Notas iniciais
Olá pessoas!! Espero que vocês estejam bem! Recebi comentários positivos sobre a vida de Julieta e alguma parte está esclarecida! Fico feliz que tenham gostado! Esse capítulo é mais curto, porque ele é vai ser dividido em duas partes. Primeiro (no caso, esse abaixo) vai focar nos Kutterin e Carmel. Eles são mais para situar o ambiente da história, mas é bom saber o que cada um está fazendo. Espero que gostem e boa leitura!!

Quando Catarina e Joanne eram crianças, elas costumavam brincar da mesma coisa no mesmo tempo. Não importasse que Joanne fosse anos mais velha do que Catarina, ela ainda se sentaria ao seu lado e brincaria de boneca. Um certo dia, Joanne havia demorado para vir para casa porque estava conversando com um menino que gostava muito e que se tornaria seu marido anos depois. Catarina jogou a boneca de pano de baixo da cama e saiu correndo pelas ruas atrás dos meninos que andavam de bicicleta. Eles ensinaram-na a andar de bicicleta. Na verdade, aquele dia fez com que Catarina pensasse o quanto era divertido as brincadeiras dos meninos e quão chato era brincar de boneca. Joanne sempre demorava no caminho da escola e Catarina sempre saia para andar de bicicleta. A boneca ficou empoeirada em baixo da cama. Quando Catarina ganhou sua primeira bicicleta, Joanne anunciava o namoro. E as duas meninas, que sempre faziam tudo juntas, perceberam que não seguiam o mesmo caminho. Que seriam totalmente distintas, mas com aquele relógio interno sempre apitando quando sabiam que era a hora de brincar de boneca. Por algumas horas de diferença, elas foram para caminhos diferentes. Mas o caminho seguia para a mesma casa. E não, não estou falando de quando eram crianças.

Catarina havia dormido num compartimento do trem enquanto voltava para Londres. Ele sentia desconforto nas costas e o frio estava chegando aos ossos. Ela saia da terra de chuva morna e dias ensolarados para a cidade fria e de dias curtos. Mas ela estava sentindo falta do frio e de toda a sua família. Não tinha nenhum notícia deles. Nada. Nenhuma carta, nenhuma ligação. Na sua cabeça uma curiosidade crescia. Ela bem sabia que nada era como uma imagem, nada havia ficado do jeito que ela havia deixado Londres. Mas ela não sabia o que esperar e não estava nem preparada para o que já tinha acontecido.
–Você se importa se eu ficar com a cama de cima? -perguntou uma menina com uma maleta na mão. Ela olhava para Catarina já suspensa na escadinha de alumínio.
–Claro que não, mas você não deveria ficar com a sua mãe? -perguntou Catarina se sentando no compartimento.
–Eu não tenho mãe. -disse a menina simplesmente. Catarina fez um barulho com a boca e a menina desceu. -Tudo bem, não precisa sentir pena.
–Você está sozinha? -perguntou Catarina.
–Não, minha babá irá vir daqui a pouco, mas ela parou para conversar com alguém que tem uma doença e pediu que eu viesse por mim mesma. -a menina rolou os olhos e arrancou o laço do cabelo. -Ela vive enfiando esses laços em mim, mas eu os odeio. Não posso fazer nada divertido, porque ela sempre diz que não é dever de uma menina.
Catarina soltou uma risada. -E o dever de menina é muito chato! Não é?
A menina concordou com a cabeça. -Ela quer que eu brinque de boneca, para quando eu tiver filhos saber o que fazer! Mas eu não vou ter filhos.
–Não vai?
–Não! Como eu vou cuidar de um bebê quando eu estiver pilotando um avião?
–Você quer pilotar aviões? -perguntou Catarina impressionada. -Isso é maravilhoso!
–Você acha? -perguntou a menina rindo. -Você tem nada para brincar? Sem ser boneca.
–Bem, eu não ando por aí com brinquedos, mas e tenho algo que você vai gostar. -Catarina tirou um livro da bolsa e a menina esvaziou como um balão.
–Um livro? Eu já leio livro. Livro de história, livro de matemática...
–Não, não. -disse Catarina. -Esse livro conta uma história. Sobre mágicos e bruxas. Sobre meninas e cachorros. Sobre coisas inacreditáveis.
A menina se sentou ao lado de Catarina e os olhos castanhos a olharam. -Eu já estou pronta.
Catarina começou a leitura e sempre olhava para a menina. Imaginou como seria quando estivesse lendo para sua própria filha.

