At 7 a.m

4 Capítulo 3


— Por que aqui? – Jesse perguntou assim que se aproximou delu na porta de entrada do shopping.

— Preciso fazer compras, oras. – Respondeu com um sorriso, e entrou. – A propósito, adorei o bottom. – Ela apontou para o broche na mochila dele com a bandeira bissexual. Ele não compreendeu por completo, então a mesma mostrou um bottom idêntico na bolsa dela, junto da bandeira não-binária.

Ele sorriu.

Sua primeira parada fora uma loja de roupas dos mais variados estilos. Lake o puxou para a seção de roupas mais escuras.

— Precisamos encontrar um outro casaco pra você. Você só usa aquele lá! – instruiu.

— Ei! É minha jaqueta de estimação. – Ele protestou. – E mais, não estou usando ela hoje. – De fato, ele usava um suéter azul escuro no lugar da jaqueta esportiva.

Ela revirou os olhos e continuou procurando.

— Que tal essa aqui? – O estendeu um casaco jeans escuro no cabide.

— Tenho uma ideia: você escolhe uma peça de roupa pra mim, e eu escolho outra pra você. Fechado? – Propôs.

— Fechado. – Elu o entregou o casaco escolhido. – Já fiz minha escolha.

Ele assentiu e foi explorar a loja, enquanto ela continuou onde estava para procurar por mais roupas para si.

Queria que fosse uma peça de estilo diferente ao que Lake estava acostumade. Não demorou muito para que encontrasse algo que o remetesse a elu.

Ao encontrá-la, ela já havia escolhido algumas camisetas – todas contendo preto como sua cor principal.

— O que achou? – Jesse questionou.

Ela ergueu o olhar da bancada onde havia mais camisetas. A peça que ele escolhera era uma blusa de flanela com verde escuro e preto. Ela analisou com atenção. Não era algo tão fora do que gostava, mas também seria sua primeira peça com verde.

— Tá. – Ela fez que ia pegar a blusa, mas ele recuou.

— Eu pago.

— O que? Não. Me dá aqui.

Ele fez que não com a cabeça e estendeu a mão para que elu lhe entregasse as outras peças.

— Ok. – Ela o fez.

Foram ao caixa e Jesse pagou. Na saída da loja, Lake murmurou um obrigada.

— Como é? – o rapaz brincou.

— Obrigada! – Ela disse mais alto, tímida.

— Não tem de quê. – Sorriu.

Lake cogitou segurar a mão do garoto. Estava reunindo coragem quando ele exclamou de surpresa para outra coisa. Recolheu as mãos e cruzou os braços.

— Eu preciso de um desse! – Exclamou e foi até um suporte giratório de óculos de sol que havia na entrada de uma das lojas.

O garoto começou a provar todos os óculos possíveis, se divertindo mais do que analisando qual escolheria.

— O que acha desse aqui? – Ele a estendeu um óculos circular.

Elu o pegou e colocou. Jesse a puxou pela mão gentilmente para que se olhasse no espelho.

O acessório havia combinado com ela.

— Ah... Valeu, mas eu tô de boa. – Retirou o óculos de si e devolveu a ele.

— Certeza? Ficou bem em você.

Elu corou.

— Vou entender como um sim. – Ele pagou e voltou com uma nova sacola.

— Não precisa pagar por tudo. – Afirmou ela.

— Só estou sendo cavaleiro. – Brincou.

— Ah é? – Lake sorriu com malícia. – Então se eu te pedisse um carro, compraria?

— Não! Qual é! – Ele protestou. – Sou só um universitário.

Ela riu e ele a seguiu.

— Quem sabe eu ganhe na loteria um dia, aí eu posso te dar um carro. – Ele pensou alto.

— Ficarei no aguardo.

— Ei, que tal irmos no fliperama? – ele apontou para a área de jogos iluminada com luzes neon.

Elu sorriu e disparou na frente. Compraram algumas fichas e logo começaram a jogar.

— Deveríamos fazer uma aposta pra ver quem ganha mais pontos. – Jesse propôs.

— O que eu ganho com isso? – Lake cogitou a ideia.

— Sei lá. Mas se eu ganhar, posto uma foto zoada no seu feed. – Ele sorriu. Parecia que tinha sido sua ideia mais genial até então.

— Tá. – Ela inseriu a ficha no jogo mais próximo, no qual tinha que acertar a bola de basquete na rede que se movia.

— Uau. Achei que ia demorar mais pra aceitar. – Ele fez o mesmo na máquina do mesmo jogo ao lado do dela.

— É que eu sei que vou ganhar.

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A disputa estava acirrada. Entretanto, Lake ganhara algumas dezenas de pontos a mais que o garoto com a última ficha. Elu comemorou e o outro não pareceu chateado por ter perdido.

— Foi divertido. – Jesse afirmou assim que saíram do shopping. A noite chegara, o que os fez perceber que haviam passado algumas horas a mais do que esperavam ali.

— É. – Concordou ela, ajeitando o cervo de pelúcia que trocaram com os tickets que ganharam em seu colo.

— Já deu um nome? – Ele apontou para a pelúcia.

— Não...

Ele pensou. Colocou a mão no queixo, o que fez a outra sorrir. Era um hábito engraçado dele.

— Alan Dracula! – Exclamou.

— O que? Não! Não combina com ele.

— Claro que combina. – Ele parecia orgulhoso da sua decisão.

Ê garote nada disse, apenas suspirou.

— Vou pensar nisso. – Ficou na ponta dos pés e deu um beijo rápido na bochecha do outro. – Nos vemos no domingo. É bom que me mande seu endereço até lá ou eu vou ir sem você. – Sorriu e foi embora, deixando o rapaz processando o que havia acontecido.

— Pode deixar! – Ele gritou, esperando que ela ouvisse.

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Pouco antes de dormir ela escutou um som de notificação no celular repousando na mesa de cabeceira. Ele havia mandado o endereço. Sorriu, e adormeceu.