At Last

1 Monólogo


Ela fixou os olhos em mim de uma forma estranha. Eu estava muito bêbado para notar algo estranho, carregado de sentimentos negativos após perder tantas pessoas que eu não estava preparado para perder. Ainda assim, observei o sorriso infantil da garotinha, ela acenava um adeus no ombro de sua mãe e se encolheu depois que as portas do ônibus se fecharam. Aquela expressão brincalhona era próxima demais, falava diretamente comigo e mesmo assim eu não ouvia nada.

A sensação cortou o efeito do álcool. Fiquei paralisado. Entre a verdade de que algo estava se repetindo e a ilusão de que algo poderia se repetir. Como uma criança humana pôde ver uma divindade tão facilmente? Se é que eu sou uma divindade...

O ônibus desapareceu, assim a garota, mas a sensação de que Eun Tak havia voltado permaneceu em cada imagem viva, em cada sensação e em cada pensamento.

Eu só vejo você...

Como assim “me vê?”.

Ahjussi, você é um fantasma. Eu vejo fantasmas...

Como já esperava, ainda era tudo muito vívido na minha mente, como se não fizessem dez anos que ela morreu.

Depois de tudo que aconteceu, eu espero que não os veja mais, que tudo isso não tenha passado de um sonho, mesmo que isso implique esquecer tudo. Inclusive de mim.

Notas finais
;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!