George estava enlouquecido e a cada dia perdia um pedaço de esperança de que sua esposa voltasse. Ele tinha que cuidar da casa e das filhas, Anna e Felícia estavam ajundando-o muito. Santana não saia do quarto fazia um bom tempo. Rachel estava de castigo por fazer algo irresponsável e ilegal. Mesmo que George tenha ficado impressionado quando viu a sua assinatura copiada por Rachel. Beth era a única "livre" das três irmãs, mas a força dos pulmões ficava fraca com o ar da rua e ela preferia ficar em casa. George estava sentado no seu escritório e tentava resolver sobre as casas que haviam tomado. Pela porta aberta, ele viu um vulto andando de um lado para o outro. Ele deixou os papeis em cima da mesa e foi atrás da figura. Na escada, ele viu Santana entrar na biblioteca e abrir a porta para a sala de dança. Ela se sentou no meio da sala e abraçou os joelhos. Estava magra e pálida. George sentiu o coração se partir por ver a filha naquele estado. Ele saiu andando sem fazer barulho até o andar abaixo e foi nos quartos de suas filhas. Num instante, ele colocava o rádio no chão da sala de dança o que fez Santana se assustar e virar rapidamente. Os três, George e Beth e Rachel, estavam vestidos com figurinos de tango. Ele ligou o rádio e uma melodia suave percorria a sala. Dorothy caminhou até o colchão e se deitou. Santana se levantou e com um puxão, seu pai estava dançando com ela. Ela soltou uma risada com as caretas do pai. Beth segurou as mãos de Rachel e dançou com ela pela sala. Santana encostou a cabeça no peitoral do pai e o abraçou pela cintura. Ele colocou uma mão sobre sua cabeça e beijou-lhe o topo.
–Eu te amo, princesa. -disse ele rindo.
–Beth, você tem que virar para o outro lado. -disse Rachel.
–Eu estou liderando, Rach. Pare um pouquinho. -pediu Beth. George girou Santana e ela sentiu seu corpo livre.
Ela está lidando mais do que deveria, pensou George enquanto dançava com a filha. A campainha soou e a porta se abriu, Anna soltou um berro fino e curto. Ela parecia alegre. Santana correu para o seu quarto pensando ser sua mãe. Ela não estava errada de pensar assim. George desceu as escadas com a roupa do tango, se preparando para dizer milhões de coisas para Joanne, mas quando a moça se virou na sala, não era Joanne. Graças aos céus!
–Céus. -disse Catarina quando viu George. Ela começou a rir e só parou quando lágrimas já escorriam pelos olhos. -Você está deslumbrante!
–Você me encanta cada vez mais. -disse George rindo. Abraçou Catarina e se sentaram no sofá.
–Onde está todo mundo? Saíram? Onde estão as meninas?
George sentiu como se ela corresse e de repente encontrasse uma parede. -Você não sabe de nada?
–Eu não sei sobre o que?
–Eu odeio ser a pessoa que te fala isso, até porque não é meu papel falar o que você perdeu, mas desde que Joanne se foi eu tenho tentado fazer tudo que ela fazia...
–Joanne se foi? O que quer dizer com isso? Ela...
–Eu não sei onde ela está. -disse George. -Ela saiu de casa com uma mala e não contou nada para as meninas.
–Por que ela faria isso, George? Ela nunca faria isso.
–Bem, ela fez. Porque descobriu que a Santana namorava a Brittany. Pois é, nós já sabemos. Ela não aceitou muito bem a notícia.
–Eu não consigo acreditar que minha irmã seria capaz de tal ato frio. -disse Catarina baixinho. -E como estão as meninas? Devem estar arrasadas.
–Hoje Santana saiu do quarto pela primeira vez em semanas. -comentou George. -Mas não posso te dizer como Brittany está.
Catarina fechou os olhos. -Como assim, não pode?
–Num acesso de raiva, Joanne ligou para Julieta. Ela veio buscar Brittany. E eu Santana tentamos traze-la de volta, mas a tia disse que a havia mandado embora.
–Não, não... Vocês não entendem. Julieta está fora de si. -Catarina subiu as escadas correndo. Ela foi até o quarto de Santana e girou a maçaneta. A porta está tancada. -Santana, sou eu.
A porta de madeira se abriu e Santana caiu nos braços de Catarina.
–Eu fiz tudo errado.
–Não, não. -disse Catarina apertando Santana. -Nós vamos dar um jeito nisso. Eu te prometo. Mas agora, preciso que faça as suas malas e leve tudo que você considerar importante embora. Você não pode e nem vai ficar aqui. Pelo menos até eu entender tudo que aconteceu. Enquanto você faz as malas, eu vou sair e ter uma conversa com alguém. Esteja pronta antes das duas da tarde.
Catarina andou até o escritório de George e discou o número. Após o barulho, um homem a atendeu.
–Olá, senhor Arnold. É a Catarina, filha de Diane Carmel. Eu preciso de um favor muito importante.
–Cat! Até parece uma moça já. Quantos anos deve ter? -Catarina riu para ocupar o espaço de tempo, que este já era muito curto. -Do que precisa, Cat?
–Do senhor, é claro. Preciso do advogado da família.
–Sua mãe está me solicitando?
–Não, senhor. Sou eu mesma.

