At 7 a.m
6 Capítulo 5
Notas iniciais
— Escuta, já tenho uma ideia de onde ir hoje. – O rapaz anunciou assim que se sentou ao lado da garota.
— Você parece bem interessado em sair comigo nos últimos dias. – Lake comentou divertide.
Ele corou. – Desculpa.
— Não precisa pedir desculpa. Onde? – perguntou.
— Surpresa. Hoje à noite. Se puder, claro.
— Vou pensar no seu caso. – Elu se recostou no banco do metrô e puxou o celular e a case com os fones de ouvido sem fio da jaqueta, oferecendo a ele um dos mesmos – Quer escutar?
— Valeu. – Ele aceitou, colocando o aparelho no ouvido e se recostando como ela.
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No fim do dia após o término da aula, o garoto ligou para a fotógrafa para confirmar o encontro assim que saiu do prédio do campus.
— Oi! Confirmado hoje?
— É, então, só...
Ele ouviu elu falar com alguém fora da ligação e esse alguém parecia animado. Não demorou muito para encontrá-la se aproximando junto de duas pessoas.
O semblante delu não era de muita empolgação.
— Oi! – cumprimentou assim que se aproximou delas.
Ê garote apenas deu um aceno rápido em resposta.
— Oi! Sou a Tulip, e essa é a Mikayla. – A ruiva apresentou com um sorriso.
— Jesse. – eles apertaram as mãos em cumprimento.
— Lake não falou de você pra gente, mas sabíamos que tinha algo diferente. – Tulip explicou.
— Não foi difícil ligar os pontos. – Mikayla continuou. – Aliás, ela nunca tinha pedido pelo meu carro antes.
— Elu nos contou que vocês vão sair hoje. – a outra comentou.
— Ah é, tava pensando em irmos na pista de patinação não muito longe daqui. – Ele informou, chamando a atenção dê outre que até então evitava prestar atenção na conversa, envergonhade com o que as meninas haviam dito anteriormente.
— Sério? A gente tava querendo ir lá também! Podemos ir juntos, se quiser. – Tulip convidou.
O rapaz ponderou por uns segundos, desviando o olhar para ver o que ê garote dizia. Ela não pareceu se incomodar.
— Por mim tudo bem!
— Ótimo! Ainda bem que não estacionei muito longe. – Mikayla comemorou.
Jesse caminhou ao lado de Lake enquanto as outras duas iam na frente.
— Pista de patinação? Sério? – elu começou.
— É... Por quê? – ele abriu um sorriso travesso. – Vai me dizer que não sabe patinar?
Ela preferiu ignorar, sentindo as bochechas avermelharem.
— Relaxa, eu posso te ensinar.
— Eu nunca disse que queria aprender. – retrucou.
— Ah, qual é! Vai ser divertido. – ele implorou.
— Você não desiste fácil não é? – ela arqueou uma sobrancelha enquanto cruzava os braços.
— Não mesmo. – o rapaz afirmou com orgulho.
— Onde eu fui me meter... – elu resmungou.
O garoto ouviu, mas não se chateou. Em vez disso, sorriu e lhe estendeu a mão.
Elu a segurou até chegaram ao carro, onde se separou para entrar pela porta oposta. O rapaz pensou em abrir a porta para ela, mas ela já havia se distanciado antes disso.
— E então Jesse, você faz qual curso? – Mikayla indagou enquanto colocava o cinto.
— Educação Física, e vocês?
— Eu faço jornalismo, e a Tulip Ciência da Computação. Essa nerd fica falando o tempo todo de programação então se acostume. – Ela levou um soco de brincadeira no braço pela ruiva que protestou.
— Ei! Eu não sou assim!
— É sim. – Lake afirmou do banco de trás.
— Lake! – ela suspirou. – Quando eu ficar famosa com os jogos que eu programei, quero ver vocês correrem atrás de mim.
Mikayla riu e ê garote revirou os olhos. O garoto sorriu timidamente.
Continuaram a viagem conversando, as duas da frente falando mais que os de trás, que falavam apenas de vez em quando.
O rapaz sorria quando a garota conversava com as outras. Pareciam próximas. Era uma parte nova delu que estava adorando conhecer.
