Não fique tão chocada. Eu provavelmente não aguentaria aquelas roupas no inverno. – disse Joanne fazendo as outras duas rirem. — E estou muito feliz pela vida que ganhei. Sou muito abençoada. Então, está tudo pronto para amanhã?
- Sim, minha maleta já está pronta. – confirmou Santana.
- Tudo bem. Boa noite, querida! – disse Joanne indo até Santana e beijando sua testa.
- Boa noite, mamãe. – disse Santana sorrindo ao toque dos lábios.
- Catarina, você me ajuda a preparar aquele seu chá, que fazias para mim quando alguém adoecia? – perguntou Joanne.
- Claro, já estou indo. Me esperas na cozinha, que já estou descendo. – disse Catarina.
- Ela deixou, tia Catarina. – disse Santana depois que sua mãe saiu do quarto.
- Eu sei! Agora, vais dormir que amanhã tens aula. Estou muito feliz que sua mãe tenha deixado. – disse Catarina sorrindo. – Boa noite!
-Boa noite, tia Catarina. – disse Santana.
Catarina desceu a escada e encontrou Joanne sentada na cozinha, sozinha com um sorriso encarando duas xícaras à sua frente.
- Já fizeste o chá? – perguntou Catarina se sentando à frente de Joanne.
- Sim, mas não ficou igual ao seu. – disse Joanne sorrindo e pondo chá numa outra xícara e entregando para Catarina.
-Sabe, Joanne. Fico muito feliz que tenhas deixado Santana ir comigo, isso significa muito para ela. – disse Catarina, tomando um gole de seu chá. – E que tenhas contado para ela sobre sua vontade de se tornar bailarina.
- Obrigada, Catarina. Eu estava sentindo sua falta, obrigada. – disse Joanne sorrindo.
- Oh, irmã. Eu também sentia sua falta. – disse Catarina, segurando a mão de sua irmã sobre a pequena mesa de madeira.
- Vamos lá em cima, vou levar o chá de Elizabeth e você pode me contar mais sobre Paris... – disse Joanne sorrindo.
-Claro! – disse Catarina.
As duas irmãs ficaram muito entretidas na conversa que se prolongou pela noite toda. Não era apenas uma conversa, era uma conversa que as fazia lembrar de quando eram crianças e ficavam acordadas todas as noites falando sobre todos os assuntos possíveis. Estavam tão entretidas na conversa que nem perceberam quando uma menina de quinze anos foi procurar o barulho que não a deixava dormir.
Santana sorria ao ver sua mãe e sua tia conversando, olhou-as mais uma vez e se dirigiu até seu quarto. Adormeceu tão rapidamente, que em menos de dez minutos já sonhava com olhos azuis.
Notas finais
Beijos
Fale com o autor