Quando Catarina voltou da reunião com o senhor Arnold, o dia já estava fresco e o frio se instalava. Ela subiu as escadas e Santana havia praticamente empacotado seu quarto. Ela havia dormido sobre uma mala de couro e havia trocado a camisola por um vestido. Catarina a acordou delicadamente e chamou todos para levar as malas de Santana para o carro. George a chamou no canto e perguntou o que ela estava fazendo.
–Eu vou a tirar daqui por algumas semanas. -comentou Catarina baixinho. -Ficar aqui, não está fazendo bem para ela.
Quando as malas já socavam o carro e todos os abraços já fossem dados sem muitas explicações, as duas partiram para onde John estava dirigindo.
–Para onde estamos indo, tia Catarina?
–É perto. Você conhece, não é nenhuma surpresa. -comentou Catarina num sorriso. E mais baixinho disse para si mesma. -Espero que também não seja uma surpresa para ela.

Uma hora depois da partida de Santana, um vulto real entrou pela casa. Anna gritou novamente, mas não era muito feliz, foi como um surpresa, um susto.
–Anna, você pode não gritar tão alto? -perguntou Joanne com a mão esquerda na cabeça. -E pode me preparar um banho?
Joanne fedia. Ela usava um vestido de algodão que estava sujo, o cabelo estava duro pela terra da estrada. Ela tirou o chapéu e jogou-o no sofá. A mala estava abrindo e os sapatos estavam gastos e sujos.
–A senhora está bem? -perguntou Anna enquanto segurava a mala e subia as escadas atrás de Joanne.
–Eu já estive melhor, Anna. -disse Joanne.
Anna bateu na porta e George abriu. Ele viu Joanne num estado deplorável e todo o discurso que havia preparado havia sumido, porque tudo que ele fez enquanto a viu naquele estado foi rir, como se estivesse enlouquecido.
–Pare de rir de mim! -pediu Joanne. Ele entrou no quarto e continuou rindo. Joanne foi direto tomar banho. Não importava se a água estaria fria ou escaldante, ela se jogaria na banheira e não sairia. Quando suas mãos tocaram os cabelos duros, a porta se abriu. A água estava fria. A casa estava fria. As pessoas estavam frias.
–Você tem ideia do que você fez, Joanne?
–Sim, eu tenho. -disse Joanne antes de ficar totalmente coberta por água.