Chegaram rapidamente com os bate-papos. Mikayla parou no estacionamento razoavelmente vazio que havia a frente do estabelecimento de patinação.
O lugar era pouco iluminado e as janelas eram preenchidas com um insulfilm escuro, deixando apenas fitas LED coloridas e luzes semelhantes a holofotes espalhadas clarearem o espaço. Havia um globo de festa no centro da pista, que refletia as luzes formando feixes para todos os lados. Uma música de indie rock tocava em um volume ligeiramente alto. Em uma parte anexa à pista, o DJ parecia concentrado em seu trabalho. As poucas pessoas que ali patinavam pareciam absortas em suas conversas.
O grupo pagou a hora que ficariam por ali e se reuniram em um banco próximo da beira da pista para arrumarem seus patins.
— Vamos apostar: quantas vezes ê Lake vai cair? Eu aposto 6. – Tulip começou, com um sorriso travesso.
— Não vamos apostar nada. Vem. – Mikayla puxou a ruiva para a pista antes que ela sequer pudesse dizer mais alguma coisa. Ela cochichou algo pra a outra que a fez compreender o gesto.
— Você não vai cair. Até porque eu sou um ótimo instrutor. – Jesse afirmou convencido após as outras duas se afastarem. Ele ficou de pé com os patins sem nenhum problema no carpete estampado que envolvia todo o piso do lugar com exceção da pista e lhe estendeu a mão. – Vamos?
— Se eu cair eu quebro essa sua cara. – Lake intimidou e segurou na mão dele.
Ao se levantar, segurou mais forte em busca de apoio para se equilibrar sobre as oito rodinhas. Ao notar sua insegurança, o outro segurou sua outra mão até que elu ficasse estável de pé.
— Tudo bem? – ele perguntou.
— Mais ou menos...
— Vamos até a pista. Aqui não é tão escorregadio, então não vai ter tanto problema de cair. — Ele deu um pequeno passo com o pé esquerdo e depois com o direito, e ela fez o mesmo.
Não parecia tão difícil quanto elu imaginava.
Ele avançou para a pista primeiro e soltou da mão dela por um instante para se equilibrar antes.
— Segura ali. – Ele instruiu, apontado para o apoio que cercava toda a pista. Elu o fez com a mão direita. Em seguida ele segurou sua mão esquerda.
— Quando entrar, fique se apoiando aí. Daí quando se sentir segura, a gente anda junto, beleza?
Elu assentiu. Respirou fundo e avançou devagar, apoiando todo seu braço direito no apoio da beira da pista e segurando forte a mão do garoto. Sentiu dificuldade em se equilibrar, o piso era bem mais escorregadio do que pensava.
Quando sentiu equilíbrio suficiente, soltou seu braço direito do apoio. Entretanto, a pés deslizaram um para frente e outro para trás. Assustade, tentou reestabelecer equilíbrio trocando-os de posição, o que não a ajudou.
— Lake, Lake! – O rapaz se pôs a frente dela e segurou com a mão livre o braço dê garote. – Olha pra mim. – Elu obedeceu, levantando o olhar que antes observava os patins instáveis. – Isso. – Ele apoiou os antebraços abaixo dos dela, segurando em seus cotovelos, enquanto ela se segurava nos braços dele. – Pronto.
Ela percebeu que havia voltado a ter equilíbrio.
— Viu? Eu falei que não deixaria você cair. Até porque eu prezo muito pela minha carinha linda. – Ele sorriu e ela riu levemente.
— Besta. – Ela soltou um dos braços para que pudesse lhe dar um peteleco na testa.
— Ai! – Ele acariciou a parte doída. – Certo. Vamos fazer igual antes, mas os passos tem que ser mais abertos pra ter equilíbrio, ok?
— Ok.
O garoto voltou a segurar a mão da outra e fez como disse. Elu o seguiu, receose.
Apesar de que ainda estivesse sentindo um pouco de medo de cair, Lake estava indo muito bem para uma primeira vez. O que a confortava – mesmo que não quisesse admitir isso a si mesme – era que Jesse estava ali para ajudá-la caso precisasse.
— Eu adoro essa música! – Ele exclamou e começou a cantar junto, mesmo que desafinasse a maior parte da canção.