–Emily! -chamou Diane na ponta da escada. -O que está acontecendo aí embaixo? Que barulho é esse?
Emily não respondeu. Diane desceu as escadas e encontrou Catarina sorrindo com os braços abertos.
–Catarina! -disse Diane abraçando a filha. -Você voltou! Você está bem? Está tudo bem?
–Eu estou bem, mas está tudo confuso ainda. Como a senhora está? A Lalita está?
–Não, ela foi comprar temperos para o jantar. -disse Diane sorrindo. -Você quer tomar um café? Emily deve estar lavando roupa, mas eu posso pedir para que ela...
–Não, mamãe. O problema não sou 'eu'. -disse Catarina. Santana entrou na sala com duas malas e John entrava trazendo as outras. -Pensei que você e a Santana poderiam conversar. Conversar sobre tudo!
–Claro, claro. -disse Diane e foi até a neta. -Céus, Santana! Você está magra! Está tudo bem?
Santana abraçou a avó e não respondeu. O contato das peles fez isso para ela.
–Eu preciso ir agora. -disse Catarina abraçando as duas numa só vez. -Eu vejo vocês depois.
Catarina pediu que John a levasse de volta, mas não para a mansão dos Kutterin. Ela alugou um quarto de hotel e ficou pensando no que Arnold havia contado para ela. Ela tirou o colar de ouro do pescoço e pela primeira vez desde que havia ganhado o pingente, ela o colocara no dedo anelar. Era um anel de ouro.

Lalita havia chegado uma hora depois de Catarina e quando entrou pela porta, não esperava pela cena que via. Santana estava chorando com a cabeça apoiada no colo de Diane, enquanto Diane chorava. As duas olharam para a recém chegada e nada falaram. Diane beijou a bochecha de Santana e acompanhou Lalita até a cozinha.
–O que está acontecendo? Vocês estão bem? -perguntou Lalita. Ela colocou as sacolas de papel na mesa e foi abraçar Diane, mas esta esquivou e foi até a chaleira.
–Você quer café? Eu posso fazer. Eu vou fazer um chá. É, eu preciso de um chá. -disse Diane baixinho. Lalita caminhou até ela e prendeu seus braços.
–Pare! O que aconteceu? -perguntou Lalita. -Por que você está tão assustada?
–Porque eu nunca achei que minha filha pudesse fazer tal atrocidade! -disse Diane. -E se ela soubesse sobre nós? Ia cuspir na minha cara.
–O que isso quer dizer? -perguntou Lalita.
–Ela mandou a namorada da Santana para algum lugar e fugiu! Eu sempre soube que ela tinha sangue de barata. Deve ter puxado o imbecil do pai dela.
–Diane. -Lalita estava estática, parada, imóvel. -Santana é...
–Apenas um cego não veria. -disse Diane e riu. -Ela precisa entender que o mundo não a casa que ela vivia. Mas eu não sei como falar isso para ela.
–Eu sei. -disse Lalita. -Vamos contar sobre...
–Vocês? -perguntou Santana na entrada da cozinha. Ela limpava o rosto que havia ficado marcado com lágrimas e sorriu por trás de toda aquele sofrimento. -Apenas um cego não veria.

Naquela noite, quando todos estavam num ciclo normal, houve um segundo em que ninguém falou, se mexeu ou sentiu. Um simples segundo para que todos olhassem a sua volta e averiguassem o que havia acontecido. Joanne estava jantando sozinha após ninguém ter descido para acompanha-la. George, Rachel e Elizabeth havia saído para jantar e amenizar o clima em casa. Catarina estava sentada no sofá do quarto de hotel, pensando, enquanto girava o anel de ouro do dedo anelar. Santana estava jantando enquanto ouvia as histórias de Lalita e Diane. Ela usou esse segundo extra para pensar nela. E ignorar tudo que não fosse a Brittany. Eles todos ouviam a mesma melodia melancólica sair do rádio. Na mansão dos Kutterin. No restaurante. No quarto de hotel. Na casa de Diane e Lalita. Em todos os lugares.

Notas finais
E então? O que acharam? Devo continuar com capítulos curtos ou gostam dos grandes? Deixem a opinião de vocês e comentem!! Espero que tenham gostado e até mais! Beijos!