A garota já se sentia confiante o bastante para que não precisasse ficar olhando para seus patins a maior parte do tempo, então o observou enquanto cantava. Observou como o cabelo dele voava com o vento conforme patinavam e como ele parecia feliz cantando. Não notou nem quando ele ê olhou nos olhos, ainda cantando
— You take me on a ride... Gonna drive me crazy!
Quando notou o que a letra dizia e da forma que ele a olhava, elu corou e desviou o olhar.
— Você tá indo muito bem. – Jesse elogiou.
— O que? – Elu voltou seu olhar a ele.
— Patinando.
— Ah... Valeu. Por me ensinar também. – A outra agradeceu, tímida.
— Não tem de que.
Após alguns segundos de silêncio, o garoto decidiu perguntar:
— Vou sair para comprar uma água e descansar, quer ir também?
— Pode ser.
Patinaram juntos até a beira da pista e, enquanto ele ia em direção a máquina de bebidas, ela o esperou observando as outras pessoas que patinavam. Tulip e Mikayla pareciam felizes, dando risadinhas uma hora ou outra conforme conversavam. Estavam de mãos dadas como eles.
Ela sorriu sem perceber.
— Quer? – Jesse ofereceu assim que se aproximou e se sentou ao seu lado.
— Não, de boa. – E voltou sua atenção para as pessoas da pista.
O garoto tomou alguns goles da água e suspirou. Havia chegado a hora de dizer a elu. Como diria? Como faria? Apesar de já ter imaginado dezenas de cenários diferentes, não tinha certeza de como deveria agir.
— Lake. — Ele chamou a atenção delu que o olhou. Com coragem, começou – Eu...
— Com licença. – Uma criança interrompeu, parecia ter uns seis anos. – Você é menino ou menina? – Questionou para ê garote.
— Sou seu pior pesadelo. – Lake retrucou de imediato. Jesse riu baixinho.
A criança não pareceu gostar da resposta e voltou de cara amarrada para os pais que patinavam.
Elu deu de ombros e voltou sua atenção para o garoto. – O que estava falando?
— Ah... Nada. Não era importante. – admitiu mais para si do que para ela.
— Ei, vocês não vão voltar? – Mikayla indagou, se apoiando no cercado da beira da pista.
— Ainda temos bastante tempo. – Tulip completou.
— Já estamos indo. – O rapaz se levantou e estendeu a mão às outra que aceitou e a segurou.
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— Obrigado pela carona, gente! – Jesse agradeceu e saiu do carro. Elas haviam insistido em levá-lo para casa.
Ê garote decidiu sair também para se despedir.
— Então... Obrigade por hoje.
— Eu que agradeço. Foi bem divertido. – Elu assentiu concordando. Após alguns segundos de silêncio, ele decidiu perguntar algo que o intrigava. – Elas ainda não falaram uma pra outra que se gostam?
— Pois é. Tá na cara né? – Ela riu de leve e ele também.
— É. Elas provavelmente devem estar observando a gente agora. – Ele olhou rapidamente para o carro com as janelas fechadas.
— Com certeza. – Elu nem precisou olhar para trás para ter certeza. Sabia como as duas eram.
Ficaram observando seus próprios pés por um tempo. Ambos tinham o que falar, mas não tinham coragem para dizer em voz alta.
Em um impulso, Lake o abraçou envolvendo os braços ao redor do pescoço dele sem nada dizer. O garoto ficou surpreso com a ação delu. Após processar o que acontecia, retribuiu o abraço com os braços ao redor da cintura dela e fechou os olhos pensando na sensação de lar que o abraço lhe proporcionava, e com elu não era diferente.
Permaneceram no abraço por alguns longos segundos, e então se separaram.
— Até. – Elu se despediu e correu para o carro. Compreensiva, Mikayla acelerou.
— Até. – Ele disse, atrasado.
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— O que foi isso? – Tulip exclamou com um sorriso, virando para olhá-la no banco de trás.
Ê garote a ignorou, sentindo as bochechas enrubescerem.
— Se me permite dizer, ele parece gostar bastante de você. – Mikayla comentou e a olhou rapidamente pelo retrovisor.
Elu sorriu e desviou o olhar para a janela. Apesar de uma parte de si preferir ser pessimista, optou por se concentrar no otimismo. Afinal, havia tido um ótimo dia.
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